Jacaré

Jacaré tem como limites os bairros de Itaipu, Piratininga, Cantagalo, Vila Progresso, Muriqui, Rio do Ouro e Engenho do Mato. O nome do bairro tem origem no rio Jacaré, onde, até há algum tempo, segundo antigos moradores, tais animais eram vistos..

Como em toda Região Oceânica, o bairro surge do parcelamento de uma grande fazenda, o que favoreceu o processo de grilagem no local. Ainda hoje encontramos produtores agrícolas e criadores de pequena monta.

A partir dos anos 60 a área passou a ser ocupada por posseiros oriundos de diversos locais. Já na década de 80 o poder público municipal desapropriou parte dos terrenos, dando posse definitiva aos que lá habitavam. Hoje podemos notar a coexistência de alguns sitiantes com núcleos de uma população de baixa renda, além de recente processo de favelização.

A ocupação espacial se desenvolveu em torno da principal via do bairro, a Avenida Frei Orlando (antiga estrada do Jacaré), onde predomina a população de baixa renda — com exceção do Condomínio Ubá que, margeando a estrada do Jacaré, é um dos mais antigos da Região Oceânica. A favelização aparece sobretudo no morro da Boa Esperança, situado entre as estradas do Jacaré e Celso Peçanha. Outra área de favelização situa-se no Vale Verde, que derivou da remoção de alguns moradores dos arredores da lagoa de Piratininga.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O único equipamento público encontrado no bairro é a Escola Municipal Eulália da Silveira Bragança que atende do pré-escolar até a 4ª série. Os demais, como escolas de 5ª à 8ª séries e de 2º graus, bem como postos de saúde, a população busca em bairros adjacentes.

A rede geral de esgotos é precária: lançado em fossas ou diretamente no rio Jacaré, sendo um dos principais fatores de poluição. A água é proveniente de poços ou nascentes e as ruas não são pavimentadas, inclusive a via principal, a Avenida Frei Orlando que interliga o bairro a outra Região de Planejamento (Pendotiba, bairro Muriqui).

A Avenida Frei Orlando encontra-se mal conservada, principalmente na subida do morro do Jacaré. Na confluência da Avenida Frei Orlando com a estrada Francisco Cruz Nunes, encontramos um luxuoso condomínio residencial com casas de alto padrão construtivo.

Os moradores do Jacaré , para terem acesso aos transportes coletivos, são obrigados a caminhar até a antiga estrada Celso Peçanha em função da inexistência de qualquer linha de ônibus operante no interior do bairro.

Da mesma forma que, por essa deficiência, parte considerável da população utiliza-se de bicicletas para se deslocar no bairro e nos arredores da região.

Localiza-se ainda no Jacaré, um Camping Club que, nos finais de semana e feriados, recebe população originária da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A tendência do bairro é continuar crescendo por estar inserida no contexto de expansão da Região Oceânica.

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Pé Pequeno

Tendo como limites Santa Rosa, Cubango e Fátima, o Pé Pequeno é um dos menores bairros de Niterói.

A origem do nome está associada ao surgimento do bairro. Quando a antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasta região começou a ser desmembrada entre os seus herdeiros, a maior área ficou em poder de Antonio José Pereira de Santa Rosa Jr., conhecido também por Pé Pequeno. Este, por sua vez, vendeu parte das terras situadas à esquerda da antiga estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cézar), logo transformadas em chácaras. Com o passar do tempo, as chácaras do Pé Pequeno, que abrigavam famílias de nível econômico elevado e alguns dos nomes ilustres do município, foram revendidas e loteadas. Abriram-se novas ruas e foram construídas novas residências.

Em meados da década de 40 começa a construção de várias casas no local, sendo as ruas saneadas e pavimentadas pouco a pouco, desenhando a atual configuração do bairro.

Embora até meados deste século o Pé Pequeno tenha acompanhado os mesmos processos de urbanização que deram origem a Santa Rosa, o bairro conseguiu resguardar-se de certa forma da explosão imobiliária que levou o vizinho a intenso processo de verticalização. O Pé Pequeno conseguiu manter-se como bairro horizontal de “status” eminentemente residencial.

O bairro possui área de 0, 32Km², com população residente de 3. 283 pessoas, segundo o censo de 1991 do IBGE, o que corresponde a menos de 1% da população total do município.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Atualmente o bairro é composto por população de classe média, em sua maioria. Mas o Morro do Pé Pequeno é ocupado por famílias de baixo poder aquisitivo. Mesmo assim, as condições dessa comunidade são bem melhores do que as de outras comunidades de baixa renda do município.

O Pé Pequeno é um local resguardado do crescimento vertical, sendo desprovido de áreas comerciais, e possui um ar de condomínio, o que também pode se creditado em parte às poucas vias de acesso que dispõe. Essa combinação levou seus imóveis a se valorizarem e hoje praticamente inexistem imóveis vazios ou disponíveis para locação e venda.

No atendimento às necessidades mais específicas, os moradores do Pé Pequeno recorrem ao comércio de bairros próximos: Santa Rosa, Icaraí, ou mesmo o do Centro. Os produtos básicos são obtidos no comércio do Largo do Marrão ou da rua Dr. Paulo César, no limite com Santa Rosa.

Devido ao bom poder aquisitivo dos moradores, a maioria possuindo automóvel particular; e devido ao reduzido espaço e a proximidade com as ruas Noronha Torrezão e Dr. Paulo Cézar, por onde passam diversas linhas de ônibus, a população do Pé Pequeno não tem problemas de transporte. Embora não circulem linhas de ônibus no interior do bairro.

Não há equipamentos públicos no Pé Pequeno. Ressalta-se apenas a existência de um estabelecimento de ensino particular que atende da 1ª a 6ª série do 1º grau, bem como pequenos escritórios e consultórios de profissionais liberais. A parte baixa do bairro possui uma satisfatória infra-estrutura básica. Um dos principais problemas existentes é a ocupação desordenada no Morro do Pé Pequeno. A comunidade do Morro é composta, em sua maior parte, por moradores antigos no local, mas verifica-se uma expansão recente em áreas de acesso mais difícil e de maior risco, desprovidas de infra-estrutura básica.

Em geral, a maior preocupação dos moradores é com a segurança. Com o aumento da violência urbana, a instalação de guaritas em alguns pontos é elemento mobilizador e polêmico. Apesar disso, sem sombra de dúvidas, o Pé Pequeno é um dos bairros mais tranqüilos e aprazíveis de Niterói.

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Fátima

Fátima é um bairro localizado junto ao Centro, limitando-se com este, além de São Lourenço, Santa Rosa, Pé Pequeno e Cubango.

O bairro surgiu da compra de uma área da antiga Chácara do Vintém, onde existia uma fonte usada pelos jesuítas, que teve papel relevante no abastecimento de água da cidade.

Niterói tinha fontes de água em diversos pontos. A primeira intervenção governamental no setor foi a captação dessas águas e a colocação de encanamentos em direção a chafarizes e bicas públicas. O manancial da Chácara do Vintém (ou Chácara Andrade Pinto) foi uma fontes captadas.

A água, muito límpida, era distribuída também por aguadeiros que anunciavam: “Olha a água da Chácara do Vintém que não faz mal a ninguém.” Nesses tempos, quem tinha “posses” não mandava buscar água nas bicas públicas, esperava que as carroças-pipas a levassem na porta por preço que, conforme a época, variava de 40 a 100 réis o barril.

O manancial da Chácara do Vintém chegou a ser adquirido pelo Governo devido a sua importância para a cidade.

Durante muitas décadas a água deste manancial foi utilizada, mesmo quando das tentativas (a primeira em 1892) de se captar água da Serra de Friburgo.

As características fisiográficas do bairro de Fátima influenciaram a sua ocupação e expansão. Embora próximo do Centro e de outros bairros, é separado destes por morros, sendo o mais significativo o de São Lourenço/Boa Vista.

Por entre os morros e também nestes, a Companhia Proprietária Brasileira, após aquisição da área, projetou e executou o loteamento de Vila Paraná, abrindo ruas, não só nos vales existentes, mas também nas encostas.

A construção de imóveis no bairro teve um ritmo inicial lento já que, apesar de sua proximidade, a precariedade de serviços e as características de muitos lotes, com acentuada declividade, exigiam custo alto e apuro técnico nas construções.

Por volta de 1945, foi criada a Associação de Moradores (antigo Centro Pró-Melhoramento de Vila Paraná) que decidiu trocar o nome da Vila para Nossa Senhora de Fátima. Os moradores que não eram católicos não aceitaram esta denominação passando então o bairro a chamar-se simplesmente, Fátima.

Em 1949 o bairro ainda não era muito habitado e não havia luz nas vias públicas. A energia era instalada diretamente nas casa a pedido dos moradores, cabendo à Companhia Brasileira de Energia Elétrica, em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói e com a Associação de Moradores, gerenciar esta parte.

Na década de 50 o bairro apresentou uma ocupação acentuada, composta principalmente por casas isoladas para fins residenciais, fruto do processo de urbanização vivido por Niterói e da expansão do próprio Centro da cidade. Devido ao boom imobiliário da década de 70 beneficiado pela construção da Ponte Rio-Niterói, surgiram nos limites do bairro prédios de apartamentos financiados pelo antigo BNH, o que contribuiu para a sua atual configuração.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do bairro por novas edificações foi intensificada nos últimos anos, principalmente na década de 70, restando poucas áreas para construção, à exceção das encostas dos morros de São Lourenço /Boa Vista.

No bairro, apesar da existência de moradias de bom padrão, há predomínio de residências de médio padrão, inclusive degradado (*), e conjuntos habitacionais. Observa-se também o aparecimento de áreas de favelização.

Com relação a equipamentos públicos, estão localizados no bairro o Centro Previdenciário de Niterói (CPN), o Ambulatório de Emergência e Enfermarias Médicas do INSS e a Escola Municipal Santos Dumont — que oferece turmas da pré-escola à 8ª série.

O comércio é insuficiente à demanda existente, havendo apenas alguns estabelecimentos que suprem as primeiras necessidades. Uma única linha de ônibus faz o transporte de moradores, em conjunto com duas Kombis. Devido a proximidade do Centro e de Icaraí, muitas vezes os moradores preferem caminhar. Todas as ruas de acesso ao bairro partem da rua Marquês do Paraná. Além das poucas ruas principais de acesso e de circulação, há no bairro um conjunto de ruas íngremes (ladeiras), entremeadas de vielas (todas pavimentadas). Com isso o bairro de Fátima, tão perto do Centro, fica isolado e resguardado da agitação e de muitos dos problemas do Centro, adquirindo um aspecto de evidente tranqüilidade. Segundo depoimento de moradores, o nível de criminalidade é baixo, o que torna Fátima um bairro tranqüilo e agradável de morar.

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Ititioca

Ititioca limita-se com os vizinhos bairros do Caramujo, Sapê, Largo ha, Viradouro, Santa Rosa, Cubango e Viçoso Jardim.

Apresenta-se com relevo bastante acidentado, o que motivou a existência de muitas curvas fechadas e descidas ou subidas na única via pavimentada que corta o bairro. As ruas secundárias, de traçado também irregular, muitas delas sem saída, configuram uma ocupação mais espontânea do que planejada. Salvo raros trechos, o conjunto do bairro possui fisionomia de urbanização periférica com frequente ocorrência de auto-construção.

Até meados do século, não havia vias de circulação no bairro. Consequentemente, o crescimento demográfico era pequeno.

Consta que nos anos 50, pela partilha de três sítios existentes no local, teria se originado este bairro, cuja denominação se deveria à pré-existência de uma oca indígena, cujos vestígios teriam existido até aquela década.

Iniciado o processo de partilha, sucedido pela fase dos loteamentos de periferia, o bairro começou a receber fluxos significativos de novos moradores, principalmente de nordestinos, a exemplo do que ocorreu também em outras áreas da região.

Em decorrência de sua topografia e do seu processo de ocupação, o bairro não tem homogeneidade interna. Ao contrário, a diversidade estabelecida permite identificar pelo menos as seguintes localidades: Ititioca, Poço Largo, Capim Melado, Atalaia, Morro do Bumba, Morro da Vitória e parte do Morro do Céu.

Mesmo dentro desses sub-bairros ainda existem trechos que recebem denominações locais como por exemplo, o Morro do Vai-Quem-Quer, que se confunde com o Morro da Vitória.

Todas estas localidades foram ocupadas, predominantemente, por segmentos de baixa renda, o que torna Ititioca um dos bairros mais pobres de Niterói.

Do ponto de vista dos equipamentos sociais, destaca-se um Posto de Saúde da Prefeitura, um orfanato e um Centro Social ligados à Arquidiocese de Niterói e apoiados por ONG’s alemãs. Dentre estes órgãos, o Posto de Saúde desempenhou importante papel potencializador na organização social da comunidade. A partir da prática de reflexões sobre o cotidiano numa espécie de “sala de espera”, surgiu a Associação de Moradores de Ititioca, uma das pioneiras em todo o Município.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio de Ititioca é incipiente, caracterizando-se por possuir apenas algumas mercearias e “biroscas”, sobretudo na área próxima ao ponto final da linha 44. Ao longo das estradas que cortam o bairro existem algumas oficinas mecânicas e borracheiros. Em geral a população utiliza o comércio do Largo da Batalha e do Centro.

A questão do transporte ainda hoje é problemática em Ititioca, assim como em quase toda a Região de Pendotiba. Embora há algum tempo atrás três empresas operavam no local, hoje apenas uma presta este serviço, não atendendo à totalidade do bairro.

Na parte da educação destaca-se o fato de existir apenas a Escola Estadual Vila Costa Monteiro, que atende da 1ª à 4ª série do 1º grau e que, atualmente, atua de forma deficiente por falta de professores, não correspondendo à demanda do bairro. Uma escola particular, do maternal à 4ª série, também funciona no local. Há também uma creche coordenada pelas Irmãs Missionárias do Coração de Maria, que atende a cerca de 100 crianças, filhos de mães trabalhadoras.

Em relação aos demais equipamentos públicos, existe um posto de saúde que atende, além de Ititioca, uma população proveniente dos bairros de Viçoso Jardim, Largo da Batalha e Caramujo. Atualmente esta unidade de saúde atende 8.233 moradores cadastrados, sendo 75% provenientes de Ititioca.

Nos anos recentes, em função da expansão da cidade em direção à Pendotiba e à Região Oceânica, e também em decorrência da pavimentação da estrada que liga o Largo da Batalha ao Cubango, Ititioca vem experimentando uma elevação no preço das terras ao longo desta rodovia, com expulsão dos mais pobres e a sua substituição por moradores de nível de renda mais elevado.

As perspectivas de crescimento não são muito grandes, principalmente porque o bairro não apresenta atrativos maiores para a classe média. Os condomínios fechados ainda não se difundiram em Ititioca.

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Itaipu

Itaipu apresenta registros de ocupação ocorrida há 8 mil anos por comunidades indígenas, fato comprovado através de estudos realizados no Sítio Arqueológico da Duna Grande. Lá foram observados restos de ossos e de utensílios primitivos, dos quais alguns compõem o acervo do museu arqueológico que funciona nas ruínas do Recolhimento de Santa Teresa (1764), localizado nas proximidades.

A propósito desse passado histórico, ressalta-se a construção em 1716 da Igreja de São Sebastião de Itaipu, monumento histórico-arquitetônico do município.

Os antigos habitantes tinham a pesca como uma de suas atividades principais e foram expulsos pelos portugueses ainda no período colonial. A partir de então, teve início a exploração da terra através da doação de sesmarias.

Mantendo a sua tradição pesqueira, além de ter presenciado o desenvolvimento da atividade agrícola nas fazendas que aí foram instaladas, Itaipu pertenceu ora ao município de Niterói, ora ao Município de São Gonçalo.

Uma outra atividade na região foi o desembarque clandestino de negros cativos para o abastecimento do mercado de escravos.

Já na década de 40 deste século, o desmembramento de três fazendas deu origem aos loteamentos que vieram a formar o bairro de Itaipu.

A partir dos anos setenta, como em toda a Região Oceânica, Itaipu foi palco de um intenso movimento migratório proveniente de alguns bairros de Niterói, de outros municípios do estado e da cidade do Rio de Janeiro – estimulado pela construção da ponte Rio-Niterói, que facilitou o acesso à Niterói.

Inicialmente predominavam as moradias de veraneio. Aos poucos, Itaipu foi assumindo um perfil mais residencial, sendo hoje um dos bairros de maior crescimento populacional do município.

O bairro foi constituído por uma população de estratificação social diversificada, refletindo deste modo a realidade brasileira. Apesar desta diversidade, predomina atualmente uma população de classe média que se estabeleceu em praticamente todas as áreas do bairro.

Quanto à população de baixa renda, existem dois grupos bem distintos que se estabeleceram em períodos e por motivos diferentes. Um destes grupos é composto pelos pescadores da localidade conhecida como Canto de Itaipu, de ocupação muito antiga. Suas atividades tiveram origem na herança cultural deixada pelos indígenas do local. Hoje, porém, esse grupo enfrenta inúmeros problemas sociais. O incremento populacional ocorrido a partir da década de 70 e o fluxo de turistas trouxeram uma série de transformações no modo de vida da comunidade de pescadores, o que resultou em sua descaracterização.

Entre suas modestas casas encontramos vários bares especializados em frutos do mar, sendo que, dos 21 bares existentes, apenas 04 ainda pertencem a pescadores locais segundo a ALPAPI (Associação Livre dos Pescadores e Amigos de Itaipu). Houve uma mudança radical de mentalidade na comunidade, influenciando jovens a não seguirem o ofício de seus pais.

O outro grupo que podemos ressaltar constitui a população que se instalou muito recentemente em algumas áreas da orla da lagoa, iniciando, assim, um incipiente processo de favelização.

Existe, também, uma população de classe média-alta instalada nos diversos condomínios residenciais horizontais que proliferaram na região a partir dos anos 80 e que ainda hoje se expandem ocupando, em algumas ocasiões, áreas de proteção ambiental, o que tem gerado alguns conflitos entre as construtoras, os grupos ambientalistas e o poder público.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio em Itaipu localiza-se com maior intensidade na antiga estrada Celso Peçanha e no Canto de Itaipu, atendendo inclusive aos moradores dos demais bairros da Região Oceânica. Nesta via há uma maior diversificação do comércio tendo surgido alguns centros comerciais com lojas variadas. Destaca-se, também, a grande quantidade de padarias, vídeo-locadoras, imobiliárias e, principalmente, lojas de materiais de construção e mercados de médio porte. Já no Canto de Itaipu, o comércio está restrito aos bares e pequenos restaurantes especializados em frutos do mar.

Um dos maiores problemas levantados pelos moradores é a questão do transporte coletivo, pois apenas poucas linhas fazem a ligação com o Centro de Niterói, havendo também as linhas que fazem a ligação do bairro com outros municípios. Como boa parte da população utiliza a bicicleta como meio de transporte, faz-se necessária a construção de uma ciclovia ao longo das avenidas principais de modo a oferecer maior segurança aos usuários.

O bairro carece de um número maior de equipamentos como escolas, postos de saúde, bancos, viaturas policiais e telefones públicos. Esse problema ainda é agravado pela ausência desses equipamentos em bairros vizinhos, cujos moradores suprem suas necessidades procurando pelos serviços existentes em Itaipu.

Algumas ruas encontram-se sem pavimentação, pois os serviços de infra-estrutura não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do bairro.

Problemas ambientais de proporção acentuada são presenciados em Itaipu. Entre os mais graves estão: a poluição, colmatação, assoreamento e processo de extinção do ecossistema original da lagoa de Itaipu, pois o volume do esgoto sanitário lançado sem tratamento na lagoa aumenta a cada ano.

O processo de assoreamento foi iniciado com a abertura do canal permanente, pela Veplan Imobiliária, ligando a lagoa ao mar e reduzindo consequentemente o espelho d’agua. O problema agravou-se com a ocupação irregular e aterros ilegais no seu entorno e devido também à sedimentação do fundo da lagoa, diminuindo consequentemente a sua profundidade. A fauna original sofre alterações com o aumento da poluição, sentenciam a extinção do ecosistema local, causando um impacto na vida das famílias que dependiam do pescado na lagoa, antes rica em algumas espécies de peixes e camarão.

Outro problema é o desmatamento feito nas encostas dos morros principalmente na Serra da Tiririca que hoje constitui parque estadual. Isso é proveniente, em muitos casos, do loteamento de condomínios feitos por algumas construtoras, cujas obras encontram-se embargadas pelo poder público.

Já tradicional e incorporada à cultura local, a Festa de São Pedro de Itaipu com suas barracas de comidas típicas e diversões, atrai a população da cidade e mesmo de outros municípios.

Vale ressaltar que a população do bairro nos finais de semana, feriados e principalmente durante o verão – aumenta consideravelmente, tendo como maior atrativo a orla marítima. Nota-se na enseada de Itaipu a presença de várias embarcações, quer da Colônia de Pescadores ou mesmo de passeio, vindas, inclusive, de outros municípios. Com vocação turística por excelência, devido inclusive à beleza do lugar e as suas águas calmas, Itaipu sediou outrora em suas areias um hotel hoje desativado.

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Itacoatiara

Itacoatiara significa etmologicamente “pedra riscada”. A sua privilegiada geomorfologia costeira, isto é, a praia, a enseada e os costões rochosos, além de sua vegetação de restinga junto à praia, tornam o local um dos principais pontos turísticos do município. Tem como limites os maciços costeiros da Serra da Tiririca, que faz divisa com o município de Maricá e, por outro lado, o Morro das Andorinhas, que o separa do bairro de itaipu. O acesso à parte central do bairro se faz por uma única via, a entrada de Itacoatiara, que recebe o nome de Mathias Sandri a partir do posto policial. Neste ponto, até alguns anos atrás, havia um “mata-burro” para impedir a entrada de animais. Mathias Sandri e Francisco Felício foram os proprietários da região e os responsáveis pelo loteamento que deu origem ao bairro. As caracteristicas naturais de Itacoatiara, atrairam os novos proprietários e as primeiras construções foram “casas de praia”.

Hoje é bairro estritamente residencial, apresentando 995 habitantes e 306 domicílios (Censo Demográfico do IBGE/91) de padrão construtivo predominantemente alto (PMN/Sumac), distribuídos por suas alamedas batizadas com nomes de flores. O predomínio é de residências unifamiliares, algumas com a função de veraneio.

Os moradores de Itacoatiara sempre lutaram pela preservação do lugar – da vegetação, da praia, da tranquilidade – e durante anos impediram que as ruas fossem asfaltadas ou que estabelecimentos comerciais se instalassem no bairro. Destas lutas origina-se a SOAMI (Sociedade dos Amigos e Moradores de Itacoatiara) com área de abrangência a partir do posto policial.

Ainda nos limites do bairro, encontramos o caminho que se dirige a Itaipuaçu, no vizinho município de Maricá. Estabelecido a partir de antigas trilhas, neste caminho, em sua confluência com a Estrada da Itaipu (Estrada Francisco da Cruz Nunes) encontra-se uma pequena capela erigida em louvor a Nossa Senhora da Conceição.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do bairro é quase total, restando poucos terrenos com alto valor de mercado. A expansão pode ser percebida no Morro das Andorinhas. O bairro conta com poucos estabelecimentos comerciais – padaria, loja “sport wear”, bar noturno e os quiosques da avenida beira mar, além da sede social da AFEA (Associação Fluminense de Engenheiros e Arquitetos) e do Pampo Clube, situado na beira da praia. Para suprir suas necessidades básicas, os moradores recorrem ao comércio dos bairros vizinhos de Itaipu e Piratininga; e buscam Icaraí e Centro quando necessitam de comércio e serviços diversificados.

Em relação ao transporte, apenas uma linha de ônibus faz a ligação de Itacoatiara com o Centro do município. A maior parte dos moradores possui automóvel particular, sendo este o principal meio de transporte utilizado.

Cercada pelos costões e dividida em duas partes por uma imensa pedra, a Praia de Itacoatiara, conhecida por suas águas traiçoeiras, era frequentada por banhistas apenas na parte que ficou conhecida como “prainha”, ou “praia dos bebês” e por pescadores, que se arriscavam nas suas pedras, com caniços e molinetes.

Atualmente a praia é frequentada em toda a sua extensão, com uma série de eventos sendo realizados na praia durante o ano, destacando-se as competições de Surf, – algumas do calendário nacional. Um outro esporte praticado no local, é o peculiar “surf de montanha”.

Durante a temporada de verão e nos finais de semana, Itacoatiara, como os demais bairros da Região Oceânica, recebe um fluxo muito grande de turistas, triplicando a sua população e gerando transtornos para os residentes.

Os principais problemas ambientais do bairro são os constantes desmatamentos de áreas de Mata Atlântica para a construção de residências e a descaracterização da vegetação de restinga.

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Badu

O bairro do Badu limita-se com Sapê, Matapaca, Vila Progresso, Cantagalo e Largo da Batalha. O Badu tem a estrada Caetano Monteiro como principal via de acesso para o Largo da Batalha e para a Rodovia Amaral Peixoto.

Em princípio, a ocupação se fez sob a forma de posses e loteamentos clandestinos que geralmente absorviam a parcela mais pobre da população. O crescimento populacional atingiu o seu ponto máximo entre as décadas de 70 e 80, coincidindo com o período de construção e inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva e de crescimento do setor da construção civil na cidade, abrindo novas perspectivas no mercado de trabalho – abastecido principalmente por migrantes do Norte do Estado do Rio e do Nordeste do país.

Compreendendo as localidades de Mato Grosso, Vacaria e Fazendinha, o bairro teve sua ocupação inicialmente junto à estrada Caetano Monteiro, tendo aí se localizado as primeiras casas, bem como o comércio principal.

Em função da ocupação efetiva desta área, passou a existir maior procura pelas áreas mais internas, onde coexistem casas de médio e alto padrão construtivo, em condomínios fechados ou não, e casas de baixo padrão construtivo, havendo concentração destas principalmente em áreas de encostas.

Destaca-se que apenas a estrada Caetano Monteiro é pavimentada, estando as demais vias desprovidas de qualquer melhoria, o que contribui para inúmeros problemas que vão desde as dificuldades de acesso às casas até a contaminação do lençol freático pela inexistência da rede geral de esgoto.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

As principais atividades comerciais e de serviços concentram-se ao longo da estrada Caetano Monteiro. Embora conte com uma agência bancária, mercearias, padarias, lojas de materiais de construção e outros – o comércio local não é suficiente para as necessidades do bairro. Isto justifica a procura da população pelo comércio e serviços localizados no Largo da Batalha e Centro de Niterói.

Nota-se ainda a existência, em número considerável, de pequenas mercearias e “biroscas” nas ruas internas do bairro.

Com relação aos equipamentos públicos, o Badu conta um estabelecimento de ensino de 2º grau, a Escola Estadual Paulo Assis Ribeiro, e dois destinados ao ensino de 1º grau ¾ o CIEP Emiliano Di Cavalcanti e Escola Municipal Vera Lúcia Machado. Destaca-se ainda a Sociedade Pestalozzi, onde funciona a Faculdade Helena Antipoff, com cursos na área biomédica (Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia); e que também presta atendimento à população.

Os serviços de transporte coletivo no bairro se limitam às linhas que circulam pela estrada Caetano Monteiro com destino aos demais bairros das regiões de Pendotiba e Leste. As vias secundárias não são atendidas por estes serviços, obrigando os moradores a deslocarem-se a pé até a via principal.

Um dos principais problemas do bairro diz respeito a ausência da rede geral de água e esgoto, o que obriga a população a recorrer ao uso de poços d’água e carros-pipa, obrigando também ao uso de fossas rudimentares, valas como escoadouro do esgoto sanitário, incorrendo em implicações para a saúde da população, principalmente pela contaminação do lençol freático.

A inexistência de pavimentação na maior parte das ruas contribui para a dificuldade de acesso tanto dos moradores quanto de serviços, tais como a coleta de lixo, em que parte é depositado em locais inadequados e parte é queimada, sendo essas alternativas prejudiciais tanto ao meio ambiente quanto à população.

Tendo em vista que há extensas áreas ainda disponíveis no bairro, que já conta com vários condomínios fechados, é de se esperar que o Badu venha a crescer bastante nos próximos anos, apesar da insuficiência de infra-estrutura básica, que pode atuar como elemento inibidor do processo de urbanização.

A disponibilidade de um razoável equipamento social na área, a começar pelos estabelecimentos de ensino já mencionados, apontam para potencialidades de expansão.

Ao longo da estrada Caetano Monteiro têm-se multiplicado nos últimos anos, bares, restaurantes e casas noturnas que, juntamente com as de Vila Progresso e Matapaca, têm animado as atividades de lazer dos moradores do Badu e adjacências.

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Baldeador

O Baldeador limita-se com o município de São Gonçalo e com os bairros do Fonseca, Santa Bárbara e Caramujo, destes dois últimos separados pela Rodovia Amaral Peixoto.

Segundo relato dos antigos moradores, a denominação Baldeador deve-se ao fato de a área ter sido ponto de baldeação de viajantes, tropas de mulas e boiadas que se dirigiam ao centro urbano.

A região do Baldeador foi, até as primeiras décadas do século XX, uma área agrícola. No século passado nas fazendas ali localizadas destacavam-se as culturas de café e cana-de-açúcar para exportação, além das de milho, feijão, mandioca, frutas e legumes para abastecimento local e adjacências.

A partir da segunda metade do século XIX iniciou-se um processo irreversível de declínio da atividade agrícola no Estado do Rio, agravado pela gradual abolição da escravatura e, principalmente, pela transferência do eixo cafeeiro para o Vale do Paraíba. Nas primeiras décadas deste século ainda existiam pequenas lavouras de subsistência no Baldeador, hoje praticamente inexistentes.

A extensão territorial do antigo Baldeador era muito maior do que a de hoje; nela estavam incluídas partes do atual município de São Gonçalo, ainda hoje chamadas de Baldeador, bem como os territórios dos atuais bairros do Caramujo e de Santa Bárbara.

O antigo Baldeador era cortado pela estrada Velha de Maricá, principal caminho de ligação entre os municípios de Niterói e Maricá. Ao longo desta e da estrada da Figueira, aconteceu o início da ocupação urbana, fato constatado pela presença de edificações antigas.

Dois fatos são significativos para o estabelecimento do atual perfil do Baldeador:

– A construção da rodovia Amaral Peixoto e sua posterior duplicação;

– O processo de urbanização da cidade de Niterói e da Região Metropolitana do Rio de janeiro.

Cortando a estrada Velha de Maricá e a estrada da Figueira, a Rodovia Amaral Peixoto dividiu a região em duas partes: Baldeador “de cima”, à esquerda, e Baldeador “de baixo”, à direita, no sentido Niterói-Tribobó; denominações estas empregadas pelos antigos moradores. Esta rodovia constitui-se na principal via de acesso ao bairro.

As estradas Velha de Maricá e da Figueira, com a construção da Rodovia Amaral Peixoto, perderam sua importância como principais vias de circulação ocasionando, desse modo, um processo de decadência da área, evidenciado pelo estado de abandono destas vias, com prédios sub-utilizados, alguns em ruínas. O comércio existente no passado hoje se restringe a estabelecimentos de primeira necessidade.

Com o acelerado processo de urbanização pós-guerra, as fazendas e os sítios foram loteados, surgindo novos bairros como Caramujo e Santa Bárbara, ocupados e adensados, gerando uma “crise de identidade”. São grandes as contradições entre os limites do atual bairro, instituído em 1986, com a área ocupada no passado.

Os moradores quando abordados sobre o seu local de moradia dizem: “Moro no Caramujo, na Cova da Onça, em Nossa Senhora das Graças, em Santa Bárbara”, e até, “não sei qual é o meu bairro”.

Na área do antigo Baldeador existia a Fazenda Juca Matheus que, posteriormente, foi loteada e deu origem ao bairro de Santa Bárbara. Neste bairro encontramos uma parte também conhecida como Baldeador que outrora foi um sítio pertencente ao Sr. Paulino Menezes, parcelado nos anos 60, dando origem ao loteamento Parque Modelo.

O bairro do Baldeador estabelecido pelos limites do Decreto Lei 4895, de 08/11/86, possui áreas com características próprias: a Figueira, que se localiza ao longo da estrada do mesmo nome; Cova da Onça, onde existem terrenos ocupados por posseiros; Nossa Senhora das Graças, com loteamentos regulares e, ainda, parte do local conhecido como “Caixa D’água”.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

O bairro do Baldeador, na periferia urbana de Niterói, é predominantemente residencial, com casas de padrão construtivo precário (PMN/Sumac) e áreas de favelização recente.

O comércio é restrito a pequenos bares, mercearias e biroscas, levando a maior parte dos moradores a utilizar o comércio do Centro. Apesar dessa carência, alguns estabelecimentos comerciais de porte instalaram-se no bairro, como por exemplo, uma revendedora de automóveis e uma grande empresa de ônibus.

Em relação aos equipamentos públicos, na área de educação, o bairro dispõe do CIEP Maria Portugal e da Escola Municipal Ernani Moreira Franco, que oferecem apenas o primeiro segmento do primeiro grau. Para continuidade dos estudos, os alunos se dirigem para as escolas de Santa Bárbara e de bairros vizinhos.

Na área da Saúde, os moradores utilizam o posto médico de Santa Bárbara e também o do Caramujo, além do Hospital Universitário Antonio Pedro, no Centro.

O transporte coletivo é explorado por uma única empresa de ônibus que mantém uma linha Cova da Onça, além dos ônibus que trafegam na Rodovia Amaral Peixoto.

Ao longo dos anos o bairro desenvolveu-se lentamente, de modo esparso e paralelamente à Rodovia Amaral Peixoto. Atualmente apresenta-se carente de infra-estrutura urbana, concentrando também uma população de baixa renda. Como perspectivas mais imediatas assinala-se, além da possibilidade do crescimento das favelas, a utilização econômica dos muitos terrenos ainda disponíveis.

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Barreto

O Barreto tem como limites a Baía de Guanabara a oeste, o município de São Gonçalo ao norte, a Engenhoca a leste e, ao sul, o bairro de Santana.

A área que compreende o Barreto já foi uma grande fazenda de nome Caboró, que pertencia ao Frei José Barreto Coutinho de Azevedo Rangel, daí a origem do nome do bairro.

A ocupação do Barreto, a princípio, deu-se basicamente nas áreas planas disponíveis. Nos anos 60 os morros do Maruí Grande e dos Marítimos, que já apresentavam algum assentamento nas encostas, passaram a ser ocupados aceleradamente. Nesse mesmo período, com a construção da Avenida do Contorno, o trânsito na rua General Castrioto, a principal do Barreto e de tráfego muito intenso, melhorou – mas o bairro transformou-se em via de passagem para outros locais.

O Barreto foi um dos principais pólos industriais do município e nele encontravam-se instalados vários estabelecimentos têxteis além de muitas fábricas menores, como a dos saponáceos Brankiol e Jaspeol, hoje em ruínas; e outras de fósforos, de formicidas, ladrilhos e olarias – que faliram ou migraram para outros locais, além de um pólo comercial expressivo, que também se dissipou.

A decadência industrial foi provocada por questões conjunturais, principalmente pela reformulação do perfil industrial brasileiro, que inviabilizou as pequenas e médias empresas, devido a uma total falta de incentivos do governo e pela própria competição, sobretudo de novas tecnologias das indústrias multinacionais que se instalaram no eixo Rio – São Paulo.

Uma importante indústria têxtil que permanece em funcionamento até os dias de hoje é a Companhia Fluminense de Tecidos (antiga Companhia Manufatura Fluminense), cuja instalação data do início do século e que conserva a arquitetura e o modelo industrial daquela época, ou seja, mantém uma vila operária com aproximadamente 70 casas para trabalhadores em atividade, que têm descontado em folha um valor simbólico de aluguel. As mudanças ou melhorias feitas nas residências são de inteira responsabilidade do morador, porém, a grande maioria continua com as características originais. Vale ressaltar que este estabelecimento, fabricante de tecidos de algodão, apresenta uma média superior a 500 empregados, divididos entre pessoal ocupado na produção e na administração.

Encontramos no bairro outra vila operária, hoje bastante descaracterizada. Esta vila, que pertencia a antiga fábrica de fósforos Fiat-Lux, era composta por três avenidas num total de 72 casas em estilo inglês. Na década de 70 essas casas foram alienadas e alguns operários as receberam como prêmio de indenização ou parte da aposentadoria.

Também antigo no bairro é o Estaleiro Renave, cujo acesso se faz pela Avenida do Contorno e que conta com aproximadamente 400 empregados.

A construção, tanto desta avenida quanto da rodovia Niterói-Manilha, reduziu drasticamente as dimensões da praia do Barreto, descaracterizada e poluída, principalmente por estar localizada na Baía de Guanabara. Esta praia, praticamente a única da Região Norte, era uma importante área de lazer para os moradores.

O comércio do Barreto, expressivo em outras épocas, era responsável pelo grande movimento de pessoas que ao bairro convergiam em busca dos produtos oferecidos. Atualmente os moradores do Barreto recorrem ao comércio de outras áreas.

Até a década de 50/60 o bairro tinha estação de barcas, bem como atividade pesqueira, restando hoje pequena colônia de pescadores, a Z 6, que sobrevive basicamente da pesca na Baía de Guanabara.

O Barreto teve também bondes e uma importante estação de trem, cujo prédio, quase que totalmente destruído, ainda atende aos passageiros que se dirigem ao município de Itaboraí.

Nas últimas décadas, novos estabelecimentos instalaram-se no Barreto como a fábrica da Coca-Cola, a Central de Abastecimento (Ceasa), a Auto-Viação 1001, algumas distribuidoras de carnes, de bebidas, de lubrificantes, de alimentos, algumas confecções, gráficas, indústrias de gesso, de tecelagem, de sardinha e de mármore.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Barreto, bairro de ocupação antiga, é bem servido de infra-estrutura básica e sedia diversos equipamentos urbanos e sociais. Entre a praça do Barreto e o Maruí, numa encosta, fica a Igreja de São Sebastião. Há também algumas capelas e templos de outras religiões no bairro. Também é forte a presença de associações de moradores e de sindicatos. No bairro já existiu cinema e alguns bancos. Atualmente encontramos apenas uma agência bancária que fica junto à Ceasa.

O comércio de flores no bairro é intenso devido aos três cemitérios existentes, bem como as capelas funerárias, todos bem próximos.

A comunidade do Barreto é servida por significativa rede de ensino com dois CIEPs e diversas escolas públicas, sendo algumas da rede estadual e outras da rede municipal, além das particulares. Elas atendem do maternal/JI até o 2º Grau, além de ensino profissionalizante em algumas áreas técnicas, como é o caso da Escola Técnica Estadual Henrique Lage e do SENAI.

Na área da saúde, encontramos os hospitais Orêncio de Freitas e o Ary Parreiras, algumas clínicas, consultórios particulares, posto de saúde e, criado recentemente, um módulo do Médico de Família, no Maruí Grande. Estes estabelecimentos atendem tanto a comunidade local como às vizinhas, por oferecerem serviços considerados de boa qualidade.

No que se refere ao lazer, o bairro do Barreto dispõe de clubes, tais como o Combinado 5 de Julho e o Humaitá que, apesar de não manterem as mesmas tradições de décadas passadas, continuam prestigiados.

Os restaurantes, os bares, os botequins e a tão conhecida quadra da Escola de Samba Unidos do Viradouro têm freqüentadores de toda cidade de Niterói e de outros municípios.

Nos dois últimos governos municipais a praça Enéas de Castro recebeu importantes obras de melhoramento, voltando a ser uma opção de lazer para os moradores.

Importante destacar que o Parque Monteiro Lobato, Horto do Barreto, conta com programação cultural durante a semana e uma feira de artesanato aos domingos, sendo muito freqüentado pelos moradores do bairro e áreas vizinhas.

Entre os principais problemas ambientais sobressaem-se: a poluição do rio Bomba, o acúmulo de lixo nas encostas e em locais próximos a áreas favelizadas, e a poluição da Baía de Guanabara. O rio Bomba, limite entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, recebe grande parte do esgoto doméstico e do lixo dos bairros situados em suas margens, apesar de estar canalizado em alguns trechos.

Do ponto de vista da ocupação podemos considerar o Barreto como um bairro com crescimento populacional estagnado, exceto nas áreas favelizadas. Predominam no bairro os segmentos sociais de rendimento variando entre o médio e o baixo.

Sendo de fácil acesso ao Centro da cidade e a outros municípios, e pela proximidade da Ponte Rio-Niterói e Rodovia Niterói-Manilha, o Barreto deverá passar por um processo de revitalização urbana.

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Boa Viagem

Boa Viagem, um dos menores bairros da Região Praias da Baía e de Niterói, apresenta como limites Ingá, São Domingos, Gragoatá e as águas da Baía de Guanabara. No seu litoral encontramos falésias com grutas; a enseada com a praia; as ilhas de Cardos e Boa Viagem; o Torreão além do enroncamento do aterrado da Praia Vermelha, por onde passa a Avenida Litorânea.

À exceção das franjas do Morro do Ingá, ao longo da antiga rua Boa Viagem (atual Antônio Parreiras), a ocupação e urbanização do bairro são recentes, aceleradas nos últimos anos com a construção de edifícios residenciais e o aumento de serviços oferecidos.

A topografia dificultou o processo habitual de ocupação. A paisagem natural foi mantida sem alterações drásticas até as primeiras décadas do séc. XX. Antigos viajantes descreviam o lugar como um pequeno paraíso devido aos morros cobertos de vegetação, às ilhas e uma fonte de água potável próxima à praia de águas tranqüilas e limpas.

A presença do homem branco, do colonizador português aos “funcionários estrangeiros”, principalmente ingleses e alemães, foi marcante. As chácaras e antigos casarões são marcos dessa época, observando-se atualmente apenas a presença de alguns (uns em ruínas, outros conservados e alguns transformados em casas de cômodos), localizados em um dos lados esquerdos da rua Antonio Parreiras.

A destruição do “pequeno paraíso” dos livros de antigos viajantes foi desencadeada na década de 30 pelo cataclisma provocado no local pela Cia. de Melhoramentos de Niterói. Uma obra de reurbanização de toda a região, sem respeitar o meio ambiente, foi iniciada a todo vapor: desapropriações foram feitas, árvores derrubadas, novas ruas abertas, a paisagem aplainada a trator…. Quando o caos instalou-se, faltou verba e homens e máquinas pararam. O paraíso descrito nos livros não existia mais. A “obra” só foi retomada décadas depois quando então foi executado o plano de melhoramentos traçado no séc. XIX, que previa a construção de um caminho por toda a orla da baía, ligando a Ponta D’Areia a São Francisco. O pouco que restara ainda intacto da paisagem natural, mudou. A área entre o Pontal do Gragoatá e a praia da Boa Viagem foi aterrada e feito um enroncamento, desaparecendo as praias do Fumo (em Gragoatá) e a Vermelha ou Roxa , ganhando-se uma grande área do mar, cuja maior parte atualmente pertence ao campus da UFF.

Desde os tempos do Brasil colônia o perfil do bairro sempre teve como mais significativo o seu litoral. Atestam isso, entre outros documentos, relato do séc. XVIII (1779) que mencionava a presença de 37 embarcações, entre pranchas a remo e saveiros, ancoradas na enseada; as ruínas da ponte de atracação; a abertura da rua da Boa Viagem e as edificações na ilha da Boa Viagem.

Por suas características e seu relevo submerso (lajes, grutas, etc.), a área em torno da ilha da Boa Viagem sempre foi um excelente pesqueiro. A variedade de espécies da flora e fauna marinhas, levou ao local pescadores profissionais e amadores, além de pesquisadores e estudiosos da vida marinha.

A ilha da Boa Viagem, de relevo bastante erodido, com pequenas grutas e coberta de vegetação, tem excelente localização em relação à entrada da Baía de Guanabara. É um ponto de onde se avistam todas as embarcações que chegam ou saem da baía. O seu sítio é um dos principais monumentos da história de Niterói, por suas edificações e caminhos escavados na pedra. Na ilha, o sacro e o profano, a religião e a guerra, sempre conviveram. Como conviveram em todo processo de expansão marítima e colonização – a Igreja, o Fortim, e a Escola de Aprendizes Marinheiros (1840 a 1846). Até mesmo um lazareto cogitou-se construir no local.

A Igreja de N. S. da Boa Viagem, protetora dos que se aventuravam pelo mar, foi construída no séc. XVII (no ponto mais alto da ilha, em frente ao mar) pelo Provedor da Fazenda Real que na porta principal mandou colocar as suas armas. O dia da padroeira era festejado com romaria de pequenas embarcações. Aqueles que viviam do mar e os viajantes, para lá dirigiam suas preces nos momentos de dificuldades, pagando depois promessas pelas graças alcançadas, levando valores (ouro) e objetos (cera) para a Igreja. A Igreja esteve em plena atividade em alguns períodos e em outros, abandonada. Ela foi ampliada e restaurada, chegando a passar por dois incêndios: um acidental, durante festejos, e outro criminoso, para encobrir o roubo de suas pinturas e imagens sacras. No início do Século XX foi entregue à Sociedade Protetora dos Homens do Mar, que a reformou e melhorou as suas vias de acesso. Construiu-se a ponte de cimento ao longo do cordão de areia, ligando a ilha ao continente; instalou-se um posto de salvamento no local; e a ilha passou a ser abastecida de luz elétrica e várias festas religiosas são promovidas. Atualmente a Associação de Amigos da Ilha da Boa Viagem coordena os projetos que dizem respeito ao local.

O Fortim da Boa Viagem, chamado de Bateria da Boa Viagem, construído estrategicamente no local, ao longo do tempo foi artilhado e desarmado. Os dois principais momentos em que participou de conflitos foram: durante o ataque da frota do corsário francês Duguay Trouin (1711) ao Rio de Janeiro, em que a insuficiência de armamentos o levou a rendição; e durante a Revolta da Armada, quando foi bombardeado e arrasado.

Mais recentemente em 1937, o Grupo Escoteiro Gaviões do Mar fez da ilha da Boa Viagem o local de sua sede.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro da Boa Viagem ainda é um dos trechos mais bonitos de Niterói, tanto por seus acidentes geográficos, quanto pela vista que de lá se descortina.

A maior parte das edificações existentes nas poucas ruas do bairro são residenciais. Convivem casas modernas de alto padrão, construções antigas e os recentes edifícios de apartamentos – de classe média e de padrão luxuoso. Existe também um pequeno comércio para atender as necessidades locais e, junto ao mar, são muitos os trailers. Há ainda uma área da UFF sem edificações, algumas pequenas praças e também mirantes. Numa dessas praças, a Pedro Alvares Cabral, há um monumento – Vela Náutica com a Cruz de Malta – que homenageia os navegantes portugueses.

No litoral da Boa Viagem, agora todo cortado por uma avenida que margeia a Baía de Guanabara, é ainda reduzido o fluxo de veículos. A presença mais marcante, nos feriados, nos finais de semana e nas manhãs de todos os dias é a dos praticantes de caminhadas e corridas. Eles procuram combinar o saudável destas atividades com a beleza e a tranqüilidade do lugar. Apesar da poluição das águas da baía, a área da Boa Viagem, diante da barra, é atingida por correntes que renovam mais rapidamente as suas águas. Principalmente nos feriados e nos finais de semana é grande a freqüência de pessoas na praia. Quando muitos a utilizam como área de lazer, apesar de sua faixa de areia ser bastante reduzida.

A pesca, uma atividade dos tempos antigos, continua sendo praticada, com a presença agora dos “marisqueiros” (catadores de mariscos), embora a pesca predatória e a poluição das águas da baía já tenham afetado a vida marinha da região.

Um problema observado no local é a luta entre a terra e o mar, havendo pontos de permanente deslizamento do morro e do passeio.

Na Boa Viagem são encontrados dois dos principais pontos turísticos e culturais da cidade de Niterói, sendo cartões postais obrigatórios que identificam e que retratam o passado e o futuro: a ilha da Boa Viagem, com as suas construções, e o Museu de Arte Contemporânea, que exibe a ousadia das linhas arquitetônicas do mestre Oscar Niemeyer. Entre as atividades desenvolvidas no bairro, merece destaque as que são promovidas na Igreja da Boa Viagem e fazem parte do projeto “Preservação da Ilha da Boa Viagem” desenvolvido pela Copex/UFF (Coordenação de Projetos Experimentais da Universidade Federal Fluminense). Dentre os itens que compõem o projeto. Existe também uma equipe de arqueólogos pesquisando vestígios indígenas e de outras construções antigas, provavelmente portuguesas, na ilha.

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Cachoeiras

Localizado a partir da confluência das duas principais vias do bairro de São Francisco (Avenidas Rui Barbosa e Presidente Roosevelt), o bairro de Cachoeiras estende-se até o Largo da Batalha sendo, do ponto de vista geográfico, o fundo do vale situado entre as encostas do Cavalão e do Morro de Santo Inácio. Cachoeiras limita-se com Viradouro, Largo da Batalha, Maceió, Cafubá e São Francisco tendo sido criado pela Lei nº 4895 de 08.11.96.

Cortando o vale entre os dois morros já citados, existia um caminho que ligava São Francisco/Cachoeiras ao Largo da Batalha e, daí, seguia em direção ao interior do estado interligando-se à estrada Velha de Maricá. Este caminho recebeu posteriormente a denominação de Estrada da Cachoeira, pois nele existe um rio que desce do Largo da Batalha em direção à praia do Saco de São Francisco pela encosta íngreme e que, em outras épocas, formava uma cachoeira.

Esta estrada, apesar de muito íngreme e de difícil conservação teve um papel econômico relevante no transporte de mercadorias (tropas de mulas) e viajantes. Com a expansão da cidade para novas áreas, outros caminhos/estradas passaram a ser utilizados, entre eles o que sobe o Morro do Viradouro (Garganta) a partir de Santa Rosa em direção ao Largo da Batalha. Assim a estrada da Cachoeira deixou de ser conservada, ficando num estado tão precário que esteve intransitável por um tempo. Só recentemente, a estrada passou processos de urbanização e ampliação, tornando-se importante via de comunicação para as Regiões de Pendotiba e Oceânica.

Ligado por razões urbanas e históricas ao bairro de São Francisco, Cachoeiras difere deste não só no traçado interno de suas ruas – não apresentando a forma tabuleiro de xadrez comum àquele bairro – como também por apresentar alternância entre os tipos de residência, existindo o contraste entre as casas de padrão construtivo que variam do médio (residências do moradoras mais antigos), passam pelo elevado (casas em condomínios) e confundem-se com as auto-construções, quase sempre na encosta. Essas residências eram erguidas em terrenos de posse,encontrando-se atualmente com suas áreas mais acessíveis bastante ocupadas.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Interessante observar no bairro de Cachoeiras que apesar da ocupação da encosta, esta preserva ainda parte de sua cobertura vegetal. Em contrapartida, do ponto de vista da preservação ambiental, o córrego que corta o bairro encontra-se poluído, sendo usado como esgoto a céu aberto e depositário de vários tipos de entulhos. Quanto ao abastecimento d’água, só há canalização para os domicílios até a área próxima à Escola Estadual Duque de Caxias. A parte alta do bairro não dispõe ainda desse serviço.

O comércio é pouco significativo e se restringe aos bares e pequenas mercearias onde são vendidos gêneros de primeira necessidade. Existem ainda algumas oficinas mecânicas, serralherias e, mais recentemente, uma revendedora de automóveis importados. Encontra-se também no bairro a sede da empresa de ônibus que liga o local ao Centro da Cidade. O poder público encontra-se representado, na esfera municipal, por uma escola de primeiro grau e pelo sub-posto de saúde de Cachoeiras, além da Escola Estadual citada anteriormente.

Quanto ao lazer e práticas desportivas há de se assinalar a utilização da quadra da escola de samba local para realização de eventos sociais variados, bem como do campo de futebol, responsável pela realização de jogos de caráter regional.

Por sua localização, entre dois importantes eixos viários, o bairro de Cachoeiras apresenta tráfego intenso em determinados horários do dia e nos finais de semana acarretando engarrafamentos, principalmente em sua via principal.

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Camboinhas

A praia de Camboinhas foi cercada com arame farpado e a restinga e as dunas, onde existiam sítios arqueológicos e sambaquis, foram aplainadas a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes. As praias de Camboinhas e de Itaipu, que formavam uma única paisagem, foram separadas com a escavação de canal permanente, protegido por pedras, para acessar a marina que seria construída ao lado do apart-hotel erguido na restinga. A marina nunca existiu mas o canal permanente quebrou o ciclo natural de lagoa de arrebentação que Itaipú tinha – a de romper a sua barra arenosa, ligando-se ao mar, na época das chuvas. Este processo, que se repetia anualmente, permitia que os cardumes saíssem do mar, subissem a correnteza e desovassem no interior da lagoa, de águas calmas e protegidas, perpetuando espécies.

Com o beneplácito dos governos municipal, estadual e federal da época – final da ditadura militar – a Veplan Imobiliária não só rompeu o ciclo natural de renovação das águas e das espécies da lagoa de Itaipu, como também dragou o seu fundo – acarretando consequências trágicas para a vizinha Lagoa de Piratininga.

A dragagem teve o objetivo aumentar a faixa de areia próxima ao mar, a mais valorizada do empreendimento imobiliário; e facilitar o acesso de barcos de grande calado à marina do apart-hotel, marina que nunca saiu do papel.

A alteração do ecossistema continua a causar danos para as lagoas de Itaipu e de Piratininga, esta ligada a de Itaipu pelo canal de Camboatá e que vive permanente processo de assoreamento que se não for detido resultará na sua completa extinção. Por causa do desnível provocado pela dragagem do fundo da lagoa de Itaipu, as águas da lagoa de Piratininga sangram permanentemente para a de Itaipu e, desta, para o mar. O processo só se inverte na maré alta, insuficiente para renovar as águas da lagoa de Piratininga que, pouco a pouco, está desaparecendo e tendo as suas margens ocupadas por posseiros de todos os níveis e classes sociais.

A interrupção do ciclo natural das lagoas de Piratininga e de Itaipu devido a ação da Veplan Imobiliária é um problema ainda a ser solucionado.

No outro extremo de Camboinhas, partindo do canal artificial, vamos encontrar um costão quase abrupto, onde semi-oculta está a praia do Sossego que devido ao difícil acesso, preservou durante muito tempo a sua vegetação natural de restinga.

Da mesma forma que seus vizinhos, Camboinhas foi habitado por comunidades indígenas praticantes da pesca. Os portugueses que aí se estabeleceram também a praticavam. Somente muitos anos depois esta região iniciou seu processo de urbanização, a princípio apenas através do surgimento de residências de veraneio; posteriormente foi assumindo um padrão mais residencial, caracterizado por construções de padrão médio e alto. Deste modo, o bairro transformou-se num grande condomínio residencial horizontal. Seus moradores organizaram-se com o objetivo de resguardar os equipamentos e serviços do local, inclusive criando a SOPRECAM (Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas), através da qual tomaram para si a tarefa de gerenciamento do bairro. Esta entidade funciona de tal forma hoje, que sua organização permite administrar e manter os serviços de abastecimento de água, instalação sanitária, reforço de segurança interna e até mesmo conservação das vias públicas, praças e jardins, dentre outros serviços.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio em Camboinhas está restrito aos quiosques na orla marítima, que atendem sobretudo aos veranistas que freqüentam a praia, não sendo desejado pelos moradores a instalação de novos estabelecimentos comerciais.

Com exceção do posto policial, não existem equipamentos públicos para a prestação de serviços no bairro. Os moradores costumam utilizar o comércio e os serviços existentes em bairros vizinhos, principalmente Itaipu e Piratininga, ou mesmo no Centro de Niterói e Icaraí.

Não existem linhas de ônibus operando no bairro, pois os moradores temem que haja uma invasão de turistas no período do verão beneficiados pela facilidade de acesso que estas proporcionariam. Sem dúvida alguma, o principal meio de transporte utilizado pelos moradores são os automóveis particulares, sendo que a bicicleta também é muito utilizada para pequenas distâncias.

O convívio entre a população residente e a população flutuante é muitas vezes conflituosas, pois o grande fluxo de veranistas de fins-de-semana, utilizando-se de estacionamentos irregulares, acaba congestionando o sistema viário.

Vale ressaltar que o bairro continua crescendo em ritmo acelerado, o que pode ser percebido claramente através do grande número de construções em curso.

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Cantagalo

Do ponto de vista da localização, o bairro do Cantagalo possui uma posição geográfica de transição entre o interior maciço costeiro e a baixada litorânea.

A sua base territorial é marcada pela presença de morros, que se alternam no espaço com vales aplainados pelo processo de erosão. A ocupação se deu de forma predominantemente espontânea, principalmente nas ladeiras com graus de declividades variados.

Atualmente a ocupação desordenada e de arruamento irregular, já atinge até o alto do morro de igual denominação.

Devido às diversidades no modelado do terreno, o padrão de ocupação não é homogêneo. Mas há pelo menos cinco áreas com certa identidade individualizada: Sítio do Pau Ferro I, Sítio do Pau Ferro II, Monan Pequeno, Monan Grande e Jardim Boa Esperança.

Os primeiros assentamentos ocorreram nas décadas de 50 e 60. Atraídos pela expansão do emprego na construção civil, no Centro e Zona Sul de Niterói, chegaram os nordestinos. Atualmente pode-se avaliar que aproximadamente 80% da população tenham esta descendência, sendo que além de trabalharem na construção civil, há também muitos que se dedicam à prestação de serviços: faxineiros, zeladores, lavadeiras, jardineiros e empregados domésticos, além de outros que estão no setor informal. Os locais de trabalho são diversos, mas uma boa parte trabalha ou na Região Oceânica ou na Região de Pendotiba, para onde alguns se deslocam comumente de bicicleta.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta problemas como o da falta d’água e a precariedade do funcionamento dos transportes coletivos. Apenas a linha 37-A atende exclusivamente ao local. Esses dois problemas e a ameaça de despejo de algumas famílias de posseiros fizeram surgir a Associação dos Moradores e Amigos do Cantagalo, criada em 1980 e registrada em 1983 na FAMNIT.

O comércio local é pequeno e pouco diversificado, notando-se a forte presença de “biroscas”, fazendo com que a população de Cantagalo se desloque para o Largo da Batalha ou Piratininga em busca de comércio mais expressivo. Esse deslocamento acontece também com a população estudantil, pois as escolas situadas no bairro só oferecem o primeiro segmento do 1º grau, ou seja, até a 4ª série.

Quanto aos equipamentos públicos de saúde, o bairro conta com o módulo do Médico de Família e uma Unidade Municipal de Saúde. Está presente no bairro o Cemitério Parque da Colina.

As franjas externas do bairro, sobretudo na porção voltada para a Região Oceânica, apresentam outras características, como a evidência de ocupação por moradias da classe média. Do ponto de vista das tendências, suas áreas disponíveis apontam para uma ocupação de caráter residencial.

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Caramujo

O Caramujo limita-se com o Fonseca, Ititioca, Santa Bárbara, Sapê, Baldeador e Viçoso Jardim, numa área que constitui o chamado “mar de morros” que se caracteriza pela sucessão de vales e colinas de baixa altitude, bem como a ocupação de encostas pela escassez de áreas planas.

O nome Caramujo tem origem no fato de antes haver apenas uma via de acesso e de saída do bairro, a rua Dr. Nilo Peçanha, e pelas demais serem bastante sinuosas, constituindo-se em um lugar onde era necessário “dar muitas voltas” para se chegar ao destino ou para retornar ao ponto de origem.

Atualmente o acesso se faz por todos os bairros com os quais se limita, sendo a rua Dr. Nilo Peçanha, a rua Pastor José Gomes de Souza (antiga rua Colônia) e o caminho Jerônimo Afonso, cujo acesso se faz pela rua São José, as suas principais vias.

A ocupação inicial se fez sob a forma de sítios e fazendas, contando com a presença de imigrantes portugueses, italianos e alemães que ali desenvolviam diversas atividades agrícolas e também de comércio, através de casas de “secos e molhados” e de um abatedouro.

Já na década de 40, instalou-se o Grupo Escolar Luciano Pestre como forma de atender às necessidades do bairro quanto à educação, evitando que a população se deslocasse para o Centro de Niterói.

Com a chegada da Companhia Proprietária Fluminense inicia-se o processo de loteamento do bairro, ocasionando as modificações mais significativas entre as décadas de 50 e 60, que corresponderam a uma sensível redução do número de sítios e fazendas (através do parcelamento), em oposição a um considerável aumento do número de domicílios unifamiliares, que passaram a ocupar também as encostas. A ocupação mais intensa porém, aconteceu nos anos 70, em função do modelo econômico adotado no país que provocou o crescimento e a multiplicação de bairros periféricos, além do recrudescimento da favelização. O antigo Parque da Vicência junto ao Largo do Moura, que já foi um local de passeio e lazer das famílias, encontra-se hoje quase totalmente ocupado.

O comércio do bairro concentra-se ao longo das ruas Dr. Nilo Peçanha e Pastor José Gomes de Souza, e compõe-se de padarias, mercados, farmácias, açougue, lojas de materiais de construção, bares e mercearias. Contudo, apesar de diversificado, conta com número pequeno de estabelecimentos.

Pelo fato de o bairro ser constituído de população que, em sua maioria, é de baixo poder aquisitivo, o comércio local acaba não realizando grandes investimentos ou mesmo uma melhor qualificação, uma vez que a minoria residente que tem acesso a um tipo de comércio mais especializado acaba recorrendo ao já existente em outros bairros, como Fonseca e Centro de Niterói.

O serviço de transporte coletivo resumia-se a duas linhas de ônibus até um período bem recente, fazendo ligação com o Centro. Entretanto, houve alteração no trajeto de mais duas linhas, resultando em um percurso mais abrangente para o usuário, além da criação de uma outra linha fazendo a ligação entre o Caramujo e a Zona Sul da cidade, beneficiando em muito a população local são comuns, entretanto, as reclamações relacionadas aos horários e ao número de ônibus circulando nestas linhas.

A estrutura urbana do Caramujo, com seus vários acessos, condiciona a existência de muitos itinerários tanto internos quanto na periferia do bairro, o que reforça o papel desempenhado pelo transporte coletivo nos deslocamentos.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta-se bastante ocupado em quase toda a sua extensão, sendo que nas partes mais planas concentra-se tanto o comércio quanto as residências mais antigas, de padrão construtivo médio degradado.

No geral, o bairro é predominantemente ocupado por residências de padrão construtivo considerado precário(PMN/Sumac) tanto nas encostas dos morros quanto nos vales, sendo a população residente de baixa renda.

Os maiores problemas do bairro decorrem da deficiência dos serviços prestados à população, tais como o transporte coletivo que, apesar de melhorias recentes, não alcança as reais necessidades dos moradores; ausência de pavimentação em algumas vias secundárias, principalmente perto das encostas, além dos relacionados ao escoamento das águas pluviais e do esgotamento sanitário, problemas estes que vêm sendo minimizados a partir de obras iniciadas em período recente.

A ausência de planejamento e de uma maior ordenação no processo de ocupação do bairro acabou resultando na consolidação de vias principais com dimensões incompatíveis com as necessidades, uma vez que é intenso o tráfego de carros e caminhões no seu interior, em função deste atuar como um dos eixos de ligação entre as regiões Norte, Pendotiba e Oceânica. Também é bastante significativo o número de moradores que circulam a pé por essas vias.

Por localizar-se em área periférica do município, o bairro teve o seu maior período de crescimento, entre a década de 70 e meados de 80, sem o acompanhamento de obras de instalação de infra-estrutura ou mesmo de melhorias das condições urbanas. Isto resultou num desenho urbano caracterizado pela ocupação em áreas de risco, ausência de pavimentação e ausência de áreas de lazer, ocorrência de valas negras, entre outros problemas.

Apesar de antigo e bastante ocupado, o bairro somente sofreu processo de melhorias no final da década de 80 e início de 90, com a instalação da rede geral de água e pavimentação de grande parte das vias, solucionando em algumas áreas os problemas de abastecimento de água e reduzindo os relacionados ao acesso e circulação no seu interior.

Um assentamento feito pela Prefeitura de Niterói, em 1992, para abrigar a população procedente de uma favela que havia se estabelecido em terreno do Campus da Universidade Federal Fluminense, o Condomínio Maria Thereza, embora localizado geograficamente no bairro de Viçoso Jardim nos limites com o Caramujo, tem acesso realizado através desse último, sendo identificado, portanto, como pertencente ao Caramujo.

O número de equipamentos públicos na área da saúde se mostra insuficiente em razão de existir apenas um Posto de Saúde para atender as necessidades da população. O próprio crescimento que o bairro sofreu, somado à instalação do “vazadouro” de lixo e à ausência de urbanização em algumas áreas, além das condições sócio-econômicas da população, contribuem para o aumento da demanda.

Um Centro de Controle de Zoonoses, localizado no Morro do Céu, mas cujo acesso principal se faz pelo Caramujo, compõe o quadro dos equipamentos públicos na área da saúde, embora tenha suas ações dificultadas pela carência de recursos.

Com relação à educação, o bairro é servido por quatro unidades de ensino público: a Escola Estadual Luciano Pestre, a mais antiga; a Escola Municipal José de Anchieta, localizada no Morro do Céu; a Escola Estadual Alberto Brandão, junto aos limites com o Fonseca; e o CIEP do Caramujo, localizado às margens da Rodovia Amaral Peixoto. Estas escolas atendem também à população de bairros vizinhos como Baldeador e Viçoso Jardim. Cabe ressaltar também a Creche Girassóis, destinada aos filhos dos catadores de lixo e que tem como mantenedora a Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (CLIN).

O bairro apresenta-se problemático com relação à segurança pública, uma vez que esta fica sob a responsabilidade da 78ª DP, localizada no Fonseca, bairro que dada suas dimensões e especificidades, já possui demandas significativas. Existe no Caramujo um prédio onde funcionava, no passado, a Subdelegacia do bairro, desativada por falta de recursos materiais e humanos.

A coleta de lixo é prejudicada pela dificuldade de acesso às áreas mais elevadas dos morros, onde a pavimentação ainda não foi realizada ou concluída, o que leva alguns moradores a queimar o lixo, ou então a jogá-lo em terrenos baldios, geralmente em áreas de encostas, provocando a ocorrência de deslizamentos de materiais. A coleta não alcança parte do Morro do Céu, principalmente a área próxima ao Morro do Calixto, no vizinho bairro de Ititioca, onde os moradores que ocupam o vale existente entre esses dois morros utilizam terrenos baldios e um córrego, que passa pelo fundo do vale, como destino para o lixo produzido.

A principal fonte de degradação ambiental da região é o vazadouro de lixo do Município, situado em área do Morro do Céu. A área original ocupada pelo vazadouro caracterizava-se pela presença de vales com declividade acentuada, hoje ocupados, na sua maior parte, pelo material depositado no decorrer de seus mais de dez anos de existência. Neste período nota-se um crescente processo de degradação, destacando-se entre os vários impactos ambientais: a contaminação do solo e do lençol freático pelo chorume; a liberação de gases combustíveis, além de tóxicos, pela decomposição dos resíduos orgânicos depositados; a mudança significativa do relevo e extinção da vegetação, contribuindo com a alteração tanto da drenagem superficial, quanto do microclima local; acúmulo de material junto às vertentes, favorecendo a ocorrência de processos de escorregamentos (deslizamentos); presença de vetores nocivos à saúde do homem; além da própria expansão que a área do vazadouro vem sofrendo, aumentando ainda mais sua proximidade com os moradores, comprometendo a qualidade de vida destes na mesma proporção.

Somam-se a estes fatos, bem como decorrem destes, o processo de desvalorização das áreas próximas ao vazadouro, além das questões sócio-econômicas que envolvem os diversos catadores de lixo que aí atuam, desprovidos de quaisquer vínculos ou garantias trabalhistas, e que estão em contato direto e quase que permanente com o lixo.

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Centro

O Centro limita-se com os bairros vizinhos de São Lourenço, Ponta D’Areia, Fátima, Morro do Estado, Ingá, São Domingos e Icaraí e é banhado em parte pelas águas da Baía de Guanabara.

Nos primórdios da colonização o Centro fazia parte da Sesmaria do Cacique Araribóia que construiu, no alto do estratégico Morro de São Lourenço, a principal aldeia de seus domínios. Boa parte do território pertencente a Araribóia ficou desocupado, facilitando o estabelecimento do colonizador. Assim começou a ocupação de São Domingos e de toda a área da Praia Grande – de onde partiam trilhas em direção ao interior, através dos vales. Nesses povoados foram construídos atracadouros onde também comercializavam-se produtos procedentes do interior e produtos que chegavam pelo mar.

O relevo predominante era o de planície arenosa, com colinas suaves debruçadas sobre a Baía de Guanabara, o que facilitava a atracação de barcos e os contatos com o outro lado da baía. Em 1817 Niterói foi elevada a categoria de Vila tendo São Domingos por sede. D. João VI freqüentava São Domingos hospedando-se, quando em visita, num Palacete doado com esta finalidade. Mas como o lugar não comportava a edificação de prédios públicos como a Cadeia, a Câmara e o Pelourinho, a sede da Vila acabou sendo transferida para Praia Grande.

Ainda no início do séc. XIX, 1820, foi traçado um plano urbanístico para a área que viria a se tornar o atual Centro de Niterói. Este plano previa a construção de cinco ruas paralelas ao mar e oito perpendiculares, cruzando em ângulo reto com várias praças.

Quando a Cidade do Rio de Janeiro foi transformada em Município Neutro e sede do Governo Imperial, em 1834, tornou-se necessário escolher o local para instalar o Governo Provincial. Assim, a Vila Real da Praia Grande foi elevada a categoria de Cidade, denominando-se Nictheroy, passando a ser a capital da Província do Rio de Janeiro. A importância político-administrativa deu novo impulso a cidade e o seu crescimento tornou-se cada vez mais visível – com a multiplicação das edificações públicas, comerciais, residenciais e também a abertura de novas ruas. No final do séc. XIX e início do séc. XX novos caminhos vieram interligar os futuros bairros de Nictheroy.

Observando-se a série histórica, a população residente do Centro vem diminuindo o seu percentual de participação na população total do Município: 7,01%, 5,67% e 4,96% nas décadas de 70, 80 e 91 – respectivamente. Hoje 5% da população da cidade residem no Centro.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Uma das características do Centro de Niterói é a existência, até nossos dias, de algumas edificações que datam do final do séc. XIX e coexistem com prédios novos, construídos sobretudo no pós-guerra. Herança dos primeiros planos urbanísticos, o Centro é dotado também de praças importantes como a do Rink, a da República e o Jardim São João.

O Rink, que já se chamou também Campo de Dona Helena e Largo da Memória, sediou as atividades político-administrativas da Província. O Jardim São João, onde foi construída a Igreja Matriz, era a sede religiosa. Já a Praça da República foi erguida para lembrar o fato histórico e os homens que por ela lutaram, sendo que nos anos setenta foi totalmente destruída e no seu lugar fincado o “esqueleto” de um prédio que permaneceu inacabado até o final da década de 80, quando foi implodido pelo Governo Estadual. A Praça da República foi reconstruída com a preocupação de se respeitar as suas características originais.

É ao redor da Praça da República que está um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Município constituído pelos prédios do Liceu “Nilo Peçanha”, da Câmara Municipal, da Polícia Civil, do Palácio da Justiça e da Biblioteca Pública Estadual. O conjunto é testemunho vivo da arquitetura do final do séc. XIX e as edificações são tombadas pelo Patrimônio Histórico.

O Centro continua desempenhando relevante papel como sede do Poder, tanto pela presença do Executivo municipal, do Legislativo, quanto do Forum e da igreja Matriz. Historicamente local de grande concentração comercial e de serviços, o Centro assistiu na década de 70 a migração de muitas lojas para outros bairros da cidade. Mas hoje em dia vive processo de rejuvenescimento comercial, com a instalação de shoppings centers. Assinala-se também a proliferação do comércio informal (ambulantes), consequência das dificuldades estruturais da economia brasileira.

No que se refere à vida financeira, o Centro ainda concentra a maior quantidade de agências bancárias e de casas de câmbio. A atividade, entre outras, contribui para o aumento da população flutuante, representada pelo grande número de pessoas procedentes do próprio Município e de municípios vizinhos, que circulam pelo Centro por ele ser ponto de passagem em direção ao Rio de Janeiro – através das barcas, aerobarcos e ônibus – e por ser a sede do novo terminal rodoviário que revolucionou e disciplinou o tráfego de veículos no Centro. A Praça Araribóia, fronteiriça a estação das Barcas, continua a ser um dos lugares mais movimentados de Niterói.

O Centro da cidade, em termos culturais, apresenta significativos equipamentos: o Teatro João Caetano e a Sala Carlos Couto, vários cinemas, além da Casa Norival de Freitas – esta em processo de restauração.

Um dos maiores problemas do bairro, a poluição do ar provocada pelo grande número de veículos em circulação, começou a melhorar assim que ficou pronto o Terminal Rodoviário João Goulart onde fazem ponto dezenas de linhas de ônibus, antes espalhados pelas ruas do Centro. Mas ainda restam problemas residuais a serem equacionados, dificuldades comuns a qualquer centro urbano movimentado.

As perspectivas para o futuro são otimistas. A revitalização urbana promovida pela Prefeitura de Niterói molda o novo Centro, onde empreendimentos imobiliários estão sendo lançados a todo momento, valorizando a região.

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Charitas

Limita-se com as águas da Baía de Guanabara, Piratininga (Morro da Viração), São Francisco e Jurujuba.

O bairro está na enseada de São Francisco, numa estreita faixa de terra compreendida entre a orla e o Morro da Viração. Sua paisagem natural já foi bastante modificada pela ação do homem, principalmente através dos desmatamentos, das edificações, extração mineral (pedreira) e do aterro, que diminuiu o espelho d’água. No entanto, este aterro aumentou a faixa de areia e possibilitou a construção de um calçadão e a duplicação da principal via do bairro.

Estendendo-se ao longo das avenidas Quintino Bocaiúva e Carlos Ermelindo Marins, que ligam São Francisco a Jurujuba, só recentemente Charitas construiu identidade própria. Antes designava-se Jurujuba toda a região a partir de São Francisco até a entrada da Baía.

Charitas, mesmo distante do núcleo inicial de povoamento da cidade, possui relevância na história do município, merecendo destaque:

1ª – As suas terras integraram a Sesmaria dos Jesuítas e nelas foi instalado o cemitério contíguo à Igreja de São Francisco Xavier. O nome do bairro, tem origem na palavra latina charitas, que significa caridade, grafada na igreja.

2ª – Em meados do séc. XVIII foi construída a sede da Fazenda Jurujuba. Esta propriedade foi doada por um dos seus donos para o Seminário São José, do Rio de Janeiro. O prédio é tombado pelo SPHAN e conhecido como Casarão.

3ª – Em 1853, após reforma e ampliação de um prédio já existente, foi inaugurado o Hospital Marítimo Santa Isabel. O sanitarista Francisco de Paula Cândido instalou e começou a dirigir a instituição. Em sua homenagem, não só o hospital mas todas as instalações que o lugar abrigou, passaram a se chamar Paula Cândido. O Hospital foi criado para abrigar e manter isolados doentes recolhidos nos navios que aportavam na Baía de Guanabara,1 portadores de varíola, febre amarela e cólera. Pecebia também doentes das redondezas e desempenhou importante papel devido as constantes epidemias até o início do século XX.

Posteriormente o hospital foi transformado em Preventório para abrigar crianças necessitadas de isolamento de contato tuberculoso. Nas suas dependências, mais tarde, foi estabelecida a Escola de Enfermagem e o Educandário Paula Cândido (FEEM).

4ª – Na década de 40, foi criado no bairro um campo de pouso para aviões monomotores, os Teco-Tecos. No Aeroclube de Niterói eram ministradas aulas de pilotagem e de lá se partia / chegava para pequenas viagens ou excursões aéreas.

5ª – A praia de Charitas, com suas águas calmas, era utilizada por famílias vindas de diferentes pontos da cidade e de outros municípios (muitos vinham de caminhão) para o lazer domingueiro. Piqueniques eram realizados à sombra das árvores existentes.

6ª – Em Charitas foram construídos outros dois hospitais: um psiquiátrico, conhecido como Hospital de Jurujuba; e o Hospital da Associação dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (ASPERJ).

A expansão urbana ocorrida em Niterói custou atingir Charitas. A tranquilidade do bairro só era interrompida por veículos que trafegavam em direção à Jurujuba, ou por eventuais explosões na pedreira até hoje explorada.

Com a crise econômica e o processo de metropolização, aparece em Charitas uma área de favelização ainda em crescimento, o Morro do Preventório.

Outrora existiu um viaduto que ligava a ponte de atracação diretamente ao Hospital.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Charitas hoje é um bairro com características bastante diversificadas.

O seu significativo crescimento demográfico, sobretudo nos anos 70, se fez com a construção de residências que vão de mansões a casas em favela. Há loteamentos legalizados e construções que não têm escritura definitiva, havendo inclusive áreas em disputa judicial.

Quase toda a face do bairro voltada para o mar é ocupada por quiosques, bares, restaurantes e outros estabelecimentos de lazer.

O Clube Naval, com suas edificações e barcos ancorados na marina, ocupa local onde antes existia pequena praia.

Diferentes equipamentos públicos são encontrados no local: Hospital Psiquiátrico, CIEP, Educandário Paula Cândido, Órgãos da UFF (Núcleo de Documentação, Laboratório de Geologia Marinha), uma Delegacia de Polícia, a Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Bombeiros e uma unidade do Médico de Família.

A intensidade e a diversificação da ocupação recente do bairro trouxeram para Charitas diferentes problemas. Eles vão da legalização da posse da terra a graves questões ambientais como desmatamento e comprometimento das encostas, carência de água potável e saneamento básico, o que contribui para a poluição das praias.

Apesar disso Charitas é um dos principais pontos turísticos e de lazer de Niterói. Seus bares, restaurantes e quiosques, as suas praias e as suas calçadas atraem cada vez mais, moradores de Niterói e de outros municípios, todos em busca de atividades de lazer e esportivas tipo caminhada, corrida, futebol, vôlei de praia, ciclismo, jetski, vôo livre e para-pente – atividades que dão ao bairro um colorido diferente.

Por sua localização geográfica, o bairro tende a sediar terminais rodoviários e hidroviários. Atualmente, várias linhas que se destinam ao Rio de Janeiro fazem ponto final no bairro.

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Cubango

Tendo como vizinhos os bairros de Santa Rosa, Fonseca, Viçoso Jardim, Ititioca, Fátima e Pé Pequeno, o Cubango desenvolve-se no interior de um estreito vale que é cortado pela rua Noronha Torrezão, a sua principal via.

A denominação “Cubango” deriva do Indígena u-bang, cujo significado seria “terras escondidas”. Com o passar do tempo veio a dominação portuguesa, que transformou o local em ponto de comercialização de escravos negros onde hoje é a localidade conhecida como “Venda das Mulatas”, no limite com Viçoso Jardim. Presume-se que os escravos seriam provenientes de Angola e adaptaram o indígena u-bang para Cubango, nome de um rio daquele país, ficando assim nominado o lugar a partir de então.

Antes de ser loteado, já no presente século, o bairro era composto por quatro fazendas produtoras de hortaliças. Segundo os moradores mais antigos, notava-se que até 1950 havia uma predominância de população negra, sendo o Cubango um bairro originalmente proletário, onde destacavam-se os operários que trabalhavam nas indústrias do Barreto, Santana e nos estaleiros da Ponta D’Areia.

Na década de 50 o bairro era servido por uma linha de bonde e começou a receber algumas melhorias como água, esgoto, asfalto e, posteriormente, iluminação a vapor.

A partir dos anos 70, o Cubango passou a arregimentar uma população cada vez maior de classe média, fruto da provisão de habitantes pelo Sistema Financeiro (antigo BNH). Este processo vem modificando gradualmente o perfil do bairro. No dias de hoje são erguidos prédios modernos em meio ao casario mais antigo; o comércio está diversificando-se e começam a aparecer alguns tipos de serviços voltados para a população de melhor poder aquisitivo.

Em contrapartida, surgiram núcleos de favelização como os morros do Arroz, do Serrão, do Abacaxi e do Querosene. Nestas áreas as habitações, embora sejam de alvenaria, possuem um padrão construtivo considerado precário, com ausência de infra-estrutura básica.

CARATERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio do bairro atende apenas às necessidades básicas da população e concentra-se na rua Noronha Torrezão, onde predominam pequenas mercearias, farmácias, padarias, lojas de materiais de construção e até concessionárias de automóveis. O setor industrial é representado por duas serralherias e uma fábrica de esquadrias de alumínio.

Quanto aos meios de transporte, não há grandes reclamações da população em relação a esses serviços. O principal problema viário do Cubango são os constantes congestionamentos na rua Noronha Torrezão, em virtude desta via ser utilizada como corredor viário para o Fonseca e as regiões de Pendotiba e Oceânica, sobretudo nos horários de maior fluxo de veículos.

Quase todas as ruas do bairro são pavimentadas, o que se deve, principalmente, ao empenho de suas entidades associativas, especialmente o Centro Pró-Cubango, fundado em 1951 para reivindicar melhorias como iluminação, água e calçamento. Serviços que eram deficientes ou não existiam até a década de 50.

Atualmente, o serviço de abastecimento d’água atende a mais de 90% dos domicílios (IBGE – 1991). Nas localidades mais elevadas é comum o uso de nascentes e poços.

A coleta de lixo é executada na quase totalidade do bairro, mas em alguns pontos de difícil acesso verifica-se o acúmulo de lixo em terrenos baldios e encostas.

No Cubango não existem unidades de saúde. Quanto aos equipamentos públicos presentes, destacam-se a Escola Estadual Doutor Memória e a Escola Estadual Ismélia Saad Silveira, ambas de 1º Grau. Ainda assim, muitas crianças da comunidade estudam no CIEP Anísio Teixeira, situado no bairro do Fonseca.

Segundo os seus moradores, o Cubango é um bairro tranqüilo, sendo o policiamento executado pela Delegacia do Fonseca.

Entre os principais problemas ambientais podemos destacar o risco de deslizamentos em algumas encostas, propiciado pela ocupação irregular em áreas inclinadas e acúmulo de lixo nas vertentes; e também a poluição do riacho que corta o bairro paralelamente à rua Noronha Torrezão, que ainda não foi totalmente canalizado, recebendo lixo e uma parte do esgoto doméstico do Cubango.

Vale citar que o bairro possui como alternativas de lazer a quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Cubango e a sede social do Centro Pró-Cubango, entidades que exercem importante papel na comunidade. A escola de samba é uma importante área de lazer freqüentada por grande parte da população, sendo que no período de Carnaval, cerca de 75% dos seus foliões são moradores do bairro. O Centro Pró-Cubango, que já teve importante papel como entidade reivindicatória, hoje funciona como centro social.

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Engenho do Mato

O Engenho do Mato faz limite com os seguintes bairros: Itaipu, Jacaré, Rio do Ouro, Várzea das Moças e ainda com o município de Maricá, pela Serra da Tiririca. O bairro surgiu da partilha da Fazenda Engenho do Mato, que tinha como função principal a produção de banana prata e grande variedade de hortifrutigranjeiros, destinados principalmente ao centro consumidor de Niterói. Na área desta fazenda foram feitos dois loteamentos: o primeiro denominado “Jardim Fazendinha de Itaipu” e o segundo “Parque da Colina”, ambos obedecendo ao Decreto-Lei número 3.079 de 15 de setembro de 1938.

A partir dos anos 50, a região passou a ser ocupada por posseiros que desenvolviam atividades agrícolas e acabaram sofrendo ameaças de expulsão com a venda dessas terras, o que só não ocorreu em função de uma ação governamental que desapropriou a área visando a instalação do núcleo colonial da Fazenda do Engenho do Mato, Decreto nº 7.577 de 2 de agosto de 1961. Tal ação surgiu a partir da tentativa de evitar um possível êxodo dessa população para o centro urbano e também para garantir a continuidade de uma produção agrícola próxima à cidade de Niterói, além de evitar a derrubada da mata existente, rica em madeira de lei. A área desapropriada alcançava aproximadamente 52 alqueires.

Posteriormente, nos anos 70, sugiram os loteamentos que foram responsáveis pela configuração atual do bairro como: Maravista, Soter, Argeu, Fazendinha, Vale Feliz e Jardim Fluminense.

Atualmente, grande parte da área plana é ocupada por residências de moradores de classe média que, em sua maior parte, teve acesso à terra a partir da compra direta aos posseiros mais pobres. A população de baixa renda localiza-se principalmente no Jardim Fluminense e nas encostas da Serra da Tiririca.

As propriedades, antes destinadas à veraneio ou finais de semana, hoje apresentam-se como local de moradia permanente de uma população que tem como remanescentes da vida rural a tranqüilidade e a paisagem, bem como a proximidade com as praias oceânicas. Estes são os principais elementos atrativos e de valorização dos terrenos do bairro. A entrada do capital imobiliário, somado ao asfaltamento das principais vias de acesso ao Engenho do Mato, resultaram nas altas taxas de crescimento anual da população a partir da década de 1970.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Observamos a presença de lojas de materiais de construção, bares, mercados de médio porte e postos de gasolina, concentrados sobretudo ao longo da Avenida Central, atualmente pavimentada e uma das principais vias de ligação com outros bairros e com a estrada Amaral Peixoto. Já ao longo da estrada do Engenho do Mato, destacam-se alguns bares e casas noturnas. Em relação ao comércio mais especializado, a população procura os estabelecimentos existentes na estrada Celso Peçanha ou mesmo em Icaraí e Centro de Niterói.

Quanto aos equipamentos públicos, existe um Posto de Saúde, um módulo do Médico de Família, o CIEP Rui Frazão, a Escola Estadual Fagundes Varela, um setor da Fundação Leão XIII e a Creche Municipal Olga Benário Prestes.

Com relação ao transporte coletivo, duas empresas de ônibus prestam serviços a este bairro, sendo que uma explora duas linhas que trafegam na estrada Engenho do Mato, ligando Itaipu ao Centro de Niterói e a Alcântara; e a outra trafega pela Avenida Central ligando Várzea das Moças ao Centro, operando, segundo a população, com horários e freqüência incompatíveis com as necessidades, sobretudo durante a noite e nos finais de semana.

Como evento popular temos a Festa Country do Engenho do Mato que tornou-se um acontecimento marcante, não só do local como de todo o município, sendo responsável pela instalação de um Parque Rural, onde se pretende , além da criação de uma escola de equitação, realizar cursos profissionalizantes para tratadores de animais, promoção de encontros ecológicos e de educação ambiental , possibilitando a criação de novo polo turístico.

Entre os problemas observados no bairro, destacam-se: os desmatamentos na encosta da Serra da Tiririca, atenuado pela criação do Parque Estadual; a insuficiência de redes para abastecimento de água e de esgotamento sanitário, problemas comuns a toda Região Oceânica, e a falta de pavimentação de grande parte de seu sistema viário.

Devido a recente valorização destes terrenos, nota-se a presença cada vez maior de uma população de classe média instalando-se nos terrenos disponíveis, sobretudo ao longo dos loteamentos existentes nas proximidades da Avenida Central.

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Engenhoca

O bairro da Engenhoca limita-se com o Fonseca, Santana, Barreto, Tenente Jardim e com o município de São Gonçalo. Sua área é de 1,93 Km² e a densidade populacional registrada em 1991 é a mais alta da região, com 12.027 hab/Km².

O nome, oriundo de antigos engenhos existentes na área, é um tributo ao passado do bairro, que até 1920 era formado por três grandes fazendas: Fazenda das Palmeiras (com palmeiras dispostas em alameda até a entrada principal); Fazenda da Madame (localizada perto dos limites com o Fonseca) e a Fazenda do Alemão (próxima aos limites com o Barreto).

Com o término da 1ª Grande Guerra Mundial, inicia-se no Brasil o processo de industrialização que irá se espraiar por suas regiões metropolitanas, inclusive a do Rio de Janeiro. O vizinho bairro do Barreto torna-se um pólo industrial produzindo, basicamente, tecidos, vidro e fósforos. A Engenhoca, com seus amplos espaços, era o local ideal para moradia dos operários que trabalhavam no Barreto. Paralelamente ao parcelamento das terras observa-se a ascensão de alguns clãs familiares: família Esteves, família Sardinha e família Mendes. Estas famílias vão estar presentes em aspectos do bairro, quer sejam econômicos ou políticos.

Este caráter de divisão do espaço com conotações de delimitação de área de influência política, irá se manter por mais tempo e, podemos observá-la melhor quando constatamos a presença marcante da família Cravinho na parte da Engenhoca próxima ao Fonseca, ou de Francisco Esteves em outros locais do bairro, ou ainda a atuação de Renato Silva nas áreas mais pobres.

A partir de 1946 observa-se o início da pavimentação dos logradouros, bem como a inauguração da rede elétrica. É nesta época que também ocorre a incrementação do processo de parcelamento das terras do bairro, fato que propicia significativo aumento populacional. O comércio floresce, como pode-se comprovar pela presença, entre outros, de um grande armazém, pertencente ao Sr. Saraiva, bem como padarias e farmácias. A presença do bonde consolida esse desenvolvimento, como ademais irá ocorrer em outros locais do município.

O antigo Largo da Morte – que detinha esse nome por ser local de disputas entre estivadores – concentrava o comércio da época e foi posteriormente rebatizado como Largo de São Jorge, numa tentativa de recuperação de sua imagem. A Engenhoca de então tinha fama de bairro onde se concentravam valentes.

Do ponto de vista religioso, fato interessante era o ecumenismo. O bairro possuía, além da Igreja Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, o Centro Espírita de José Neto, bem como igrejas evangélicas. Existia ainda no bairro um time de futebol – o Espírito Santo – datando desta época a construção do primeiro campo da Engenhoca. Posteriormente outros times foram criados: o Guarani, Teimosinho, Cadete, Palmeiras, etc.

O bairro é pioneiro em alguns aspectos, quer do ponto de vista social, quer do institucional. A Legião Brasileira de Assistência (LBA), à época presidida por Alzira Vargas, instalou na Engenhoca um posto de atendimento com uma das primeiras creches do Estado. Também no bairro observou-se uma tentativa de uso social da terra, com a atuação de Arlindo Drumond – dono de grande parte da localidade hoje conhecida como Cravinho – que oferecia suas terras para que famílias ali se instalassem produzindo para consumo próprio. Ainda em relação a esse pioneirismo, vamos encontrar também a presença da primeira vereadora de uma legislatura do país – Lídia de Oliveira.

Bairro eminentemente operário, onde a atuação do Partido Comunista foi sempre muito presente, encontramos no trabalho desenvolvido pelo médico Nelson Penna, através dos Centros Comunitários, um embrião das futuras associações de moradores.

Com o início do processo de decadência das indústrias do Barreto, refletindo o que vinha ocorrendo a nível nacional, transformações incidem tanto sobre esse bairro como também refletem-se na Engenhoca, expressando-se pelo esvaziamento populacional bem como pelo desaquecimento da atividade comercial.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Na década de 70, com a inauguração da Ponte Rio-Niterói, a Engenhoca passa a receber um fluxo de moradores oriundos de várias partes, o que não redundou no crescimento da população do bairro, visto que um grande número de moradores se deslocou para outras regiões. A expansão do bairro se dá pela ocupação de áreas pouco valorizadas, pertencentes ao poder público ou mesmo desocupadas, por pessoas de baixo poder aquisitivo. Essa ocupação ocorre predominantemente nos morros, áreas desprovidas de infra-estrutura, onde utilizam-se materiais e técnicas inadequadas, constituindo-se no processo de favelização que atingiu grandes extensões do bairro, representando parte considerável dos problemas hoje existentes.

Com relação ao padrão construtivo, predominam as residências de baixo padrão, havendo entretanto residências de padrão médio, degradado ou não, bem como um número considerável de domicílios de padrão considerado precário (PMN/Sumac) nas áreas favelizadas.

Existem atualmente doze favelas na área da Engenhoca que, dadas a constituição física do bairro e a intensa ocupação, confundem seus limites entre si. A estrutura urbana caracteriza-se também por várias vias internas que dão acesso aos bairros com que se limita e ao município vizinho de São Gonçalo. O bairro está quase totalmente pavimentado, apesar de estar em uma região que compõe o chamado “Mar de Morros”, em que se tem várias colinas ou morros alternando-se, e que até certo ponto, poderia dificultar a realização dessas melhorias.

A Avenida João Brasil que se inicia ainda no Fonseca, no cruzamento com a Alameda São Boaventura, atravessa o bairro no sentido longitudinal e se constitui na principal via de circulação e acesso da Engenhoca. Na rua Coronel Guimarães, a mais antiga e importante via na funcionalidade do bairro, está concentrado, de forma mais expressiva, o comércio local.

O comércio é bastante variado e atende as primeiras necessidades da população: conta com padarias, açougues, mercados, farmácias, lojas de materiais de construção, de calçados, de autopeças, bazares e outros. Também se localizam no bairro número razoável de oficinas mecânicas, serralherias e serrarias, além de oficinas de usinagem mecânica, para confecção de peças para embarcações pesqueiras de Niterói e São Gonçalo.

Com relação aos equipamentos públicos, a Engenhoca é servida por dois estabelecimentos de ensino e uma creche da rede municipal: E. M. Adelino Magalhães, E. M. Infante Dom Henrique e a Creche Municipal Neusa Brizola, além do Colégio Estadual Mullulo da Veiga.

Na área da saúde existe uma unidade da rede municipal que atende a população através de serviços ambulatoriais, consultas e vacinação, além de um posto do INSS, entre outras atividades.

Quase todos os domicílios existentes estão ligados à rede geral de água e à rede geral de esgoto, bem como a coleta de lixo atende a maior parte do bairro. Mas em algumas áreas esses serviços se mostram, ou pouco eficientes, ou mesmo inexistentes, principalmente onde houve ocupação mais recente pelas camadas mais pobres da população.

O intenso processo de ocupação ocorrido sob a forma de favelização, em períodos recentes, corresponde ao principal problema do bairro, envolvendo a ocupação de áreas de risco associada à carência de infra-estrutura básica, em conjunto com as próprias condições sócio-econômicas da população que aí reside.

Nas demais áreas do bairro não há indícios de que venha a se realizar, a curto prazo, de maneira representativa, a substituição das unidades unifamiliares, predominantes em toda Engenhoca, por apartamentos, que hoje representam pouco mais de 5,0% do total de domicílios, fatos estes decorrentes da localização do bairro em área periférica do município, à margem da “explosão” imobiliária, hoje característica da Região Oceânica.

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Fonseca

O Fonseca é um dos bairros mais antigos de Niterói, situando-se em um vale cortado pelo canal do rio da Vicência e circundado por morros que o limitam com Baldeador, Caramujo, Viçoso Jardim, Cubango, São Lourenço, Santana, Engenhoca, Tenente Jardim e também o município de São Gonçalo.

Olhando-se o Fonseca do alto, na descida do morro da Caixa d’Água ou de qualquer de seus morros, pode-se observar imediatamente dois fatos que são marcantes na caracterização do bairro: 1º) a Alameda São Boaventura com suas duas vias, o canal da Vicência e árvores que o ladeiam, cortando o bairro no sentido oeste – leste, e seu grande movimento de veículos; e 2º) a ocupação praticamente total de seu território por edificações onde são minoritários e facilmente identificáveis os edifícios de apartamentos, tanto na parte baixa quanto nas suas encostas.

A predominância de construções de um ou dois pavimentos fez do Fonseca um bairro extremamente populoso e adensado (11.499 hab/Km²). Em população ele é o maior da Região Norte e o segundo de Niterói, com uma diferença de 4.960 habitantes em relação a Icaraí. O padrão construtivo é bastante diversificado: podendo-se encontrar desde alguns palacetes que ainda resistem ao tempo à casas geminadas, sobrados, vilas de casas, edifícios, prédios populares e casas de favela, atestando o seu grande contingente populacional, sua história e seu perfil.

O lugar calmo e coberto de vegetação exuberante que existia até o final do século passado, com suas fazendas e aprazíveis chácaras que serviam de endereço para famílias ilustres, gradativamente deu lugar ao Fonseca de hoje. Historicamente o Fonseca está intimamente ligado a São Lourenço e Santana, daquele se originando.

Na Sesmaria de São Lourenço dos Índios, estabeleceram-se “gente de pequenas ou maiores posses”, com assistência dos jesuítas e sob às vistas das autoridades régias, em terras obtidas por aforamento aos que as solicitavam, por um preço irrisório. Provavelmente muitas terras foram ocupadas nessa época sem título algum. Desta forma, iniciou-se a ocupação de Niterói, particularmente do bairro do Fonseca, que deve seu nome a José da Fonseca Vasconcellos, um dos grandes fazendeiros da região.

Nos campos do Fonseca, cercado pelos morrosantigamente chamados de São Lourenço, ao sul, e Santana, ao norte, foram estabelecendo-se propriedades agrícolas: primeiro plantações de cana e engenhos; depois café, além de milho, feijão, mandioca, hortaliças e pomares. Com o tempo estas propriedades foram sendo divididas, para venda ou entre os herdeiros, sendo subdivididas em sítios e chácaras. Novos moradores se estabeleceram no bairro.

Com a interiorização das atividades econômicas no Estado, surge a necessidade de abrir novas vias de comunicação. A ocupação do Fonseca está relacionada principalmente a este fato.

Dois eram os caminhos que ligavam Niterói a Inoã / Maricá e Campos. Passando pelas matas da Paciência, um deles cortava o Fonseca, aproveitando um caminho natural, ao longo do curso do rio da Vicência. A necessidade permanente de melhoria deste caminho e a intensificação da ocupação do Fonseca, levaram à sua urbanização, com a construção da Alameda São Boaventura e canalização do rio Vicência, passando o bairro também a ser dotado de outros serviços públicos: a 07 de setembro de 1883 foi inaugurada a linha de bondes de tração animal até o final da Alameda; e, a 15 de agosto de 1908, chegam os bondes elétricos.

Com o estabelecimento de portos (Santana, Mayer, São Lourenço) no litoral de São Lourenço/Santana e a implantação de ferrovias (segunda metade do século XIX), o processo de ocupação de São Lourenço, Santana e Fonseca se intensifica e novos estabelecimentos comerciais e industriais instalam-se, atraindo novos moradores, tanto do interior do Estado, quanto do exterior (portugueses, espanhóis e italianos). No séc. XX, as obras do aterro de São Lourenço, a construção do porto de Niterói (pedra fundamental em 1924), da estação ferroviária (1930) e a abertura de nova avenida (Feliciano Sodré), ligando diretamente a Alameda à rua Visconde do Rio Branco, concorrem ainda mais para o crescimento do Fonseca.

Aparecem as mansões; colégios particulares são criados (Brasil e Nossa Senhora das Mercês); loteamentos são lançados, charcos são drenados possibilitando novas edificações; o Horto (e suas escolas superiores) é criado; aparece a Penitenciária; o Grupo Escolar Hilário Ribeiro é instalado; novas ruas são abertas comunicando o bairro com outros bairros; pequenas indústrias começam a funcionar (como a fábrica de tamanco, a fábrica de doces e a fábrica de cimento – todas desativadas); e a “Vila Jardim” é projetada e construída no campo do Ipiranga, ao lado da Alameda, para habitações de trabalhadores.

Muitos estabelecimentos comerciais são instalados ao longo da Alameda e de suas ruas transversais. Chegam os armazéns de secos e molhados, padarias, bares, quitandas e leiterias. Algumas poucas chácaras e sítios que persistiram até décadas mais recentes acabaram dando lugar a casas, vilas de casas ou prédios de apartamentos. Com o crescimento do Fonseca sedimenta-se também o seu perfil de bairro residencial.

Os anos passam e o transporte rodoviário torna-se o mais utilizado, fazendo praticamente desaparecer o porto e a ferrovia, vítimas também do esvaziamento econômico do interior do estado. A construção da Ponte Rio-Niterói e a sua ligação direta com a Alameda São Boaventura aumenta o tráfego de veículos e atrai novos moradores, intensificando ainda mais o crescimento do bairro.

Até o início da década de 50, quando foi dado outro traçado ao canal da Vicência, facilitando o escoamento das águas pluviais, as enchentes eram intensas e crescentes. Com a construção da Ponte Rio-Niterói houve nova obstrução na saída do Vicência, trazendo de volta as enchentes. O problema quase crônico das enchentes, aliado ao excesso de veículos em trânsito, reduziram a qualidade de vida no Fonseca. A busca de endereços mais atraentes ou junto ao mar provocam forte movimento migratório para outros bairros, contribuindo para mudar o perfil dos moradores do Fonseca.

Famílias tradicionais do bairro formada por médicos, industriais e comerciantes – como os Saramago Pinheiro, Torres, Vianna, Botelho, Bastos, Cunha, Pereira Faustino, Pestre, Pires de Mello, Marcondes, Alves, Lima Monteiroe tantas outras mudam-se em direção a outros bairros.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Fonseca é um bairro de ruas asfaltadas, pouco arborizado em suas vias internas e é razoavelmente servido de água e esgoto, como também de limpeza pública. O bairro dispõe de energia elétrica (até nas áreas favelizadas) e de transporte coletivo eficientes. Possui um número expressivo de escolas públicas e particulares, embora este número seja insuficiente para atender a demanda. Funcionam no bairro dois hospitais: o infantil, Getúlio Vargas Filho; e o estadual, Azevedo Lima, que cuidava de doenças pulmonares como a tuberculose e hoje encontra-se em decadência e estado de abandono.

No Fonseca são significativas as diferenças com outros antigos bairros da cidade como Centro e Icaraí. Nestes, o traçado das ruas assume a forma de “tabuleiro de xadrez”, possibilitando diferentes acessos e facilitando a circulação. No Fonseca, o “tabuleiro” aparece em alguns pontos, mas não no todo, além das ruas não se interligarem. Com isso, a Alameda São Boaventura é a única via comum a todos os pontos do bairro. Este fato, e também por estar a Alameda ligada diretamente à Ponte Rio-Niterói e à rodovia Tronco Norte-Fluminense e ser via de passagem, torna intenso o fluxo de veículos que transportam pessoas e cargas.

Ao longo dos últimos anos o Fonseca tornou-se um bairro de classe média e baixa (funcionários públicos, pequenos comerciantes, bancários, profissionais liberais, comerciários, etc.). Intensificou-se o processo de favelização em algumas áreas ao mesmo tempo em que se acelerou a construção de conjuntos de edifícios. Gradativamente tem mudado o perfil da Alameda (*9): de residencial para comercial. Alguns antigos estabelecimentos comerciais, bares, açougues, padarias, e até um geleiro, sobrevivem. A estes somam-se novos estabelecimentos como agência de automóveis, lojas de auto-peças, postos de gasolina, supermercado, sacolões, restaurantes e lanchonetes, lojas de móveis (usados e novos), oficinas, casas de show, clubes, lojas de roupas/pronta entrega, drogarias, vídeo-locadoras, loja de material e laboratório fotográfico.

As edificações utilizadas para as atividades que se multiplicam e diversificam na Alameda têm diferentes origens. São prédios comerciais do início do século onde funcionavam os desaparecidos armazéns de secos e molhados; prédios construídos com um objetivo mas que hoje têm funções bastante diferentes (Cinema Alameda, hoje uma igreja; Cine São Jorge, hoje loja de auto-peças); e prédios especificamente construídos para atividades comerciais, além de casas reformadas e adaptadas.

Ao longo da Alameda também funcionam agências bancárias, agência do correio, clubes, igrejas, clínicas, escolas, além da Penitenciária Estadual Ferreira Neto, da delegacia policial, do Jardim Botânico Nilo Peçanha (Horto do Fonseca), um quartel da Polícia Militar e o Museu da Eletricidade.

Outras ruas são importantes, tanto para a movimentação interna , quanto para o acesso a outros bairros, são elas: São Januário, Desembargador Lima Castro, 22 de Novembro, João Brasil, Carlos Maximiano, São José, Riodades, Teixeira de Freitas e Leite Ribeiro.

Nas atividades econômicas o destaque é o comércio. Este comércio é, pela maioria de seus estabelecimentos, de pequeno porte, servindo principalmente aos seus moradores. Possui apenas um supermercado, uma concessionária de automóveis, e uma empresa de ônibus como estabelecimentos de grande porte. Nas ruas internas do bairro são encontradas muitas lojas para abastecimento local e emergencial como padarias, bares, mercearias, barbearias, oficinas, depósitos e armarinhos.

A ocupação do Fonseca se deu inicialmente ao longo da Alameda, mais fortemente nos seus dois extremos, o Ponto de Cem Réis e o Largo do Moura, com diferentes perfis sócio-econômicos (o início da Alameda, era um endereço mais nobre). Depois estendeu-se até as encostas dos morros, fazendo com que surgissem outras localidades com identidades próprias: Bairro Chic, Buraco do Juca, Riodades, Teixeira de Freitas, Palmeiras, São José, etc.

O Fonseca tem muitos problemas que exigem atenção e ação específica do poder público, os principais são:

– O excesso de veículos na Alameda São Boaventura que causa constantes engarrafamentos e provoca transtornos e riscos para moradores e usuários;

– A escassez de vias alternativas para acesso ao bairro e para a movimentação interna;

– O escoamento das águas pluviais. Toda a água das chuvas praticamente converge para o canal da Vicência, exigindo trabalho permanente de limpeza e desobstrução deste e de suas saídas (nova e antiga). Também nos temporais, em vários pontos do bairro a lama desce pelas encostas, chegando até a Alameda;

– A presença de conflitos pelo domínio de “pontos” pela criminalidade, principalmente nas áreas de favelização;

– Falta de espaços de lazer. Não há praças significativas, sendo o único lugar público amplo o Horto , que está cada vez mais ocupado por outras atividades, descaracterizando uma grande área de lazer infantil. O mini-zoológico funciona em espaço reduzido e mal aparelhado; a área dos viveiros e estufas está em ruínas ou abandonada;

– A não adequadação (ampliação) e reaparelhamento de serviços públicos ao crescimento do bairro;

O Fonseca, embora tenha sido uma região de passagem desde o período colonial e mesmo com a crescente utilização comercial e rodoviária da Alameda em tempos atuais, foi e continua sendo um bairro predominantemente residencial. Este fato deve ser considerado como o mais significativo na definição de políticas públicas destinadas ao bairro.

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Gragoatá

Gragoatá é um dos menores bairros de Niterói e o que apresenta menor número de habitantes, tendo como limites São Domingos e Boa Viagem, além das águas da Baía de Guanabara.

O seu território pertencia à Sesmaria dos Índios Temiminós – doada com o objetivo de fixá-los deste lado da baía, para que ajudassem na defesa do Rio de Janeiro contra possíveis invasões e na luta contra os Tamoios (aliados dos franceses). O fato demonstra a importância estratégica que a “Banda d’Além” tinha para a defesa do litoral fluminense e por isso mesmo, em Niterói, foram erguidas diferentes fortificações, entre elas o Forte Gragoatá.

O Forte Gragoatá, construído entre o final do século XVII e o início do século XVIII, é o principal monumento histórico do bairro. A origem do seu nome está ligada a uma planta bromeliácea denominada Gravatá, que foi abundante no local. O Forte Gragoatá também já se chamou, em diferentes épocas, São Domingos, Gravatá, Caracuatá e Caraguatá. Por sua posição, num recôndito da entrada da Baía de Guanabara, ele foi conservado sem regularidade, sendo artilhado e desartilhado de acordo com a ocasião. Na época do ataque do corsário Dugway-Tröin ao Rio de Janeiro (1711) estava desartilhado e não ofereceu resistência. Os seus dias de glória aconteceram durante a Revolta da Armada (1893) quando o Batalhão Acadêmico, um dos que se formou para defender Floriano Peixoto, resistiu atrás de suas muralhas aos bombardeios do cruzador Tamandaré e do encouraçado Aquidabã, ajudando Niterói a receber a denominação de Cidade Invicta. Em homenagem a este feito, formalmente passou a chamar-se Forte Batalhão Acadêmico.

Nos planos de arruamento de Niterói datados do século passado já se previa a construção de uma via que ligasse a Ponta D’Areia a São Francisco, pelo litoral. No entanto, só recente (década de 80) foi construída mudando totalmente a paisagem do lugar. O morro contíguo ao forte foi cortado e a praia do Fumo (ao lado da praia Vermelha), aterrada. Surgiu a atual Avenida Litorânea e no aterro foram construídos mais tarde os prédios da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O bairro é um quadrilátero de ruas (Passo da Pátria, Cel. Tamarindo, Av. Litorânea, Presidente Domiciano) que circundam o morro do Gragoatá. Nestas ruas coexistem edificações antigas e recentes, onde o padrão arquitetônico de alguns destes imóveis ainda existentes testemunham que residiram no bairro migrantes europeus. Na esquina das ruas Presidente Domiciano e Passo da Pátria, a Western Telegraph Co. Ltda possuia residência para seus funcionários solteiros conhecida como “Chácara dos Ingleses”. O mesmo prédio, depois, abrigou o Colégio Icarahy, o Serviço das Águas, a Faculdade de Engenharia e atualmente Faculdade de Arquitetura da UFF, que ainda está lá. Os estrangeiros também influenciaram na fundação, em 1895, do Grupo de Regatas Gragoatá, para a prática do remo.

Na década de 70 foi construído no Morro do Gragoatá o Hotel Praia Grande, uma tentativa de criar condições para o desenvolvimento do turismo em Niterói. Para mantê-lo funcionando o Governo do Estado do Rio de Janeiro, proprietário do hotel, o arrendou por duas vezes a diferentes empresas hoteleiras. Hoje o hotel está desativado e o prédio em completo estado de abandono.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta ocupação horizontal, com densidade demográfica de 731 hab/km²( com função predominantemente residencial, o Gragoatá é um agradável lugar para se morar.

O Forte Gragoatá, tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), abriga hoje o Comando da 12ª Brigada de Infantaria. Apesar das alterações nas edificações em seu interior, o Forte continua sendo um dos pontos turísticos mais bonitos de Niterói. É também intensa a afluência de pintores paisagistas ao local motivados pela deslumbrante vista que de lá se descortina.

Ao longo da calçada da Av. Litorânea, tendo o privilégio de desfrutar da beleza da paisagem, é freqüente a prática de caminhadas, corrida e principalmente pescaria.

A história do Gragoatá está intimamente ligada ao bairro de São Domingos, sendo na realidade um prolongamento deste. Os melhoramentos urbanos, como o arruamento e o cais, foram uma extensão das obras de São Domingos. Só posteriormente o Gragoatá passou a ser um nome mais conhecido, tanto é que o CIEP Geraldo Reis, localizado em São Domingos, é conhecido como CIEP Gragoatá e o Campus da UFF, no aterrado Praia Grande, também é chamado de Campus do Gragoatá, apesar da maior parte da área e dos prédios ficarem em São Domingos. Observa-se também uma tendência encontrada em São Domingos – o uso de prédios antigos por bares, consultórios, escolas e pensões.

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Icaraí

A pA palavra Icarahy, em tupi-guarani, subdivide-se em I (água ou rio) e Carahy (sagrado ou bento). Icarahy significa água ou rio sagrado. É um bairro de função polarizadora, o mais populoso e com maior densidade demográfica no contexto municipal. Limita-se com Ingá, Morro do Estado, Centro, Santa Rosa, Vital Brasil, São Francisco e as águas da Baía de Guanabara. Ocupa aproximadamente 2 km² , o que representa 1,4% da área total do município. Tem uma população residente de 62.494 pessoas e densidade demográfica de 33.817 hab/Km².

A origem do bairro remonta à Freguesia de São João de Carahy, parte integrante da Sesmaria dos Índios, concedida a Araribóia em 1568.

Localizavam-se em sua área duas grandes fazendas conhecidas como a Fazenda de Icaraí, cujo dono era Estanislau Teixeira da Mata; e a Fazenda do Cavalão, do Tenente Coronel Antonio José Cardoso Ramalho. O escoamento da produção era feito por mar, através do porto de atracação de Carahy; e por terra, até a estrada do Calimbá, em direção à Praia Grande.

No séc. XIX a Freguesia integrou-se à recém criada Vila Real da Praia Grande. Nesta época, Icaraí ainda era um vasto areal que se estendia desde o mar até as proximidades da atual rua Santa Rosa. Areal coberto por pitangueiras, cajueiros, cactos e vegetação típica de restinga.

Parte das terras pertencia à Igreja. O mosteiro de São Bento adquiriu no ano de 1698 a área que hoje chamamos de Campo de São Bento, onde fora erigido o Outeiro de São João de Icaraí. Na época, a área era um enorme lodaçal devido a presença do rio Icaraí, atualmente canalizado.

Em 1834, com a criação do município neutro, Nictheroy torna-se capital provincial e é elevada à categoria de cidade. Ainda no séc. XIX, Icaraí recebe o seu primeiro plano de arruamento – iniciando-se efetivamente o seu povoamento. O Plano Taulois (1840-41) foi idealizado pelo engenheiro francês Pedro Taulois, no governo do Visconde de Uruguai. Consistia no traçado das ruas em forma de xadrez, ou seja uma malha viária octogonal, com início na praia e término nas proximidades da rua Santa Rosa.

A malha viária facilitou a expansão de Icaraí que passou a ser conhecida como “Cidade Nova da Praia de Icaraí”. Muitas dessas ruas só foram abertas depois de 1854 e receberam nomes de fatos históricos e de pessoas ilustres.

As ruas paralelas à praia receberam os nomes de Vera Cruz, Cabral, Souza, Mem de Sá e Estácio.

As perpendiculares foram denominadas: da Constituição, Independência, Aclamação, Sagração, Fundador, Regeneração, dos Legisladores, Cruzeiro, Estrelas, Reconhecimento/Adicional e Santa Bibiana.

Um dado histórico interessante da época foi a construção, em 1864, do asilo Santa Leopoldina que se instalou na antiga rua da Constituição. Nos primeiros anos do séc. XX (1903) o asilo deixou de pertencer ao Estado e passou para a Irmandade de São Vicente de Paulo, em terrenos doados pela viúva Angélica Maria Franco da Fonseca e que hoje representam extensa área do bairro.

A necessidade do arruamento de Icaraí fez desaparecer a bela estrutura rochosa em forma de arco existente na praia, a Itapuca original, dinamitada para dar lugar ao cais e a rua que ligaram o bairro ao Ingá. Deste período sobreviveram as formações rochosas que vemos ainda hoje neste trecho da praia.

A Pedra da Itapuca e também a Pedra do Índio, transformaram-se em símbolos histórico-paisagísticos não só do bairro, mas também de todo município. Reconhecidos desde a época do Império, foram utilizados como efígie nas cédulas de 200$000 (duzentos mil réis) e nos selos dos Correios e Telégrafos, em 1945.

Outro símbolo paisagístico com reconhecimento para além do bairro é o Campo de São Bento. O projeto, de autoria do engenheiro paisagista belga Arséne Puttemans, foi executado pelo prefeito Pereira Ferraz. O local, que já se chamou Parque Prefeito Ferraz, também foi utilizado para adestramento de tropas na época do Império.

No final do séc. XIX ficou concluída a obra do Jardim Icaraí, entre as ruas da Constituição e da Independência. Este jardim passou por sucessivas transformações no decorrer de sua história, sendo que no ano de 1940 recebeu o busto do Presidente Getúlio Vargas e passou a denominar-se Praça Getúlio Vargas.

Localizado em frente a Praça Getúlio Vargas, no ano de 1932 é inaugurado o Hotel Balneário Casino Icarahy – ocupando o palacete construído em 1916 por Eugen Urban. Este prédio, um dos mais bem planejados de Niterói segundo o padrão “Art Deco” em voga na época, foi demolido em 1939. Deu lugar ao edifício atual, inaugurado pela então primeira-dama Darcy Vargas. O Casino Icarahy funcionou até 30 de abril de 1946, data da proibição do jogo no Brasil. Fechado o cassino, o prédio foi vendido e passou funcionar como hotel-restaurante. Em 1952, depois de algumas reformas, surge o Teatro Cassino Icaraí. Na década de 60, funcionaram nele o Cine Grill e o Cine Cassino, nos espaços anteriormente ocupados pelo Grill-Room e pelo salão de jogos. Em 1964, o prédio passa a ser propriedade do Ministério da Educação e Cultura, vindo a abrigar a Reitoria da UFF a partir de 1967 – um dos mais importantes pólos culturais da cidade.

A praia de Icaraí era o grande atrativo da cidade. Em 1936-37 a Prefeitura, a imprensa e o Clube de Regatas Icaraí – construiram em concreto armado um trampolim no meio da praia projetado pelo Arquiteto Luis Fossati. O trampolim foi dinamitado no final da década de 60 por oferecer perigo aos banhistas.

No período pós-guerra, com o processo de industrialização pelo qual passava o país, o bairro viu crescer a demanda de habitações para a classe média. Houve na época uma migração intra-municipal sobretudo de moradores da Zona Norte da cidade; e migração intra-estadual, principalmente de São Gonçalo e municípios do Norte e Noroeste fluminenses.

A construção de edificações multifamiliares foi a solução adotada pelo capital imobiliário para atender a nova classe social imbuída do desejo de morar à beira-mar. O boom imobiliário atravessa décadas e teve como facilitador os financiamentos do Banco Nacional da Habitação (BNH), a partir do final da década de 60.

Na década de setenta, com a construção da Ponte Rio-Niterói, o bairro consolida-se como centro urbano polarizador e de grande importância para a cidade, com forte concentração de comércio, de serviços e de atividades de lazer.

O modelo de ocupação caracterizado pela contínua substituição de casas isoladas e de prédios de poucos pavimentos por outros prédios maiores e mais altos, intensifica-se sobretudo a partir da orla, onde o valor da terra atinge altas cifras, diminuindo a altura dos prédios e o valor dos imóveis à medida em que as quadras se interiorizam. Prédios luxuosos, de alto padrão construtivo, são erguidos na orla. E prédios de padrão médio e baixo são construídos no interior do bairro, expressando a segregação espacial da paisagem urbana.

A crise econômica dos anos oitenta, associada a super valorização dos preços dos terrenos, obriga as construtoras a se deslocarem para bairros próximos. Nesta época também cresce a ocupação das encostas e morros.

A beleza de Icaraí sempre serviu de inspiração para pintores, poetas e músicos ao longo da história do bairro. Por isso vale a pena lembrar – como síntese-homenagem – os versos da música Icaraí, do compositor Cilico, gravada pela cantora Beth Carvalho, no CD “Cilico e seus amigos”, recém lançado pelo selo Niterói Discos:

…”Icaraí,

Que vem desde a Itapuca

Até a subida da Fróes

Icaraí,

Os poetas já não fazem mais Nictheroy

Canto a beleza, lembro o Gentileza

Histórias de rir.

Quanta Saudade,

O meu peito invade do Petit Paris

Eu sei que o tempo não volta

Que o Trolley faz volta no Canto do Rio

E nas areias sereias olhando o Rio

Eu sei que o tempo não volta

E o Trolley faz volta no Canto do Rio

E nas areias, a melhor vista do Rio”.

Icaraí é o bairro mais povoado da cidade, com a maior densidade demográfica e o mais populoso com 62.494 habitantes, segundo o Censo de 91, o que representa quase 15% da população total da cidade.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro possui uma posição geográfica privilegiada, assentado sobre uma planície litorânea quaternária, entremeada por morros isolados e limitada pelo maciço costeiro. Suas encostas, sujeitas a erosões e deslizamentos, são objeto de estudo do Plano Diretor, Lei nº 1157 de 29/12/92, que aponta para a contenção e estabilização das mesmas. Destaca-se ainda o rio Icaraí que está canalizado e desemboca no canal Ary Parreiras, na rua do mesmo nome.

Icaraí apresentou um acelerado processo de adensamento demográfico, facilitado pelo predomínio de construções verticalizadas.

A característica de sua população quanto à estratificação social é bastante diversificada, materializando-se principalmente na sua distribuição espacial. Na orla os imóveis luxuosos são ocupados pela classes média e alta e, à medida que as quadras se interiorizam, os imóveis são mais simples e seus moradores de classe média. Relevante também é a presença de aglomerado subnormal (favela) nas encostas dos morros do Cavalão e da Cotia, ocupados por pessoas de baixa renda.

“O predomínio de edifícios de apartamentos esbarra em várias dificuldades e se beneficia de algumas facilidades comparada com a organização política em favelas ou na periferia do bairro. Uma das dificuldades encontradas está contida na própria arquitetura, pois os edifícios aproximam fisicamente os moradores, mas os isola socialmente, freando a mobilização. Outro óbice se refere ao patamar de reivindicação. Os moradores lutam para preservar padrões de vida já estabelecidos ou para elevá-los, e o móvel da mobilização passa freqüentemente pelo meio ambiente, segurança e uso do solo, enquanto nas favelas existentes no bairro, as lutas pautam-se em necessidades cruciais da sobrevivência imediata”. (Mizubuti, 1986:203)

Icaraí possui uma associação de moradores, a AMAI – filiada à Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT).

Bairro residencial com forte concentração de serviços, Icaraí aglutina atividades de comércio, prestação de serviços e do setor informal (ambulantes/camelôs). A distribuição espacial desses serviços concentra-se principalmente nas ruas Coronel Moreira César, Miguel de Frias, Presidente Backer, Pereira da Silva e Lopes Trovão. Lá são encontrados shoppings centers, galerias, lojas, restaurantes, bares e lanchonetes, entre outros. Na rua Gavião Peixoto está o coração financeiro do bairro, com grande concentração de agências bancárias, além de comércio expressivo.

O bairro é bem servido de infra-estrutura urbana: os domicílios são ligados à rede geral de abastecimento de água e ao sistema de esgoto sanitário. Embora este seja antigo, ainda atende a todo o bairro. O lixo é coletado regularmente, inclusive no horário noturno, e as enchentes diminuíram bastante devido a obras de drenagem realizadas recentemente. Estão localizadas em Icaraí colégios tradicionais como a Escola Estadual Joaquim Távora e o Jardim de Infância Julia Cortines, além de um mais recente, a Escola Estadual Paulo de Almeida Campos. O bairro conta ainda com importantes escolas da rede privada.

Icaraí é um centro polarizador em relação a outros bairros e também importante corredor de circulação (avenida Governador Roberto Silveira e Praia de Icaraí), tornando-se bem servido de transportes coletivos, de demandas inter e intramunicipal, e também é grande a circulação de veículos particulares nas suas ruas, o que ocasiona engarrafamentos na hora do “rush”.

Existem duas grandes áreas de lazer: o Campo de São Bento, com suas frondosas árvores e aprazível jardim, atraindo sobretudo crianças e adolescentes; e a Praia de Icaraí, com extensão de quase 2 Km, palco de uma diversidade de práticas desportivas desde as primeiras horas do dia até o final da noite. Toda iluminada e pavimentada, é um elemento de estreitamento das relações sociais, contribuindo também para a urbanidade do bairro. Vários eventos – como o tradicional reveillon, festejos e shows musicais – acontecem o ano inteiro na praia.

A sua vida cultural é uma das mais ricas da cidade, com a presença de cinemas, teatros, centros culturais, entre outros equipamentos.

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Ilha da Conceição

Situada em frente a antiga enseada de São Lourenço, a Ilha da Conceição teve toda sua história de ocupação basicamente relacionada ao mar.

No passado, a área sediava uma fazenda com uma capela datada de 1711, que foi derrubada, parede por parede, sob alegação do padre da necessidade de reforçá-las. Na época ocorreram discussões acirradas com os moradores porque a medida que se construía uma parede por fora, o padre permitia a demolição da parede original. Hoje a capela transformou-se na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. A sede da fazenda localizava-se onde atualmente funciona o Centro Social Urbano (CESU).

Há referências quanto a existência de gado na Ilha, presença esta associada ao matadouro que funcionava no Barreto, em frente a um dos antigos cais de acesso à ilha.

Entretanto, a partir do início deste século, se estabelece a relação da ilha com a indústria naval, estreitada com a construção do Porto de Niterói, inaugurado em 1927. Esta relação se manteve quando a ilha se ligou ao continente, em 1958.

No espaço pertencente a Leopoldina Railway (inglesa) instalaram-se na ilha, desde 1908, um estaleiro do Loyd Brasileiro, a oeste, e uma empresa inglesa, ao norte – a Wilson Sons, que fornecia pedras (retiradas da própria ilha) para lastro de navios, para a construção de cais e, também, carvão para navios e locomotivas.

Vários eram os interesses da Leopoldina Railway, principalmente a instalação de um terminal de carvão junto a seu cais. O terminal ferroviário de Niterói foi inaugurado em 1930, junto ao Porto, e a Leopoldina Railway cogitava construir uma linha férrea ligando os dois lados da ilha, para transporte de carvão – então feito pelo mar, através de chatas.

Com a Wilson Sons começa a ocupação efetiva da ilha, incrementada nas décadas de 20 e 30 com imigrantes portugueses trazidos para trabalharem nas suas carvoarias. Havia uma relação respeitosa empresa/empregado, pois os imigrantes iam uma vez por ano a Portugal, de navio, por conta da empresa.

Os trabalhadores ocupavam casas de pau-a-pique nas áreas da Leopoldina Railway, que não permitia construções em alvenaria. Esta ocupação era consentida pela empresa, que apenas cobrava um pequeno aluguel, sem nenhuma preocupação em inibí-las ou em oficializá-las por contrato.

Com tal facilidade, pescadores, operários navais, ferroviários e principalmente imigrantes portugueses, trazidos por informações chegadas à Portugal através dos conterrâneos que aqui viviam, mudam-se para a ilha. Os primeiros em busca de casa própria, os segundos por uma vida nova e também incentivados pelo fluxo migratório no sentido Europa/América existente à época.

Face a indiferença da Leopoldina Railway surgiram construções em alvenaria. O material para construção chegava em barcos e as residências eram erguidas pelos próprios moradores.

Tentando organizar a ocupação das terras, surgiu na ilha um topógrafo da empresa que, segundo alguns, defendia interesses estranhos aos dos moradores (o dele próprio). Desta forma as casas iam sendo erguidas, notando-se hoje um acentuado desalinhamento nas construções.

A Ilha da Conceição, como se configura atualmente, foi constituída a partir da ligação de duas ilhas que, dependendo da maré, podiam unir-se ou se separar por um canal (navegável), sendo formada geomorfologicamente por três morros principais.

A primeira ilha, onde localiza-se o Morro da Fábrica, situa-se na atual entrada do bairro, cujo nome deve-se a existência de uma fábrica de álcool-motor, depois transformada em fábrica de doce e por último transformada em fábrica de sardinha, sendo posteriormente desativada. Esta parte da Ilha teve o seu loteamento feito de forma regular pelo Banco Costa Monteiro, onde observa-se melhor padrão construtivo.

A segunda ilha, área da Leopoldina, era formada pelo Morro do MIC, antigo morro da Wilson Sons, e pelo Morro da Capela.

A ligação entre as duas ilhas ocorreu quando da construção do Porto de Niterói, utilizando-se a areia vinda da dragagem do cais. Esta zona arenosa que se formou foi sendo definitivamente aterrada pelos próprios moradores, conforme as construções iam surgindo.

O abastecimento de água era feito por um terminal da Leopoldina e a energia elétrica foi negociada com o Loyd Brasileiro, que permitia a extensão de cabos do estaleiro até as residências.

Em 1958, com a conclusão da ligação ao continente, foi aberta a principal rua da ilha, a Mário Neves, pela Companhia Nacional de Saneamento que tinha interesse na área. Deu-se então, a ocupação da orla da Ilha, principalmente pelas indústrias navais, acabando dessa forma com os banhos de mar dos moradores, já prejudicados pela poluição causada pela criação de suínos em liberdade, intensa à época.

Uma luta antiga dos moradores é pela posse da terra que pertencia à Leopoldina Railway. Estatizada pelo governo federal, tornou-se Estrada de Ferro Leopoldina, sendo posteriormente anexada à Rede Ferroviária Federal S.A.

Em 1987 a Prefeitura Municipal de Niterói comprou as terras litigiosas, com o compromisso de vendê-las aos seus ocupantes.

A Ilha da Conceição é considerada uma colônia portuguesa, cuja presença é marcada pela tradicional festa de Nossa Senhora da Conceição, que peculiarmente tem a comissão de organização constituída com paridade entre portugueses e brasileiros. Esta festa era aguardada ansiosamente por toda a população e contava com a presença de representações diversas da colônia portuguesa, trazidas em barcos emprestados pelos estaleiros. Quase todos os namoros da Ilha iniciavam-se nessas festas.

Entretanto, apesar desta manifestação religiosa, o primeiro padre específico para a paróquia da Ilha chega em 1968. Até então os casamentos, batizados e demais serviços religiosos eram feitos pelo pároco do Barreto.

Além da festa de Nossa Senhora da Conceição, outro prazer dos habitantes era o cinema que existia na Ilha.

Com uma capacidade organizativa muito grande, talvez pela sua formação de imigrantes que, em terras estranhas precisavam se organizar, a população da Ilha teve conquistas sociais de relevância.

– O empréstimo da energia elétrica pelo estaleiro do Loyd Brasileiro;

– A regularização do fornecimento de energia elétrica pela CBEE (Cia. Brasileira de Energia Elétrica);

– A luta pela posse da terra;

– O reservatório da Cedae;

– A luta pela escola local, atualmente Escola Estadual Zuleika Raposo Valladares, cuja primeira etapa foi construída através de recursos obtidos pelos próprios moradores.

Outro fator a que se pode creditar a capacidade organizativa do bairro é a presença, entre seus moradores, de muitos operários navais e ferroviários, categorias combativas e bem organizadas sindicalmente até 1964.

O Centro Pró-Melhoramentos (CPM) do bairro foi fundado em 1958 pelo grupo mais organizado dos moradores (os portugueses ficam de fora) e teve papel importante nas conquistas obtidas pelos que residiam na ilha. Mas a diretoria foi afastada em 1964, acusada de ser “comunista”, denunciada pelos que a ela faziam oposição no bairro. Os processos contra os diretores do CPM não foram adiante porque o militar encarregado do inquérito exigiu provas concretas, não obtidas pelos acusadores.

A paixão dos moradores podia ser sentida pela rivalidade existente entre os dois clubes locais, cujos jogos terminavam sempre em briga generalizada. Alguns jogos foram realizados fora do bairro a fim de se evitar o confronto das torcidas. O Esporte Clube Azul e Branco, cujo campo existe até hoje, data de 1926 e o Esporte Clube Luzitano, fundado em 1935, possui grande sede social, mas o seu campo foi ocupado para construção da escola estadual.

Uma Subdelegacia chegou a funcionar na ilha, com um titular protegido por políticos com interesses na área. O subdelegado tornou-se uma espécie de administrador informal, controlando desde a marcação das terras até a distribuição de energia elétrica.

A primeira linha de ônibus chegou junto com a ligação da ilha ao continente, em 1958, ainda trafegando por ruas de barro batido. A linha era atendida por veículos da antiga Companhia Serve, veículos em péssimo estado de conservação e com freqüência duvidosa.

A dinâmica demográfica está em processo de desaceleração. As taxas de crescimento são pequenas quando comparadas com as médias municipais. O bairro é adensado e de ocupação antiga.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Com a construção da Ponte Rio-Niterói, na década de 70, ocorre uma grande mudança na parte da ilha voltada para o continente, com a abertura de acessos e com a instalação do posto da Polícia Federal, responsável pela ponte.

Vem desta época o asfaltamento da rua Mário Neves e a melhoria dos meios de transportes (passam a ser duas as linhas de ônibus, mas a freqüência continua irregular principalmente nos horários noturnos). Atualmente todas as ruas do bairro são asfaltadas.

Na parte mais afetada pelas mudanças existia uma pequena favelização cujos moradores foram remanejados. Atualmente no outro extremo da ilha – ao Norte – é que encontramos uma área com construções precárias. O morro do MIC, apesar da ocupação desordenada, apresenta residências de alvenaria.

Houve um esvaziamento na indústria naval e os grandes estaleiros saíram da ilha, existindo porém algumas pequenas e médias empresas que terceirizam os seus serviços para os grandes estaleiros da região. Apesar disso, o lado de frente para o Porto de Niterói é exclusivamente industrial, existindo uma ponte suspensa ligando-o à ilha do Caju (onde apoiam-se alguns pilares da Ponte Rio-Niterói). Encontramos ainda uma fábrica de sardinha desativada e um cais de barcos pesqueiros bem movimentado, após o fechamento do entreposto de pesca da Praça XV, no Rio de Janeiro.

O comércio do bairro, além do que vende artigos de primeira necessidade (mercado, açougue, padaria, farmácia etc.), apresenta algumas casas especializadas em artigos para a indústria naval e pesqueira e conta ainda com uma agência bancária e fábricas de gelo para abastecer barcos pesqueiros.

Bem servida por equipamentos urbanos, a Ilha possui uma escola estadual, uma escola municipal, uma creche, um posto de saúde, um posto do programa “Médico de Família”, o Centro Social Urbano e recentemente começou a funcionar um Posto Policial (DPO) na entrada do bairro.

O bairro apresenta uma vida noturna intensa, marcada pela presença de vários treilers nas praças locais, principalmente em frente ao Esporte Clube Luzitano, que promove bailes semanais. Concorrido também é o “Bar do Peixe”, conhecido em toda cidade, onde se bebe cerveja acompanhada de peixe-frito fornecido pela casa.

Bairro de vida pacata, onde se coloca cadeira nas calçadas para um bate-papo em noites de verão, apresenta residências típicas de áreas com pouco espaço para construção: terraços cobertos como área de lazer.

A ocupação dos imóveis vagos se dá de forma rápida, propagados verbalmente, pois quase todo morador tem um parente querendo mudar-se para a Ilha, principalmente os portugueses que mantêm tradições familiares muito fortes.

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Ingá

O bairro do Ingá tem como limites o Centro, Icaraí, Boa Viagem, Morro do Estado e São Domingos, além das águas da Baía de Guanabara.

A área pertencia à Sesmaria dos Índios, mas os portugueses e seus descendentes nela se estabeleceram. Este processo, apesar das semelhanças, distingue-se do restante do município por algumas questões que lhe são próprias.

O Ingá é cercado de morros, formando um vale que se abre em direção ao mar, onde está a praia das Flechas. Originariamente, os morros eram cobertos de vegetação, com nascentes e córregos. Perto do litoral existiam charcos. Esses morros isolavam o Ingá dos outros pontos de Niterói, à exceção de São Domingos.

A ocupação e a urbanização do Ingá se fez inicialmente como um prolongamento de São Domingos. A partir do largo, acompanhando o sopé dos morros, caminhos se fizeram, em direção às fontes, chegando até a praia. Eram dois os caminhos que originaram as principais ruas do bairro: o do Ingá (Tiradentes) e o da Fonte (Presidente Pedreira). Esses caminhos, que atravessavam o Ingá no sentido Oeste-Leste, continuavam, em até Icaraí – o do Ingá, que subia o morro que o separa de Icaraí, onde hoje está a rua Fagundes Varela; e o outro – o da Fonte – que dobrava na altura da atual rua Nilo Peçanha. Os dois caminhos se interligavam por uma passagem onde foi aberta a rua Lara Vilela.

Ao longo desses dois caminhos, reconhecidos como ruas inclusive com seus nomes iniciais no Plano de Urbanização do século XIX, de 1840, o fracionamento das propriedades (desmembramentos por herdeiros, loteamentos, etc.) vai se dando ao longo do tempo, inclusive com o aparecimento de novas ruas.

Com a escolha de Niterói como capital da Província do Rio de Janeiro, o Governo provincial foi estabelecido no largo de São Domingos, no Palacete, e logo transferido para a rua da Fonte/Presidente Pedreira. Abrigar os presidentes, de Província e de Estado, e depois os governadores (de Estado), foi fato marcante não só para a intensificação da ocupação e urbanização do bairro, como também para o perfil de seus moradores.

A sede do governo foi chamada de Palácio do Ingá e funcionou, em tempos distintos, em dois locais no bairro. O primeiro numa propriedade do Barão de São Gonçalo, onde hoje funciona o Colégio Estadual Aurelino Leal e que foi sede do Governo até a transferência da capital para Petrópolis (1894). O segundo, quando a capital retornou a Niterói (início do século XX), numa propriedade que foi adquirida de um rico industrial português, permanecendo como sede do Governo estadual até a fusão dos Estados do Rio e Guanabara, quando Niterói deixou de ser capital.

No Ingá foram construídas belas e grandiosas residências desde o séc. XIX, residências que abrigavam figuras importantes da cidade e da Província/Estado, atraídas pelas condições do local: tranqüilidade, fontes, praia e, principalmente, por sediar o governo provincial e estadual.

A medida que esta ocupação se intensifica, novas ruas são traçadas, a praça e a igreja são construídas e o bairro assume um perfil independente de São Domingos. Em contraposição, os morros são cortados, desmatados e desaparecem as fontes de água.

Mais ruas são abertas interligando o Ingá diretamente com outros bairros. Para a construção destas foi preciso realizar grandes obras em períodos diferenciados, todas representando cortes nos morros que circundam o bairro:

– São as ruas Visconde Morais, Fagundes Varela, São Sebastião e João Caetano.

A mais significativa dessas obras foi a ligação pelo litoral entre o Ingá e Icaraí, pelas modificações drásticas que acarretou na paisagem natural: “Entre o Ingá e Icaraí não havia passagem porque se interpunha o morro que descambava no mar e onde escavaram as águas uma gruta de rara beleza, dando comunicação por um túnel natural, sobre um chão de seixos, daí o nome Itapuca” (*5) (Wers, p.184.1984). Tudo isso foi dinamitado em meados do século passado, restando hoje as pedras do Índio e de Itapuca – também muito bonitas, mas parte apenas do que lá já existiu. O material produzido pelo desmonte da Itapuca original foi utilizado para construção da muralha do cais e aterro respectivo, reduzindo sensivelmente a praia das Flechas.

A construção da praça e da igreja marcaram ainda mais a identidade do bairro. Em meados do séc. XIX, num terreno doado por um morador, foi demarcada a praça, que teve o seu ajardinamento concluído por volta de 1876, como testemunham suas centenárias árvores. A praça passou por várias reformas até os dias atuais. A Igreja de Nossa Senhora das Dores do Ingá foi inaugurada precariamente em 1885, passando posteriormente por obras e ampliações.

Em terreno próximo ao Palácio do Ingá, em 1912, foi criada a primeira Escola de Ensino Superior de Niterói, a Faculdade de Direito Teixeira de Freitas (hoje pertencente a UFF).

Outros estabelecimentos educacionais também se instalaram no bairro:

– A seção feminina do Colégio Bittencourt Silva. Mais tarde no seu prédio (com a construção de um anexo) foi instalada a Faculdade de Economia.

– A Escola Normal, depois Escola Profissional Fluminense Aurelino Leal, no prédio que abrigou o primeiro Palácio do Ingá. Neste prédio, à noite, funcionaram até 1966 diversos cursos da antiga Faculdade de Filosofia, inclusive os de História, de Geografia e de Ciências Sociais.

– O Colégio Batista e o Colégio Marília Matoso.

– A Escola de Serviço Social, que funcionou, por um tempo, em um prédio da esquina da rua Pereira Nunes.

A fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, com a transferência da capital para o Rio de Janeiro, a construção da Ponte Rio-Niterói e o boom imobiliário da década de 70 – são os principais geradores da atual feição do Ingá.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Até a década de 70, o poder político do antigo Estado do Rio de Janeiro tinha como principal endereço a rua Presidente Pedreira, no Ingá. Apesar da decadência econômica do antigo Estado do Rio afetar a sua capital, a proximidade com o poder manteve no Ingá um ar aristocrático, sobrevivente da época imperial. Mas este perfil não resistiu, contudo, à especulação imobiliária. Cada uma de suas antigas propriedades foi sendo derrubada para dar lugar a edifícios de apartamentos, restando nos dias de hoje apenas umas poucas construções remanescentes, testemunhas do passado.

Com o aumento de sua população – e também a de bairros como Icaraí, São Francisco e da Região Oceânica outras transformações viriam ocorrer no Ingá.

Cresceu significativamente o número de estabelecimentos comerciais. Hoje o Ingá abriga supermercados, sorveterias, armarinhos, vídeo-locadoras, farmácias, açougues, bares e hotéis. No campo da educação pública, além das escolas da UFF já citadas, o poder público implantou no Morro do Ingá uma unidade do Programa “Criança na Creche”.

O bairro é bem servido de transporte coletivo. Por suas ruas, por onde já circularam bondes e trolley-bus, hoje passam ônibus de várias linhas, inclusive intermunicipais. Suas ruas, principalmente a João Caetano, a Paulo Alves, a São Sebastião e a Fagundes Varela, estas duas últimas limítrofes com outros bairros, têm um trânsito intenso, apresentando engarrafamentos constantes nas horas de maior movimento.

Nos limites com a Boa Viagem encontramos o Morro do Ingá, conhecido também como Morro do Palácio. Nele existe uma área de favelização, onde os conflitos afloram, signatários da violência urbana.

No bairro há também prédios tombados ou em processo de tombamento. Significativos são: o do Museu Antônio Parreiras, propriedade onde viveu o mais importante pintor de Niterói; e o Palácio do Ingá, que abriga o Museu de Artes e Tradições Populares, o Museu do Estado do Rio e uma Escola de Artes, além do prédio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Niteroiense de Artes (Funiarte).

No litoral, em frente à praia das Flechas, praticamente desapareceu a convivência entre o passado e o presente encontrado em outros pontos. Sobrevive apenas o Jardim do Ingá e o Edifício Itapuca, o primeiro prédio de apartamentos com elevador de Niterói, construção da década de 30. Nada restou dos antigos casarões que abrigavam residências e até mesmo o Icarahy Palace Hotel e a Rádio Difusora Fluminense. Uma parede de concreto de prédios de alto padrão, construídos lado a lado, cortada pelas quatro ruas que atingem a praia, forma a nova face da praia das Flechas.

A praia das Flechas também teve a sua paisagem natural bastante alterada, tanto pelo aterro e construção do cais (rua e calçada) na ligação com Icaraí, quanto pelo corte no morro para a abertura da rua em direção à Boa Viagem. A praia diminuiu, tendo algumas grutas desaparecido. Apesar de toda essa transformação, a praia, com sua bela vista, continua sendo frequentada e os praticantes de caminhadas e corridas são presenças permanentes.

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Jurujuba

Situado a Leste da entrada da Baía de Guanabara, o bairro de Jurujuba é uma península cercada pelas águas oceânicas e da própria baía, limitando-se por terra com Charitas, próximo ao cruzamento entre Avenida Carlos Ermelindo Marins e o caminho para o Forte Imbuí; e com Piratininga, pela linha de cumeada do Morro do Ourives.

Na área há o predomínio de morros, variando suas altitudes de 39m (Morro do Lazareto) a 263m (Morro do Macaco). Elevações que se estendem até a orla, muitas vezes sob a forma de escarpas rochosas que terminam abruptamente no mar, entremeadas de pequenas enseadas e praias. A parte plana é pouco significativa, à exceção da área conhecida como Várzea. Em algumas partes ainda existe cobertura vegetal.

A ocupação inicial do lugar, no período colonial, deu-se com a distribuição das terras a sesmeiros, registrando-se também a presença de jesuítas. Naqueles tempos foi significativa a extração de madeiras. Entretanto, a topografia e a localização de Jurujuba explicam a função desempenhada pelo lugar na história da cidade, destacando-se o estabelecimento de uma colônia de pescadores e a criação de um sistema de defesa para proteger a entrada da Baía de Guanabara das invasões que ocorreram a partir do séc. XVI.

O sistema de defesa é integrado pela Fortaleza de Santa Cruz e pelos Fortes Rio Branco, Imbuí e São Luís — este último conhecido como Forte do Pico, por estar localizado num platô na parte superior do Morro do Pico. Todo este sistema protegendo a entrada da Baía de Guanabara é de grande importância histórica e arquitetônica, destacando-se a Fortaleza de Santa Cruz. A origem da Fortaleza data de 1555, com a colocação de dois canhões por Villegaignon, que comandou a invasão francesa ao Rio de Janeiro. Com a expulsão dos franceses, os portugueses se preocuparam em ocupar o lugar e realizaram obras de ampliação, denominando-o de Bateria de Nossa Senhora da Guia. Ao longo dos anos, obras foram sendo realizadas dotando-o de novas instalações e armamentos, trazidos da Europa. Foram construídas casamatas, paiol, calabouço, a “Cova da Onça” (destinada a tortura de presos), a capela de Santa Bárbara e instalados canhões poderosos.

Em 1943 foi aberta a Estrada General Eurico Gaspar Dutra, em plena rocha granítica, permitindo acesso de veículos por Jurujuba, pois antes o local só era acessível por mar e por um estreito caminho na pedra. A Fortaleza, pelo seu isolamento, serviu como prisão em várias épocas da história e nela ficaram recolhidos nomes ilustres do cenário político brasileiro.

Hoje a Fortaleza e os canhões, tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, constituem locais de visitação pública, sendo importante pólo turístico da cidade.

As atividades pesqueiras, o aparecimento de restaurantes e clubes, a expansão da ocupação urbana com a favelização das últimas décadas, concorreram para a diversificação das características de Jurujuba.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A atual feição urbana é caracterizada por considerável ocupação de encostas, inclusive pela escassez de áreas planas. Nas partes baixas localizam-se as moradias mais antigas, cuja população ainda desenvolve atividades ligadas à pesca. Em outras áreas, parentes e descendentes próximos dos pescadores se instalaram. Alguns destes mantiveram-se fiéis à tradição, são pescadores; mas outros buscaram em outras atividades o seu sustento.

Algumas áreas de encostas encontram-se bastante adensadas, entre estas destacam-se os morros Salina, Peixe-Galo e Lazareto. Este deve a sua denominação a instalação em 1855 de um Lazareto num prédio então existente, em decorrência de um surto de cólera.

O bairro de Jurujuba apresenta uma densidade demográfica baixa, não possuindo indicativo de mudança desta tendência devido a grande área militar que ocupa o seu território, além das dificuldades de acesso e da falta de áreas planas.

A malha viária do bairro é constituída por uma única via de acesso, a Avenida Carlos Ermelindo Marins, que começa no bairro vizinho de Charitas e segue pela orla marítima até Jurujuba. A via apresenta trechos onde o tráfego exige bastante cautela, em função do estreitamento decorrente das características físicas da área. A Estrada General Eurico Gaspar Dutra também apresenta essas características, fazendo ligação entre a praia de Jurujuba e a Fortaleza de Santa Cruz, passando ainda pelas praias de Adão e Eva. O tráfego na estrada é intenso nos finais de semana, especialmente no Verão.

O transporte coletivo é explorado no bairro por uma única empresa de ônibus, que faz a ligação com o Centro. Em horários restritos há um prolongamento do percurso até a Fortaleza de Santa Cruz.

O comércio do bairro localiza-se, principalmente na Avenida Carlos E. Marins e está tradicionalmente representado por bares e restaurantes que ocupam, sobretudo, o trecho final desta avenida, junto à praia de Jurujuba. Em geral têm como especialidade frutos-do-mar, existindo estabelecimentos com mais de duas décadas de funcionamento, havendo também alguns traillers na praia de Jurujuba e na praia da Eva. Estes estabelecimentos atendem aos que procuram o local como opção de lazer. Também está sediado no bairro o Jurujuba Iate Clube

A colônia de pesca Z8 é servida por pequeno entreposto para carga e descarga de pescado, bem como a comercialização de produtos destinados às embarcações.

O declínio das atividades pesqueiras, provocado pela redução da quantidade e qualidade de peixes na Baía de Guanabara e pela falta de incentivos governamentais, tem reflexos não só nos aspectos sócio-econômico, mas também culturais, uma vez que se verifica um distanciamento cada vez maior entre a pesca e o cotidiano da população local.

Os equipamentos públicos de saúde do bairro são representados por um módulo do programa Médico de Família e uma unidade municipal de saúde. Na área educacional encontra-se em funcionamento uma Creche Comunitária e um colégio estadual que atende da pré-escola ao 2º grau, oferecendo também ensino noturno. O bairro apresenta alguns problemas ambientais devido a ocupação de suas encostas, as indústrias aí instaladas e à precariedade dos serviços de infra-estrutura básica.

FESTA DE SÃO PEDRO

Além da sua bela enseada, Jurujuba, que em língua nativa significa “papagaio amarelo”, apresenta como atrativo a tradicional Festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, no dia 29 de junho. Realizada anualmente há várias décadas, hoje a festa conta, entre outras atividades, com a ornamentação do andor pela comunidade, com uma alvorada festiva, com uma missa e com uma procissão marítima.

Durante o período de comemorações realiza-se grande quermesse em que ocorrem leilões, shows artísticos, dança de quadrilhas, brincadeiras e jogos. As diversas barracas comercializam variadas comidas típicas, doces e bebidas. No encerramento, sempre há grande queima de fogos.

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Largo da Batalha

O Largo da Batalha, porta de entrada da Região de Pendotiba, limita-se com Ititioca, Badu, Cantagalo, Maceió, Cachoeiras, Sapê e Viradouro.

O nome do bairro, segundo depoimentos, sugere embates ocorridos no local em virtude de sua posição estratégica. Tal suposição deve-se ao fato de ter sido encontrado em local próximo um canhão (Vacaria / Badu) que, posteriormente (anos 40) foi retirado pelo Exército Brasileiro. Diz outra lenda que a localidade era o ponto preferido do índio Araribóia para se refugiar dos embates com os franceses invasores da Baía de Guanabara. Uma terceira versão atribui o nome do bairro a grandes “batalhas” de folia, resultantes do encontro de diversos blocos carnavalescos. O Largo da Batalha sedia atualmente três escolas de samba, fato que reforça esta hipótese.

Por sua posição geográfica, entroncamento natural de vários caminhos, o Largo da Batalha era passagem obrigatória para o escoamento da produção agrícola das fazenda do Engenho do Mato, de Piratininga e outras, passando pela antiga estrada da Garganta até chegar ao Centro – onde finalmente era distribuída.

Atualmente, a população concentra-se nas localidades de Igrejinha, parte do Morro do Atalaia, Morro do Caranguejo, parte do Monan Grande, na Pedra Branca e Castelinho, que reunidas formam o Largo da Batalha. Nestas áreas, as residências apresentam padrão construtivo oscilando entre baixo e precário (PMN/SUMA) e que, muitas vezes, se apresentam numa disposição de aglomeração, o que traduz o nível sócio-econômico que predomina entre os moradores do bairro. Entretanto, coexistem alguns condomínios de classe média e várias casas de alto padrão construtivo.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Largo da Batalha possui um intenso fluxo rodoviário, visto que o bairro funciona como ponto de interligação entre diversas localidades do município. Como conseqüência desse intenso movimento, desenvolveu-se no local um comércio ativo e variado: supermercados, lojas de automóveis, bares e lanchonetes, peixarias, lojas de móveis, de roupas, padarias e farmácia, entre outros, além da presença de agência bancária. Essa atividade comercial não só supre as necessidades específicas dos seus moradores, como também dos bairros vizinhos.

Por se tratar de um forte centro comercial, o Largo de Batalha tende a atrair e concentrar ainda mais estabelecimentos, intensificando e especializando o seu comércio, com tendência a se transformar num bairro predominantemente comercial.

Quanto à atividade industrial, esta faz-se representar, principalmente, por serralherias e por uma serraria de dimensões significativas. Há de assinalar, também, no bairro, a existência de uma pequenas hortas.

Quanto aos equipamentos públicos, há uma policlínica que funciona dia e noite, com características de Pronto Socorro, para atender à crescente população das Regiões de Pendotiba e Oceânica. Encontramos dentro dos seus limites uma escola da rede estadual, Leopoldo Fróes, que não possuindo condições de atender à demanda existente. Encontramos também uma sub-estação da CERJ.

Em relação ao transporte coletivo, a maioria dos ônibus que se dirige à Pendotiba e Região Oceânica passa pelo bairro, porém a linha 37 (Largo da Batalha – Centro) se destina especificamente ao bairro. Outro ítem relacionado ao transporte coletivo, diz respeito ao aumento da demanda nos finais de semana do verão, quando os ônibus geralmente trafegam lotados por banhistas, usuários das praias oceânicas, provenientes de outros bairros e até mesmo de outros municípios.

Os principais problemas ambientais decorrem do acúmulo de lixo, que se processa em diversos pontos do bairro, e da emissão de esgoto, que em grande número de casos, é direcionado aos córregos próximos, impossibilitando o uso de suas águas e poluindo os mananciais hídricos subterrâneos, os quais possuem uma certa importância não só para o bairro, mas também para a área subjacente.

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Maceió

Localizado entre a zona de ocupação mais antiga e a Região Oceânica, Maceió possui pequena base territorial e tem como vizinhos os bairros de Cachoeiras, Cafubá, Cantagalo e Largo da Batalha.

Sua ocupação é antiga, embora de registros incertos. Sabe-se que toda essa área pertenceu a uma grande fazenda denominada Fazenda Piratininga, de contornos imprecisos, o que favoreceu ao surgimento do fenômeno da grilagem de terras no decorrer deste século.Os primeiros ocupantes foram perdendo sua condição de produtores livres e gradativamente assentando-se em áreas disponíveis.

Até as primeiras décadas deste século a atividade econômica predominante era a agricultura de subsistência e a produção de carvão. Tendo em vista que a grande maioria dos pequenos produtores não possuía meios de transportes para escoar a produção, o intermediário, proprietário de um caminhão ou equivalente, percorria os sítios nos quais recolhia o excedente comercializável e deixava outros produtos de caráter mais urbano. Tal agente era também comerciante estabelecido no centro da região, provavelmente no Largo da Batalha de hoje.

Nesse processo estabelecia-se uma troca desigual, no qual para pagamento das dívidas, muitos agricultores entregavam suas posses, gerando áreas de terras griladas.

Observações empíricas em tempos atuais (1995) expressam a sobrevivência ainda de atividades rurais como testemunho dos primórdios da ocupação. Há criatórios de gado bovino, hortas e reservas florestais.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O atual uso do solo do Maceió se caracteriza pela complexidade. Coexistem espacialmente áreas com características rurais bem marcadas e áreas tipicamente urbanas, a começar pela área central do bairro. Ocorre que outros núcleos foram sendo estruturados como, por exemplo, às margens da estrada Velha de Itaipu, onde vários condomínios fechados de alto padrão construtivo têm aparecido nos últimos 15 ou 20 anos.

Há claras diferenças entre lugares como o Morro de Santo Inácio e o núcleo principal do bairro, marcados por padrões construtivos precário e baixo, respectivamente, com grande carência de serviços urbanos básicos em relação aos condomínios de classe média da localidade denominada paineiras.

A inexistência de água encanada ligada à rede geral de abastecimento leva os moradores a recorrerem ao poço; e a ausência do esgotamento sanitário, ao recurso da fossa rudimentar ou em alguns casos à séptica, quando não ao escoamento a céu aberto, in natura. É freqüente a contaminação da água dos poços pela proximidade das fossas, responsável por reincidências quase permanentes de certas doenças.

Uma curiosidade no que concerne ao abastecimento de água, refere-se à captação das águas pluviais mediante canalização nos beirais dos telhados, prática muito comum no Agreste e Sertão Nordestino de onde procede parte dos moradores antigos da área.

O comércio no bairro é pouco expressivo e a população recorre quase que integralmente ao Largo da Batalha, que se localiza próximo e que desempenha desde muitos anos uma função de centralidade urbana e de polarização em relação dos bairros vizinhos.

No bairro encontram-se ainda uma serralheria, oficinas mecânicas, fábrica de artefatos de gesso e bares.

Registra-se também uma creche instituída inicialmente como creche comunitária, com o trabalho voluntário de moradores e que mais tarde foi absorvida pela Prefeitura Municipal.

No bairro não há escolas, mas devido à proximidade do Colégio Estadual Leopoldo Fróes localizado no Largo da Batalha, as crianças e adolescentes do Maceió em idade escolar dirigem-se ao mesmo, embora muitas vezes não sejam atendidas.

O bairro dispõe de luz elétrica nos domicílios e nas vias públicas e conta com os serviço de coleta de lixo, embora em alguns pontos existam caçambas coletoras, porque a CLIN não faz coleta diária.

As perspectivas para o desenvolvimento do bairro, do ponto de vista econômico, são pequenas. Todavia, para fins residenciais em ocupação tipo condomínios fechados, há ainda grande disponibilidade de espaços favorecidos por relevo não uniforme que oferece variedade de paisagens.

As opções de investimento ficam restritas, portanto, ao capital imobiliário.

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Maria Paula

Maria Paula localiza-se na porção Norte do município, sendo o último bairro ao longo da estrada Caetano Monteiro. Além de limitar-se com São Gonçalo, é vizinho aos bairros de Matapaca, Vila Progresso, Muriqui, Sapê e Santa Bárbara.

Registros primitivos dão conta que Maria Paula originou-se de antiga fazenda de igual denominação doada por D. Pedro II a uma ex-escrava, sua ama de leite. A suntuosa sede dessa fazenda permaneceu preservada até o final dos anos 60, época a partir da qual toda a área começou a sofrer transformações com a substituição progressiva do modo de vida rural pelo urbano.

Segundo fontes primárias (depoimentos) e secundárias (registros históricos) a sede daquela fazenda possuia arquitetura colonial, com mobiliário aristocrático típico da nobreza da época. Ao redor do casarão havia uma capela, a senzala e correntes próprias para o aprisionamento dos escravos.

Após a abolição e durante toda a República Velha, essa região permaneceu com características essencialmente rurais. Dos anos 30 a meados do século, a região ainda era ocupada por atividades agrícolas, em particular, atividades horti-fruti-granjeiras e pastoris. As hortas, que já foram numerosas e de grandes dimensões, hoje são reduzidas, mas subsistem como testemunhos de períodos anteriores.

Consta também que no final dos anos 70 a Fazenda Maria Paula foi vendida para fins de loteamento e teria dado origem, entre outros, ao condomínio de luxo denominado Aldeia Casa Grande, onde resquícios da antiga sede da fazenda ainda são encontrados.

Mas é no decorrer dos anos 80 que ocorre a explosão imobiliária que abriu espaço para a ação do capital da construção civil. Multiplicaram-se os condomínios de luxo; as casas isoladas, de alto e/ou médio padrão construtivo, que passam a coexistir com remanescentes de moradias da população mais pobre. É notória a grande quantidade de obras no bairro a caminho da concretização de novas residências.

A dinâmica demográfica dos dois períodos apresentados na tabela revela que o de maior incremento foi o de 80/91, com uma taxa de crescimento anual de 4,60%, situando Maria Paula como sétimo de maior crescimento no universo de 48 bairros.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Apesar do crescimento relativamente significativo dos últimos anos, Maria Paula ainda se reveste de várias carências, a começar pelos serviços básicos. Com freqüência verificam-se esgotos a céu aberto. Boa parte do lixo costuma ser depositada em terrenos baldios – que são muitos – o que é um fator de atração de insetos e roedores.

Há contrastes visíveis. Além da sobrevivência de bolsões de pobreza em áreas de posse ou de loteamentos para segmentos de baixa renda, coexistem em relação de vizinhança, condomínios fechados de luxo que começaram a ocupar a paisagem urbana local.

O comércio, que é pouco expressivo, concentra-se às margens da estrada Caetano Monteiro e também, de forma ainda mais rarefeita, às margens da estrada Velha de Maricá ou da estrada da Paciência, após o Trevo. Somente estes eixos de circulação principais encontram-se pavimentados. As ruas secundárias estão em situação precária de trânsito.

Um dos problemas apontados pelos moradores e constatados pela observação empírica refere-se ao desmatamento. Esta ação torna-se ainda mais grave quando praticada nas encostas dos morros para fins de loteamento, em virtude da erosão subsequente. As condições ambientais são desfavoráveis de um modo geral, a começar pela poluição das microbacias, movimentos de massa que sensibilizam as encostas e uso inadequado dos solos, entre outros.

Um dos serviços que não se revela com problemas maiores é o do transporte coletivo. São várias as linhas que servem aos moradores, na medida em que a posição geográfica de Maria Paula é a de “local de passagem” para São Gonçalo e municípios vizinhos. O prejuízo neste aspecto é a deficiência no horário do “sereno”. Aliás este é um problema geral de todos os bairros distantes do Centro.

No campo do lazer, além dos bares e restaurantes com música ao vivo que se multiplicam ao longo das vias principais, alguns clubes campestres estão sendo estruturados pela iniciativa privada com grande afluxo de moradores do bairro e de outros lugares.

Finalmente, no que se refere às tendências para o futuro próximo, as entrevistas realizadas e as observações de campo apontam para possibilidade de multiplicação dos condomínios de luxo e avanço da construção civil, em geral, tendo em vista a farta disponibilidade de terrenos, presença ainda abundante de verde, baixos índices de poluição do ar, instalação de rede geral de água encanada em período recente e preços da terra relativamente baixos.

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Matapaca

Matapaca limita-se com os bairros de Maria Paula, Sapê, Badu e Vila Progresso. Segundo algumas fontes históricas, primárias e secundárias, a área foi habitada por índios Tamoios e a caça era uma manifestação relevante. Da grande quantidade de pacas na região procederia a denominação Matapaca.

Até o final do séc. XIX e início deste, a área era constituída de propriedades rurais como o caso do sítio da viúva do Marechal Hermes da Fonseca, Madame Tefé, vendido em 1921. Há uma hipótese de que essa venda poderia ter representado um embrião do processo de loteamento que se tornaria mais evidente a partir dos anos 50. Relevante também neste período a fundação do Atlético Futebol Clube em 17/10/1954, às margens da estrada de Matapaca.

O fato acima indica que, nos anos 50, a urbanização de Niterói já havia ultrapassado o Largo da Batalha e avançava ao longo da atual estrada Caetano Monteiro.

Das fazendas e sítios dos caboclos, ao bairro urbanizado de hoje, teria se passado cerca de meio século, sendo que atualmente estas duas características ainda coexistem.

Possui um zoneamento interno que permite reconhecer algumas localidades bem específicas, dentre elas destacam-se: Jardim América, Buraco Quente e Pache Faria. O Jardim América é um sub-bairro semelhante a um grande condomínio, com elevado padrão construtivo e ocupação recente e, em Pache Faria, localiza-se o antigo sítio pertencente à Madame Teffé, o buraco quente, de padrão econômico diferente dos demais.

Localiza-se no bairro a Igreja de São Sebastião que nos dias 20 de janeiro atrai grande número de romeiros devotos desse santo.

Manifestação religiosa semelhante ocorre nos dias 17 de dezembro de cada ano, quando em torno da Igreja de São Lázaro, também erigida no bairro de Matapaca, grandes levas de devotos se reúnem para cumprir rituais tradicionais da religião católica.

O bairro Matapaca apresenta uma das menores taxas de crescimento anual do município, ocupando o 46º lugar no universo dos bairros, segundo os dados dos Censos de 1970, 1980 e 1991, apresentando inclusive uma desaceleração demográfica. No entanto, cabe lembrar que o censo apresentou algumas impropriedades, além de uma adequação dos setores censitários com base no Decreto-Lei 4895 de 8 de novembro de 1986 que definiu novos limites para os bairros do município.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro de Matapaca se assemelha ao conjunto da Região de Pendotiba que, tendo sido zona rural até meio século atrás, hoje apresenta-se com predomínio de domicílios urbanos. Embora grande parte da população do bairro possua baixos rendimentos, verifica-se que a forma de uso do solo através de condomínios fechados, nos anos 90, tem sido a mais freqüente, trouxe uma população de rendimentos mais elevados. Uma das principais causas desse padrão de urbanização é a questão da segurança. Fora dos condomínios, alguns moradores se cotizam para contratar seguranças particulares.

A maior densidade populacional é encontrada às margens da estrada Caetano Monteiro, que funciona como elemento polarizador das atividades econômicas e dos novos moradores.

Estão abertas perspectivas de crescimento do bairro pela grande disponibilidade de terrenos e também por ser área de passagem do Centro de Niterói em direção a municípios vizinhos. Todavia, a posição geográfica afastada do Centro parece ter funcionado até aqui como freio de uma urbanização mais acelerada.

Além da função residencial, Matapaca se destaca também, nos dias atuais, por sua crescente importância comercial. Os estabelecimentos se concentram às margens da estrada Caetano Monteiro, importante via de passagem. Entre os principais ramos comerciais pode-se registrar: bares, padarias, supermercados, mini-shoppings, farmácias, açougues, lojas de materiais de construção entre outros, além de diversas oficinas mecânicas. A significativa presença das lojas de materiais de construção se deve ao ritmo dinâmico da construção civil nessa área de valorização recente. Esta concentração comercial e de serviços às margens da estrada Caetano Monteiro, atende não só aos moradores do bairro de Matapaca, mas também aos bairros vizinhos como: Maria Paula, Vila Progresso e Sapê.

No que se refere aos equipamentos públicos, há carência dos serviços de saúde, o que obriga os moradores a recorrerem a Policlínica Municipal do Largo da Batalha, ou, em casos mais complexos, ao Hospital Universitário Antônio Pedro, localizado no Centro da cidade.

Diferentemente, no campo da educação, a população local e dos bairro vizinhos dispõe de várias unidades escolares. Trata-se do Complexo Educacional do Remanso Verde, da Prefeitura de Niterói, constituído da Escola Diógenes Ribeiro de Mendonça, que atende do Jardim de Infância à 1ª série; da Escola Sítio do Ipê que atende da 1ª a 3ª séries e finalmente a Escola Honorina de Carvalho, com ensino de 4ª a 8ª séries.

A população local e regional conta com duas linhas de ônibus: as de número 35 e 48, ambas transitando somente pela estrada Caetano Monteiro – o que obriga os moradores de localidades distantes da estrada, a longas caminhadas. Uma das dificuldades em relação ao transporte é a irregularidade do funcionamento dos ônibus no “horário do sereno”.

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Morro do Estado

O Morro do Estado, um prolongamento natural do Centro, tornou-se bairro em 1986 pela lei 4.895 de 08/11/86. Situado entre o Ingá, Icaraí e o Centro, é uma das maiores favelas da cidade em número de habitantes e em densidade demográfica. É um bairro que possui características que o distingue dos demais: a sua ocupação caracteriza-se pela forte segregação espacial em relação aos dos bairros vizinhos.

O Morro do Estado cresceu principalmente, pós-guerra dentro do processo de urbanização e metropolização da cidade, conseqüência também do caráter excludente do modelo econômico concentrador de renda acentuado no país a partir dos anos 70; da crise habitacional; do alto custo de vida; das deficiências do transporte coletivo; do desemprego e da migrações inter e intra-regionais, sobretudo do Nordeste brasileiro.

A história da ocupação da área relatada por moradores mais antigos reportam a permissões de uso da terra concedidas pelo poder público ou por proprietários privados. A medida que essa forma de assentamento alternativo foi se cristalizando, os “barracos” de madeira foram substituídos por casas de alvenaria com arquitetura própria (tendo a laje como cobertura e sem revestimento) e espacialmente desordenada. Seu crescimento se manifestou da parte baixa para a parte alta e das bordas para o interior do morro. Atualmente já encontramos alguns domicílios (vide tabela VI) sob a forma de apartamentos, distinguindo-se do aglomerado subnormal.

Os anos setenta foram o período de maior incremento, principalmente em virtude da entrada de novos migrantes que procediam do próprio Estado do Rio de Janeiro. Hoje existe uma divisão social do espaço: os moradores mais antigos, geralmente de procedência nordestina, se concentram principalmente na parte voltada para a rua Padre Anchieta e arredores, onde os domicílios possuem melhor estrutura, enquanto os mais recentes ocupam as demais áreas.

Existe complexa teia de organização e normas no Morro do Estado responsável pela criação da escola de samba, do bloco carnavalesco, da associação de moradores, do conselho comunitário e de outras formas de agrupamentos sociais.

Segundo os resultados dos últimos censos, a população entre 1970 e 1980 duplicou, com uma taxa média de crescimento anual de 7,47%, sendo o bairro de maior crescimento do município. Já no período posterior de 1980 a 1991, o bairro passou por um processo de desaceleração e veio a apresentar taxa negativa, sendo o penúltimo em crescimento demográfico no contexto municipal. Tal fato deve-se principalmente a adequação de setores censitários para atender aos novos limites da lei de abairramentos (1986), o que prejudicou a análise das séries históricas.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Morro do Estado apresenta-se hoje com um casario típico de favela apesar da substituição da madeira pela alvenaria. O acesso principal está pavimentado até o alto do morro onde funciona uma praça de esportes, ponto de encontro da comunidade.

A comunidade local dispõe de uma unidade de saúde e de duas escolas, sendo uma para crianças do pré-escolar e a outra que atende até a 4ª série. Já o comércio é bastante incipiente, resumindo-se a “biroscas”.

A Associação de Moradores é uma das mais antigas do município, integra a FAMNIT desde 1983 e tem atravessado períodos de maior mobilização ou refluxo – dependendo da conduta de seus líderes em relação aos governos.

A possibilidade de expansão demográfica é pequena devido à falta de espaço territorial e dificuldade de realizar obras nas moradias já existentes.

Apesar do avanço dos últimos anos na direção da garantia dos direitos de cidadania dos moradores do Morro do Estado, ainda persistem problemas como o dos transportes coletivos. Outra questão apontada é o recrudescimento da violência urbana.

O que está apontado para o futuro é a melhoria das condições locais, tanto pela decisão da Prefeitura de aperfeiçoar os serviços de limpeza urbana associando-os à educação ambiental, quanto pela presença de organismos internacionais alocando recursos financeiros para acelerar a urbanização da área.

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Muriqui

O bairro de Muriqui limita-se com Vila Progresso, Rio do Ouro, Jacaré, Maria Paula e com o município de São Gonçalo pela estrada Velha de Maricá.

Compreendendo as localidades de Muriqui Grande, Muriqui Pequeno e Chibante, o bairro apresenta três vias principais que dão acesso a cada uma destas; e tanto a estrada do Muriqui Pequeno quanto a estrada do Muriqui Grande (estrada Aristides Melo), se encontram com a estrada Velha de Maricá.

Segundo depoimentos de moradores mais antigos, o bairro de Muriqui foi formado pela partilha de três fazendas que se dedicavam à pecuária bovina e à agricultura.

O seu parcelamento obedeceu a um processo diferenciado. Ao invés da transformação de propriedades rurais em loteamentos urbanos, mais freqüente nessa área, as fazendas se transformaram em muitos sítios. Este fato confere ao bairro uma singularidade que é a de representar um estágio de transição entre o rural e o urbano.

Estas unidades espaciais medem em geral, dois alqueires, ou seja, em torno de 50.000 m2. Em muitos destes sítios desenvolvem atividades agropecuárias, como o criatório de suínos, gado bovino, produção de flores em geral e de orquídeas em particular.

O processo de ocupação “urbana” data, pelos menos, de três décadas. No entanto, o índice de expansão populacional mensurável pela edificação de novas moradias, não é grande, justamente pela forma hegemônica de parcelamento do solo que deu origem aos grandes sítios e não dos tradicionais lotes de pequenas dimensões. Outrora, um desses sítios pertenceu ao ex-governador Roberto Silveira.

Pode-se dizer então que a ocupação se diferencia do que ocorre em grande parte do município, isto em função do bairro ser dividido em grandes lotes, ocupados por uma ou duas residências, havendo inúmeros sítios, que mesmo não desenvolvendo funções específicas, apresentam características rurais. É comum a existência de residências antigas, de médio e alto padrão construtivo, que possuem unidades anexas destinadas aos empregados domésticos (caseiro, jardineiro…).

Embora predominem as moradias de médio e alto padrão, existem no bairro residências de baixo e precário padrão construtivo, localizadas na estrada do Muriqui Grande e início da estrada Chibante, além de uma pequena concentração junto à divisa com Vila Progresso, constituindo o chamado Morro dos Macacos, sendo este o único indício de favelização do bairro.

Entre 1970 e 80 o bairro apresentou uma taxa média de crescimento anual negativa (-9,10%), tendo sido este o maior índice negativo registrado no município neste período, representando um significativo processo de esvaziamento demográfico.

Em contrapartida, entre 1980 e 91 ocorre uma inversão desta tendência, com um crescimento de 1,82%, sendo o 17º maior índice do município.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Apesar da função predominantemente residencial, encontramos no bairro de Muriqui uma particularidade em relação às suas residências: nelas os moradores desenvolvem também atividades econômicas tais como oficinas e ateliês diversos, produção de conservas alimentares e escritórios de arquitetura, dentre outras.

A caprinocultura praticada em escala comercial em algumas áreas do bairro (Muriqui Grande), foi possibilitada pelo tamanho peculiar que aqui possuem as propriedades.

A vida comunitária gira em torno de uma associação de moradores ainda em formação, localizada no Chibante, que vem conseguindo travar algumas lutas reivindicatórias. Outro fator de aglutinação dos moradores é o jogo de futebol que acontece regularmente em um campo iluminado anexo ao bar do Edmar que, na ausência de um centro de informações no bairro, cumpre também este papel.

Em relação à infra-estrutura urbana, o bairro é precariamente servido, não dispondo de água encanada nem de esgotamento sanitário. Mas é a falta de iluminação pública o principal problema apontado pelos moradores pois, tendo em vista o arruamento estreito e muito arborizado, caminhar à noite sempre representa risco. A coleta do lixo ainda é precária apesar dos avanços da companhia de limpeza municipal – a CLIN.

No passado, Muriqui foi marcado por uma tradicional Festa do Balão que reunia baloeiros do bairro e de outros lugares. Importante morador local, o escritor Carlos Couto aí empreendeu a experiência do teatro ao ar livre.

O comércio é pouco diversificado, o que leva os moradores a se deslocarem para outros locais (Largo da Batalha e Centro da cidade principalmente) ¾ em busca de maiores opções.

Quanto ao transporte coletivo, o bairro não é servido por qualquer linha de ônibus que circule no seu interior, sendo o acesso ao mesmo feito pela estrada Caetano Monteiro (em Vila Progresso), ou pela estrada Velha de Maricá.

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Piratininga

Piratininga localiza-se no entorno da lagoa de mesmo nome, entre o Oceano Atlântico, a Serra Grande e o Morro da Viração, limitando-se com Itaipu, Cafubá, Camboinhas, Jacaré, São Francisco e Charitas e Jurujuba.

O bairro, originado em parte da sesmaria doada a Cristóvão Monteiro, tinha na pesca a sua atividade mais marcante, tendo inclusive sediado uma colônia de pescadores na localidade conhecida como Tibau. Com o surgimento das grandes fazendas na Região, como a denominada Piratininga, pertencente a Manuel de Frias e Vasconcelos, a área passa a produzir açúcar, aguardente e café, além de culturas de subsistência. Essa produção seguia, por terra ou mar, até a enseada de Jurujuba.

Com o passar do tempo o interesse pela área torna-se crescente e, a partir dos anos 60, vários loteamentos irão surgir. Durante o processo de nova configuração espacial do bairro, os posseiros sempre tiveram presença marcante sendo até hoje motivo de impasse, envolvendo as empresas imobiliárias, proprietários e o poder público. A área ao redor da lagoa de Piratininga é a de maior conflito e também a que reúne o maior contingente de população de baixa renda.

Desde a década de 70 o bairro vem sendo ocupado por população de classe média, em virtude da melhoria das vias de acesso e da beleza do lugar: a praia, a lagoa, as ilhas, os costões e vegetação de restinga. Essa rápida ocupação já acabou com o extenso areal, as pitangueiras e os coqueiros que existiam.

Destaca-se ainda em seus limites a praia e o Forte de Imbuí, cuja entrada principal dá-se através do bairro de Jurujuba e que fazia parte do sistema de defesa da entrada da Baía de Guanabara.

Há cerca de 40 anos o navio Madalena, luxuoso transatlântico da Mala Real Inglesa, encerrando a sua viagem inaugural, chocou-se com uma das pedras Tijucas, próximas à Baía de Guanabara. Após o resgate dos passageiros o navio soltou-se devido aos ventos e à maré. Na tentativa de salvá-lo, o navio partiu-se ao meio: uma parte afundou e a outra acabou encalhando nas areias da praia de Imbuí.

Conforme dados obtidos através do Censo do IBGE/1991, o bairro de Piratininga tem registrado nas últimas décadas uma das maiores taxas médias de crescimento populacional de todo o município. As taxas registradas nos períodos 70/80 e 80/91 foram consideravelmente superiores à média do município para os mesmos períodos. Na década de 70 a taxa média de crescimento de Piratininga esteve por volta de 4,83%, o que representava o 14º maior crescimento entre os bairros de Niterói, enquanto o município em sua totalidade registrava 2,55%. Já no período 80/91 o bairro obteve uma aceleração no crescimento se comparado ao período anterior, marcando a taxa de 11,08% passando a ser o 3º maior crescimento entre os bairros. O crescimento deste período é ainda mais significativo quando comparado à taxa média do município, que foi de 0,85%.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Piratininga tem assumido, no conjunto da região, um papel de destaque no que se refere principalmente a oferta de comércio e serviços. O bairro possui um número significativo de supermercados, bares, restaurantes, lojas de materiais de construção, lojas de conveniência, agências de automóveis e outros, distribuídos ao longo de suas vias principais, ou ainda, concentrados em centros comerciais. Este fato, aliado à proximidade com as praias oceânicas, têm transformado o bairro num dos principais núcleos de lazer de todo o município. Destaca-se ainda como equipamento de lazer o Iate Clube de Piratininga.

A localização espacial de Piratininga – “porta de entrada” da Região Oceânica – é um elemento estratégico para o desenvolvimento do local. A antiga estrada Celso Peçanha, atual estrada Francisco da Cruz Nunes, a principal do bairro, é importante via de acesso aos outros bairros da região e às praias.

Quanto aos equipamentos públicos, encontramos no setor de educação a Escola Municipal Francisco Portugal Neves, que atende aos dois segmentos do primeiro grau e a Escola Estadual Almirante Tamandaré, que atende ao primeiro segmento do 1º grau. O setor de saúde conta com duas unidades, sendo uma localizada próxima ao trevo de Piratininga e a outra na localidade do Tibau.

A PROBLEMÁTICA DA LAGOA DE PIRATININGA

Os mais graves problemas ambientais do bairro estão relacionados com a sua lagoa. Primeira de uma seqüência de quinze lagoas que se estendem até município de Cabo Frio, a Lagoa de Piratininga sofre atualmente inúmeras formas de agressão, cujas origens remontam à abertura do Canal do Camboatá pelo DNOS (1946) ligando-a à vizinha Lagoa de Itaipu.

O Canal do Camboatá funcionou como elemento drenante da água da Lagoa de Piratininga, sobretudo após a abertura permanente da barra de Itaipu pela Veplan (1979), provocando um grande esvaziamento e, consequentemente, reduzindo o seu espelho d’água. Tais modificações causaram alterações drásticas no ecossistema da região, pois o reduzido volume d’água de Piratininga não mais permitia o rompimento periódico da barra da lagoa e a renovação das águas no seu interior, fator importante para a regulação do ciclo biológico.

A diminuição do volume d’água da lagoa e o conseqüente surgimento de áreas marginais secas, somados aos freqüentes aterros irregulares, vem reduzindo a sua extensão a cada dia, possibilitando o parcelamento e a ocupação do seu entorno. Por sua vez, esta ocupação desordenada e irregular sentenciou a fauna e a flora originais do local, sobretudo no que diz respeito às formações vegetais típicas de restinga, praticamente extintas de suas margens.

Outro grave problema que aflige a lagoa é à poluição causada pelo despejo do esgoto domiciliar sem tratamento em seu interior. Pela inexistência de uma rede de tratamento de esgotos em toda a Região Oceânica, as Lagoas de Piratininga e de Itaipu acabam transformando-se em grandes receptáculos de esgoto doméstico, situação esta que causa freqüentes mortandades de peixes.

Certamente é a população de antigos pescadores a que mais sofre as conseqüências dos efeitos da degradação da Lagoa de Piratininga, pois diversas espécies de crustáceos estão desaparecendo e o pescado está reduzido a níveis que não permitem a subsistência de suas famílias. Somente uma intervenção conjunta da sociedade e do poder público poderá resgatar um dos maiores patrimônios paisagísticos do município.

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Ponta D’areia

Localizado na Península da Armação, a Ponta D’Areia, por sua posição geográfica, encontra-se diretamente relacionada às águas da Baía de Guanabara, tendo com o continente apenas as áreas limítrofes com os bairros do Centro e de Santana.

A Península da Armação, desde os primórdios da colonização, contribuiu de maneira relevante para a economia nacional. O local é citado no livro de Jorge Caldeira sobre Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde de Mauá, e foi mencionado também por Barbosa Lima Sobrinho em recente artigo no “Jornal do Brasil”: …nas oficinas da Ponta de Areia…. O futuro Visconde de Mauá dera um grande alento à indústria de construção naval brasileira”.

O nome Armação está relacionado à pesca (“armar” os barcos) e ao esquartejamento de baleias, já que a península foi importante porto baleeiro. A vocação industrial veio depois, e com as oficinas de material bélico da Marinha e estaleiros.

Após as obras de urbanização da Vila Real, ordenaram-se os acessos à Armação e Ponta D’Areia, agilizando a ligação com o Centro da cidade.

No século passado, em estaleiro que ali funcionava, construíram-se barcos a vapor, caldeiras e peças fundidas em ferro. Posteriormente, na época de Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde de Mauá, a indústria diversificou-se e passou a produzir vários equipamentos, alguns incluídos no Catálogo de Produtos Industriais da Exposição Nacional de 1861 e mais tarde enviados à Exposição Universal, em Londres. Mauá, um empreendedor, chegou a empregar centenas de operários em suas instalações que construiram vários navios, entre eles o “Marquês de Olinda”. Com a mudança da política econômica que facilitou a entrada de produtos estrangeiros, veio a falência. Mauá, precursor da industrialização brasileira, é homenageado com nome de rua e do estaleiro sediado na Ponta D’Areia.

Outra empresa que marcou época na economia fluminense, estabelecida também na Ponta D’Areia, foi a Companhia de Comércio e Navegação, de Pereira Carneiro e Cia. Ltda. Possuidora de importante frota de cabotagem e de grandes armazéns gerais, também negociava com sal. Foi desta companhia o dique Lahmeyer, o mais sólido do mundo por ter sido cavado em rocha e que durante muito tempo foi o maior da América do Sul. O dique era usado para manutenção da frota própria e também atendia a outras empresas. O Conde Pereira Carneiro, principal acionista da Companhia de Comércio e Navegação, também construiu a vila que leva o seu nome, existente até hoje. A vila operária foi criada com fins sociais – casas higiênicas(*1) com aluguel módico, escola e até uma capela – para os empregados da empresa. Atualmente a “vila” está incorporada ao patrimônio arquitetônico da cidade.

Em 1893 a Ponta da Armação entrou definitivamente para a história nacional quando tropas amotinadas contra o governo do Presidente Floriano Peixoto, comandadas por Custódio de Melo, apoderam-se de toda munição existente no então Laboratório Pirotécnico da Marinha – que lá funcionava. Apesar do revés inicial, tropas fiéis ao Presidente resistiram em vários pontos da cidade até a vitória. Niterói passou a ser denominada “Cidade Invicta” por alguns historiadores.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A população da Ponta D’Areia, na sua maioria, tem origem operária, tradicionalmente ligada às indústrias locais e de ilhas próximas, vinculada à construção naval já que o bairro é pioneiro, no Brasil, neste ramo de atividade. Constituída de migrantes, em boa parte oriundos de Portugal, o bairro também conhecido como “Portugal Pequeno”.

Sobre a indústria naval é importante ressaltar que Niterói já teve neste ramo industrial sua máxima expressão, apesar da decadência atual do setor.

As residências da Ponta D’Areia apresentam padrão construtivo predominante do tipo médio degradado, com espacialização horizontal. Especialmente na Vila Pereira Carneiro, outrora núcleo residencial dos operários navais e que hoje abriga uma população de classe média, nota-se a presença de casas de padrão mais elevado. Há de se assinalar um núcleo de população de baixa renda no chamado Morro da Penha.

O comércio de primeira necessidade localiza-se na entrada da Vila Pereira Carneiro (açougue, supermercado, padaria, etc) e o especializado em produtos náuticos e oficinas afins, nas ruas que margeiam a Baía de Guanabara – especialmente a Miguel Lemos e a Barão de Mauá. Merece registro especial o Mercado São Pedro – especializado na comercialização de peixes e crustáceos – de grande dimensão e que atrai clientes até de municípios vizinhos.

A presença de estaleiros é uma constante ainda hoje na Ponte D’Areia. Encontram-se em atividade lá os estaleiros Mauá, Mac-Laren e Cruzeiro do Sul, este pertencente ao Governo do Estado – responsável pela manutenção das barcas da Conerj, que interligam Niterói ao Rio e vice-versa.

No campo educacional, no setor público, há uma escola de primeiro grau e uma pré-escola gerenciadas pelo Município. As principais vias do bairro encontram-se em situação satisfatória e nelas trafegam linhas regulares de ônibus.

Na Ponta da Armação, além de um conjunto residencial da Marinha, encontram-se situadas as instalações da Diretoria de Hidrografia e Navegação (D.H.N.), órgão responsável pela elaboração de cartas náuticas.

Por se tratar de um bairro de ocupação antiga, já cristalizada, com uma topografia de morros e declives, as perspectivas de expansão são limitadas.

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Rio do Ouro

De relevo levemente acidentado, principalmente no lado de Niterói o bairro tem São Gonçalo como limite ao norte, onde continua com o mesmo nome, além de limitar-se com Várzea das Moças, Engenho do Mato, Jacaré e Muriqui.

Com a origem do nome perdida na memória dos moradores, o bairro do Rio do Ouro, como toda região até meados deste século, era parte das grandes fazendas que predominavam na área. Estas fazendas não apresentavam uma produção agrícola significativa, atendendo basicamente ao consumo local, com um pequeno excedente que era comercializado em outros locais. Como principais produtos tínhamos as frutas cítricas (principalmente laranja), legumes e hortaliças (tomate, jiló, vagem, repolho, mandioca etc.) contando ainda com a presença de engenhos movidos pela tração animal ou pela força da água.

Com a diminuição das atividades agrícolas, não só na região mas em todo o Estado, por volta dos anos 50, as fazendas começaram a ser parceladas, sem nenhum padrão estabelecido, mas de acordo com a solicitação dos compradores e também pela atuação de posseiros, grileiros e outros. Em conseqüência, temos lotes de vários tamanhos e sítios com áreas variadas.

No lado de São Gonçalo, existiu até a década de 60, uma estação ferroviária do ramal da Leopoldina que se estendia até Campos. Era utilizada para escoamento do excedente da produção para outros locais do município de Niterói e do café vindo da fazenda de Várzea das Moças. Localizava-se onde hoje funciona uma garagem de ônibus.

A ligação entre o Rio do Ouro e o trevo de Maria Paula, na época já um entroncamento importante com algumas casas comerciais, dava-se pela estrada Velha de Maricá, onde existia um trecho, no limite com Muriqui (oeste), que, pelo seu relevo e vegetação era de difícil passagem, exigindo “paciência” dos usuários. Daí, segundo os moradores vem o nome do local: Paciência.

Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 1991, a população residente no bairro de Rio do Ouro representa 0,73% da população do município de Niterói.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

A construção da estrada Amaral Peixoto (RJ.106) na década de 50 deu um grande impulso à ocupação do bairro. Por ser uma área mais plana, o desenvolvimento da região iniciou-se no lado de São Gonçalo. Na parte niteroiense, podemos destacar duas áreas com alguma densidade populacional e construções em alvenaria:

– Ao longo da estrada Velha de Maricá, de Paciência até o entroncamento com a estrada Amaral Peixoto e em torno deste;

– Nos limites com Várzea das Moças, área identificada pelos moradores, e por quem conhece o local, como pertencente a este bairro, cujo comércio e serviços aí existentes, atendem aos moradores dos dois bairros indistintamente.

No interior do bairro temos pequenos e grandes sítios, cujos proprietários, de um modo geral, não são moradores nem os exploram comercialmente, mas sim os utilizam para lazer, com uma pequena produção para consumo familiar.

O comércio é dinâmico (mercado, farmácia, açougue, padaria

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Santa Bárbara

Parte de uma grande fazenda existente na região (fazenda de Juca Matheus) que se estendia até o município de São Gonçalo foi loteada e deu origem ao bairro de Santa Bárbara. Esta denominação relaciona-se a existência de antiga igreja cuja padroeira é Santa Bárbara. Com a criação e estabelecimento de novos limites em 1986, a igreja passa a não pertencer mais ao bairro, ficando no vizinho Baldeador.

A fazenda, até a década de 50, dedicava-se à pecuária extensiva. O esvaziamento desta atividade deu margem ao seu parcelamento e posterior loteamento.

Com mais de 50% da superfície ocupada por morros, o início do seu desenvolvimento urbano deu-se na parte mais plana, próxima à Rodovia Amaral Peixoto, com a criação, no início dos anos 60, do loteamento Vila Maria. Este loteamento foi realizado sem nenhuma infra-estrutura sendo ocupado pela camada da população de menor poder aquisitivo. Atualmente nota-se uma ocupação desordenada das encostas, destacando-se neste processo o Morro da Paz.

Fora da parte central do bairro encontramos outras áreas adensadas: na divisa com o Caramujo, no local conhecido como Horta; junto à estrada Velha de Maricá, no limite com Maria Paula; e num condomínio de classe média existente perto da Rodovia Tronco-Norte.

Com uma expansão inicial típica de periferia urbana, onde as construções são de padrão médio para baixo, o bairro vem apresentando uma valorização crescente dos seus imóveis, face principalmente ao incremento ocorrido na instalação de equipamentos urbanos, pela sua localização e também por seu clima ameno.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio existente no bairro atende às necessidades básicas da população e de áreas vizinhas, como o Novo México, bairro de São Gonçalo com grande concentração populacional.

Quanto aos equipamentos urbanos, Santa Bárbara conta com a Unidade Municipal de Saúde Adelmo de Mendonça, a Casa da Criança, uma creche municipal, duas escolas do 1º grau (E.M. Rachide da Glória Salin Saker e a E.E. Antonio Coutinho de Azevedo), além de uma escola estadual do 2º grau recém inaugurada, o Liceu David Capistrano. Nota-se também a existência de alguns estabelecimentos particulares voltados para a educação infantil (maternal e jardim).

No centro do bairro destaca-se uma praça que, entre outros equipamentos, dispõe de quadra poli-esportiva, campo de futebol, pista de skate, jardins etc.

Em relação ao transporte, apresenta uma linha principal (580-Centro/Santa Bárbara) e mais três linhas com ponto final na junção do bairro com o Sapê e o Caramujo, (26-Centro/Caramujo, 62-Fonseca/Charitas e 36-Centro/Sapê).

Um dos principais problemas é a falta de telefones públicos. Atualmente existe apenas um orelhão em todo o bairro.

Nota-se a existência de diversas comunidades religiosas: Igreja Peniel, Assembléia de Deus, Batista e Ebenezer. Existe também uma instituição conhecida como “Missão Americana” que presta serviços a uma parte restrita da população.

O movimento participativo dos moradores é expressivo, com uma associação de moradores bastante atuante. Em geral, os moradores percebem a necessidade de organização como forma de encaminhar e resolver os problemas do bairro.

Conta ainda com a sede da Secretaria Regional de Desenvolvimento de Santa Bárbara, que tem como área de abrangência, além do bairro em que se localiza, os bairros do Caramujo e Baldeador.

De triste lembrança, o bairro foi palco recentemente de uma tragédia com a explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício, que destruiu imóveis, carros e vitimou várias pessoas.

Existe perspectiva de investimentos no bairro com a vinda de um comércio mais especializado. A medida em que são alcançadas as prioridades estabelecidas entre a administração local e a população. Com a melhoria da infra-estrutura disponível, a tendência é de que o bairro se incorpore a outros espaços próximos, possibilitando uma reorganização urbana.

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Santa Rosa

Limitando-se com Icaraí, Fátima, Pé Pequeno, Cubango, Ititioca, Viradouro, Vital Brasil e até com São Francisco pelo Morro do Souza Soares, Santa Rosa possui extensão considerável para um bairro da Região das Praias da Baía, sendo importante ponto de passagem para outras áreas de Niterói.

De ocupação antiga, Santa Rosa deve a sua denominação à antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasto território. A sua história confunde-se com a de Icaraí, sendo na verdade uma expansão deste bairro. O crescimento e desenvolvimento de Santa Rosa/Icaraí é resultante de um modelo de urbanização no qual foram privilegiadas áreas preferenciais de ocupação, geralmente locais mais próximos ao centro urbano, ao litoral, ou mesmo, de mais fácil acesso (um vale ou planície, por exemplo). Desse modo, o que se viu após a partilha das fazendas que dominavam a região, foi uma ocupação primeiramente concentrada ao longo da praia de Icaraí, expandindo-se em seguida para o interior próximo, em direção a Santa Rosa.

No século passado, a paisagem do bairro ainda era muito exuberante. Nesse período, o bairro viu passar por suas estradas, tropas de mulas vindas do interior que desciam dos caminhos do Viradouro, Atalaia e Cubango em direção ao Centro. As suas principais vias, na época, eram a rua Santa Rosa e a estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cesar). Diversas chácaras surgiram da partilha da Fazenda Santa Rosa e para elas foram atraídas famílias de poder econômico mais elevado. Viveram no bairro expoentes ilustres da história de Niterói e da antiga Província do Rio de Janeiro.

Com o retalhamento e loteamento de algumas chácaras, e o aterro de áreas alagáveis e capinzais, abriram-se novas ruas, facilitando o prolongamento das vias que partiam de Icaraí.

No ano de 1883, com a fundação do Colégio Salesiano, o bairro tornou-se mais conhecido ainda. Ao lado do Colégio instalou-se a Basílica e, nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, o Monumento a Nossa Senhora Auxiliadora, inaugurado em 1900. Atualmente encontra-se instalado na Basílica um órgão de 11.130 tubos, o maior da América Latina.

No final do século passado e início deste, aconteceram importantes melhorias no bairro. Diversas ruas foram saneadas, calçadas e iluminadas, sendo servidas por linhas de bondes de tração animal e, mais tarde, de bondes elétricos.

O crescimento recente de Santa Rosa seguiu os mesmos padrões de Icaraí. Já muito populosos, os dois bairros viram a substituição progressiva de suas casas por edifícios de apartamentos. Este intenso processo de especulação teve seu auge nas décadas de 60 e 70, com os apartamentos financiados pelo BNH. O boom imobiliário tem reflexos até os dias atuais. A construção da Ponte Rio-Niterói intensificou a verticalização imobiliária em terras fluminenses, devido ao estrangulamento da cidade do Rio de Janeiro e da metropolização de Niterói.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Santa Rosa apresenta características de um bairro residencial de classe média, dispondo de uma rede de serviços satisfatória e de um comércio diversificado, localizado sobretudo nas suas principais vias de circulação – as ruas Santa Rosa, Dr. Paulo Cesar e Noronha Torrezão; e também no Largo do Marrão. As demais ruas apresentam-se mais tranqüilas, com menor volume de circulação. Entre os estabelecimentos comerciais do bairro destacam-se: mercados, lojas de materiais de construção e reparos, concessionárias de automóveis, padarias, farmácias e bares, entre outros.

Com relação ao transporte coletivo, há diversas linhas que servem ao bairro, cujos ônibus trafegam em boa parte de suas ruas, não havendo grandes reclamações por parte dos moradores.

Merece destaque o grande número de escolas existentes, sejam públicas ou privadas, atendendo aos estudantes do 1º e 2º graus, não só do bairro, mas também de todo o município e até de municípios vizinhos. Também localiza-se em Santa Rosa uma unidade da UFF, a Faculdade de Farmácia.

Devido a sua ocupação antiga e por situar-se numa das áreas mais valorizadas de Niterói, o bairro apresenta boa infra-estrutura urbana, sendo suas vias pavimentadas e bem conservadas. Não há problemas graves de abastecimento de água, de energia elétrica e de coleta de lixo.

O Complexo do Caio Martins constitui uma importante fonte de lazer não só para o bairro, como também a nível municipal e estadual. O Estádio Caio Martins tem sido palco, nos últimos tempos, de jogos dos campeonatos estadual e brasileiro de futebol. O complexo dispõe ainda de um ginásio poliesportivo coberto e de uma piscina de dimensões olímpicas (a única de Niterói).

Os tradicionais colégios do bairro também dispõem de uma importante estrutura desportiva, contando com piscinas e ginásios cobertos, nos quais são programadas diversas competições, sendo algumas de nível nacional.

A vida cultural de Santa Rosa também é significativa. Destacam-se os teatros do Instituto Abel e da Associação Médica Fluminense, e as bandas colegiais do Abel e do Salesianos.

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Santana

Santana é um dos bairros mais antigos de Niterói, limitando-se com São Lourenço, Fonseca, Engenhoca, Barreto, Ilha da Conceição e Ponta D’Areia, além das águas da Baía de Guanabara. Inicialmente suas terras foram ocupadas por plantações, mas a proximidade do mar foi fator fundamental para entender fatos que marcaram a história do bairro.

Há registros do séc. XIX sobre a Fazenda de Sant’Anna, do Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto, para cuja capela cogitou-se tranferir a igreja da freguesia de São Lourenço.

Às margens da Baía de Guanabara, ancoradouros e depois o porto de Niterói.

Ao longo do tempo foram desenvolvidas em Santana diferentes atividades econômicas: a pesca, a agricultura, a extração mineral e o comércio, este originando grandes armazéns.

Nos limites do bairro, junto a São Lourenço e na entrada do Fonseca, construiu-se, de 1873 a 1892, por deliberação do Governo provincial, a matriz de São Lourenço. O lugar tornou-se nesta época o principal ponto de referência dos três bairros. O largo de Santana posteriormente passou a ser conhecido e chamado de Ponto dos (de) Cem Réis, preço da passagem do bonde que aí fazia uma parada. Devido ao desenvolvimento urbano do Fonseca, a área passou a ser muito mais integrada ao bairro, com ele se confundindo. No Ponto de Cem Réis instalaram-se estabelecimentos comerciais que serviam a diferentes bairros.

Posteriormente iria ocorrer a instalação de indústrias como estaleiros de reparos navais, refinaria de açúcar, fábrica de vidros e fábricas de beneficiamento de pescado. Muitas destas atividades deixaram de existir, mas algumas sobrevivem até hoje.

No início do século XX o bairro ganha novas áreas e atividades. Ainda na década de 20 são feitas as obras do aterrado de São Lourenço, no mangue que ali existia. Este aterro tinha com objetivo de facilitar a construção do Porto de Niterói, da Estação Ferroviária e de uma nova avenida, a Feliciano Sodré no limite do bairro com o Centro e São Lourenço. Já na década de 70, a construção da Ponte Rio-Niterói, traz novas mudanças: prédios são derrubados (inclusive onde funcionava o Centro Pró-Melhoramentos Santana/São Lourenço), viadutos são construídos dividindo o bairro – o Ponto de Cem Réis, que é o único lugar ainda reconhecido como Santana, e a parte maior, identificada pelos moradores como Barreto.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

Caminhando-se pelas ruas e travessas do bairro, observa-se pelas construções existentes, residenciais ou não, as diferentes etapas de sua ocupação, além da relação direta com os bairros de São Lourenço, Fonseca e Barreto: prédios abandonados, em ruínas ou totalmente fechados, ao lado de instalações comerciais e industriais, algumas subaproveitadas. A arquitetura das residências referenda essas transformações: há vilas de casas (todo o lado esquerdo da travessa Couto) tipicamente de operários; há casas de construção antiga ou recente com características simples perto do Ponto de Cem Réis, no Morro do Holofote e nas suas proximidades; há casas construídas em terrenos da Rede Ferroviária por seus trabalhadores e existem ainda construções do início de século, maiores em dimensão, que deixam evidente relativa suntuosidade, convivendo com construções mais modernas nas proximidades do Largo do Barradas (rua José de Alencar); bem como edifícios e conjuntos de apartamentos populares, típicos do “boom” imobiliário da década de 70.

No bairro hoje, além dos prédios residenciais e das indústrias (principalmente ao longo da Avenida do Contorno), são encontradas oficinas e estabelecimentos comerciais, estes mais numerosos e aglomerados nas cercanias do Ponto de Cem Réis e Largo do Barradas. Existem ainda vários espaços que são utilizados como depósitos: seja público (Detran) ou particular (transportadoras). Prédios com outras finalidades também são encontrados: a Casa Oliveira Vianna, no início da Alameda; o Clube dos Funcionários da Telerj; o prédio do Sindicato de Operários Navais do Rio de Janeiro (palco da resistência ao Golpe de 64) e uma praça, o Largo do Barradas, onde se localizava uma antiga e tradicional escola particular – o Colégio Nilo Peçanha, que foi extinto e no seu lugar, recentemente, construiu-se uma creche filantrópica e um parque esportivo. No bairro há uma única escola pública estadual, o Jardim de Infância Julieta Botelho, que por estar localizado no início da Alameda é muito mais identificado com o Fonseca. Também já funcionou no bairro um hospital, a maternidade do IAPTEC, que foi desativada, ficando o prédio durante um tempo sem uso e abrigando hoje um setor burocrático da previdência social.

O reaproveitamento de seus espaços para o exercício de novas atividades, bem como de novas construções, não só mudam o perfil do bairro – de portuário, industrial e ferroviário, onde residiam seus operários – para um bairro onde predominam prédios residenciais, como também reafirmam uma característica bastante antiga, de ser local de passagem. A falta de equipamentos públicos de saúde, educação e lazer, faz com que os moradores do bairro não o identifiquem como tal, todos a ele se referindo como Barreto ou como Fonseca.

Como problemas ambientais dignos de nota, destaca-se a poluição decorrente do excessivo número de veículos que trafegam pelo bairro, principalmente na Avenida do Contorno e a poluição das águas da Baía de Guanabara.

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São Domingos

Os limites de São Domingos são as águas da Baía de Guanabara e os bairros do Centro, Ingá, Boa Viagem e Gragoatá, com os quais se confunde pelos fatos marcantes de sua história.

Sua área total é das menores (0,69Km²), comparada a de outros bairros do município, mesmo com o grande acréscimo do aterro em seu litoral. Sua paisagem natural está praticamente destruída, nada restando da vegetação e das praias que proporcionavam um clima agradável e que tanto encantaram e atraíram os que para cá (Banda d’Além)vieram a passeio, curar suas enfermidades, morar e se estabelecer; ou que conheceram de passagem, em direção a outros locais.

São Domingos é um dos bairros mais antigos de Niterói e nele aconteceram fatos significativos, que marcaram a história da cidade. Caminhando pelas suas ruas, observando edificações e praças, fica evidente a convivência e o contraste entre o passado e o presente.

Área pertencente à Sesmaria dos Índios, foi ocupada de forma semelhante a outros locais da cidade. Nela, o colonizador português nela se estabeleceu, chegando a existir no local propriedade agrícola com plantação de cana-de-açúcar e um engenho, além de uma capela, a atual Igreja de São Domingos.

A sua localização, ponto próximo da cidade do Rio de Janeiro e suas características geográficas naturais – as praias tranqüilas, a pequena planície entre os morros e o mar – favoreceram a ocupação e o aparecimento de um povoado em torno do largo de São Domingos, ainda no período colonial. Alguns fatos contribuiram para esta ocupação: o porto de atracação e a visita de D. João VI.

O principal meio de transporte e comunicação entre os diferentes locais era o marítimo. No litoral da Baía de Guanabara existiam diversas pontes de atracação. Do lado de cá existiam pontes de São Domingos a Guaxindiba (São Gonçalo), de onde partiam os caminhos que conduziam ao interior.

Em 1816, D. João VI acompanhado por outros membros da Corte, passou uma temporada em São Domingos. Para melhor abrigá-lo, um rico comerciante de escravos, proprietário de vários imóveis, presenteou o monarca com um casarão de três andares que passou a ser chamado de Palacete – no largo de São Domingos.

Esta visita de D. João VI foi um fato marcante para o desenvolvimento de Niterói, facilitando o processo de elevação do povoado à condição de Vila Real. O Alvará Régio estabelecia que a sede da Vila deveria ser erguida “no lugar chamado de São Domingos da Praia Grande”. Em virtude do acanhado espaço do largo de São Domingos para erigir o Pelourinho (símbolo da autonomia), a Casa da Câmara e a Cadeia, a sede da Vila foi deslocada para outro local, o antigo Campo de Dona Helena, na parte voltada para a rua da Conceição.

Mesmo não tendo sido escolhido como sede da Vila, por todo o séc. XIX e início do séc. XX, São Domingos continuou sendo um dos locais de maior significação da cidade de Niterói. Alguns fatos merecem ser destacados:

1º) Os caminhos naturais por entre os morros do bairro têm seus antigos nomes referendados nos primeiros planos de urbanização da cidade (no início do séc. XIX) sendo gradativamente arruados, pavimentados e iluminados, inicialmente a óleo de baleia. A estes foram acrescidos novos caminhos, destacando-se a extensão da rua da Praia (Visconde do Rio Branco) ao longo do litoral, com o corte de morros, derrubada de imóveis, o arruamento e construção do cais, que permitiram e facilitaram o deslocamento de pessoas e mercadorias. Transitavam também os bondes de tração animal e depois elétrica, nas suas rotas em direção ao Centro, Ingá, Icaraí, etc.

2º) Com a criação do Município Neutro, Niterói passou a ser a nova capital da Província do Rio de Janeiro (1835). O lugar escolhido para abrigar os primeiros presidentes da Província foi o antigo Palacete.

3º) Em torno do largo de São Domingos, atual praça Leoni Ramos, prédios residenciais foram construídos, abrigando o endereço de diversos nomes ilustres da Província. Também no bairro, considerado um subúrbio do Centro no século passado, estabeleceram-se negócios como armazéns de secos e molhados, farmácias – com médicos e armarinhos; colégios, hospital, hotéis e pensões, gráficas e outros.

4º) A regularização das comunicações entre o Rio e Niterói, necessária pelo grande movimento de passageiros e mercadorias, passou a existir através da concessão do serviço de navegação a particulares que recorreram a barcos a vapor. Esses vapores atracavam para embarque e desembarque na Praia Grande e em São Domingos. As embarcações e os bondes funcionavam com horários sincronizados, para melhor atendimento aos usuários. Em São Domingos, a Companhia Cantareira possuia um estaleiro para reparos, em embarcações.

5º)Já possuidor de feição residencial, companhias estrangeiras (inglesas e alemães) estabelecidas no Rio de Janeiro escolheram São Domingos e os atuais bairros vizinhos como local de moradia de seus funcionários. Os estrangeiros introduziram novas práticas esportivas ligadas ao mar, especialmente o remo e a vela. Eles foram responsáveis pelo aparecimento de clubes como o Audax (remo) e o Iate Clube Brasileiro, o primeiro clube de vela do Brasil.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Com a expansão urbana em direção a outros pontos, principalmente à chamada “zona sul”, ocorreu uma certa estagnação no bairro, que atualmente apresenta sinais de reversão.

Alguns anos atrás passeando por São Domingos, a sensação que se tinha era de um lugar ainda agradável mas parado no tempo, que não acompanhara a evolução que havia atingido o restante da cidade. Prédios antigos mal conservados e em ruínas, alguns transformados em cortiços; o estaleiro desativado e abandonado, a praça sem vida e precisando de conservação. O bonde, retirado de circulação, também já não passava mais por São Domingos.

A área do bairro mais próxima ao Centro e ao Ingá foi ocupada mais intensamente: casas e novos prédios começaram a surgir. As faculdades de Medicina(na rua Hernani Melo)(e Odontologia (no Valonguinho) são implantadas, bem como o Instituto Anatômico, no morro São João Batista, antecipando o futuro que viria caracterizar o bairro como sede de equipamentos de caráter sócio-educativo. Também foi construído o Grupo Escolar Getúlio Vargas, onde veio a funcionar o Instituto de Educação de Niterói, depois denominado Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho – reformado e ampliado para atendimento de novas exigências educacionais.

Em relação às atividades esportivas, destaca-se também a criação do Canto do Rio Foot Ball Club, importante agremiação desportiva e social da cidade.

Na década de 70 uma obra prevista nos planos de urbanização é executada parcialmente, mudando inteiramente o litoral do bairro: é o Aterro da Praia Grande. Desaparecem o antigo cais, as pontes de atracação (as barcas há muito tempo não paravam em São Domingos) e as praias. Com a obra, montes de pedras e terra impediam que se avistassem as agora distantes águas da baía. Só nos anos 80 e 90 foi ativada a ocupação e urbanização das terras ganhas ao mar. Uma grande área é cedida a Universidade Federal Fluminense (UFF) e novos prédios da universidade são erguidos no aterrado, no Valonguinho e no morro de São João Batista. É construída a Praça de Eventos de São Domingos, com a Concha Acústica.

Todo esse processo de ocupação deixa evidente quatro áreas no bairro:

1ª) Em torno do largo de São Domingos. Casarões e antigos estabelecimentos são transformados em bares, restaurantes e livraria, tornando-se opção de lazer para boêmios e intelectuais, turistas, professores, funcionários e alunos da Universidade. Nesta área também funcionam tradicionais instituições de ensino.

2ª) A parte interior do bairro, mais residencial. Nesta área é expressiva a presença de uma das mais belas residências da cidade – o Solar do Jambeiro – exemplar excepcionalmente representativo da arquitetura urbana da segunda metade do século XIX, tombado pelo SPHAN em 1974, como meio de garantir a sua preservação.

3ª) A área mais próxima ao Centro. Além do Valonguinho, que abriga diversos setores da UFF, podem ser observados nesta área diferentes estabelecimentos comerciais, principalmente ao longo da rua Visconde do Rio Branco.

4ª) O aterrado, a área mais nova. Compreende além do campus da UFF, o CIEP Geraldo Reis e a Praça de Eventos. Nesta área observamos ainda a fachada remanescente do antigo prédio dos estaleiros da Cia. Cantareira e Viação Fluminense. Fachada de inegável valor histórico onde será erguida a Estação Livre da Cantareira, iniciativa da Prefeitura, que se propõe a ser um shopping cultural.

O bairro de São Domingos, juntamente com Gragoatá e Boa Viagem, forma uma Área de Preservação Ambiental e Urbana ( APAU)(*10) – definida como tal pelo Plano Diretor da cidade, transformado em lei que foi promulgada em dezembro de 1992.

Para as APAUs já foram produzidos três decretos e uma lei que determina, por exemplo, as condições de ocupação e uso do solo; regulamenta a colocação de letreiro, cartazes e anúncios; bem como prevê a concessão de incentivos fiscais para conservação e manutenção dos imóveis de interesse histórico ou arquitetônico.

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São Francisco

As primeiras referências encontradas na literatura e nas cartas geográficas sobre o bairro de São Francisco datam do séc. XVII e dizem respeito à capela de São Francisco Xavier.

A pesca na enseada, farta e de grande variedade, sempre foi importante meio de sustento tanto para os indígenas, ocupantes originais do bairro, quanto para os portugueses — que os sucederam. A enseada (Saco) de São Francisco pode ser observada na Carta Topográfica de 1833, onde encontra-se assinalada também a localização da estrada que cortava Icaraí e subia o Morro do Cavalão.

Posteriormente, em 1836, um croqui a lápis mostrava a continuação dessa estrada que seguia próxima a praia do Saco e atravessava a foz do rio Santo Antônio, ponto conhecido até poucas décadas atrás como Boca do Rio. O Santo Antônio corre hoje no centro da Avenida Presidente Roosevelt — canalizado — em toda a sua extensão. Nesse croqui também é assinalada a presença de outro rio, o Tabuatá ou Taubaté, hoje, também canalizado, cuja foz desembocava ao lado do Marco das Terras dos Jesuítas.

Esta estrada que vinha de Icaraí, através do Morro do Cavalão, bifurcava-se: parte seguia para o interior, rumo Leste, atravessando a Fazenda de São Francisco Xavier e o Morro da Viração até a descida, quase abrupta, em Piratininga. A outra parte contornava a base do morro da velha capela de São Francisco Xavier e atingia a praia de Charitas.

Quem precisasse ir de Icaraí a São Francisco, naqueles tempos remotos, certamente preferia fazê-lo por mar. A estrada então existente era precária e utilizá-la implicava em riscos diversos. Sendo, do ponto de vista da formação do relevo, um grande vale, o bairro de São Francisco teve as suas terras inicialmente ocupadas pelos jesuítas. Através de escravos eles extraíam madeira da floresta e a embarcavam para a sede da congregação, no Rio de Janeiro. Com a expulsão dos Jesuítas, a fazenda onde estavam instalados foi desmembrada e um dos novos proprietários das terras daí surgidas foi a família Menezes Fróes. A Estrada Fróes, custeada pelo major Luis José de Menezes Fróes, foi construída para facilitar o escoamento da produção da fazenda no Saco de São Francisco. A estrada significou nova e importante ligação com Icaraí.

Posteriormente a área foi parcelada em aproximadamente seis grandes loteamentos, sendo que o maior deles chegou a ter em torno de 1.500 lotes e chamava-se Fabio Estephanea.

Por volta de 1940, São Francisco era pouco habitado, com uma paisagem típica de restinga e vegetação abundante nas encostas. Os bondes elétricos, por esta época, alcançavam o bairro através da estrada Fróes. O Lido, restaurante e hotel, era o local preferido pelos moradores do bairro e também pelos niteroienses amantes de sossego e de bom papo, nos momentos de descontração e lazer.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Local privilegiado de moradia, o bairro de São Francisco com suas residências unifamiliares, quase sempre com quintais, apresenta uma configuração urbana não encontrada em outros bairros do município.
Suas ruas são paralelas e perpendiculares a dois eixos principais: a Avenida Rui Barbosa, também conhecida como Estrada da Cachoeira e a Avenida Presidente Roosevelt, a rua do Canal. O comércio está circunscrito à Avenida Rui Barbosa, apresentando-se variado no atendimento às primeiras necessidades. As casas noturnas — bares, restaurantes e boates — concentram-se na Avenida Quintino Bocayuva, ou seja, na orla marítima.

O bairro possui uma agência bancária e um caixa eletrônico que funciona 24 horas. Quanto ao setor educacional, algumas escolas, creches e jardins de infância particulares de renome aí estão sediadas, contando também com uma grande escola pública estadual.

A maternidade existente no bairro é particular, prestando serviços hospitalares a entidades conveniadas.

Os coletivos que atendem ao bairro circulam pela Avenida Rui Barbosa (linha 32 — Cachoeiras/Centro) ou através da Avenida Presidente Roosevelt, com linhas que se dirigem a outros bairros, especialmente da Região Oceânica: linhas 37 (Largo da Batalha), 38 (Itaipu), 46 (Várzea das Moças) e 48 (Rio do Ouro). Essa avenida é um importante corredor viário da cidade. A linha 17 serve especificamente ao bairro, trafegando pela orla marítima. Existem ainda alguns ônibus que se dirigem ao município do Rio de Janeiro e que também servem ao bairro: Gávea, Galeão, Penha, Madureira, Centro. Também passam pela praia de São Francisco linhas de ônibus que se dirigem a outros bairros do município: a 62 (Fonseca) e a 33 (Jurujuba).

Quanto ao lazer, com uma enseada privilegiada, o bairro é intensamente procurado para práticas náuticas, principalmente vela e motonáutica, contando com vários clubes especializados nessas modalidades esportivas, ao longo da Estrada Fróes, principalmente.

Entre os clubes, todos de boa categoria citaremos o Iate Clube Brasileiro por ser um dos mais antigos clubes de iatismo do Brasil. Na praia de São Francisco, em suas areias e no calçadão, existe consagradamente a prática de vários esportes não só pelos moradores do bairro como também pelos aficcionados de outros locais. Também exerce atração o Clube Hípico, entidade localizada nos limites do bairro, porém de abrangência mais ampla, utilizado pelos praticantes não só do hipismo, como também do tênis e do futebol.

Os acessos atuais mais usados atravessam dois túneis cavados no Morro do Cavalão,criados como alternativa a estrada Fróes.

Ainda como local de lazer, há de se assinalar a presença do Parque da Cidade, situado na parte mais alta do Morro da Viração, entre os bairros de São Francisco, Charitas, Piratininga e Maceió. O parque tem um mirante a 260 metros de altitude e reúne algumas ruínas que, especula-se, fizeram parte de um posto de guarda português construído por volta do séc. XVI. Sua beleza cênica, as rampas de vôo-livre, as provas esportivas e um lugar tranqüilo para lazer, conferem ao Parque papel de destaque no turismo da cidade. Apontado pelo Plano Diretor de Niterói como unidade de conservação, sua cobertura vegetal funciona como refúgio para inúmeras espécies animais e vegetais típicas, comprimidas nesses espaços pelo avanço urbano.

Localiza-se no bairro, num outeiro, um dos principais pontos histórico-turístico de Niterói: a igrejinha de São Francisco Xavier, constituída pelos jesuítas nos primeiros tempos da colonização.

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São Lourenço

São Lourenço é um marco na história de Niterói e andar por suas ruas é retornar ao passado. A reação aos franceses que invadiram a Baía de Guanabara, em 1555, originou o povoamento na área. Na luta sobressaíram-se Estácio de Sá, Mem de Sá e o Cacique Araribóia, chefe dos índios da tribo Temiminós. Expulsos os franceses e por sua lealdade aos portugueses, Araribóia ganhou uma sesmaria nas terras onde seria erguida a cidade de Niterói. Ao instalar-se nelas, escolheu o morro de São Lourenço para construir o seu aldeamento principal devido a visão estratégica da Baía, possibilitando vigilância constante.

No bairro está a mais antiga igreja da cidade, a Igreja de São Lourenço dos Índios, localizada no outeiro do mesmo nome. O seu altar – com a estrutura quase toda em pau-brasil – e o seu piso, são ainda originais da época da construção. Segundo consta, a igreja foi erigida em 1627. A princípio existia uma capela cuja construção foi iniciada no século XVI pelo jesuíta Braz Lourenço. Sendo um dos mais belos templos em estilo colonial do país, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Dois túneis subterrâneos que existiam sob a Igreja foram destruídos na década de 60.

Já se tornou tradição todos os anos, no dia 22 de novembro, comemorar com missa nesta igreja o aniversário de fundação de Niterói. Nesta data, em 1573, o Cacique Araribóia, já então batizado com o nome de Martim Afonso de Souza, tomou posse oficialmente da Sesmaria que lhe foi doada.

No alto do morro de São Lourenço, no largo em frente a igreja, os índios enterravam os seus mortos. Por isso o local foi batizado pelo povo de Cemitério dos Caboclos. A Freguesia de São Lourenço progrediu e estendeu-se aos poucos, sendo ocupadas por fazendas de cana-de-açúcar, mandioca, fumo e outras culturas, porém o progresso que vinha do outro lado da Baía de Guanabara iria ocorrer, preferencialmente, na parte mais plana, em locais facilmente alcançáveis por mar.

No séc. XIX, com a política de expulsão dos jesuítas da metrópole e colônias adotadas pelo Marques de Pombal, a Aldeia de São Lourenço era o único local, próximo ao Rio de Janeiro, onde ainda se encontravam remanescentes das tribos indígenas. Estes viviam da pesca, da caça e da coleta de frutos abundantes e também teciam e produziam cerâmicas. Esses índios, com o processo de aculturação, aos poucos foram absorvendo a cultura e as profissões dos colonizadores europeus. A população da aldeia foi progressivamente diminuindo até que, em 1866, o Governo Provincial decide extinguir o povoado.

A enseada de São Lourenço, com o passar dos anos, foi se tornando cada vez mais rasa não só pelo acúmulo de lodo, como também pelo papel de vazadouro de lixo da cidade que cumpria.

Com o projeto de construção de um cais, a área foi finalmente aterrada, inaugurando-se o Porto de Niterói na década de vinte, cuja área atual pertence parte ao bairro de Santana, parte à Ponta D’Areia.

Da enseada de São Lourenço até Maruí havia, outrora, empresas industriais e comerciais variadas. Na rua São Lourenço , importantes estabelecimentos comerciais (atacadistas) e industriais instalaram-se graças a proximidade do porto e da ferrovia.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Na parte baixa do bairro encontra-se a rua São Lourenço para onde convergem as ladeiras do outeiro. Nesta rua ainda coexistem o tradicional e o moderno. Marcada pela existência de velhas construções, que eram utilizadas para fins comerciais e industriais, alguns destes prédios foram reformados e são utilizados em novas atividades econômicas. Outros, em estado muito precário, são usados como moradia. Alguns foram derrubados e deram lugar a estabelecimentos comerciais sofisticados. Observa-se ainda a existência de pequenas indústrias como serrarias, marmorarias, etc.

Em meio a estas “modernidade”, ainda se encontram a antiga barbearia, de muitas gerações, e os botequins que servem média de café e leite com pão. Na Farmácia São Lourenço, médico e farmacêutico sempre trabalharam juntos. Hoje ela é uma das duas remanescentes, dentre as cinco que existiram desde os anos 30. São Lourenço já foi o bairro de Niterói a possuir o maior número de farmácias. A Farmácia São Lourenço foi fundada em 1928 e preserva até hoje a decoração original, com o seu mobiliário em madeira, estilo da época.

O Posto de Saúde Carlos Antonio da Silva, conhecido historicamente pelos usuários e população em geral como Posto de Saúde São Lourenço encontra-se localizado, na realidade, no bairro do Centro e atende não só aos moradores do local, como também aos dos bairros vizinhos.

Em relação à questão de infra-estrutura, o bairro é servido por várias linhas de ônibus que se dirigem a outros bairros, fazendo por ali seus itinerários. Na parte alta existe uma linha específica que atende aos moradores do outeiro.

Consoante à prestação de serviço educacional, o bairro possui o Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto, situado na parte baixa. No outeiro não existem escolas.

Existem poucos espaços para expansão imobiliária; as ruas são estreitas, com exceção da rua São Lourenço. Alguns dos espaços vazios encontrados são devido a residências abandonadas e depósitos desativados, usados pela antiga zona portuária e pela empresa ferroviária que funcionou até a segunda metade do séc. XX.

A paisagem remanescente caracteriza o bairro como sendo antigo, cuja população é predominantemente constituída de pessoas nascidas no próprio local, além de imigrantes nordestinos que chegaram ao bairro na década de 70.

São igualmente localidades do bairro: parte do Morro Boa Vista, cujo acesso faz-se também pelo Fonseca – e o Aterrado de São Lourenço, em parte ocupado por moradores oriundos da favela do Sabão.

Na área do aterrado também funcionam ou já funcionaram diversos órgãos públicos: O Detran, o Tribunal de Contas do Estado, uma Policlínica, a garagem da EMOP e o antigo Mercado Municipal de Niterói. Mais recentemente um conjunto residencial foi construído por uma carteira habitacional.

Um dos problemas apontados pelos moradores diz respeito ao transbordamento de um canal existente no bairro, que mesmo após retificações ainda acarreta transtornos.

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Sapê

O Sapê localiza-se entre os bairros de Santa Bárbara, Ititioca, Caramujo, Maria Paula, Matapaca, Badu e uma pequena parte do Largo da Batalha.

O nome Sapê, de acordo com depoimentos de antigos moradores, vem do fato de ter havido no passado sapezais naquele local. O bairro começou a surgir a partir de área que conhecida como Fazendinha, mas desenvolveu-se em outra direção e a Fazendinha atualmente é uma das localidades que compõem o Sapê.

Devido ao crescimento das periferias, fato comum nas grandes cidades, o local passou também a atrair contingente populacional principalmente a partir da década de 70 (10,42%). A população está distribuída ao longo da estrada Washington Luiz (antiga estrada do Sapê), principal via de acesso, que se inicia no Largo da Batalha e atravessa todo o bairro fazendo a ligação com o Caramujo e Santa Bárbara.

Quanto à estratificação social, observa-se nas proximidades da estrada Washington Luiz, predominância de edificações de padrão construtivo médio, que associada aos condomínios Ubá V, Sítio das Orquídeas e o imenso Orquídeas II (ainda em construção), acabam mascarando a realidade do bairro. A maior parcela da população concentra-se em bolsões de favelização nas localidades de Mato Grosso, Fazendinha, Buraco, Pedro, Cambaxirra, Armazém Novo, Rodo e Falinha.

O grande crescimento demográfico do bairro ocorreu no período de 70-80, quando foi o terceiro de maior taxa anual de crescimento – 10,42% – no município, fato comum a outros bairros da região. Este fato também coincidiu com a pavimentação de sua principal via de acesso, a estrada Washington Luiz. Em contraposição, no período seguinte, 80-91, o bairro apresentou resultado negativo, -0,46%. Mas é necessário considerar também a reorganização dos setores censitários, com vista ao decreto número 4.895 de 1986, que criou novos bairros, entre eles o Sapê.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio do Sapê é limitado em número de estabelecimentos e na diversificação de ramos comerciais, contando apenas com padarias, “biroscas”, bares e lojas de material de construção. A população do Sapê, como a de muitos outros bairros próximos, recorre ao farto comércio do Largo da Batalha para suprir as suas necessidades.

O Sapê conta com a Escola Municipal Levi Carneiro, única do bairro, que atende da classe de alfabetização à 8ª série do 1º grau e atrai ainda, estudantes de bairros vizinhos. Após a conclusão do 1º grau, os estudantes são levados a procurar as escolas do Centro da cidade ou de outros bairros para prosseguirem os seus estudos. Conta ainda, com duas creches: uma funcionando na sede da Associação de Moradores e a Creche Berçário Mariozinho Gomes. No tocante à saúde, há o Hospital Maria de Magdala, que é exclusivo ao tratamento de doentes da AIDS.

É notada a insuficiência de telefones públicos. A infra estrutura urbana não acompanhou o crescimento do bairro, verificado principalmente nas localidades de mais baixa renda.

O transporte coletivo no bairro é considerado deficiente pelos moradores, principalmente em relação aos horários e número de veículos em circulação, sobretudo no horário noturno.

Registra-se a ampla disponibilidade de terras, o que já está propiciando o surgimento de condomínios fechados e de loteamentos para segmentos de classe média. O relevo suavemente ondulado com áreas verdes remanescentes, algumas minas d’água etc., são elementos atrativos que sustentarão a expansão.

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Tenente Jardim

O bairro cresceu onde outrora existiu a fazenda pertencente à família Jardim: Juvenal Jardim (Tenente da Marinha do Brasil) e a sua mulher, uma francesa de nascimento. Estabelecidos no final do século passado, o casal residia no prédio onde mais tarde se instalaria o Colégio Monsenhor Uchôa. A fazenda produzia para consumo próprio e o pequeno excedente era comercializado nas imediações. Uma pequena fração foi doada para a construção da Igreja de São João Batista, que transformou-se no núcleo original de povoamento do bairro.

O antigo caminho usado para escoamento dos excedentes agrícolas, que saindo da fazenda descia em direção à rua Dr. March, transformou-se na principal via de acesso ao bairro, urbanizada e pavimentada por interferência direta do Comando do antigo 3º Regimento de Infantaria, atual 3º BI (Batalhão de Infantaria) . A unidade militar sempre usou o Morro do Castro – situado entre o Fonseca e o Baldeador, e alcançado através de Tenente Jardim – como área de exercícios. Da ocupação radial desta via surgiu, efetivamente, o traçado urbano do bairro, que foi sendo ocupado lentamente. Esta ocupação atingiu o seu apogeu por volta de 1950, quando veio a se consolidar o desmembramento da fazenda.

Aos moradores fixados há tempos, progressivamente juntam-se os seus descendentes e os poucos terrenos disponíveis não são suficientes para atender a demanda. Vale lembrar, que do ponto de vista geográfico, o bairro está localizado em um vale, o que também serve para reduzir a oferta de terrenos para a construção.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Em relação ao padrão construtivo, notam-se duas categorias distintas: a parte baixa do bairro é ocupada por residências antigas de alvenaria e a medida que nos encaminhamos para a parte mais elevada, o padrão das residências decresce. Embora continuem a existir construções de alvenaria, observa-se a presença de auto-construções, com espacialização mais desordenada.

O comércio do bairro não tem muitas opções, destacando-se os mini-mercados, quitandas e bares que se localizam principalmente na rua Tenente Jardim, via principal do bairro. Os demais setores da economia são representados por uma transportadora e uma serralheria, entre outros.

Observa-se que existe pavimentação não só na via principal como também em algumas transversais localizadas na parte baixa do bairro. A rede coletora de esgotos é precária, sendo estes lançados na rede de águas pluviais, em sua maior parte.

Quanto ao aspecto educacional, o bairro possui uma escola localizada em seus limites: a E.M. Tiradentes, e é atendido também pelas localizações no Morro do Castro ou no vizinho município de São Gonçalo – separado de Tenente Jardim por apenas uma rua. As localizadas no Morro do Castro são a E.M. João Brasil e a E.M. Governador Roberto Silveira. Também o posto de saúde que serve à comunidade está localizado no Morro do Castro, que, como já foi dito anteriormente, distribui-se entre os bairros do Fonseca e do Baldeador.

O abastecimento de água é feito pela rede geral, na parte baixa e a coleta de lixo é feita parcialmente no bairro.

O rio Bomba, marco divisório entre Niterói e São Gonçalo, hoje em dia não passa de um valão degradado e sujo.

Como atividade sócio-cultural e religiosa destaca-se a festa do Dia da Criança, com desfile escolar pelo bairro seguido de lanche comunitário e a festa do padroeiro São João, com procissão e missa festiva.

Como característica urbana marcante e reveladora de tendência observa-se, pela vizinhança do Tenente jardim com o município de São Gonçalo, uma complementaridade das atividades desenvolvidas nesses locais, muitas vezes desconsiderando-se os limites administrativos e institucionais, peculiar de áreas metropolitanas.

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Várzea das Moças

A região denominada Várzea das Moças, nome mais poético entre os bairros da cidade, tem sua origem na grande fazenda existente no local cujo proprietário era pai de 6 moças.

A principal atividade era o comércio de café, sendo que a maior parte comercializada era proveniente de outras regiões. O grão chegava “in natura”, era seco e ensacado no local e daí enviado aos centros urbanos, sendo distribuído pela estação ferroviária do Rio do Ouro. Este ramal da Leopoldina estendia-se até o norte do Estado, tendo suas atividades encerradas na década de 60.

Como em todo o Estado, a derrocada do café esvaziou as atividades da fazenda, tendo a mesma transformado-se na Cerâmica Rio do Ouro (CROL), que foi durante muitos anos a geradora do progresso na região. Hoje em dia suas atividades estão bastante reduzidas.

A sede da fazenda encontra-se no lado de São Gonçalo, onde fica o parque fabril da Cerâmica, estando sua loja de vendas do lado de Niterói.

Pela divisão de bairros realizada em 1986, estas instalações ficaram no Rio do Ouro mas, face a sua importância para o local, a incluímos em Várzea das Moças. A paisagem era, portanto, rural, característica esta que, de certa forma, mantêm-se até os nossos dias, apesar do bairro encontrar-se inserido no perímetro urbano do município. As tropas de animais eram freqüentes no transporte de cargas e de pessoas; e o deslocamento para o Centro de Niterói realizado esporadicamente, o que dava ao bairro certo caráter de auto-suficiência em relação ao centro urbano da época.

Segundo os dados do Censo Demográfico do IBGE de 1991, a população residente do bairro de Várzea das Moças representa cerca de 0,34% da população de Niterói.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

Além da cerâmica citada anteriormente, o bairro apresenta mais três indústrias de porte: Cerâmica Itaipu Ltda. (ITACOR); uma fábrica de tintas e uma fábrica de móveis.

O comércio é pouco diversificado, restringindo-se ao núcleo central do bairro.

Localiza-se em Várzea das Moças duas entidades filantrópicas: Resgate – Reabilitação de Toxicômanos e o Lar Batista – orfanato e asilo de idosos.

Como em toda a região encontramos muitos sítios, alguns apenas para lazer, outros com alguma produção agrícola (frutas cítricas, caquis, abacate, cana, hortaliças, tubérculos etc.), sendo também que já foi expressivo no bairro o fabrico de esteiras, cipós, chapéus e jacás.

Um problema contido com a instalação da CROL foi o desmatamento que ocorria na região. Algumas madeiras nobres eram encontradas: cedro, vinhático, canelas, ipê etc.

As principais reclamações dos moradores são quanto ao transporte, segurança e telefones públicos. Na tentativa de solucionar alguns destes problemas, foi fundada em 1989 a associação de moradores do bairro.

Na antiga sede da fazenda existe uma capela que está desativada, onde, até recentemente, missas, casamentos e batizados eram realizados, pelo padre da diocese do Rio de Ouro.

Quanto aos equipamentos públicos relacionados à educação, são encontrados em Várzea das Moças quatro escolas, sendo que três estaduais e uma municipal, que atendem ao 1º grau.

O bairro é medianamente servido de infra-estrutura básica, porém, sem instalação ligada à rede geral e com coleta de lixo que não alcança toda sua extensão.

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Viçoso Jardim

O bairro faz limite com Fonseca, Cubango, Caramujo e Ititioca integrando. Situa-se no interior do maciço costeiro numa área conhecida como “mar de morros”.

Os primeiros registros de ocupação remontam à antiga Fazenda do Saraiva, onde os trabalhadores exerciam ofícios diferenciados e pertinentes às atividades agrícolas. Este núcleo original de povoamento atrai para o lugar comerciantes portugueses que iriam montar mercearias, as “vendas” de antigamente. Vamos encontrar pelo bairro marcas da presença portuguesa, como por exemplo nos nomes das travessas Alice e Odete, dados por um português em homenagem às suas filhas, ou no próprio nome original do bairro – “Venda das Mulatas” – que, segundo moradores, seria oriundo da presença de um português dono de uma “venda” e de suas três filhas mulatas. Poderíamos identificar cronologicamente esta presença lusitana a partir da década de 30, porém foi somente na década de 60 que o bairro viveu o seu período de ocupação mais intensa.

Atualmente podemos observar que apenas uma pequena parte da Fazenda do Saraiva foi ocupada, fruto de acordo entre seu proprietário e os moradores locais, pois a mesma não foi oficialmente loteada.

Quanto à lixeira que existia no bairro, originalmente localizada em um terreno baldio, foi sendo acrescida de dejetos até que assumiu proporções gigantescas, transformando-se no grande vazadouro de lixo da cidade. Sua transferência para outro local se deu no início da década de 80 e esta área, onde a lixeira se encontrava é, ainda hoje, marcada pela degradação ambiental que tal atividade acarreta. É neste local que vamos encontrar a travessa São José, que concentra uma população de baixa renda.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Um comércio incipiente, composto basicamente de bares e mercearias, acrescido de oficinas mecânicas e borracharias além de uma fábrica de antenas parabólicas, são, praticamente, as atividades econômicas que encontramos no bairro. Em relação ao setor educacional, destaca-se a presença de uma escola municipal.

O transporte coletivo para o bairro é feito por apenas uma linha de ônibus, que aí tem localizada a sua garagem. As opções de interligação com outros locais só melhoram nas proximidades do Cubango.

A principal via do bairro possui tráfego intenso por ser corredor de passagem para as regiões de Pendotiba e Oceânica.

Quanto aos serviços básicos de infra-estrutura, a iluminação pública só existe nas vias principais. Verifica-se a existência de água potável na maioria das moradias, embora a rede coletora de esgoto seja insuficiente para a demanda do bairro.

A antiga localização da lixeira é responsável pelo principal problema ambiental que o bairro enfrenta: o chorume (líquido resultante da decomposição da matéria orgânica encontrado nos depósitos de lixo acumulado) que escorre pelo local. A existência de favelas, como a do Morro do Bumba, sinaliza para um outro problema, que é a ocupação desordenada de seus espaços.

Por ser um bairro periférico, cujos os espaços foram ocupados à partir do Cubango, possui perfil relativo à esta formação, com residências unifamiliares, muitas frutos de auto-construção.

Com população de padrão econômico tendendo para baixo – muitos exercem atividades no setor informal – esta não se identifica historicamente como morador do Viçoso Jardim, pois a sua constituição enquanto bairro só ocorreu em 1986, portanto, muito recentemente.

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Vila Progresso

Tendo como vizinhos Cantagalo, Badu, Matapaca, Maria Paula, Muriqui e Jacaré, o bairro é cortado pela Serra Grande, onde as altitudes variam até 300 metros. Foi originado de uma fazenda, pertencente a ingleses, que ali se estabeleceram ainda no século passado. No início deste século, por volta de 1920, a fazenda foi desmembrada e o loteamento daí surgido recebeu o nome de Vila Progresso, cujo empreendimento foi realizado por uma construtora com vários sócios. A feição que então adquiriu o bairro, mantém-se até hoje: sítios com grandes áreas, vegetação preservada, vastos espaços… Se já não nos deparamos mais com a figura do tropeiro por suas ruas, é ainda pouco expressivo o movimento de veículos. Este movimento concentra-se, principalmente, na estrada Caetano Monteiro que, cruzando toda Região de Pendotiba, é a principal via de acesso ao bairro.

Fazem parte da Vila Progresso as localidades de Grota Funda, Coração da Pedra e Açude. Na primeira, localizada no sopé da Serra Grande, encontramos jazidas minerais de quartzo e feldspato, numa área com vegetação bastante preservada, drenada por pequenos rios. No Coração da Pedra localiza-se a casa que pertenceu a Getúlio Vargas e que era usada para lazer nos finais de semana. O açude, ainda presente no local, localiza-se em propriedade particular e foi outrora pertencente a família Brígido Tinoco. Seu proprietário, antigo oficial da Marinha Mercante, construiu uma casa em forma de barco e pensava explorar turisticamente o local.

No bairro localizava-se uma rinha de galos cuja freqüência era intensa em dias de função e que atraía aficionados de toda a região.

Do loteamento original, um terreno foi cedido para criação de uma cooperativa de moradores, com finalidade de abastecimento de alimentos à preços subsidiados. Neste terreno, atualmente, encontra-se instalado o posto da Polícia Militar do bairro.

Notável também era o presença do popular “Armazém do Zeno”. Figura conhecida na região, o Zeno mantinha um caderno onde anotava as despesas dos fregueses e seu estabelecimento era ponto referencial para quem se movimentava pela estrada Caetano Monteiro.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Vila Progresso possui função predominantemente residencial, sendo a maioria dos terrenos de propriedade particular, devido inclusive ao parcelamento da terra através de herança.

O bairro apresenta um comércio incipiente localizado, basicamente, na estrada Caetano Monteiro, que emprega trabalhadores oriundos de bairros vizinhos e do vizinho município de São Gonçalo. Em alguns sítios podemos observar a criação de pequenos animais como rãs e cabras e o adestramento de eqüinos.

Quanto ao saneamento básico, nem o abastecimento d’água nem o esgotamento sanitário são feitos majoritariamente através de rede geral. Nota-se a presença maciça de poços e nascentes pois a área ainda preserva seus mananciais hídricos.

As vias não são pavimentadas, apenas a antiga Avenida Nelson de Oliveira e Silva(*1) , eixo de concentração dos domicílios, a maioria de alto padrão construtivo.

A cobertura vegetal é ainda exuberante e Vila Progresso, como ademais toda Região de Pendotiba que se estende pela estrada Caetano Monteiro, possui temperatura agradável durante todo ano. Há de se assinalar que não existe ainda grandes impactos ambientais na área.

O setor educacional encontra-se representado pela Escola Estadual Felisberto de Carvalho e por escolas particulares de renome.

O Country Club de Niterói – importante clube campestre do município – assim como a presença de algumas casas de shows noturnos, seriam exemplos de locais de lazer que começam a se concentrar no bairro. Há de se assinalar também, que na sede da fazenda original, atualmente funciona uma associação recreativa para funcionários de um grande banco.

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Viradouro

Constituído como bairro em 1986, o Viradouro é um prolongamento de Santa Rosa. Com uma área de 0,87Km², limita-se com Ititioca, Largo da Batalha, Cachoeiras, São Francisco, além de Santa Rosa, bairro que lhe deu origem. A rua Dr. Mário Viana, principal artéria de Santa Rosa, era conhecida como rua do Viradouro no trecho próximo a Garganta, nome popular da subida do Morro da União.

Localizado entre dois morros, o do Africano e o da União, o bairro é de ocupação recente. Nos anos 40 e 50 viviam no local umas poucas famílias, segundo relato dos moradores mais antigos. Fato interessante desta época era a forma de “grilagem” que acontecia no local: como os terrenos eram de posse, havia um proprietário de armazém, Sr. José Lopes, mais conhecido como José do Lápis, que anotava as dívidas,principalmente de gêneros alimentícios, das famílias residentes. Estas dívidas conforme se avolumavam, eram trocadas pela posse das terras e até das benfeitorias, fazendo com que o comerciante se transformasse em grande proprietário de terras.

No período do pós-guerra, sobretudo nos anos 60/70, o Viradouro viu a sua população multiplicar. A sua área favelizada e a própria expressão espacial do bairro materializava a crise habitacional brasileira. No entanto, as residências que no passado eram de taipa, foram substituídas por alvenaria, com arquitetura própria.

A vida social se intensificou e diversos segmentos, inclusive a Igreja Católica (Vicentinos), incentivaram a organização dos moradores em uma associação, ponto de referência a mais para a defesa das condições de vida da comunidade. Na época o abastecimento de água era o elemento de maior mobilização, resgatando também o exercício da cidadania.

No final dos anos 70 é fundada a Associação de Moradores do Viradouro com área de abrangência no Morro da União, Africano e Alarico de Souza. Hoje associada a Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT), a associação local é bastante atuante, destacando-se principalmente na luta pela titulação da terra.

Nos anos 80, com o agravamento da crise econômica brasileira e com o processo de urbanização acelerado, ocorre a metropolização da pobreza e a intensificação da violência urbana. Os reflexos dessa situação se fizeram sentir também no Viradouro.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do solo é desordenada e aproximadamente 60% das habitações estão em área de risco,(*1) principalmente no Morro do Africano, de formação geológica sedimentar. As habitações existentes apresentam-se, em sua maioria, sob a forma de auto-construção típicas de aglomerado subnormal. O bairro experimentou alguns melhoramentos graças a intervenções municipais como os projetos de mutirão “Vida Nova no Morro” e “Gari Comunitário” e a instalação de um módulo do programa “Médico de Família”. O Viradouro possui uma Escola Municipal, que atende da 1ª a 4ª série do 1º grau, um posto de saúde e uma grande instituição ligada a Igreja Católica que funciona como creche e atende as crianças da vizinhança.

Apesar da violência urbana, os moradores têm relações de solidariedade e de vizinhança. O convívio no bairro é alegre sendo, inclusive, berço, da maior escola de samba de Niterói – a Unidos do Viradouro, que tem hoje a sua quadra de ensaios situada no Barreto.

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Vital Brazil

O bairro, Vital Brazil, limita-se com São Francisco, Icaraí e Santa Rosa – sendo um prolongamento destes dois últimos. A área do Vital Brazil compreende pequena planície, cortada por pequenos rios que desembocam no rio Icaraí; e por encostas do Morro do Cavalão. A parte mais baixa era alagadiça, formando charcos, até que a canalização dos rios tornou possível às edificações no local.
Esta área outrora pertenceu às fazendas Santa Rosa e Cavalão, sendo que ao longo do tempo essas terras foram vendidas e parceladas, datando do final da primeira metade do séc. XX o processo de ocupação e formação do bairro.
O fato responsável pela denominação do lugar foi a transferência do Instituto Vital Brazil, que funcionava em Icaraí, para “instalações melhores” no bairro, numa grande área onde funcionara uma olaria(1919). O importante trabalho desenvolvido pelo Instituto, hoje estadualizado, sempre recebeu amplo apoio dos governos estadual e municipal. Inicialmente o Instituto limitava-se a fabricação de medicamentos para uso humano (soros antiofídicos e vacina anti-rábica), mas a partir de 1931 já preparava vacina anti-rábica para uso veterinário e outros produtos do gênero. Em 1943 foram inauguradas as atuais instalações do Instituto, contribuindo para a diversificação de suas atividades e reconhecimento internacional do seu trabalho. Anexo ao Instituto, foi criada a Faculdade de Veterinária, hoje pertencente à UFF.
O processo de ocupação ocorreu principalmente na segunda metade do séc. XX, intensificando-se nas últimas décadas, sobretudo pela ação de loteamentos (como por exemplo, o Jardim Icaraí) e pela cessão de terras do Instituto aos funcionários, para que construíssem suas moradias.3 Até alguns anos atrás as poucas casas do bairro eram entremeadas por inúmeros terrenos baldios.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS
A área ocupada pelo Vital Brazil é uma das menores de Niterói, sendo que parte situa-se nas encostas do Morro do Cavalão. Apresenta padrão construtivo semelhante à seus vizinhos, Jacaré e Santa Rosa com muitas casas de construção recente e de alto padrão, edifícios de apartamentos, além de área ocupada por favela.
Esta clara divisão social do bairro fez surgir duas associações de moradores, uma é a Associação de Moradores das Ruas do Vital Brazil (Amovir) e a outra à Associação de Moradores do Vital Brazil (Amovibra), que apresentam reivindicações diferenciadas refletindo a segregação espacial existente.
Na área ocupada pela classe média – parte baixa e encostas do Jardim Icaraí – as ruas são pavimentadas e arborizadas, o que dá ao local um aspecto agradável. A maior preocupação dos moradores está relacionada às questões ligadas à violência urbana. Na outra parte (Morro do Vital Brazil) as reivindicações dos moradores estão relacionadas a urbanização, saneamento básico, fornecimento de água e luz elétrica,5 e equipamentos educacionais.

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