Pé Pequeno

Tendo como limites Santa Rosa, Cubango e Fátima, o Pé Pequeno é um dos menores bairros de Niterói.

A origem do nome está associada ao surgimento do bairro. Quando a antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasta região começou a ser desmembrada entre os seus herdeiros, a maior área ficou em poder de Antonio José Pereira de Santa Rosa Jr., conhecido também por Pé Pequeno. Este, por sua vez, vendeu parte das terras situadas à esquerda da antiga estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cézar), logo transformadas em chácaras. Com o passar do tempo, as chácaras do Pé Pequeno, que abrigavam famílias de nível econômico elevado e alguns dos nomes ilustres do município, foram revendidas e loteadas. Abriram-se novas ruas e foram construídas novas residências.

Em meados da década de 40 começa a construção de várias casas no local, sendo as ruas saneadas e pavimentadas pouco a pouco, desenhando a atual configuração do bairro.

Embora até meados deste século o Pé Pequeno tenha acompanhado os mesmos processos de urbanização que deram origem a Santa Rosa, o bairro conseguiu resguardar-se de certa forma da explosão imobiliária que levou o vizinho a intenso processo de verticalização. O Pé Pequeno conseguiu manter-se como bairro horizontal de “status” eminentemente residencial.

O bairro possui área de 0, 32Km², com população residente de 3. 283 pessoas, segundo o censo de 1991 do IBGE, o que corresponde a menos de 1% da população total do município.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Atualmente o bairro é composto por população de classe média, em sua maioria. Mas o Morro do Pé Pequeno é ocupado por famílias de baixo poder aquisitivo. Mesmo assim, as condições dessa comunidade são bem melhores do que as de outras comunidades de baixa renda do município.

O Pé Pequeno é um local resguardado do crescimento vertical, sendo desprovido de áreas comerciais, e possui um ar de condomínio, o que também pode se creditado em parte às poucas vias de acesso que dispõe. Essa combinação levou seus imóveis a se valorizarem e hoje praticamente inexistem imóveis vazios ou disponíveis para locação e venda.

No atendimento às necessidades mais específicas, os moradores do Pé Pequeno recorrem ao comércio de bairros próximos: Santa Rosa, Icaraí, ou mesmo o do Centro. Os produtos básicos são obtidos no comércio do Largo do Marrão ou da rua Dr. Paulo César, no limite com Santa Rosa.

Devido ao bom poder aquisitivo dos moradores, a maioria possuindo automóvel particular; e devido ao reduzido espaço e a proximidade com as ruas Noronha Torrezão e Dr. Paulo Cézar, por onde passam diversas linhas de ônibus, a população do Pé Pequeno não tem problemas de transporte. Embora não circulem linhas de ônibus no interior do bairro.

Não há equipamentos públicos no Pé Pequeno. Ressalta-se apenas a existência de um estabelecimento de ensino particular que atende da 1ª a 6ª série do 1º grau, bem como pequenos escritórios e consultórios de profissionais liberais. A parte baixa do bairro possui uma satisfatória infra-estrutura básica. Um dos principais problemas existentes é a ocupação desordenada no Morro do Pé Pequeno. A comunidade do Morro é composta, em sua maior parte, por moradores antigos no local, mas verifica-se uma expansão recente em áreas de acesso mais difícil e de maior risco, desprovidas de infra-estrutura básica.

Em geral, a maior preocupação dos moradores é com a segurança. Com o aumento da violência urbana, a instalação de guaritas em alguns pontos é elemento mobilizador e polêmico. Apesar disso, sem sombra de dúvidas, o Pé Pequeno é um dos bairros mais tranqüilos e aprazíveis de Niterói.

Continuar lendo Pé Pequeno

Fátima

Fátima é um bairro localizado junto ao Centro, limitando-se com este, além de São Lourenço, Santa Rosa, Pé Pequeno e Cubango.

O bairro surgiu da compra de uma área da antiga Chácara do Vintém, onde existia uma fonte usada pelos jesuítas, que teve papel relevante no abastecimento de água da cidade.

Niterói tinha fontes de água em diversos pontos. A primeira intervenção governamental no setor foi a captação dessas águas e a colocação de encanamentos em direção a chafarizes e bicas públicas. O manancial da Chácara do Vintém (ou Chácara Andrade Pinto) foi uma fontes captadas.

A água, muito límpida, era distribuída também por aguadeiros que anunciavam: “Olha a água da Chácara do Vintém que não faz mal a ninguém.” Nesses tempos, quem tinha “posses” não mandava buscar água nas bicas públicas, esperava que as carroças-pipas a levassem na porta por preço que, conforme a época, variava de 40 a 100 réis o barril.

O manancial da Chácara do Vintém chegou a ser adquirido pelo Governo devido a sua importância para a cidade.

Durante muitas décadas a água deste manancial foi utilizada, mesmo quando das tentativas (a primeira em 1892) de se captar água da Serra de Friburgo.

As características fisiográficas do bairro de Fátima influenciaram a sua ocupação e expansão. Embora próximo do Centro e de outros bairros, é separado destes por morros, sendo o mais significativo o de São Lourenço/Boa Vista.

Por entre os morros e também nestes, a Companhia Proprietária Brasileira, após aquisição da área, projetou e executou o loteamento de Vila Paraná, abrindo ruas, não só nos vales existentes, mas também nas encostas.

A construção de imóveis no bairro teve um ritmo inicial lento já que, apesar de sua proximidade, a precariedade de serviços e as características de muitos lotes, com acentuada declividade, exigiam custo alto e apuro técnico nas construções.

Por volta de 1945, foi criada a Associação de Moradores (antigo Centro Pró-Melhoramento de Vila Paraná) que decidiu trocar o nome da Vila para Nossa Senhora de Fátima. Os moradores que não eram católicos não aceitaram esta denominação passando então o bairro a chamar-se simplesmente, Fátima.

Em 1949 o bairro ainda não era muito habitado e não havia luz nas vias públicas. A energia era instalada diretamente nas casa a pedido dos moradores, cabendo à Companhia Brasileira de Energia Elétrica, em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói e com a Associação de Moradores, gerenciar esta parte.

Na década de 50 o bairro apresentou uma ocupação acentuada, composta principalmente por casas isoladas para fins residenciais, fruto do processo de urbanização vivido por Niterói e da expansão do próprio Centro da cidade. Devido ao boom imobiliário da década de 70 beneficiado pela construção da Ponte Rio-Niterói, surgiram nos limites do bairro prédios de apartamentos financiados pelo antigo BNH, o que contribuiu para a sua atual configuração.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do bairro por novas edificações foi intensificada nos últimos anos, principalmente na década de 70, restando poucas áreas para construção, à exceção das encostas dos morros de São Lourenço /Boa Vista.

No bairro, apesar da existência de moradias de bom padrão, há predomínio de residências de médio padrão, inclusive degradado (*), e conjuntos habitacionais. Observa-se também o aparecimento de áreas de favelização.

Com relação a equipamentos públicos, estão localizados no bairro o Centro Previdenciário de Niterói (CPN), o Ambulatório de Emergência e Enfermarias Médicas do INSS e a Escola Municipal Santos Dumont — que oferece turmas da pré-escola à 8ª série.

O comércio é insuficiente à demanda existente, havendo apenas alguns estabelecimentos que suprem as primeiras necessidades. Uma única linha de ônibus faz o transporte de moradores, em conjunto com duas Kombis. Devido a proximidade do Centro e de Icaraí, muitas vezes os moradores preferem caminhar. Todas as ruas de acesso ao bairro partem da rua Marquês do Paraná. Além das poucas ruas principais de acesso e de circulação, há no bairro um conjunto de ruas íngremes (ladeiras), entremeadas de vielas (todas pavimentadas). Com isso o bairro de Fátima, tão perto do Centro, fica isolado e resguardado da agitação e de muitos dos problemas do Centro, adquirindo um aspecto de evidente tranqüilidade. Segundo depoimento de moradores, o nível de criminalidade é baixo, o que torna Fátima um bairro tranqüilo e agradável de morar.

Continuar lendo Fátima

Boa Viagem

Boa Viagem, um dos menores bairros da Região Praias da Baía e de Niterói, apresenta como limites Ingá, São Domingos, Gragoatá e as águas da Baía de Guanabara. No seu litoral encontramos falésias com grutas; a enseada com a praia; as ilhas de Cardos e Boa Viagem; o Torreão além do enroncamento do aterrado da Praia Vermelha, por onde passa a Avenida Litorânea.

À exceção das franjas do Morro do Ingá, ao longo da antiga rua Boa Viagem (atual Antônio Parreiras), a ocupação e urbanização do bairro são recentes, aceleradas nos últimos anos com a construção de edifícios residenciais e o aumento de serviços oferecidos.

A topografia dificultou o processo habitual de ocupação. A paisagem natural foi mantida sem alterações drásticas até as primeiras décadas do séc. XX. Antigos viajantes descreviam o lugar como um pequeno paraíso devido aos morros cobertos de vegetação, às ilhas e uma fonte de água potável próxima à praia de águas tranqüilas e limpas.

A presença do homem branco, do colonizador português aos “funcionários estrangeiros”, principalmente ingleses e alemães, foi marcante. As chácaras e antigos casarões são marcos dessa época, observando-se atualmente apenas a presença de alguns (uns em ruínas, outros conservados e alguns transformados em casas de cômodos), localizados em um dos lados esquerdos da rua Antonio Parreiras.

A destruição do “pequeno paraíso” dos livros de antigos viajantes foi desencadeada na década de 30 pelo cataclisma provocado no local pela Cia. de Melhoramentos de Niterói. Uma obra de reurbanização de toda a região, sem respeitar o meio ambiente, foi iniciada a todo vapor: desapropriações foram feitas, árvores derrubadas, novas ruas abertas, a paisagem aplainada a trator…. Quando o caos instalou-se, faltou verba e homens e máquinas pararam. O paraíso descrito nos livros não existia mais. A “obra” só foi retomada décadas depois quando então foi executado o plano de melhoramentos traçado no séc. XIX, que previa a construção de um caminho por toda a orla da baía, ligando a Ponta D’Areia a São Francisco. O pouco que restara ainda intacto da paisagem natural, mudou. A área entre o Pontal do Gragoatá e a praia da Boa Viagem foi aterrada e feito um enroncamento, desaparecendo as praias do Fumo (em Gragoatá) e a Vermelha ou Roxa , ganhando-se uma grande área do mar, cuja maior parte atualmente pertence ao campus da UFF.

Desde os tempos do Brasil colônia o perfil do bairro sempre teve como mais significativo o seu litoral. Atestam isso, entre outros documentos, relato do séc. XVIII (1779) que mencionava a presença de 37 embarcações, entre pranchas a remo e saveiros, ancoradas na enseada; as ruínas da ponte de atracação; a abertura da rua da Boa Viagem e as edificações na ilha da Boa Viagem.

Por suas características e seu relevo submerso (lajes, grutas, etc.), a área em torno da ilha da Boa Viagem sempre foi um excelente pesqueiro. A variedade de espécies da flora e fauna marinhas, levou ao local pescadores profissionais e amadores, além de pesquisadores e estudiosos da vida marinha.

A ilha da Boa Viagem, de relevo bastante erodido, com pequenas grutas e coberta de vegetação, tem excelente localização em relação à entrada da Baía de Guanabara. É um ponto de onde se avistam todas as embarcações que chegam ou saem da baía. O seu sítio é um dos principais monumentos da história de Niterói, por suas edificações e caminhos escavados na pedra. Na ilha, o sacro e o profano, a religião e a guerra, sempre conviveram. Como conviveram em todo processo de expansão marítima e colonização – a Igreja, o Fortim, e a Escola de Aprendizes Marinheiros (1840 a 1846). Até mesmo um lazareto cogitou-se construir no local.

A Igreja de N. S. da Boa Viagem, protetora dos que se aventuravam pelo mar, foi construída no séc. XVII (no ponto mais alto da ilha, em frente ao mar) pelo Provedor da Fazenda Real que na porta principal mandou colocar as suas armas. O dia da padroeira era festejado com romaria de pequenas embarcações. Aqueles que viviam do mar e os viajantes, para lá dirigiam suas preces nos momentos de dificuldades, pagando depois promessas pelas graças alcançadas, levando valores (ouro) e objetos (cera) para a Igreja. A Igreja esteve em plena atividade em alguns períodos e em outros, abandonada. Ela foi ampliada e restaurada, chegando a passar por dois incêndios: um acidental, durante festejos, e outro criminoso, para encobrir o roubo de suas pinturas e imagens sacras. No início do Século XX foi entregue à Sociedade Protetora dos Homens do Mar, que a reformou e melhorou as suas vias de acesso. Construiu-se a ponte de cimento ao longo do cordão de areia, ligando a ilha ao continente; instalou-se um posto de salvamento no local; e a ilha passou a ser abastecida de luz elétrica e várias festas religiosas são promovidas. Atualmente a Associação de Amigos da Ilha da Boa Viagem coordena os projetos que dizem respeito ao local.

O Fortim da Boa Viagem, chamado de Bateria da Boa Viagem, construído estrategicamente no local, ao longo do tempo foi artilhado e desarmado. Os dois principais momentos em que participou de conflitos foram: durante o ataque da frota do corsário francês Duguay Trouin (1711) ao Rio de Janeiro, em que a insuficiência de armamentos o levou a rendição; e durante a Revolta da Armada, quando foi bombardeado e arrasado.

Mais recentemente em 1937, o Grupo Escoteiro Gaviões do Mar fez da ilha da Boa Viagem o local de sua sede.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro da Boa Viagem ainda é um dos trechos mais bonitos de Niterói, tanto por seus acidentes geográficos, quanto pela vista que de lá se descortina.

A maior parte das edificações existentes nas poucas ruas do bairro são residenciais. Convivem casas modernas de alto padrão, construções antigas e os recentes edifícios de apartamentos – de classe média e de padrão luxuoso. Existe também um pequeno comércio para atender as necessidades locais e, junto ao mar, são muitos os trailers. Há ainda uma área da UFF sem edificações, algumas pequenas praças e também mirantes. Numa dessas praças, a Pedro Alvares Cabral, há um monumento – Vela Náutica com a Cruz de Malta – que homenageia os navegantes portugueses.

No litoral da Boa Viagem, agora todo cortado por uma avenida que margeia a Baía de Guanabara, é ainda reduzido o fluxo de veículos. A presença mais marcante, nos feriados, nos finais de semana e nas manhãs de todos os dias é a dos praticantes de caminhadas e corridas. Eles procuram combinar o saudável destas atividades com a beleza e a tranqüilidade do lugar. Apesar da poluição das águas da baía, a área da Boa Viagem, diante da barra, é atingida por correntes que renovam mais rapidamente as suas águas. Principalmente nos feriados e nos finais de semana é grande a freqüência de pessoas na praia. Quando muitos a utilizam como área de lazer, apesar de sua faixa de areia ser bastante reduzida.

A pesca, uma atividade dos tempos antigos, continua sendo praticada, com a presença agora dos “marisqueiros” (catadores de mariscos), embora a pesca predatória e a poluição das águas da baía já tenham afetado a vida marinha da região.

Um problema observado no local é a luta entre a terra e o mar, havendo pontos de permanente deslizamento do morro e do passeio.

Na Boa Viagem são encontrados dois dos principais pontos turísticos e culturais da cidade de Niterói, sendo cartões postais obrigatórios que identificam e que retratam o passado e o futuro: a ilha da Boa Viagem, com as suas construções, e o Museu de Arte Contemporânea, que exibe a ousadia das linhas arquitetônicas do mestre Oscar Niemeyer. Entre as atividades desenvolvidas no bairro, merece destaque as que são promovidas na Igreja da Boa Viagem e fazem parte do projeto “Preservação da Ilha da Boa Viagem” desenvolvido pela Copex/UFF (Coordenação de Projetos Experimentais da Universidade Federal Fluminense). Dentre os itens que compõem o projeto. Existe também uma equipe de arqueólogos pesquisando vestígios indígenas e de outras construções antigas, provavelmente portuguesas, na ilha.

Continuar lendo Boa Viagem

Cachoeiras

Localizado a partir da confluência das duas principais vias do bairro de São Francisco (Avenidas Rui Barbosa e Presidente Roosevelt), o bairro de Cachoeiras estende-se até o Largo da Batalha sendo, do ponto de vista geográfico, o fundo do vale situado entre as encostas do Cavalão e do Morro de Santo Inácio. Cachoeiras limita-se com Viradouro, Largo da Batalha, Maceió, Cafubá e São Francisco tendo sido criado pela Lei nº 4895 de 08.11.96.

Cortando o vale entre os dois morros já citados, existia um caminho que ligava São Francisco/Cachoeiras ao Largo da Batalha e, daí, seguia em direção ao interior do estado interligando-se à estrada Velha de Maricá. Este caminho recebeu posteriormente a denominação de Estrada da Cachoeira, pois nele existe um rio que desce do Largo da Batalha em direção à praia do Saco de São Francisco pela encosta íngreme e que, em outras épocas, formava uma cachoeira.

Esta estrada, apesar de muito íngreme e de difícil conservação teve um papel econômico relevante no transporte de mercadorias (tropas de mulas) e viajantes. Com a expansão da cidade para novas áreas, outros caminhos/estradas passaram a ser utilizados, entre eles o que sobe o Morro do Viradouro (Garganta) a partir de Santa Rosa em direção ao Largo da Batalha. Assim a estrada da Cachoeira deixou de ser conservada, ficando num estado tão precário que esteve intransitável por um tempo. Só recentemente, a estrada passou processos de urbanização e ampliação, tornando-se importante via de comunicação para as Regiões de Pendotiba e Oceânica.

Ligado por razões urbanas e históricas ao bairro de São Francisco, Cachoeiras difere deste não só no traçado interno de suas ruas – não apresentando a forma tabuleiro de xadrez comum àquele bairro – como também por apresentar alternância entre os tipos de residência, existindo o contraste entre as casas de padrão construtivo que variam do médio (residências do moradoras mais antigos), passam pelo elevado (casas em condomínios) e confundem-se com as auto-construções, quase sempre na encosta. Essas residências eram erguidas em terrenos de posse,encontrando-se atualmente com suas áreas mais acessíveis bastante ocupadas.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Interessante observar no bairro de Cachoeiras que apesar da ocupação da encosta, esta preserva ainda parte de sua cobertura vegetal. Em contrapartida, do ponto de vista da preservação ambiental, o córrego que corta o bairro encontra-se poluído, sendo usado como esgoto a céu aberto e depositário de vários tipos de entulhos. Quanto ao abastecimento d’água, só há canalização para os domicílios até a área próxima à Escola Estadual Duque de Caxias. A parte alta do bairro não dispõe ainda desse serviço.

O comércio é pouco significativo e se restringe aos bares e pequenas mercearias onde são vendidos gêneros de primeira necessidade. Existem ainda algumas oficinas mecânicas, serralherias e, mais recentemente, uma revendedora de automóveis importados. Encontra-se também no bairro a sede da empresa de ônibus que liga o local ao Centro da Cidade. O poder público encontra-se representado, na esfera municipal, por uma escola de primeiro grau e pelo sub-posto de saúde de Cachoeiras, além da Escola Estadual citada anteriormente.

Quanto ao lazer e práticas desportivas há de se assinalar a utilização da quadra da escola de samba local para realização de eventos sociais variados, bem como do campo de futebol, responsável pela realização de jogos de caráter regional.

Por sua localização, entre dois importantes eixos viários, o bairro de Cachoeiras apresenta tráfego intenso em determinados horários do dia e nos finais de semana acarretando engarrafamentos, principalmente em sua via principal.

Continuar lendo Cachoeiras

Centro

O Centro limita-se com os bairros vizinhos de São Lourenço, Ponta D’Areia, Fátima, Morro do Estado, Ingá, São Domingos e Icaraí e é banhado em parte pelas águas da Baía de Guanabara.

Nos primórdios da colonização o Centro fazia parte da Sesmaria do Cacique Araribóia que construiu, no alto do estratégico Morro de São Lourenço, a principal aldeia de seus domínios. Boa parte do território pertencente a Araribóia ficou desocupado, facilitando o estabelecimento do colonizador. Assim começou a ocupação de São Domingos e de toda a área da Praia Grande – de onde partiam trilhas em direção ao interior, através dos vales. Nesses povoados foram construídos atracadouros onde também comercializavam-se produtos procedentes do interior e produtos que chegavam pelo mar.

O relevo predominante era o de planície arenosa, com colinas suaves debruçadas sobre a Baía de Guanabara, o que facilitava a atracação de barcos e os contatos com o outro lado da baía. Em 1817 Niterói foi elevada a categoria de Vila tendo São Domingos por sede. D. João VI freqüentava São Domingos hospedando-se, quando em visita, num Palacete doado com esta finalidade. Mas como o lugar não comportava a edificação de prédios públicos como a Cadeia, a Câmara e o Pelourinho, a sede da Vila acabou sendo transferida para Praia Grande.

Ainda no início do séc. XIX, 1820, foi traçado um plano urbanístico para a área que viria a se tornar o atual Centro de Niterói. Este plano previa a construção de cinco ruas paralelas ao mar e oito perpendiculares, cruzando em ângulo reto com várias praças.

Quando a Cidade do Rio de Janeiro foi transformada em Município Neutro e sede do Governo Imperial, em 1834, tornou-se necessário escolher o local para instalar o Governo Provincial. Assim, a Vila Real da Praia Grande foi elevada a categoria de Cidade, denominando-se Nictheroy, passando a ser a capital da Província do Rio de Janeiro. A importância político-administrativa deu novo impulso a cidade e o seu crescimento tornou-se cada vez mais visível – com a multiplicação das edificações públicas, comerciais, residenciais e também a abertura de novas ruas. No final do séc. XIX e início do séc. XX novos caminhos vieram interligar os futuros bairros de Nictheroy.

Observando-se a série histórica, a população residente do Centro vem diminuindo o seu percentual de participação na população total do Município: 7,01%, 5,67% e 4,96% nas décadas de 70, 80 e 91 – respectivamente. Hoje 5% da população da cidade residem no Centro.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Uma das características do Centro de Niterói é a existência, até nossos dias, de algumas edificações que datam do final do séc. XIX e coexistem com prédios novos, construídos sobretudo no pós-guerra. Herança dos primeiros planos urbanísticos, o Centro é dotado também de praças importantes como a do Rink, a da República e o Jardim São João.

O Rink, que já se chamou também Campo de Dona Helena e Largo da Memória, sediou as atividades político-administrativas da Província. O Jardim São João, onde foi construída a Igreja Matriz, era a sede religiosa. Já a Praça da República foi erguida para lembrar o fato histórico e os homens que por ela lutaram, sendo que nos anos setenta foi totalmente destruída e no seu lugar fincado o “esqueleto” de um prédio que permaneceu inacabado até o final da década de 80, quando foi implodido pelo Governo Estadual. A Praça da República foi reconstruída com a preocupação de se respeitar as suas características originais.

É ao redor da Praça da República que está um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Município constituído pelos prédios do Liceu “Nilo Peçanha”, da Câmara Municipal, da Polícia Civil, do Palácio da Justiça e da Biblioteca Pública Estadual. O conjunto é testemunho vivo da arquitetura do final do séc. XIX e as edificações são tombadas pelo Patrimônio Histórico.

O Centro continua desempenhando relevante papel como sede do Poder, tanto pela presença do Executivo municipal, do Legislativo, quanto do Forum e da igreja Matriz. Historicamente local de grande concentração comercial e de serviços, o Centro assistiu na década de 70 a migração de muitas lojas para outros bairros da cidade. Mas hoje em dia vive processo de rejuvenescimento comercial, com a instalação de shoppings centers. Assinala-se também a proliferação do comércio informal (ambulantes), consequência das dificuldades estruturais da economia brasileira.

No que se refere à vida financeira, o Centro ainda concentra a maior quantidade de agências bancárias e de casas de câmbio. A atividade, entre outras, contribui para o aumento da população flutuante, representada pelo grande número de pessoas procedentes do próprio Município e de municípios vizinhos, que circulam pelo Centro por ele ser ponto de passagem em direção ao Rio de Janeiro – através das barcas, aerobarcos e ônibus – e por ser a sede do novo terminal rodoviário que revolucionou e disciplinou o tráfego de veículos no Centro. A Praça Araribóia, fronteiriça a estação das Barcas, continua a ser um dos lugares mais movimentados de Niterói.

O Centro da cidade, em termos culturais, apresenta significativos equipamentos: o Teatro João Caetano e a Sala Carlos Couto, vários cinemas, além da Casa Norival de Freitas – esta em processo de restauração.

Um dos maiores problemas do bairro, a poluição do ar provocada pelo grande número de veículos em circulação, começou a melhorar assim que ficou pronto o Terminal Rodoviário João Goulart onde fazem ponto dezenas de linhas de ônibus, antes espalhados pelas ruas do Centro. Mas ainda restam problemas residuais a serem equacionados, dificuldades comuns a qualquer centro urbano movimentado.

As perspectivas para o futuro são otimistas. A revitalização urbana promovida pela Prefeitura de Niterói molda o novo Centro, onde empreendimentos imobiliários estão sendo lançados a todo momento, valorizando a região.

Continuar lendo Centro

Charitas

Limita-se com as águas da Baía de Guanabara, Piratininga (Morro da Viração), São Francisco e Jurujuba.

O bairro está na enseada de São Francisco, numa estreita faixa de terra compreendida entre a orla e o Morro da Viração. Sua paisagem natural já foi bastante modificada pela ação do homem, principalmente através dos desmatamentos, das edificações, extração mineral (pedreira) e do aterro, que diminuiu o espelho d’água. No entanto, este aterro aumentou a faixa de areia e possibilitou a construção de um calçadão e a duplicação da principal via do bairro.

Estendendo-se ao longo das avenidas Quintino Bocaiúva e Carlos Ermelindo Marins, que ligam São Francisco a Jurujuba, só recentemente Charitas construiu identidade própria. Antes designava-se Jurujuba toda a região a partir de São Francisco até a entrada da Baía.

Charitas, mesmo distante do núcleo inicial de povoamento da cidade, possui relevância na história do município, merecendo destaque:

1ª – As suas terras integraram a Sesmaria dos Jesuítas e nelas foi instalado o cemitério contíguo à Igreja de São Francisco Xavier. O nome do bairro, tem origem na palavra latina charitas, que significa caridade, grafada na igreja.

2ª – Em meados do séc. XVIII foi construída a sede da Fazenda Jurujuba. Esta propriedade foi doada por um dos seus donos para o Seminário São José, do Rio de Janeiro. O prédio é tombado pelo SPHAN e conhecido como Casarão.

3ª – Em 1853, após reforma e ampliação de um prédio já existente, foi inaugurado o Hospital Marítimo Santa Isabel. O sanitarista Francisco de Paula Cândido instalou e começou a dirigir a instituição. Em sua homenagem, não só o hospital mas todas as instalações que o lugar abrigou, passaram a se chamar Paula Cândido. O Hospital foi criado para abrigar e manter isolados doentes recolhidos nos navios que aportavam na Baía de Guanabara,1 portadores de varíola, febre amarela e cólera. Pecebia também doentes das redondezas e desempenhou importante papel devido as constantes epidemias até o início do século XX.

Posteriormente o hospital foi transformado em Preventório para abrigar crianças necessitadas de isolamento de contato tuberculoso. Nas suas dependências, mais tarde, foi estabelecida a Escola de Enfermagem e o Educandário Paula Cândido (FEEM).

4ª – Na década de 40, foi criado no bairro um campo de pouso para aviões monomotores, os Teco-Tecos. No Aeroclube de Niterói eram ministradas aulas de pilotagem e de lá se partia / chegava para pequenas viagens ou excursões aéreas.

5ª – A praia de Charitas, com suas águas calmas, era utilizada por famílias vindas de diferentes pontos da cidade e de outros municípios (muitos vinham de caminhão) para o lazer domingueiro. Piqueniques eram realizados à sombra das árvores existentes.

6ª – Em Charitas foram construídos outros dois hospitais: um psiquiátrico, conhecido como Hospital de Jurujuba; e o Hospital da Associação dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (ASPERJ).

A expansão urbana ocorrida em Niterói custou atingir Charitas. A tranquilidade do bairro só era interrompida por veículos que trafegavam em direção à Jurujuba, ou por eventuais explosões na pedreira até hoje explorada.

Com a crise econômica e o processo de metropolização, aparece em Charitas uma área de favelização ainda em crescimento, o Morro do Preventório.

Outrora existiu um viaduto que ligava a ponte de atracação diretamente ao Hospital.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Charitas hoje é um bairro com características bastante diversificadas.

O seu significativo crescimento demográfico, sobretudo nos anos 70, se fez com a construção de residências que vão de mansões a casas em favela. Há loteamentos legalizados e construções que não têm escritura definitiva, havendo inclusive áreas em disputa judicial.

Quase toda a face do bairro voltada para o mar é ocupada por quiosques, bares, restaurantes e outros estabelecimentos de lazer.

O Clube Naval, com suas edificações e barcos ancorados na marina, ocupa local onde antes existia pequena praia.

Diferentes equipamentos públicos são encontrados no local: Hospital Psiquiátrico, CIEP, Educandário Paula Cândido, Órgãos da UFF (Núcleo de Documentação, Laboratório de Geologia Marinha), uma Delegacia de Polícia, a Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Bombeiros e uma unidade do Médico de Família.

A intensidade e a diversificação da ocupação recente do bairro trouxeram para Charitas diferentes problemas. Eles vão da legalização da posse da terra a graves questões ambientais como desmatamento e comprometimento das encostas, carência de água potável e saneamento básico, o que contribui para a poluição das praias.

Apesar disso Charitas é um dos principais pontos turísticos e de lazer de Niterói. Seus bares, restaurantes e quiosques, as suas praias e as suas calçadas atraem cada vez mais, moradores de Niterói e de outros municípios, todos em busca de atividades de lazer e esportivas tipo caminhada, corrida, futebol, vôlei de praia, ciclismo, jetski, vôo livre e para-pente – atividades que dão ao bairro um colorido diferente.

Por sua localização geográfica, o bairro tende a sediar terminais rodoviários e hidroviários. Atualmente, várias linhas que se destinam ao Rio de Janeiro fazem ponto final no bairro.

Continuar lendo Charitas

Gragoatá

Gragoatá é um dos menores bairros de Niterói e o que apresenta menor número de habitantes, tendo como limites São Domingos e Boa Viagem, além das águas da Baía de Guanabara.

O seu território pertencia à Sesmaria dos Índios Temiminós – doada com o objetivo de fixá-los deste lado da baía, para que ajudassem na defesa do Rio de Janeiro contra possíveis invasões e na luta contra os Tamoios (aliados dos franceses). O fato demonstra a importância estratégica que a “Banda d’Além” tinha para a defesa do litoral fluminense e por isso mesmo, em Niterói, foram erguidas diferentes fortificações, entre elas o Forte Gragoatá.

O Forte Gragoatá, construído entre o final do século XVII e o início do século XVIII, é o principal monumento histórico do bairro. A origem do seu nome está ligada a uma planta bromeliácea denominada Gravatá, que foi abundante no local. O Forte Gragoatá também já se chamou, em diferentes épocas, São Domingos, Gravatá, Caracuatá e Caraguatá. Por sua posição, num recôndito da entrada da Baía de Guanabara, ele foi conservado sem regularidade, sendo artilhado e desartilhado de acordo com a ocasião. Na época do ataque do corsário Dugway-Tröin ao Rio de Janeiro (1711) estava desartilhado e não ofereceu resistência. Os seus dias de glória aconteceram durante a Revolta da Armada (1893) quando o Batalhão Acadêmico, um dos que se formou para defender Floriano Peixoto, resistiu atrás de suas muralhas aos bombardeios do cruzador Tamandaré e do encouraçado Aquidabã, ajudando Niterói a receber a denominação de Cidade Invicta. Em homenagem a este feito, formalmente passou a chamar-se Forte Batalhão Acadêmico.

Nos planos de arruamento de Niterói datados do século passado já se previa a construção de uma via que ligasse a Ponta D’Areia a São Francisco, pelo litoral. No entanto, só recente (década de 80) foi construída mudando totalmente a paisagem do lugar. O morro contíguo ao forte foi cortado e a praia do Fumo (ao lado da praia Vermelha), aterrada. Surgiu a atual Avenida Litorânea e no aterro foram construídos mais tarde os prédios da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O bairro é um quadrilátero de ruas (Passo da Pátria, Cel. Tamarindo, Av. Litorânea, Presidente Domiciano) que circundam o morro do Gragoatá. Nestas ruas coexistem edificações antigas e recentes, onde o padrão arquitetônico de alguns destes imóveis ainda existentes testemunham que residiram no bairro migrantes europeus. Na esquina das ruas Presidente Domiciano e Passo da Pátria, a Western Telegraph Co. Ltda possuia residência para seus funcionários solteiros conhecida como “Chácara dos Ingleses”. O mesmo prédio, depois, abrigou o Colégio Icarahy, o Serviço das Águas, a Faculdade de Engenharia e atualmente Faculdade de Arquitetura da UFF, que ainda está lá. Os estrangeiros também influenciaram na fundação, em 1895, do Grupo de Regatas Gragoatá, para a prática do remo.

Na década de 70 foi construído no Morro do Gragoatá o Hotel Praia Grande, uma tentativa de criar condições para o desenvolvimento do turismo em Niterói. Para mantê-lo funcionando o Governo do Estado do Rio de Janeiro, proprietário do hotel, o arrendou por duas vezes a diferentes empresas hoteleiras. Hoje o hotel está desativado e o prédio em completo estado de abandono.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta ocupação horizontal, com densidade demográfica de 731 hab/km²( com função predominantemente residencial, o Gragoatá é um agradável lugar para se morar.

O Forte Gragoatá, tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), abriga hoje o Comando da 12ª Brigada de Infantaria. Apesar das alterações nas edificações em seu interior, o Forte continua sendo um dos pontos turísticos mais bonitos de Niterói. É também intensa a afluência de pintores paisagistas ao local motivados pela deslumbrante vista que de lá se descortina.

Ao longo da calçada da Av. Litorânea, tendo o privilégio de desfrutar da beleza da paisagem, é freqüente a prática de caminhadas, corrida e principalmente pescaria.

A história do Gragoatá está intimamente ligada ao bairro de São Domingos, sendo na realidade um prolongamento deste. Os melhoramentos urbanos, como o arruamento e o cais, foram uma extensão das obras de São Domingos. Só posteriormente o Gragoatá passou a ser um nome mais conhecido, tanto é que o CIEP Geraldo Reis, localizado em São Domingos, é conhecido como CIEP Gragoatá e o Campus da UFF, no aterrado Praia Grande, também é chamado de Campus do Gragoatá, apesar da maior parte da área e dos prédios ficarem em São Domingos. Observa-se também uma tendência encontrada em São Domingos – o uso de prédios antigos por bares, consultórios, escolas e pensões.

Continuar lendo Gragoatá

Icaraí

A pA palavra Icarahy, em tupi-guarani, subdivide-se em I (água ou rio) e Carahy (sagrado ou bento). Icarahy significa água ou rio sagrado. É um bairro de função polarizadora, o mais populoso e com maior densidade demográfica no contexto municipal. Limita-se com Ingá, Morro do Estado, Centro, Santa Rosa, Vital Brasil, São Francisco e as águas da Baía de Guanabara. Ocupa aproximadamente 2 km² , o que representa 1,4% da área total do município. Tem uma população residente de 62.494 pessoas e densidade demográfica de 33.817 hab/Km².

A origem do bairro remonta à Freguesia de São João de Carahy, parte integrante da Sesmaria dos Índios, concedida a Araribóia em 1568.

Localizavam-se em sua área duas grandes fazendas conhecidas como a Fazenda de Icaraí, cujo dono era Estanislau Teixeira da Mata; e a Fazenda do Cavalão, do Tenente Coronel Antonio José Cardoso Ramalho. O escoamento da produção era feito por mar, através do porto de atracação de Carahy; e por terra, até a estrada do Calimbá, em direção à Praia Grande.

No séc. XIX a Freguesia integrou-se à recém criada Vila Real da Praia Grande. Nesta época, Icaraí ainda era um vasto areal que se estendia desde o mar até as proximidades da atual rua Santa Rosa. Areal coberto por pitangueiras, cajueiros, cactos e vegetação típica de restinga.

Parte das terras pertencia à Igreja. O mosteiro de São Bento adquiriu no ano de 1698 a área que hoje chamamos de Campo de São Bento, onde fora erigido o Outeiro de São João de Icaraí. Na época, a área era um enorme lodaçal devido a presença do rio Icaraí, atualmente canalizado.

Em 1834, com a criação do município neutro, Nictheroy torna-se capital provincial e é elevada à categoria de cidade. Ainda no séc. XIX, Icaraí recebe o seu primeiro plano de arruamento – iniciando-se efetivamente o seu povoamento. O Plano Taulois (1840-41) foi idealizado pelo engenheiro francês Pedro Taulois, no governo do Visconde de Uruguai. Consistia no traçado das ruas em forma de xadrez, ou seja uma malha viária octogonal, com início na praia e término nas proximidades da rua Santa Rosa.

A malha viária facilitou a expansão de Icaraí que passou a ser conhecida como “Cidade Nova da Praia de Icaraí”. Muitas dessas ruas só foram abertas depois de 1854 e receberam nomes de fatos históricos e de pessoas ilustres.

As ruas paralelas à praia receberam os nomes de Vera Cruz, Cabral, Souza, Mem de Sá e Estácio.

As perpendiculares foram denominadas: da Constituição, Independência, Aclamação, Sagração, Fundador, Regeneração, dos Legisladores, Cruzeiro, Estrelas, Reconhecimento/Adicional e Santa Bibiana.

Um dado histórico interessante da época foi a construção, em 1864, do asilo Santa Leopoldina que se instalou na antiga rua da Constituição. Nos primeiros anos do séc. XX (1903) o asilo deixou de pertencer ao Estado e passou para a Irmandade de São Vicente de Paulo, em terrenos doados pela viúva Angélica Maria Franco da Fonseca e que hoje representam extensa área do bairro.

A necessidade do arruamento de Icaraí fez desaparecer a bela estrutura rochosa em forma de arco existente na praia, a Itapuca original, dinamitada para dar lugar ao cais e a rua que ligaram o bairro ao Ingá. Deste período sobreviveram as formações rochosas que vemos ainda hoje neste trecho da praia.

A Pedra da Itapuca e também a Pedra do Índio, transformaram-se em símbolos histórico-paisagísticos não só do bairro, mas também de todo município. Reconhecidos desde a época do Império, foram utilizados como efígie nas cédulas de 200$000 (duzentos mil réis) e nos selos dos Correios e Telégrafos, em 1945.

Outro símbolo paisagístico com reconhecimento para além do bairro é o Campo de São Bento. O projeto, de autoria do engenheiro paisagista belga Arséne Puttemans, foi executado pelo prefeito Pereira Ferraz. O local, que já se chamou Parque Prefeito Ferraz, também foi utilizado para adestramento de tropas na época do Império.

No final do séc. XIX ficou concluída a obra do Jardim Icaraí, entre as ruas da Constituição e da Independência. Este jardim passou por sucessivas transformações no decorrer de sua história, sendo que no ano de 1940 recebeu o busto do Presidente Getúlio Vargas e passou a denominar-se Praça Getúlio Vargas.

Localizado em frente a Praça Getúlio Vargas, no ano de 1932 é inaugurado o Hotel Balneário Casino Icarahy – ocupando o palacete construído em 1916 por Eugen Urban. Este prédio, um dos mais bem planejados de Niterói segundo o padrão “Art Deco” em voga na época, foi demolido em 1939. Deu lugar ao edifício atual, inaugurado pela então primeira-dama Darcy Vargas. O Casino Icarahy funcionou até 30 de abril de 1946, data da proibição do jogo no Brasil. Fechado o cassino, o prédio foi vendido e passou funcionar como hotel-restaurante. Em 1952, depois de algumas reformas, surge o Teatro Cassino Icaraí. Na década de 60, funcionaram nele o Cine Grill e o Cine Cassino, nos espaços anteriormente ocupados pelo Grill-Room e pelo salão de jogos. Em 1964, o prédio passa a ser propriedade do Ministério da Educação e Cultura, vindo a abrigar a Reitoria da UFF a partir de 1967 – um dos mais importantes pólos culturais da cidade.

A praia de Icaraí era o grande atrativo da cidade. Em 1936-37 a Prefeitura, a imprensa e o Clube de Regatas Icaraí – construiram em concreto armado um trampolim no meio da praia projetado pelo Arquiteto Luis Fossati. O trampolim foi dinamitado no final da década de 60 por oferecer perigo aos banhistas.

No período pós-guerra, com o processo de industrialização pelo qual passava o país, o bairro viu crescer a demanda de habitações para a classe média. Houve na época uma migração intra-municipal sobretudo de moradores da Zona Norte da cidade; e migração intra-estadual, principalmente de São Gonçalo e municípios do Norte e Noroeste fluminenses.

A construção de edificações multifamiliares foi a solução adotada pelo capital imobiliário para atender a nova classe social imbuída do desejo de morar à beira-mar. O boom imobiliário atravessa décadas e teve como facilitador os financiamentos do Banco Nacional da Habitação (BNH), a partir do final da década de 60.

Na década de setenta, com a construção da Ponte Rio-Niterói, o bairro consolida-se como centro urbano polarizador e de grande importância para a cidade, com forte concentração de comércio, de serviços e de atividades de lazer.

O modelo de ocupação caracterizado pela contínua substituição de casas isoladas e de prédios de poucos pavimentos por outros prédios maiores e mais altos, intensifica-se sobretudo a partir da orla, onde o valor da terra atinge altas cifras, diminuindo a altura dos prédios e o valor dos imóveis à medida em que as quadras se interiorizam. Prédios luxuosos, de alto padrão construtivo, são erguidos na orla. E prédios de padrão médio e baixo são construídos no interior do bairro, expressando a segregação espacial da paisagem urbana.

A crise econômica dos anos oitenta, associada a super valorização dos preços dos terrenos, obriga as construtoras a se deslocarem para bairros próximos. Nesta época também cresce a ocupação das encostas e morros.

A beleza de Icaraí sempre serviu de inspiração para pintores, poetas e músicos ao longo da história do bairro. Por isso vale a pena lembrar – como síntese-homenagem – os versos da música Icaraí, do compositor Cilico, gravada pela cantora Beth Carvalho, no CD “Cilico e seus amigos”, recém lançado pelo selo Niterói Discos:

…”Icaraí,

Que vem desde a Itapuca

Até a subida da Fróes

Icaraí,

Os poetas já não fazem mais Nictheroy

Canto a beleza, lembro o Gentileza

Histórias de rir.

Quanta Saudade,

O meu peito invade do Petit Paris

Eu sei que o tempo não volta

Que o Trolley faz volta no Canto do Rio

E nas areias sereias olhando o Rio

Eu sei que o tempo não volta

E o Trolley faz volta no Canto do Rio

E nas areias, a melhor vista do Rio”.

Icaraí é o bairro mais povoado da cidade, com a maior densidade demográfica e o mais populoso com 62.494 habitantes, segundo o Censo de 91, o que representa quase 15% da população total da cidade.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro possui uma posição geográfica privilegiada, assentado sobre uma planície litorânea quaternária, entremeada por morros isolados e limitada pelo maciço costeiro. Suas encostas, sujeitas a erosões e deslizamentos, são objeto de estudo do Plano Diretor, Lei nº 1157 de 29/12/92, que aponta para a contenção e estabilização das mesmas. Destaca-se ainda o rio Icaraí que está canalizado e desemboca no canal Ary Parreiras, na rua do mesmo nome.

Icaraí apresentou um acelerado processo de adensamento demográfico, facilitado pelo predomínio de construções verticalizadas.

A característica de sua população quanto à estratificação social é bastante diversificada, materializando-se principalmente na sua distribuição espacial. Na orla os imóveis luxuosos são ocupados pela classes média e alta e, à medida que as quadras se interiorizam, os imóveis são mais simples e seus moradores de classe média. Relevante também é a presença de aglomerado subnormal (favela) nas encostas dos morros do Cavalão e da Cotia, ocupados por pessoas de baixa renda.

“O predomínio de edifícios de apartamentos esbarra em várias dificuldades e se beneficia de algumas facilidades comparada com a organização política em favelas ou na periferia do bairro. Uma das dificuldades encontradas está contida na própria arquitetura, pois os edifícios aproximam fisicamente os moradores, mas os isola socialmente, freando a mobilização. Outro óbice se refere ao patamar de reivindicação. Os moradores lutam para preservar padrões de vida já estabelecidos ou para elevá-los, e o móvel da mobilização passa freqüentemente pelo meio ambiente, segurança e uso do solo, enquanto nas favelas existentes no bairro, as lutas pautam-se em necessidades cruciais da sobrevivência imediata”. (Mizubuti, 1986:203)

Icaraí possui uma associação de moradores, a AMAI – filiada à Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT).

Bairro residencial com forte concentração de serviços, Icaraí aglutina atividades de comércio, prestação de serviços e do setor informal (ambulantes/camelôs). A distribuição espacial desses serviços concentra-se principalmente nas ruas Coronel Moreira César, Miguel de Frias, Presidente Backer, Pereira da Silva e Lopes Trovão. Lá são encontrados shoppings centers, galerias, lojas, restaurantes, bares e lanchonetes, entre outros. Na rua Gavião Peixoto está o coração financeiro do bairro, com grande concentração de agências bancárias, além de comércio expressivo.

O bairro é bem servido de infra-estrutura urbana: os domicílios são ligados à rede geral de abastecimento de água e ao sistema de esgoto sanitário. Embora este seja antigo, ainda atende a todo o bairro. O lixo é coletado regularmente, inclusive no horário noturno, e as enchentes diminuíram bastante devido a obras de drenagem realizadas recentemente. Estão localizadas em Icaraí colégios tradicionais como a Escola Estadual Joaquim Távora e o Jardim de Infância Julia Cortines, além de um mais recente, a Escola Estadual Paulo de Almeida Campos. O bairro conta ainda com importantes escolas da rede privada.

Icaraí é um centro polarizador em relação a outros bairros e também importante corredor de circulação (avenida Governador Roberto Silveira e Praia de Icaraí), tornando-se bem servido de transportes coletivos, de demandas inter e intramunicipal, e também é grande a circulação de veículos particulares nas suas ruas, o que ocasiona engarrafamentos na hora do “rush”.

Existem duas grandes áreas de lazer: o Campo de São Bento, com suas frondosas árvores e aprazível jardim, atraindo sobretudo crianças e adolescentes; e a Praia de Icaraí, com extensão de quase 2 Km, palco de uma diversidade de práticas desportivas desde as primeiras horas do dia até o final da noite. Toda iluminada e pavimentada, é um elemento de estreitamento das relações sociais, contribuindo também para a urbanidade do bairro. Vários eventos – como o tradicional reveillon, festejos e shows musicais – acontecem o ano inteiro na praia.

A sua vida cultural é uma das mais ricas da cidade, com a presença de cinemas, teatros, centros culturais, entre outros equipamentos.

Continuar lendo Icaraí

Ingá

O bairro do Ingá tem como limites o Centro, Icaraí, Boa Viagem, Morro do Estado e São Domingos, além das águas da Baía de Guanabara.

A área pertencia à Sesmaria dos Índios, mas os portugueses e seus descendentes nela se estabeleceram. Este processo, apesar das semelhanças, distingue-se do restante do município por algumas questões que lhe são próprias.

O Ingá é cercado de morros, formando um vale que se abre em direção ao mar, onde está a praia das Flechas. Originariamente, os morros eram cobertos de vegetação, com nascentes e córregos. Perto do litoral existiam charcos. Esses morros isolavam o Ingá dos outros pontos de Niterói, à exceção de São Domingos.

A ocupação e a urbanização do Ingá se fez inicialmente como um prolongamento de São Domingos. A partir do largo, acompanhando o sopé dos morros, caminhos se fizeram, em direção às fontes, chegando até a praia. Eram dois os caminhos que originaram as principais ruas do bairro: o do Ingá (Tiradentes) e o da Fonte (Presidente Pedreira). Esses caminhos, que atravessavam o Ingá no sentido Oeste-Leste, continuavam, em até Icaraí – o do Ingá, que subia o morro que o separa de Icaraí, onde hoje está a rua Fagundes Varela; e o outro – o da Fonte – que dobrava na altura da atual rua Nilo Peçanha. Os dois caminhos se interligavam por uma passagem onde foi aberta a rua Lara Vilela.

Ao longo desses dois caminhos, reconhecidos como ruas inclusive com seus nomes iniciais no Plano de Urbanização do século XIX, de 1840, o fracionamento das propriedades (desmembramentos por herdeiros, loteamentos, etc.) vai se dando ao longo do tempo, inclusive com o aparecimento de novas ruas.

Com a escolha de Niterói como capital da Província do Rio de Janeiro, o Governo provincial foi estabelecido no largo de São Domingos, no Palacete, e logo transferido para a rua da Fonte/Presidente Pedreira. Abrigar os presidentes, de Província e de Estado, e depois os governadores (de Estado), foi fato marcante não só para a intensificação da ocupação e urbanização do bairro, como também para o perfil de seus moradores.

A sede do governo foi chamada de Palácio do Ingá e funcionou, em tempos distintos, em dois locais no bairro. O primeiro numa propriedade do Barão de São Gonçalo, onde hoje funciona o Colégio Estadual Aurelino Leal e que foi sede do Governo até a transferência da capital para Petrópolis (1894). O segundo, quando a capital retornou a Niterói (início do século XX), numa propriedade que foi adquirida de um rico industrial português, permanecendo como sede do Governo estadual até a fusão dos Estados do Rio e Guanabara, quando Niterói deixou de ser capital.

No Ingá foram construídas belas e grandiosas residências desde o séc. XIX, residências que abrigavam figuras importantes da cidade e da Província/Estado, atraídas pelas condições do local: tranqüilidade, fontes, praia e, principalmente, por sediar o governo provincial e estadual.

A medida que esta ocupação se intensifica, novas ruas são traçadas, a praça e a igreja são construídas e o bairro assume um perfil independente de São Domingos. Em contraposição, os morros são cortados, desmatados e desaparecem as fontes de água.

Mais ruas são abertas interligando o Ingá diretamente com outros bairros. Para a construção destas foi preciso realizar grandes obras em períodos diferenciados, todas representando cortes nos morros que circundam o bairro:

– São as ruas Visconde Morais, Fagundes Varela, São Sebastião e João Caetano.

A mais significativa dessas obras foi a ligação pelo litoral entre o Ingá e Icaraí, pelas modificações drásticas que acarretou na paisagem natural: “Entre o Ingá e Icaraí não havia passagem porque se interpunha o morro que descambava no mar e onde escavaram as águas uma gruta de rara beleza, dando comunicação por um túnel natural, sobre um chão de seixos, daí o nome Itapuca” (*5) (Wers, p.184.1984). Tudo isso foi dinamitado em meados do século passado, restando hoje as pedras do Índio e de Itapuca – também muito bonitas, mas parte apenas do que lá já existiu. O material produzido pelo desmonte da Itapuca original foi utilizado para construção da muralha do cais e aterro respectivo, reduzindo sensivelmente a praia das Flechas.

A construção da praça e da igreja marcaram ainda mais a identidade do bairro. Em meados do séc. XIX, num terreno doado por um morador, foi demarcada a praça, que teve o seu ajardinamento concluído por volta de 1876, como testemunham suas centenárias árvores. A praça passou por várias reformas até os dias atuais. A Igreja de Nossa Senhora das Dores do Ingá foi inaugurada precariamente em 1885, passando posteriormente por obras e ampliações.

Em terreno próximo ao Palácio do Ingá, em 1912, foi criada a primeira Escola de Ensino Superior de Niterói, a Faculdade de Direito Teixeira de Freitas (hoje pertencente a UFF).

Outros estabelecimentos educacionais também se instalaram no bairro:

– A seção feminina do Colégio Bittencourt Silva. Mais tarde no seu prédio (com a construção de um anexo) foi instalada a Faculdade de Economia.

– A Escola Normal, depois Escola Profissional Fluminense Aurelino Leal, no prédio que abrigou o primeiro Palácio do Ingá. Neste prédio, à noite, funcionaram até 1966 diversos cursos da antiga Faculdade de Filosofia, inclusive os de História, de Geografia e de Ciências Sociais.

– O Colégio Batista e o Colégio Marília Matoso.

– A Escola de Serviço Social, que funcionou, por um tempo, em um prédio da esquina da rua Pereira Nunes.

A fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, com a transferência da capital para o Rio de Janeiro, a construção da Ponte Rio-Niterói e o boom imobiliário da década de 70 – são os principais geradores da atual feição do Ingá.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Até a década de 70, o poder político do antigo Estado do Rio de Janeiro tinha como principal endereço a rua Presidente Pedreira, no Ingá. Apesar da decadência econômica do antigo Estado do Rio afetar a sua capital, a proximidade com o poder manteve no Ingá um ar aristocrático, sobrevivente da época imperial. Mas este perfil não resistiu, contudo, à especulação imobiliária. Cada uma de suas antigas propriedades foi sendo derrubada para dar lugar a edifícios de apartamentos, restando nos dias de hoje apenas umas poucas construções remanescentes, testemunhas do passado.

Com o aumento de sua população – e também a de bairros como Icaraí, São Francisco e da Região Oceânica outras transformações viriam ocorrer no Ingá.

Cresceu significativamente o número de estabelecimentos comerciais. Hoje o Ingá abriga supermercados, sorveterias, armarinhos, vídeo-locadoras, farmácias, açougues, bares e hotéis. No campo da educação pública, além das escolas da UFF já citadas, o poder público implantou no Morro do Ingá uma unidade do Programa “Criança na Creche”.

O bairro é bem servido de transporte coletivo. Por suas ruas, por onde já circularam bondes e trolley-bus, hoje passam ônibus de várias linhas, inclusive intermunicipais. Suas ruas, principalmente a João Caetano, a Paulo Alves, a São Sebastião e a Fagundes Varela, estas duas últimas limítrofes com outros bairros, têm um trânsito intenso, apresentando engarrafamentos constantes nas horas de maior movimento.

Nos limites com a Boa Viagem encontramos o Morro do Ingá, conhecido também como Morro do Palácio. Nele existe uma área de favelização, onde os conflitos afloram, signatários da violência urbana.

No bairro há também prédios tombados ou em processo de tombamento. Significativos são: o do Museu Antônio Parreiras, propriedade onde viveu o mais importante pintor de Niterói; e o Palácio do Ingá, que abriga o Museu de Artes e Tradições Populares, o Museu do Estado do Rio e uma Escola de Artes, além do prédio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Niteroiense de Artes (Funiarte).

No litoral, em frente à praia das Flechas, praticamente desapareceu a convivência entre o passado e o presente encontrado em outros pontos. Sobrevive apenas o Jardim do Ingá e o Edifício Itapuca, o primeiro prédio de apartamentos com elevador de Niterói, construção da década de 30. Nada restou dos antigos casarões que abrigavam residências e até mesmo o Icarahy Palace Hotel e a Rádio Difusora Fluminense. Uma parede de concreto de prédios de alto padrão, construídos lado a lado, cortada pelas quatro ruas que atingem a praia, forma a nova face da praia das Flechas.

A praia das Flechas também teve a sua paisagem natural bastante alterada, tanto pelo aterro e construção do cais (rua e calçada) na ligação com Icaraí, quanto pelo corte no morro para a abertura da rua em direção à Boa Viagem. A praia diminuiu, tendo algumas grutas desaparecido. Apesar de toda essa transformação, a praia, com sua bela vista, continua sendo frequentada e os praticantes de caminhadas e corridas são presenças permanentes.

Continuar lendo Ingá

Jurujuba

Situado a Leste da entrada da Baía de Guanabara, o bairro de Jurujuba é uma península cercada pelas águas oceânicas e da própria baía, limitando-se por terra com Charitas, próximo ao cruzamento entre Avenida Carlos Ermelindo Marins e o caminho para o Forte Imbuí; e com Piratininga, pela linha de cumeada do Morro do Ourives.

Na área há o predomínio de morros, variando suas altitudes de 39m (Morro do Lazareto) a 263m (Morro do Macaco). Elevações que se estendem até a orla, muitas vezes sob a forma de escarpas rochosas que terminam abruptamente no mar, entremeadas de pequenas enseadas e praias. A parte plana é pouco significativa, à exceção da área conhecida como Várzea. Em algumas partes ainda existe cobertura vegetal.

A ocupação inicial do lugar, no período colonial, deu-se com a distribuição das terras a sesmeiros, registrando-se também a presença de jesuítas. Naqueles tempos foi significativa a extração de madeiras. Entretanto, a topografia e a localização de Jurujuba explicam a função desempenhada pelo lugar na história da cidade, destacando-se o estabelecimento de uma colônia de pescadores e a criação de um sistema de defesa para proteger a entrada da Baía de Guanabara das invasões que ocorreram a partir do séc. XVI.

O sistema de defesa é integrado pela Fortaleza de Santa Cruz e pelos Fortes Rio Branco, Imbuí e São Luís — este último conhecido como Forte do Pico, por estar localizado num platô na parte superior do Morro do Pico. Todo este sistema protegendo a entrada da Baía de Guanabara é de grande importância histórica e arquitetônica, destacando-se a Fortaleza de Santa Cruz. A origem da Fortaleza data de 1555, com a colocação de dois canhões por Villegaignon, que comandou a invasão francesa ao Rio de Janeiro. Com a expulsão dos franceses, os portugueses se preocuparam em ocupar o lugar e realizaram obras de ampliação, denominando-o de Bateria de Nossa Senhora da Guia. Ao longo dos anos, obras foram sendo realizadas dotando-o de novas instalações e armamentos, trazidos da Europa. Foram construídas casamatas, paiol, calabouço, a “Cova da Onça” (destinada a tortura de presos), a capela de Santa Bárbara e instalados canhões poderosos.

Em 1943 foi aberta a Estrada General Eurico Gaspar Dutra, em plena rocha granítica, permitindo acesso de veículos por Jurujuba, pois antes o local só era acessível por mar e por um estreito caminho na pedra. A Fortaleza, pelo seu isolamento, serviu como prisão em várias épocas da história e nela ficaram recolhidos nomes ilustres do cenário político brasileiro.

Hoje a Fortaleza e os canhões, tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, constituem locais de visitação pública, sendo importante pólo turístico da cidade.

As atividades pesqueiras, o aparecimento de restaurantes e clubes, a expansão da ocupação urbana com a favelização das últimas décadas, concorreram para a diversificação das características de Jurujuba.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A atual feição urbana é caracterizada por considerável ocupação de encostas, inclusive pela escassez de áreas planas. Nas partes baixas localizam-se as moradias mais antigas, cuja população ainda desenvolve atividades ligadas à pesca. Em outras áreas, parentes e descendentes próximos dos pescadores se instalaram. Alguns destes mantiveram-se fiéis à tradição, são pescadores; mas outros buscaram em outras atividades o seu sustento.

Algumas áreas de encostas encontram-se bastante adensadas, entre estas destacam-se os morros Salina, Peixe-Galo e Lazareto. Este deve a sua denominação a instalação em 1855 de um Lazareto num prédio então existente, em decorrência de um surto de cólera.

O bairro de Jurujuba apresenta uma densidade demográfica baixa, não possuindo indicativo de mudança desta tendência devido a grande área militar que ocupa o seu território, além das dificuldades de acesso e da falta de áreas planas.

A malha viária do bairro é constituída por uma única via de acesso, a Avenida Carlos Ermelindo Marins, que começa no bairro vizinho de Charitas e segue pela orla marítima até Jurujuba. A via apresenta trechos onde o tráfego exige bastante cautela, em função do estreitamento decorrente das características físicas da área. A Estrada General Eurico Gaspar Dutra também apresenta essas características, fazendo ligação entre a praia de Jurujuba e a Fortaleza de Santa Cruz, passando ainda pelas praias de Adão e Eva. O tráfego na estrada é intenso nos finais de semana, especialmente no Verão.

O transporte coletivo é explorado no bairro por uma única empresa de ônibus, que faz a ligação com o Centro. Em horários restritos há um prolongamento do percurso até a Fortaleza de Santa Cruz.

O comércio do bairro localiza-se, principalmente na Avenida Carlos E. Marins e está tradicionalmente representado por bares e restaurantes que ocupam, sobretudo, o trecho final desta avenida, junto à praia de Jurujuba. Em geral têm como especialidade frutos-do-mar, existindo estabelecimentos com mais de duas décadas de funcionamento, havendo também alguns traillers na praia de Jurujuba e na praia da Eva. Estes estabelecimentos atendem aos que procuram o local como opção de lazer. Também está sediado no bairro o Jurujuba Iate Clube

A colônia de pesca Z8 é servida por pequeno entreposto para carga e descarga de pescado, bem como a comercialização de produtos destinados às embarcações.

O declínio das atividades pesqueiras, provocado pela redução da quantidade e qualidade de peixes na Baía de Guanabara e pela falta de incentivos governamentais, tem reflexos não só nos aspectos sócio-econômico, mas também culturais, uma vez que se verifica um distanciamento cada vez maior entre a pesca e o cotidiano da população local.

Os equipamentos públicos de saúde do bairro são representados por um módulo do programa Médico de Família e uma unidade municipal de saúde. Na área educacional encontra-se em funcionamento uma Creche Comunitária e um colégio estadual que atende da pré-escola ao 2º grau, oferecendo também ensino noturno. O bairro apresenta alguns problemas ambientais devido a ocupação de suas encostas, as indústrias aí instaladas e à precariedade dos serviços de infra-estrutura básica.

FESTA DE SÃO PEDRO

Além da sua bela enseada, Jurujuba, que em língua nativa significa “papagaio amarelo”, apresenta como atrativo a tradicional Festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, no dia 29 de junho. Realizada anualmente há várias décadas, hoje a festa conta, entre outras atividades, com a ornamentação do andor pela comunidade, com uma alvorada festiva, com uma missa e com uma procissão marítima.

Durante o período de comemorações realiza-se grande quermesse em que ocorrem leilões, shows artísticos, dança de quadrilhas, brincadeiras e jogos. As diversas barracas comercializam variadas comidas típicas, doces e bebidas. No encerramento, sempre há grande queima de fogos.

Continuar lendo Jurujuba

Morro do Estado

O Morro do Estado, um prolongamento natural do Centro, tornou-se bairro em 1986 pela lei 4.895 de 08/11/86. Situado entre o Ingá, Icaraí e o Centro, é uma das maiores favelas da cidade em número de habitantes e em densidade demográfica. É um bairro que possui características que o distingue dos demais: a sua ocupação caracteriza-se pela forte segregação espacial em relação aos dos bairros vizinhos.

O Morro do Estado cresceu principalmente, pós-guerra dentro do processo de urbanização e metropolização da cidade, conseqüência também do caráter excludente do modelo econômico concentrador de renda acentuado no país a partir dos anos 70; da crise habitacional; do alto custo de vida; das deficiências do transporte coletivo; do desemprego e da migrações inter e intra-regionais, sobretudo do Nordeste brasileiro.

A história da ocupação da área relatada por moradores mais antigos reportam a permissões de uso da terra concedidas pelo poder público ou por proprietários privados. A medida que essa forma de assentamento alternativo foi se cristalizando, os “barracos” de madeira foram substituídos por casas de alvenaria com arquitetura própria (tendo a laje como cobertura e sem revestimento) e espacialmente desordenada. Seu crescimento se manifestou da parte baixa para a parte alta e das bordas para o interior do morro. Atualmente já encontramos alguns domicílios (vide tabela VI) sob a forma de apartamentos, distinguindo-se do aglomerado subnormal.

Os anos setenta foram o período de maior incremento, principalmente em virtude da entrada de novos migrantes que procediam do próprio Estado do Rio de Janeiro. Hoje existe uma divisão social do espaço: os moradores mais antigos, geralmente de procedência nordestina, se concentram principalmente na parte voltada para a rua Padre Anchieta e arredores, onde os domicílios possuem melhor estrutura, enquanto os mais recentes ocupam as demais áreas.

Existe complexa teia de organização e normas no Morro do Estado responsável pela criação da escola de samba, do bloco carnavalesco, da associação de moradores, do conselho comunitário e de outras formas de agrupamentos sociais.

Segundo os resultados dos últimos censos, a população entre 1970 e 1980 duplicou, com uma taxa média de crescimento anual de 7,47%, sendo o bairro de maior crescimento do município. Já no período posterior de 1980 a 1991, o bairro passou por um processo de desaceleração e veio a apresentar taxa negativa, sendo o penúltimo em crescimento demográfico no contexto municipal. Tal fato deve-se principalmente a adequação de setores censitários para atender aos novos limites da lei de abairramentos (1986), o que prejudicou a análise das séries históricas.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Morro do Estado apresenta-se hoje com um casario típico de favela apesar da substituição da madeira pela alvenaria. O acesso principal está pavimentado até o alto do morro onde funciona uma praça de esportes, ponto de encontro da comunidade.

A comunidade local dispõe de uma unidade de saúde e de duas escolas, sendo uma para crianças do pré-escolar e a outra que atende até a 4ª série. Já o comércio é bastante incipiente, resumindo-se a “biroscas”.

A Associação de Moradores é uma das mais antigas do município, integra a FAMNIT desde 1983 e tem atravessado períodos de maior mobilização ou refluxo – dependendo da conduta de seus líderes em relação aos governos.

A possibilidade de expansão demográfica é pequena devido à falta de espaço territorial e dificuldade de realizar obras nas moradias já existentes.

Apesar do avanço dos últimos anos na direção da garantia dos direitos de cidadania dos moradores do Morro do Estado, ainda persistem problemas como o dos transportes coletivos. Outra questão apontada é o recrudescimento da violência urbana.

O que está apontado para o futuro é a melhoria das condições locais, tanto pela decisão da Prefeitura de aperfeiçoar os serviços de limpeza urbana associando-os à educação ambiental, quanto pela presença de organismos internacionais alocando recursos financeiros para acelerar a urbanização da área.

Continuar lendo Morro do Estado

Ponta D’areia

Localizado na Península da Armação, a Ponta D’Areia, por sua posição geográfica, encontra-se diretamente relacionada às águas da Baía de Guanabara, tendo com o continente apenas as áreas limítrofes com os bairros do Centro e de Santana.

A Península da Armação, desde os primórdios da colonização, contribuiu de maneira relevante para a economia nacional. O local é citado no livro de Jorge Caldeira sobre Irineu Evangelista de Souza, Barão e depois Visconde de Mauá, e foi mencionado também por Barbosa Lima Sobrinho em recente artigo no “Jornal do Brasil”: …nas oficinas da Ponta de Areia…. O futuro Visconde de Mauá dera um grande alento à indústria de construção naval brasileira”.

O nome Armação está relacionado à pesca (“armar” os barcos) e ao esquartejamento de baleias, já que a península foi importante porto baleeiro. A vocação industrial veio depois, e com as oficinas de material bélico da Marinha e estaleiros.

Após as obras de urbanização da Vila Real, ordenaram-se os acessos à Armação e Ponta D’Areia, agilizando a ligação com o Centro da cidade.

No século passado, em estaleiro que ali funcionava, construíram-se barcos a vapor, caldeiras e peças fundidas em ferro. Posteriormente, na época de Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde de Mauá, a indústria diversificou-se e passou a produzir vários equipamentos, alguns incluídos no Catálogo de Produtos Industriais da Exposição Nacional de 1861 e mais tarde enviados à Exposição Universal, em Londres. Mauá, um empreendedor, chegou a empregar centenas de operários em suas instalações que construiram vários navios, entre eles o “Marquês de Olinda”. Com a mudança da política econômica que facilitou a entrada de produtos estrangeiros, veio a falência. Mauá, precursor da industrialização brasileira, é homenageado com nome de rua e do estaleiro sediado na Ponta D’Areia.

Outra empresa que marcou época na economia fluminense, estabelecida também na Ponta D’Areia, foi a Companhia de Comércio e Navegação, de Pereira Carneiro e Cia. Ltda. Possuidora de importante frota de cabotagem e de grandes armazéns gerais, também negociava com sal. Foi desta companhia o dique Lahmeyer, o mais sólido do mundo por ter sido cavado em rocha e que durante muito tempo foi o maior da América do Sul. O dique era usado para manutenção da frota própria e também atendia a outras empresas. O Conde Pereira Carneiro, principal acionista da Companhia de Comércio e Navegação, também construiu a vila que leva o seu nome, existente até hoje. A vila operária foi criada com fins sociais – casas higiênicas(*1) com aluguel módico, escola e até uma capela – para os empregados da empresa. Atualmente a “vila” está incorporada ao patrimônio arquitetônico da cidade.

Em 1893 a Ponta da Armação entrou definitivamente para a história nacional quando tropas amotinadas contra o governo do Presidente Floriano Peixoto, comandadas por Custódio de Melo, apoderam-se de toda munição existente no então Laboratório Pirotécnico da Marinha – que lá funcionava. Apesar do revés inicial, tropas fiéis ao Presidente resistiram em vários pontos da cidade até a vitória. Niterói passou a ser denominada “Cidade Invicta” por alguns historiadores.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A população da Ponta D’Areia, na sua maioria, tem origem operária, tradicionalmente ligada às indústrias locais e de ilhas próximas, vinculada à construção naval já que o bairro é pioneiro, no Brasil, neste ramo de atividade. Constituída de migrantes, em boa parte oriundos de Portugal, o bairro também conhecido como “Portugal Pequeno”.

Sobre a indústria naval é importante ressaltar que Niterói já teve neste ramo industrial sua máxima expressão, apesar da decadência atual do setor.

As residências da Ponta D’Areia apresentam padrão construtivo predominante do tipo médio degradado, com espacialização horizontal. Especialmente na Vila Pereira Carneiro, outrora núcleo residencial dos operários navais e que hoje abriga uma população de classe média, nota-se a presença de casas de padrão mais elevado. Há de se assinalar um núcleo de população de baixa renda no chamado Morro da Penha.

O comércio de primeira necessidade localiza-se na entrada da Vila Pereira Carneiro (açougue, supermercado, padaria, etc) e o especializado em produtos náuticos e oficinas afins, nas ruas que margeiam a Baía de Guanabara – especialmente a Miguel Lemos e a Barão de Mauá. Merece registro especial o Mercado São Pedro – especializado na comercialização de peixes e crustáceos – de grande dimensão e que atrai clientes até de municípios vizinhos.

A presença de estaleiros é uma constante ainda hoje na Ponte D’Areia. Encontram-se em atividade lá os estaleiros Mauá, Mac-Laren e Cruzeiro do Sul, este pertencente ao Governo do Estado – responsável pela manutenção das barcas da Conerj, que interligam Niterói ao Rio e vice-versa.

No campo educacional, no setor público, há uma escola de primeiro grau e uma pré-escola gerenciadas pelo Município. As principais vias do bairro encontram-se em situação satisfatória e nelas trafegam linhas regulares de ônibus.

Na Ponta da Armação, além de um conjunto residencial da Marinha, encontram-se situadas as instalações da Diretoria de Hidrografia e Navegação (D.H.N.), órgão responsável pela elaboração de cartas náuticas.

Por se tratar de um bairro de ocupação antiga, já cristalizada, com uma topografia de morros e declives, as perspectivas de expansão são limitadas.

Continuar lendo Ponta D’areia

Santa Rosa

Limitando-se com Icaraí, Fátima, Pé Pequeno, Cubango, Ititioca, Viradouro, Vital Brasil e até com São Francisco pelo Morro do Souza Soares, Santa Rosa possui extensão considerável para um bairro da Região das Praias da Baía, sendo importante ponto de passagem para outras áreas de Niterói.

De ocupação antiga, Santa Rosa deve a sua denominação à antiga Fazenda Santa Rosa (séc. XVIII) que dominava vasto território. A sua história confunde-se com a de Icaraí, sendo na verdade uma expansão deste bairro. O crescimento e desenvolvimento de Santa Rosa/Icaraí é resultante de um modelo de urbanização no qual foram privilegiadas áreas preferenciais de ocupação, geralmente locais mais próximos ao centro urbano, ao litoral, ou mesmo, de mais fácil acesso (um vale ou planície, por exemplo). Desse modo, o que se viu após a partilha das fazendas que dominavam a região, foi uma ocupação primeiramente concentrada ao longo da praia de Icaraí, expandindo-se em seguida para o interior próximo, em direção a Santa Rosa.

No século passado, a paisagem do bairro ainda era muito exuberante. Nesse período, o bairro viu passar por suas estradas, tropas de mulas vindas do interior que desciam dos caminhos do Viradouro, Atalaia e Cubango em direção ao Centro. As suas principais vias, na época, eram a rua Santa Rosa e a estrada do Calimbá (atual Dr. Paulo Cesar). Diversas chácaras surgiram da partilha da Fazenda Santa Rosa e para elas foram atraídas famílias de poder econômico mais elevado. Viveram no bairro expoentes ilustres da história de Niterói e da antiga Província do Rio de Janeiro.

Com o retalhamento e loteamento de algumas chácaras, e o aterro de áreas alagáveis e capinzais, abriram-se novas ruas, facilitando o prolongamento das vias que partiam de Icaraí.

No ano de 1883, com a fundação do Colégio Salesiano, o bairro tornou-se mais conhecido ainda. Ao lado do Colégio instalou-se a Basílica e, nas proximidades, no alto do Morro do Atalaia, o Monumento a Nossa Senhora Auxiliadora, inaugurado em 1900. Atualmente encontra-se instalado na Basílica um órgão de 11.130 tubos, o maior da América Latina.

No final do século passado e início deste, aconteceram importantes melhorias no bairro. Diversas ruas foram saneadas, calçadas e iluminadas, sendo servidas por linhas de bondes de tração animal e, mais tarde, de bondes elétricos.

O crescimento recente de Santa Rosa seguiu os mesmos padrões de Icaraí. Já muito populosos, os dois bairros viram a substituição progressiva de suas casas por edifícios de apartamentos. Este intenso processo de especulação teve seu auge nas décadas de 60 e 70, com os apartamentos financiados pelo BNH. O boom imobiliário tem reflexos até os dias atuais. A construção da Ponte Rio-Niterói intensificou a verticalização imobiliária em terras fluminenses, devido ao estrangulamento da cidade do Rio de Janeiro e da metropolização de Niterói.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Santa Rosa apresenta características de um bairro residencial de classe média, dispondo de uma rede de serviços satisfatória e de um comércio diversificado, localizado sobretudo nas suas principais vias de circulação – as ruas Santa Rosa, Dr. Paulo Cesar e Noronha Torrezão; e também no Largo do Marrão. As demais ruas apresentam-se mais tranqüilas, com menor volume de circulação. Entre os estabelecimentos comerciais do bairro destacam-se: mercados, lojas de materiais de construção e reparos, concessionárias de automóveis, padarias, farmácias e bares, entre outros.

Com relação ao transporte coletivo, há diversas linhas que servem ao bairro, cujos ônibus trafegam em boa parte de suas ruas, não havendo grandes reclamações por parte dos moradores.

Merece destaque o grande número de escolas existentes, sejam públicas ou privadas, atendendo aos estudantes do 1º e 2º graus, não só do bairro, mas também de todo o município e até de municípios vizinhos. Também localiza-se em Santa Rosa uma unidade da UFF, a Faculdade de Farmácia.

Devido a sua ocupação antiga e por situar-se numa das áreas mais valorizadas de Niterói, o bairro apresenta boa infra-estrutura urbana, sendo suas vias pavimentadas e bem conservadas. Não há problemas graves de abastecimento de água, de energia elétrica e de coleta de lixo.

O Complexo do Caio Martins constitui uma importante fonte de lazer não só para o bairro, como também a nível municipal e estadual. O Estádio Caio Martins tem sido palco, nos últimos tempos, de jogos dos campeonatos estadual e brasileiro de futebol. O complexo dispõe ainda de um ginásio poliesportivo coberto e de uma piscina de dimensões olímpicas (a única de Niterói).

Os tradicionais colégios do bairro também dispõem de uma importante estrutura desportiva, contando com piscinas e ginásios cobertos, nos quais são programadas diversas competições, sendo algumas de nível nacional.

A vida cultural de Santa Rosa também é significativa. Destacam-se os teatros do Instituto Abel e da Associação Médica Fluminense, e as bandas colegiais do Abel e do Salesianos.

Continuar lendo Santa Rosa

São Domingos

Os limites de São Domingos são as águas da Baía de Guanabara e os bairros do Centro, Ingá, Boa Viagem e Gragoatá, com os quais se confunde pelos fatos marcantes de sua história.

Sua área total é das menores (0,69Km²), comparada a de outros bairros do município, mesmo com o grande acréscimo do aterro em seu litoral. Sua paisagem natural está praticamente destruída, nada restando da vegetação e das praias que proporcionavam um clima agradável e que tanto encantaram e atraíram os que para cá (Banda d’Além)vieram a passeio, curar suas enfermidades, morar e se estabelecer; ou que conheceram de passagem, em direção a outros locais.

São Domingos é um dos bairros mais antigos de Niterói e nele aconteceram fatos significativos, que marcaram a história da cidade. Caminhando pelas suas ruas, observando edificações e praças, fica evidente a convivência e o contraste entre o passado e o presente.

Área pertencente à Sesmaria dos Índios, foi ocupada de forma semelhante a outros locais da cidade. Nela, o colonizador português nela se estabeleceu, chegando a existir no local propriedade agrícola com plantação de cana-de-açúcar e um engenho, além de uma capela, a atual Igreja de São Domingos.

A sua localização, ponto próximo da cidade do Rio de Janeiro e suas características geográficas naturais – as praias tranqüilas, a pequena planície entre os morros e o mar – favoreceram a ocupação e o aparecimento de um povoado em torno do largo de São Domingos, ainda no período colonial. Alguns fatos contribuiram para esta ocupação: o porto de atracação e a visita de D. João VI.

O principal meio de transporte e comunicação entre os diferentes locais era o marítimo. No litoral da Baía de Guanabara existiam diversas pontes de atracação. Do lado de cá existiam pontes de São Domingos a Guaxindiba (São Gonçalo), de onde partiam os caminhos que conduziam ao interior.

Em 1816, D. João VI acompanhado por outros membros da Corte, passou uma temporada em São Domingos. Para melhor abrigá-lo, um rico comerciante de escravos, proprietário de vários imóveis, presenteou o monarca com um casarão de três andares que passou a ser chamado de Palacete – no largo de São Domingos.

Esta visita de D. João VI foi um fato marcante para o desenvolvimento de Niterói, facilitando o processo de elevação do povoado à condição de Vila Real. O Alvará Régio estabelecia que a sede da Vila deveria ser erguida “no lugar chamado de São Domingos da Praia Grande”. Em virtude do acanhado espaço do largo de São Domingos para erigir o Pelourinho (símbolo da autonomia), a Casa da Câmara e a Cadeia, a sede da Vila foi deslocada para outro local, o antigo Campo de Dona Helena, na parte voltada para a rua da Conceição.

Mesmo não tendo sido escolhido como sede da Vila, por todo o séc. XIX e início do séc. XX, São Domingos continuou sendo um dos locais de maior significação da cidade de Niterói. Alguns fatos merecem ser destacados:

1º) Os caminhos naturais por entre os morros do bairro têm seus antigos nomes referendados nos primeiros planos de urbanização da cidade (no início do séc. XIX) sendo gradativamente arruados, pavimentados e iluminados, inicialmente a óleo de baleia. A estes foram acrescidos novos caminhos, destacando-se a extensão da rua da Praia (Visconde do Rio Branco) ao longo do litoral, com o corte de morros, derrubada de imóveis, o arruamento e construção do cais, que permitiram e facilitaram o deslocamento de pessoas e mercadorias. Transitavam também os bondes de tração animal e depois elétrica, nas suas rotas em direção ao Centro, Ingá, Icaraí, etc.

2º) Com a criação do Município Neutro, Niterói passou a ser a nova capital da Província do Rio de Janeiro (1835). O lugar escolhido para abrigar os primeiros presidentes da Província foi o antigo Palacete.

3º) Em torno do largo de São Domingos, atual praça Leoni Ramos, prédios residenciais foram construídos, abrigando o endereço de diversos nomes ilustres da Província. Também no bairro, considerado um subúrbio do Centro no século passado, estabeleceram-se negócios como armazéns de secos e molhados, farmácias – com médicos e armarinhos; colégios, hospital, hotéis e pensões, gráficas e outros.

4º) A regularização das comunicações entre o Rio e Niterói, necessária pelo grande movimento de passageiros e mercadorias, passou a existir através da concessão do serviço de navegação a particulares que recorreram a barcos a vapor. Esses vapores atracavam para embarque e desembarque na Praia Grande e em São Domingos. As embarcações e os bondes funcionavam com horários sincronizados, para melhor atendimento aos usuários. Em São Domingos, a Companhia Cantareira possuia um estaleiro para reparos, em embarcações.

5º)Já possuidor de feição residencial, companhias estrangeiras (inglesas e alemães) estabelecidas no Rio de Janeiro escolheram São Domingos e os atuais bairros vizinhos como local de moradia de seus funcionários. Os estrangeiros introduziram novas práticas esportivas ligadas ao mar, especialmente o remo e a vela. Eles foram responsáveis pelo aparecimento de clubes como o Audax (remo) e o Iate Clube Brasileiro, o primeiro clube de vela do Brasil.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Com a expansão urbana em direção a outros pontos, principalmente à chamada “zona sul”, ocorreu uma certa estagnação no bairro, que atualmente apresenta sinais de reversão.

Alguns anos atrás passeando por São Domingos, a sensação que se tinha era de um lugar ainda agradável mas parado no tempo, que não acompanhara a evolução que havia atingido o restante da cidade. Prédios antigos mal conservados e em ruínas, alguns transformados em cortiços; o estaleiro desativado e abandonado, a praça sem vida e precisando de conservação. O bonde, retirado de circulação, também já não passava mais por São Domingos.

A área do bairro mais próxima ao Centro e ao Ingá foi ocupada mais intensamente: casas e novos prédios começaram a surgir. As faculdades de Medicina(na rua Hernani Melo)(e Odontologia (no Valonguinho) são implantadas, bem como o Instituto Anatômico, no morro São João Batista, antecipando o futuro que viria caracterizar o bairro como sede de equipamentos de caráter sócio-educativo. Também foi construído o Grupo Escolar Getúlio Vargas, onde veio a funcionar o Instituto de Educação de Niterói, depois denominado Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho – reformado e ampliado para atendimento de novas exigências educacionais.

Em relação às atividades esportivas, destaca-se também a criação do Canto do Rio Foot Ball Club, importante agremiação desportiva e social da cidade.

Na década de 70 uma obra prevista nos planos de urbanização é executada parcialmente, mudando inteiramente o litoral do bairro: é o Aterro da Praia Grande. Desaparecem o antigo cais, as pontes de atracação (as barcas há muito tempo não paravam em São Domingos) e as praias. Com a obra, montes de pedras e terra impediam que se avistassem as agora distantes águas da baía. Só nos anos 80 e 90 foi ativada a ocupação e urbanização das terras ganhas ao mar. Uma grande área é cedida a Universidade Federal Fluminense (UFF) e novos prédios da universidade são erguidos no aterrado, no Valonguinho e no morro de São João Batista. É construída a Praça de Eventos de São Domingos, com a Concha Acústica.

Todo esse processo de ocupação deixa evidente quatro áreas no bairro:

1ª) Em torno do largo de São Domingos. Casarões e antigos estabelecimentos são transformados em bares, restaurantes e livraria, tornando-se opção de lazer para boêmios e intelectuais, turistas, professores, funcionários e alunos da Universidade. Nesta área também funcionam tradicionais instituições de ensino.

2ª) A parte interior do bairro, mais residencial. Nesta área é expressiva a presença de uma das mais belas residências da cidade – o Solar do Jambeiro – exemplar excepcionalmente representativo da arquitetura urbana da segunda metade do século XIX, tombado pelo SPHAN em 1974, como meio de garantir a sua preservação.

3ª) A área mais próxima ao Centro. Além do Valonguinho, que abriga diversos setores da UFF, podem ser observados nesta área diferentes estabelecimentos comerciais, principalmente ao longo da rua Visconde do Rio Branco.

4ª) O aterrado, a área mais nova. Compreende além do campus da UFF, o CIEP Geraldo Reis e a Praça de Eventos. Nesta área observamos ainda a fachada remanescente do antigo prédio dos estaleiros da Cia. Cantareira e Viação Fluminense. Fachada de inegável valor histórico onde será erguida a Estação Livre da Cantareira, iniciativa da Prefeitura, que se propõe a ser um shopping cultural.

O bairro de São Domingos, juntamente com Gragoatá e Boa Viagem, forma uma Área de Preservação Ambiental e Urbana ( APAU)(*10) – definida como tal pelo Plano Diretor da cidade, transformado em lei que foi promulgada em dezembro de 1992.

Para as APAUs já foram produzidos três decretos e uma lei que determina, por exemplo, as condições de ocupação e uso do solo; regulamenta a colocação de letreiro, cartazes e anúncios; bem como prevê a concessão de incentivos fiscais para conservação e manutenção dos imóveis de interesse histórico ou arquitetônico.

Continuar lendo São Domingos

São Francisco

As primeiras referências encontradas na literatura e nas cartas geográficas sobre o bairro de São Francisco datam do séc. XVII e dizem respeito à capela de São Francisco Xavier.

A pesca na enseada, farta e de grande variedade, sempre foi importante meio de sustento tanto para os indígenas, ocupantes originais do bairro, quanto para os portugueses — que os sucederam. A enseada (Saco) de São Francisco pode ser observada na Carta Topográfica de 1833, onde encontra-se assinalada também a localização da estrada que cortava Icaraí e subia o Morro do Cavalão.

Posteriormente, em 1836, um croqui a lápis mostrava a continuação dessa estrada que seguia próxima a praia do Saco e atravessava a foz do rio Santo Antônio, ponto conhecido até poucas décadas atrás como Boca do Rio. O Santo Antônio corre hoje no centro da Avenida Presidente Roosevelt — canalizado — em toda a sua extensão. Nesse croqui também é assinalada a presença de outro rio, o Tabuatá ou Taubaté, hoje, também canalizado, cuja foz desembocava ao lado do Marco das Terras dos Jesuítas.

Esta estrada que vinha de Icaraí, através do Morro do Cavalão, bifurcava-se: parte seguia para o interior, rumo Leste, atravessando a Fazenda de São Francisco Xavier e o Morro da Viração até a descida, quase abrupta, em Piratininga. A outra parte contornava a base do morro da velha capela de São Francisco Xavier e atingia a praia de Charitas.

Quem precisasse ir de Icaraí a São Francisco, naqueles tempos remotos, certamente preferia fazê-lo por mar. A estrada então existente era precária e utilizá-la implicava em riscos diversos. Sendo, do ponto de vista da formação do relevo, um grande vale, o bairro de São Francisco teve as suas terras inicialmente ocupadas pelos jesuítas. Através de escravos eles extraíam madeira da floresta e a embarcavam para a sede da congregação, no Rio de Janeiro. Com a expulsão dos Jesuítas, a fazenda onde estavam instalados foi desmembrada e um dos novos proprietários das terras daí surgidas foi a família Menezes Fróes. A Estrada Fróes, custeada pelo major Luis José de Menezes Fróes, foi construída para facilitar o escoamento da produção da fazenda no Saco de São Francisco. A estrada significou nova e importante ligação com Icaraí.

Posteriormente a área foi parcelada em aproximadamente seis grandes loteamentos, sendo que o maior deles chegou a ter em torno de 1.500 lotes e chamava-se Fabio Estephanea.

Por volta de 1940, São Francisco era pouco habitado, com uma paisagem típica de restinga e vegetação abundante nas encostas. Os bondes elétricos, por esta época, alcançavam o bairro através da estrada Fróes. O Lido, restaurante e hotel, era o local preferido pelos moradores do bairro e também pelos niteroienses amantes de sossego e de bom papo, nos momentos de descontração e lazer.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Local privilegiado de moradia, o bairro de São Francisco com suas residências unifamiliares, quase sempre com quintais, apresenta uma configuração urbana não encontrada em outros bairros do município.
Suas ruas são paralelas e perpendiculares a dois eixos principais: a Avenida Rui Barbosa, também conhecida como Estrada da Cachoeira e a Avenida Presidente Roosevelt, a rua do Canal. O comércio está circunscrito à Avenida Rui Barbosa, apresentando-se variado no atendimento às primeiras necessidades. As casas noturnas — bares, restaurantes e boates — concentram-se na Avenida Quintino Bocayuva, ou seja, na orla marítima.

O bairro possui uma agência bancária e um caixa eletrônico que funciona 24 horas. Quanto ao setor educacional, algumas escolas, creches e jardins de infância particulares de renome aí estão sediadas, contando também com uma grande escola pública estadual.

A maternidade existente no bairro é particular, prestando serviços hospitalares a entidades conveniadas.

Os coletivos que atendem ao bairro circulam pela Avenida Rui Barbosa (linha 32 — Cachoeiras/Centro) ou através da Avenida Presidente Roosevelt, com linhas que se dirigem a outros bairros, especialmente da Região Oceânica: linhas 37 (Largo da Batalha), 38 (Itaipu), 46 (Várzea das Moças) e 48 (Rio do Ouro). Essa avenida é um importante corredor viário da cidade. A linha 17 serve especificamente ao bairro, trafegando pela orla marítima. Existem ainda alguns ônibus que se dirigem ao município do Rio de Janeiro e que também servem ao bairro: Gávea, Galeão, Penha, Madureira, Centro. Também passam pela praia de São Francisco linhas de ônibus que se dirigem a outros bairros do município: a 62 (Fonseca) e a 33 (Jurujuba).

Quanto ao lazer, com uma enseada privilegiada, o bairro é intensamente procurado para práticas náuticas, principalmente vela e motonáutica, contando com vários clubes especializados nessas modalidades esportivas, ao longo da Estrada Fróes, principalmente.

Entre os clubes, todos de boa categoria citaremos o Iate Clube Brasileiro por ser um dos mais antigos clubes de iatismo do Brasil. Na praia de São Francisco, em suas areias e no calçadão, existe consagradamente a prática de vários esportes não só pelos moradores do bairro como também pelos aficcionados de outros locais. Também exerce atração o Clube Hípico, entidade localizada nos limites do bairro, porém de abrangência mais ampla, utilizado pelos praticantes não só do hipismo, como também do tênis e do futebol.

Os acessos atuais mais usados atravessam dois túneis cavados no Morro do Cavalão,criados como alternativa a estrada Fróes.

Ainda como local de lazer, há de se assinalar a presença do Parque da Cidade, situado na parte mais alta do Morro da Viração, entre os bairros de São Francisco, Charitas, Piratininga e Maceió. O parque tem um mirante a 260 metros de altitude e reúne algumas ruínas que, especula-se, fizeram parte de um posto de guarda português construído por volta do séc. XVI. Sua beleza cênica, as rampas de vôo-livre, as provas esportivas e um lugar tranqüilo para lazer, conferem ao Parque papel de destaque no turismo da cidade. Apontado pelo Plano Diretor de Niterói como unidade de conservação, sua cobertura vegetal funciona como refúgio para inúmeras espécies animais e vegetais típicas, comprimidas nesses espaços pelo avanço urbano.

Localiza-se no bairro, num outeiro, um dos principais pontos histórico-turístico de Niterói: a igrejinha de São Francisco Xavier, constituída pelos jesuítas nos primeiros tempos da colonização.

Continuar lendo São Francisco

Viradouro

Constituído como bairro em 1986, o Viradouro é um prolongamento de Santa Rosa. Com uma área de 0,87Km², limita-se com Ititioca, Largo da Batalha, Cachoeiras, São Francisco, além de Santa Rosa, bairro que lhe deu origem. A rua Dr. Mário Viana, principal artéria de Santa Rosa, era conhecida como rua do Viradouro no trecho próximo a Garganta, nome popular da subida do Morro da União.

Localizado entre dois morros, o do Africano e o da União, o bairro é de ocupação recente. Nos anos 40 e 50 viviam no local umas poucas famílias, segundo relato dos moradores mais antigos. Fato interessante desta época era a forma de “grilagem” que acontecia no local: como os terrenos eram de posse, havia um proprietário de armazém, Sr. José Lopes, mais conhecido como José do Lápis, que anotava as dívidas,principalmente de gêneros alimentícios, das famílias residentes. Estas dívidas conforme se avolumavam, eram trocadas pela posse das terras e até das benfeitorias, fazendo com que o comerciante se transformasse em grande proprietário de terras.

No período do pós-guerra, sobretudo nos anos 60/70, o Viradouro viu a sua população multiplicar. A sua área favelizada e a própria expressão espacial do bairro materializava a crise habitacional brasileira. No entanto, as residências que no passado eram de taipa, foram substituídas por alvenaria, com arquitetura própria.

A vida social se intensificou e diversos segmentos, inclusive a Igreja Católica (Vicentinos), incentivaram a organização dos moradores em uma associação, ponto de referência a mais para a defesa das condições de vida da comunidade. Na época o abastecimento de água era o elemento de maior mobilização, resgatando também o exercício da cidadania.

No final dos anos 70 é fundada a Associação de Moradores do Viradouro com área de abrangência no Morro da União, Africano e Alarico de Souza. Hoje associada a Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT), a associação local é bastante atuante, destacando-se principalmente na luta pela titulação da terra.

Nos anos 80, com o agravamento da crise econômica brasileira e com o processo de urbanização acelerado, ocorre a metropolização da pobreza e a intensificação da violência urbana. Os reflexos dessa situação se fizeram sentir também no Viradouro.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do solo é desordenada e aproximadamente 60% das habitações estão em área de risco,(*1) principalmente no Morro do Africano, de formação geológica sedimentar. As habitações existentes apresentam-se, em sua maioria, sob a forma de auto-construção típicas de aglomerado subnormal. O bairro experimentou alguns melhoramentos graças a intervenções municipais como os projetos de mutirão “Vida Nova no Morro” e “Gari Comunitário” e a instalação de um módulo do programa “Médico de Família”. O Viradouro possui uma Escola Municipal, que atende da 1ª a 4ª série do 1º grau, um posto de saúde e uma grande instituição ligada a Igreja Católica que funciona como creche e atende as crianças da vizinhança.

Apesar da violência urbana, os moradores têm relações de solidariedade e de vizinhança. O convívio no bairro é alegre sendo, inclusive, berço, da maior escola de samba de Niterói – a Unidos do Viradouro, que tem hoje a sua quadra de ensaios situada no Barreto.

Continuar lendo Viradouro

Vital Brazil

O bairro, Vital Brazil, limita-se com São Francisco, Icaraí e Santa Rosa – sendo um prolongamento destes dois últimos. A área do Vital Brazil compreende pequena planície, cortada por pequenos rios que desembocam no rio Icaraí; e por encostas do Morro do Cavalão. A parte mais baixa era alagadiça, formando charcos, até que a canalização dos rios tornou possível às edificações no local.
Esta área outrora pertenceu às fazendas Santa Rosa e Cavalão, sendo que ao longo do tempo essas terras foram vendidas e parceladas, datando do final da primeira metade do séc. XX o processo de ocupação e formação do bairro.
O fato responsável pela denominação do lugar foi a transferência do Instituto Vital Brazil, que funcionava em Icaraí, para “instalações melhores” no bairro, numa grande área onde funcionara uma olaria(1919). O importante trabalho desenvolvido pelo Instituto, hoje estadualizado, sempre recebeu amplo apoio dos governos estadual e municipal. Inicialmente o Instituto limitava-se a fabricação de medicamentos para uso humano (soros antiofídicos e vacina anti-rábica), mas a partir de 1931 já preparava vacina anti-rábica para uso veterinário e outros produtos do gênero. Em 1943 foram inauguradas as atuais instalações do Instituto, contribuindo para a diversificação de suas atividades e reconhecimento internacional do seu trabalho. Anexo ao Instituto, foi criada a Faculdade de Veterinária, hoje pertencente à UFF.
O processo de ocupação ocorreu principalmente na segunda metade do séc. XX, intensificando-se nas últimas décadas, sobretudo pela ação de loteamentos (como por exemplo, o Jardim Icaraí) e pela cessão de terras do Instituto aos funcionários, para que construíssem suas moradias.3 Até alguns anos atrás as poucas casas do bairro eram entremeadas por inúmeros terrenos baldios.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS
A área ocupada pelo Vital Brazil é uma das menores de Niterói, sendo que parte situa-se nas encostas do Morro do Cavalão. Apresenta padrão construtivo semelhante à seus vizinhos, Jacaré e Santa Rosa com muitas casas de construção recente e de alto padrão, edifícios de apartamentos, além de área ocupada por favela.
Esta clara divisão social do bairro fez surgir duas associações de moradores, uma é a Associação de Moradores das Ruas do Vital Brazil (Amovir) e a outra à Associação de Moradores do Vital Brazil (Amovibra), que apresentam reivindicações diferenciadas refletindo a segregação espacial existente.
Na área ocupada pela classe média – parte baixa e encostas do Jardim Icaraí – as ruas são pavimentadas e arborizadas, o que dá ao local um aspecto agradável. A maior preocupação dos moradores está relacionada às questões ligadas à violência urbana. Na outra parte (Morro do Vital Brazil) as reivindicações dos moradores estão relacionadas a urbanização, saneamento básico, fornecimento de água e luz elétrica,5 e equipamentos educacionais.

Continuar lendo Vital Brazil