Baldeador

O Baldeador limita-se com o município de São Gonçalo e com os bairros do Fonseca, Santa Bárbara e Caramujo, destes dois últimos separados pela Rodovia Amaral Peixoto.

Segundo relato dos antigos moradores, a denominação Baldeador deve-se ao fato de a área ter sido ponto de baldeação de viajantes, tropas de mulas e boiadas que se dirigiam ao centro urbano.

A região do Baldeador foi, até as primeiras décadas do século XX, uma área agrícola. No século passado nas fazendas ali localizadas destacavam-se as culturas de café e cana-de-açúcar para exportação, além das de milho, feijão, mandioca, frutas e legumes para abastecimento local e adjacências.

A partir da segunda metade do século XIX iniciou-se um processo irreversível de declínio da atividade agrícola no Estado do Rio, agravado pela gradual abolição da escravatura e, principalmente, pela transferência do eixo cafeeiro para o Vale do Paraíba. Nas primeiras décadas deste século ainda existiam pequenas lavouras de subsistência no Baldeador, hoje praticamente inexistentes.

A extensão territorial do antigo Baldeador era muito maior do que a de hoje; nela estavam incluídas partes do atual município de São Gonçalo, ainda hoje chamadas de Baldeador, bem como os territórios dos atuais bairros do Caramujo e de Santa Bárbara.

O antigo Baldeador era cortado pela estrada Velha de Maricá, principal caminho de ligação entre os municípios de Niterói e Maricá. Ao longo desta e da estrada da Figueira, aconteceu o início da ocupação urbana, fato constatado pela presença de edificações antigas.

Dois fatos são significativos para o estabelecimento do atual perfil do Baldeador:

– A construção da rodovia Amaral Peixoto e sua posterior duplicação;

– O processo de urbanização da cidade de Niterói e da Região Metropolitana do Rio de janeiro.

Cortando a estrada Velha de Maricá e a estrada da Figueira, a Rodovia Amaral Peixoto dividiu a região em duas partes: Baldeador “de cima”, à esquerda, e Baldeador “de baixo”, à direita, no sentido Niterói-Tribobó; denominações estas empregadas pelos antigos moradores. Esta rodovia constitui-se na principal via de acesso ao bairro.

As estradas Velha de Maricá e da Figueira, com a construção da Rodovia Amaral Peixoto, perderam sua importância como principais vias de circulação ocasionando, desse modo, um processo de decadência da área, evidenciado pelo estado de abandono destas vias, com prédios sub-utilizados, alguns em ruínas. O comércio existente no passado hoje se restringe a estabelecimentos de primeira necessidade.

Com o acelerado processo de urbanização pós-guerra, as fazendas e os sítios foram loteados, surgindo novos bairros como Caramujo e Santa Bárbara, ocupados e adensados, gerando uma “crise de identidade”. São grandes as contradições entre os limites do atual bairro, instituído em 1986, com a área ocupada no passado.

Os moradores quando abordados sobre o seu local de moradia dizem: “Moro no Caramujo, na Cova da Onça, em Nossa Senhora das Graças, em Santa Bárbara”, e até, “não sei qual é o meu bairro”.

Na área do antigo Baldeador existia a Fazenda Juca Matheus que, posteriormente, foi loteada e deu origem ao bairro de Santa Bárbara. Neste bairro encontramos uma parte também conhecida como Baldeador que outrora foi um sítio pertencente ao Sr. Paulino Menezes, parcelado nos anos 60, dando origem ao loteamento Parque Modelo.

O bairro do Baldeador estabelecido pelos limites do Decreto Lei 4895, de 08/11/86, possui áreas com características próprias: a Figueira, que se localiza ao longo da estrada do mesmo nome; Cova da Onça, onde existem terrenos ocupados por posseiros; Nossa Senhora das Graças, com loteamentos regulares e, ainda, parte do local conhecido como “Caixa D’água”.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

O bairro do Baldeador, na periferia urbana de Niterói, é predominantemente residencial, com casas de padrão construtivo precário (PMN/Sumac) e áreas de favelização recente.

O comércio é restrito a pequenos bares, mercearias e biroscas, levando a maior parte dos moradores a utilizar o comércio do Centro. Apesar dessa carência, alguns estabelecimentos comerciais de porte instalaram-se no bairro, como por exemplo, uma revendedora de automóveis e uma grande empresa de ônibus.

Em relação aos equipamentos públicos, na área de educação, o bairro dispõe do CIEP Maria Portugal e da Escola Municipal Ernani Moreira Franco, que oferecem apenas o primeiro segmento do primeiro grau. Para continuidade dos estudos, os alunos se dirigem para as escolas de Santa Bárbara e de bairros vizinhos.

Na área da Saúde, os moradores utilizam o posto médico de Santa Bárbara e também o do Caramujo, além do Hospital Universitário Antonio Pedro, no Centro.

O transporte coletivo é explorado por uma única empresa de ônibus que mantém uma linha Cova da Onça, além dos ônibus que trafegam na Rodovia Amaral Peixoto.

Ao longo dos anos o bairro desenvolveu-se lentamente, de modo esparso e paralelamente à Rodovia Amaral Peixoto. Atualmente apresenta-se carente de infra-estrutura urbana, concentrando também uma população de baixa renda. Como perspectivas mais imediatas assinala-se, além da possibilidade do crescimento das favelas, a utilização econômica dos muitos terrenos ainda disponíveis.

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Barreto

O Barreto tem como limites a Baía de Guanabara a oeste, o município de São Gonçalo ao norte, a Engenhoca a leste e, ao sul, o bairro de Santana.

A área que compreende o Barreto já foi uma grande fazenda de nome Caboró, que pertencia ao Frei José Barreto Coutinho de Azevedo Rangel, daí a origem do nome do bairro.

A ocupação do Barreto, a princípio, deu-se basicamente nas áreas planas disponíveis. Nos anos 60 os morros do Maruí Grande e dos Marítimos, que já apresentavam algum assentamento nas encostas, passaram a ser ocupados aceleradamente. Nesse mesmo período, com a construção da Avenida do Contorno, o trânsito na rua General Castrioto, a principal do Barreto e de tráfego muito intenso, melhorou – mas o bairro transformou-se em via de passagem para outros locais.

O Barreto foi um dos principais pólos industriais do município e nele encontravam-se instalados vários estabelecimentos têxteis além de muitas fábricas menores, como a dos saponáceos Brankiol e Jaspeol, hoje em ruínas; e outras de fósforos, de formicidas, ladrilhos e olarias – que faliram ou migraram para outros locais, além de um pólo comercial expressivo, que também se dissipou.

A decadência industrial foi provocada por questões conjunturais, principalmente pela reformulação do perfil industrial brasileiro, que inviabilizou as pequenas e médias empresas, devido a uma total falta de incentivos do governo e pela própria competição, sobretudo de novas tecnologias das indústrias multinacionais que se instalaram no eixo Rio – São Paulo.

Uma importante indústria têxtil que permanece em funcionamento até os dias de hoje é a Companhia Fluminense de Tecidos (antiga Companhia Manufatura Fluminense), cuja instalação data do início do século e que conserva a arquitetura e o modelo industrial daquela época, ou seja, mantém uma vila operária com aproximadamente 70 casas para trabalhadores em atividade, que têm descontado em folha um valor simbólico de aluguel. As mudanças ou melhorias feitas nas residências são de inteira responsabilidade do morador, porém, a grande maioria continua com as características originais. Vale ressaltar que este estabelecimento, fabricante de tecidos de algodão, apresenta uma média superior a 500 empregados, divididos entre pessoal ocupado na produção e na administração.

Encontramos no bairro outra vila operária, hoje bastante descaracterizada. Esta vila, que pertencia a antiga fábrica de fósforos Fiat-Lux, era composta por três avenidas num total de 72 casas em estilo inglês. Na década de 70 essas casas foram alienadas e alguns operários as receberam como prêmio de indenização ou parte da aposentadoria.

Também antigo no bairro é o Estaleiro Renave, cujo acesso se faz pela Avenida do Contorno e que conta com aproximadamente 400 empregados.

A construção, tanto desta avenida quanto da rodovia Niterói-Manilha, reduziu drasticamente as dimensões da praia do Barreto, descaracterizada e poluída, principalmente por estar localizada na Baía de Guanabara. Esta praia, praticamente a única da Região Norte, era uma importante área de lazer para os moradores.

O comércio do Barreto, expressivo em outras épocas, era responsável pelo grande movimento de pessoas que ao bairro convergiam em busca dos produtos oferecidos. Atualmente os moradores do Barreto recorrem ao comércio de outras áreas.

Até a década de 50/60 o bairro tinha estação de barcas, bem como atividade pesqueira, restando hoje pequena colônia de pescadores, a Z 6, que sobrevive basicamente da pesca na Baía de Guanabara.

O Barreto teve também bondes e uma importante estação de trem, cujo prédio, quase que totalmente destruído, ainda atende aos passageiros que se dirigem ao município de Itaboraí.

Nas últimas décadas, novos estabelecimentos instalaram-se no Barreto como a fábrica da Coca-Cola, a Central de Abastecimento (Ceasa), a Auto-Viação 1001, algumas distribuidoras de carnes, de bebidas, de lubrificantes, de alimentos, algumas confecções, gráficas, indústrias de gesso, de tecelagem, de sardinha e de mármore.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Barreto, bairro de ocupação antiga, é bem servido de infra-estrutura básica e sedia diversos equipamentos urbanos e sociais. Entre a praça do Barreto e o Maruí, numa encosta, fica a Igreja de São Sebastião. Há também algumas capelas e templos de outras religiões no bairro. Também é forte a presença de associações de moradores e de sindicatos. No bairro já existiu cinema e alguns bancos. Atualmente encontramos apenas uma agência bancária que fica junto à Ceasa.

O comércio de flores no bairro é intenso devido aos três cemitérios existentes, bem como as capelas funerárias, todos bem próximos.

A comunidade do Barreto é servida por significativa rede de ensino com dois CIEPs e diversas escolas públicas, sendo algumas da rede estadual e outras da rede municipal, além das particulares. Elas atendem do maternal/JI até o 2º Grau, além de ensino profissionalizante em algumas áreas técnicas, como é o caso da Escola Técnica Estadual Henrique Lage e do SENAI.

Na área da saúde, encontramos os hospitais Orêncio de Freitas e o Ary Parreiras, algumas clínicas, consultórios particulares, posto de saúde e, criado recentemente, um módulo do Médico de Família, no Maruí Grande. Estes estabelecimentos atendem tanto a comunidade local como às vizinhas, por oferecerem serviços considerados de boa qualidade.

No que se refere ao lazer, o bairro do Barreto dispõe de clubes, tais como o Combinado 5 de Julho e o Humaitá que, apesar de não manterem as mesmas tradições de décadas passadas, continuam prestigiados.

Os restaurantes, os bares, os botequins e a tão conhecida quadra da Escola de Samba Unidos do Viradouro têm freqüentadores de toda cidade de Niterói e de outros municípios.

Nos dois últimos governos municipais a praça Enéas de Castro recebeu importantes obras de melhoramento, voltando a ser uma opção de lazer para os moradores.

Importante destacar que o Parque Monteiro Lobato, Horto do Barreto, conta com programação cultural durante a semana e uma feira de artesanato aos domingos, sendo muito freqüentado pelos moradores do bairro e áreas vizinhas.

Entre os principais problemas ambientais sobressaem-se: a poluição do rio Bomba, o acúmulo de lixo nas encostas e em locais próximos a áreas favelizadas, e a poluição da Baía de Guanabara. O rio Bomba, limite entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, recebe grande parte do esgoto doméstico e do lixo dos bairros situados em suas margens, apesar de estar canalizado em alguns trechos.

Do ponto de vista da ocupação podemos considerar o Barreto como um bairro com crescimento populacional estagnado, exceto nas áreas favelizadas. Predominam no bairro os segmentos sociais de rendimento variando entre o médio e o baixo.

Sendo de fácil acesso ao Centro da cidade e a outros municípios, e pela proximidade da Ponte Rio-Niterói e Rodovia Niterói-Manilha, o Barreto deverá passar por um processo de revitalização urbana.

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Caramujo

O Caramujo limita-se com o Fonseca, Ititioca, Santa Bárbara, Sapê, Baldeador e Viçoso Jardim, numa área que constitui o chamado “mar de morros” que se caracteriza pela sucessão de vales e colinas de baixa altitude, bem como a ocupação de encostas pela escassez de áreas planas.

O nome Caramujo tem origem no fato de antes haver apenas uma via de acesso e de saída do bairro, a rua Dr. Nilo Peçanha, e pelas demais serem bastante sinuosas, constituindo-se em um lugar onde era necessário “dar muitas voltas” para se chegar ao destino ou para retornar ao ponto de origem.

Atualmente o acesso se faz por todos os bairros com os quais se limita, sendo a rua Dr. Nilo Peçanha, a rua Pastor José Gomes de Souza (antiga rua Colônia) e o caminho Jerônimo Afonso, cujo acesso se faz pela rua São José, as suas principais vias.

A ocupação inicial se fez sob a forma de sítios e fazendas, contando com a presença de imigrantes portugueses, italianos e alemães que ali desenvolviam diversas atividades agrícolas e também de comércio, através de casas de “secos e molhados” e de um abatedouro.

Já na década de 40, instalou-se o Grupo Escolar Luciano Pestre como forma de atender às necessidades do bairro quanto à educação, evitando que a população se deslocasse para o Centro de Niterói.

Com a chegada da Companhia Proprietária Fluminense inicia-se o processo de loteamento do bairro, ocasionando as modificações mais significativas entre as décadas de 50 e 60, que corresponderam a uma sensível redução do número de sítios e fazendas (através do parcelamento), em oposição a um considerável aumento do número de domicílios unifamiliares, que passaram a ocupar também as encostas. A ocupação mais intensa porém, aconteceu nos anos 70, em função do modelo econômico adotado no país que provocou o crescimento e a multiplicação de bairros periféricos, além do recrudescimento da favelização. O antigo Parque da Vicência junto ao Largo do Moura, que já foi um local de passeio e lazer das famílias, encontra-se hoje quase totalmente ocupado.

O comércio do bairro concentra-se ao longo das ruas Dr. Nilo Peçanha e Pastor José Gomes de Souza, e compõe-se de padarias, mercados, farmácias, açougue, lojas de materiais de construção, bares e mercearias. Contudo, apesar de diversificado, conta com número pequeno de estabelecimentos.

Pelo fato de o bairro ser constituído de população que, em sua maioria, é de baixo poder aquisitivo, o comércio local acaba não realizando grandes investimentos ou mesmo uma melhor qualificação, uma vez que a minoria residente que tem acesso a um tipo de comércio mais especializado acaba recorrendo ao já existente em outros bairros, como Fonseca e Centro de Niterói.

O serviço de transporte coletivo resumia-se a duas linhas de ônibus até um período bem recente, fazendo ligação com o Centro. Entretanto, houve alteração no trajeto de mais duas linhas, resultando em um percurso mais abrangente para o usuário, além da criação de uma outra linha fazendo a ligação entre o Caramujo e a Zona Sul da cidade, beneficiando em muito a população local são comuns, entretanto, as reclamações relacionadas aos horários e ao número de ônibus circulando nestas linhas.

A estrutura urbana do Caramujo, com seus vários acessos, condiciona a existência de muitos itinerários tanto internos quanto na periferia do bairro, o que reforça o papel desempenhado pelo transporte coletivo nos deslocamentos.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta-se bastante ocupado em quase toda a sua extensão, sendo que nas partes mais planas concentra-se tanto o comércio quanto as residências mais antigas, de padrão construtivo médio degradado.

No geral, o bairro é predominantemente ocupado por residências de padrão construtivo considerado precário(PMN/Sumac) tanto nas encostas dos morros quanto nos vales, sendo a população residente de baixa renda.

Os maiores problemas do bairro decorrem da deficiência dos serviços prestados à população, tais como o transporte coletivo que, apesar de melhorias recentes, não alcança as reais necessidades dos moradores; ausência de pavimentação em algumas vias secundárias, principalmente perto das encostas, além dos relacionados ao escoamento das águas pluviais e do esgotamento sanitário, problemas estes que vêm sendo minimizados a partir de obras iniciadas em período recente.

A ausência de planejamento e de uma maior ordenação no processo de ocupação do bairro acabou resultando na consolidação de vias principais com dimensões incompatíveis com as necessidades, uma vez que é intenso o tráfego de carros e caminhões no seu interior, em função deste atuar como um dos eixos de ligação entre as regiões Norte, Pendotiba e Oceânica. Também é bastante significativo o número de moradores que circulam a pé por essas vias.

Por localizar-se em área periférica do município, o bairro teve o seu maior período de crescimento, entre a década de 70 e meados de 80, sem o acompanhamento de obras de instalação de infra-estrutura ou mesmo de melhorias das condições urbanas. Isto resultou num desenho urbano caracterizado pela ocupação em áreas de risco, ausência de pavimentação e ausência de áreas de lazer, ocorrência de valas negras, entre outros problemas.

Apesar de antigo e bastante ocupado, o bairro somente sofreu processo de melhorias no final da década de 80 e início de 90, com a instalação da rede geral de água e pavimentação de grande parte das vias, solucionando em algumas áreas os problemas de abastecimento de água e reduzindo os relacionados ao acesso e circulação no seu interior.

Um assentamento feito pela Prefeitura de Niterói, em 1992, para abrigar a população procedente de uma favela que havia se estabelecido em terreno do Campus da Universidade Federal Fluminense, o Condomínio Maria Thereza, embora localizado geograficamente no bairro de Viçoso Jardim nos limites com o Caramujo, tem acesso realizado através desse último, sendo identificado, portanto, como pertencente ao Caramujo.

O número de equipamentos públicos na área da saúde se mostra insuficiente em razão de existir apenas um Posto de Saúde para atender as necessidades da população. O próprio crescimento que o bairro sofreu, somado à instalação do “vazadouro” de lixo e à ausência de urbanização em algumas áreas, além das condições sócio-econômicas da população, contribuem para o aumento da demanda.

Um Centro de Controle de Zoonoses, localizado no Morro do Céu, mas cujo acesso principal se faz pelo Caramujo, compõe o quadro dos equipamentos públicos na área da saúde, embora tenha suas ações dificultadas pela carência de recursos.

Com relação à educação, o bairro é servido por quatro unidades de ensino público: a Escola Estadual Luciano Pestre, a mais antiga; a Escola Municipal José de Anchieta, localizada no Morro do Céu; a Escola Estadual Alberto Brandão, junto aos limites com o Fonseca; e o CIEP do Caramujo, localizado às margens da Rodovia Amaral Peixoto. Estas escolas atendem também à população de bairros vizinhos como Baldeador e Viçoso Jardim. Cabe ressaltar também a Creche Girassóis, destinada aos filhos dos catadores de lixo e que tem como mantenedora a Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (CLIN).

O bairro apresenta-se problemático com relação à segurança pública, uma vez que esta fica sob a responsabilidade da 78ª DP, localizada no Fonseca, bairro que dada suas dimensões e especificidades, já possui demandas significativas. Existe no Caramujo um prédio onde funcionava, no passado, a Subdelegacia do bairro, desativada por falta de recursos materiais e humanos.

A coleta de lixo é prejudicada pela dificuldade de acesso às áreas mais elevadas dos morros, onde a pavimentação ainda não foi realizada ou concluída, o que leva alguns moradores a queimar o lixo, ou então a jogá-lo em terrenos baldios, geralmente em áreas de encostas, provocando a ocorrência de deslizamentos de materiais. A coleta não alcança parte do Morro do Céu, principalmente a área próxima ao Morro do Calixto, no vizinho bairro de Ititioca, onde os moradores que ocupam o vale existente entre esses dois morros utilizam terrenos baldios e um córrego, que passa pelo fundo do vale, como destino para o lixo produzido.

A principal fonte de degradação ambiental da região é o vazadouro de lixo do Município, situado em área do Morro do Céu. A área original ocupada pelo vazadouro caracterizava-se pela presença de vales com declividade acentuada, hoje ocupados, na sua maior parte, pelo material depositado no decorrer de seus mais de dez anos de existência. Neste período nota-se um crescente processo de degradação, destacando-se entre os vários impactos ambientais: a contaminação do solo e do lençol freático pelo chorume; a liberação de gases combustíveis, além de tóxicos, pela decomposição dos resíduos orgânicos depositados; a mudança significativa do relevo e extinção da vegetação, contribuindo com a alteração tanto da drenagem superficial, quanto do microclima local; acúmulo de material junto às vertentes, favorecendo a ocorrência de processos de escorregamentos (deslizamentos); presença de vetores nocivos à saúde do homem; além da própria expansão que a área do vazadouro vem sofrendo, aumentando ainda mais sua proximidade com os moradores, comprometendo a qualidade de vida destes na mesma proporção.

Somam-se a estes fatos, bem como decorrem destes, o processo de desvalorização das áreas próximas ao vazadouro, além das questões sócio-econômicas que envolvem os diversos catadores de lixo que aí atuam, desprovidos de quaisquer vínculos ou garantias trabalhistas, e que estão em contato direto e quase que permanente com o lixo.

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Cubango

Tendo como vizinhos os bairros de Santa Rosa, Fonseca, Viçoso Jardim, Ititioca, Fátima e Pé Pequeno, o Cubango desenvolve-se no interior de um estreito vale que é cortado pela rua Noronha Torrezão, a sua principal via.

A denominação “Cubango” deriva do Indígena u-bang, cujo significado seria “terras escondidas”. Com o passar do tempo veio a dominação portuguesa, que transformou o local em ponto de comercialização de escravos negros onde hoje é a localidade conhecida como “Venda das Mulatas”, no limite com Viçoso Jardim. Presume-se que os escravos seriam provenientes de Angola e adaptaram o indígena u-bang para Cubango, nome de um rio daquele país, ficando assim nominado o lugar a partir de então.

Antes de ser loteado, já no presente século, o bairro era composto por quatro fazendas produtoras de hortaliças. Segundo os moradores mais antigos, notava-se que até 1950 havia uma predominância de população negra, sendo o Cubango um bairro originalmente proletário, onde destacavam-se os operários que trabalhavam nas indústrias do Barreto, Santana e nos estaleiros da Ponta D’Areia.

Na década de 50 o bairro era servido por uma linha de bonde e começou a receber algumas melhorias como água, esgoto, asfalto e, posteriormente, iluminação a vapor.

A partir dos anos 70, o Cubango passou a arregimentar uma população cada vez maior de classe média, fruto da provisão de habitantes pelo Sistema Financeiro (antigo BNH). Este processo vem modificando gradualmente o perfil do bairro. No dias de hoje são erguidos prédios modernos em meio ao casario mais antigo; o comércio está diversificando-se e começam a aparecer alguns tipos de serviços voltados para a população de melhor poder aquisitivo.

Em contrapartida, surgiram núcleos de favelização como os morros do Arroz, do Serrão, do Abacaxi e do Querosene. Nestas áreas as habitações, embora sejam de alvenaria, possuem um padrão construtivo considerado precário, com ausência de infra-estrutura básica.

CARATERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio do bairro atende apenas às necessidades básicas da população e concentra-se na rua Noronha Torrezão, onde predominam pequenas mercearias, farmácias, padarias, lojas de materiais de construção e até concessionárias de automóveis. O setor industrial é representado por duas serralherias e uma fábrica de esquadrias de alumínio.

Quanto aos meios de transporte, não há grandes reclamações da população em relação a esses serviços. O principal problema viário do Cubango são os constantes congestionamentos na rua Noronha Torrezão, em virtude desta via ser utilizada como corredor viário para o Fonseca e as regiões de Pendotiba e Oceânica, sobretudo nos horários de maior fluxo de veículos.

Quase todas as ruas do bairro são pavimentadas, o que se deve, principalmente, ao empenho de suas entidades associativas, especialmente o Centro Pró-Cubango, fundado em 1951 para reivindicar melhorias como iluminação, água e calçamento. Serviços que eram deficientes ou não existiam até a década de 50.

Atualmente, o serviço de abastecimento d’água atende a mais de 90% dos domicílios (IBGE – 1991). Nas localidades mais elevadas é comum o uso de nascentes e poços.

A coleta de lixo é executada na quase totalidade do bairro, mas em alguns pontos de difícil acesso verifica-se o acúmulo de lixo em terrenos baldios e encostas.

No Cubango não existem unidades de saúde. Quanto aos equipamentos públicos presentes, destacam-se a Escola Estadual Doutor Memória e a Escola Estadual Ismélia Saad Silveira, ambas de 1º Grau. Ainda assim, muitas crianças da comunidade estudam no CIEP Anísio Teixeira, situado no bairro do Fonseca.

Segundo os seus moradores, o Cubango é um bairro tranqüilo, sendo o policiamento executado pela Delegacia do Fonseca.

Entre os principais problemas ambientais podemos destacar o risco de deslizamentos em algumas encostas, propiciado pela ocupação irregular em áreas inclinadas e acúmulo de lixo nas vertentes; e também a poluição do riacho que corta o bairro paralelamente à rua Noronha Torrezão, que ainda não foi totalmente canalizado, recebendo lixo e uma parte do esgoto doméstico do Cubango.

Vale citar que o bairro possui como alternativas de lazer a quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Cubango e a sede social do Centro Pró-Cubango, entidades que exercem importante papel na comunidade. A escola de samba é uma importante área de lazer freqüentada por grande parte da população, sendo que no período de Carnaval, cerca de 75% dos seus foliões são moradores do bairro. O Centro Pró-Cubango, que já teve importante papel como entidade reivindicatória, hoje funciona como centro social.

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Engenhoca

O bairro da Engenhoca limita-se com o Fonseca, Santana, Barreto, Tenente Jardim e com o município de São Gonçalo. Sua área é de 1,93 Km² e a densidade populacional registrada em 1991 é a mais alta da região, com 12.027 hab/Km².

O nome, oriundo de antigos engenhos existentes na área, é um tributo ao passado do bairro, que até 1920 era formado por três grandes fazendas: Fazenda das Palmeiras (com palmeiras dispostas em alameda até a entrada principal); Fazenda da Madame (localizada perto dos limites com o Fonseca) e a Fazenda do Alemão (próxima aos limites com o Barreto).

Com o término da 1ª Grande Guerra Mundial, inicia-se no Brasil o processo de industrialização que irá se espraiar por suas regiões metropolitanas, inclusive a do Rio de Janeiro. O vizinho bairro do Barreto torna-se um pólo industrial produzindo, basicamente, tecidos, vidro e fósforos. A Engenhoca, com seus amplos espaços, era o local ideal para moradia dos operários que trabalhavam no Barreto. Paralelamente ao parcelamento das terras observa-se a ascensão de alguns clãs familiares: família Esteves, família Sardinha e família Mendes. Estas famílias vão estar presentes em aspectos do bairro, quer sejam econômicos ou políticos.

Este caráter de divisão do espaço com conotações de delimitação de área de influência política, irá se manter por mais tempo e, podemos observá-la melhor quando constatamos a presença marcante da família Cravinho na parte da Engenhoca próxima ao Fonseca, ou de Francisco Esteves em outros locais do bairro, ou ainda a atuação de Renato Silva nas áreas mais pobres.

A partir de 1946 observa-se o início da pavimentação dos logradouros, bem como a inauguração da rede elétrica. É nesta época que também ocorre a incrementação do processo de parcelamento das terras do bairro, fato que propicia significativo aumento populacional. O comércio floresce, como pode-se comprovar pela presença, entre outros, de um grande armazém, pertencente ao Sr. Saraiva, bem como padarias e farmácias. A presença do bonde consolida esse desenvolvimento, como ademais irá ocorrer em outros locais do município.

O antigo Largo da Morte – que detinha esse nome por ser local de disputas entre estivadores – concentrava o comércio da época e foi posteriormente rebatizado como Largo de São Jorge, numa tentativa de recuperação de sua imagem. A Engenhoca de então tinha fama de bairro onde se concentravam valentes.

Do ponto de vista religioso, fato interessante era o ecumenismo. O bairro possuía, além da Igreja Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, o Centro Espírita de José Neto, bem como igrejas evangélicas. Existia ainda no bairro um time de futebol – o Espírito Santo – datando desta época a construção do primeiro campo da Engenhoca. Posteriormente outros times foram criados: o Guarani, Teimosinho, Cadete, Palmeiras, etc.

O bairro é pioneiro em alguns aspectos, quer do ponto de vista social, quer do institucional. A Legião Brasileira de Assistência (LBA), à época presidida por Alzira Vargas, instalou na Engenhoca um posto de atendimento com uma das primeiras creches do Estado. Também no bairro observou-se uma tentativa de uso social da terra, com a atuação de Arlindo Drumond – dono de grande parte da localidade hoje conhecida como Cravinho – que oferecia suas terras para que famílias ali se instalassem produzindo para consumo próprio. Ainda em relação a esse pioneirismo, vamos encontrar também a presença da primeira vereadora de uma legislatura do país – Lídia de Oliveira.

Bairro eminentemente operário, onde a atuação do Partido Comunista foi sempre muito presente, encontramos no trabalho desenvolvido pelo médico Nelson Penna, através dos Centros Comunitários, um embrião das futuras associações de moradores.

Com o início do processo de decadência das indústrias do Barreto, refletindo o que vinha ocorrendo a nível nacional, transformações incidem tanto sobre esse bairro como também refletem-se na Engenhoca, expressando-se pelo esvaziamento populacional bem como pelo desaquecimento da atividade comercial.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Na década de 70, com a inauguração da Ponte Rio-Niterói, a Engenhoca passa a receber um fluxo de moradores oriundos de várias partes, o que não redundou no crescimento da população do bairro, visto que um grande número de moradores se deslocou para outras regiões. A expansão do bairro se dá pela ocupação de áreas pouco valorizadas, pertencentes ao poder público ou mesmo desocupadas, por pessoas de baixo poder aquisitivo. Essa ocupação ocorre predominantemente nos morros, áreas desprovidas de infra-estrutura, onde utilizam-se materiais e técnicas inadequadas, constituindo-se no processo de favelização que atingiu grandes extensões do bairro, representando parte considerável dos problemas hoje existentes.

Com relação ao padrão construtivo, predominam as residências de baixo padrão, havendo entretanto residências de padrão médio, degradado ou não, bem como um número considerável de domicílios de padrão considerado precário (PMN/Sumac) nas áreas favelizadas.

Existem atualmente doze favelas na área da Engenhoca que, dadas a constituição física do bairro e a intensa ocupação, confundem seus limites entre si. A estrutura urbana caracteriza-se também por várias vias internas que dão acesso aos bairros com que se limita e ao município vizinho de São Gonçalo. O bairro está quase totalmente pavimentado, apesar de estar em uma região que compõe o chamado “Mar de Morros”, em que se tem várias colinas ou morros alternando-se, e que até certo ponto, poderia dificultar a realização dessas melhorias.

A Avenida João Brasil que se inicia ainda no Fonseca, no cruzamento com a Alameda São Boaventura, atravessa o bairro no sentido longitudinal e se constitui na principal via de circulação e acesso da Engenhoca. Na rua Coronel Guimarães, a mais antiga e importante via na funcionalidade do bairro, está concentrado, de forma mais expressiva, o comércio local.

O comércio é bastante variado e atende as primeiras necessidades da população: conta com padarias, açougues, mercados, farmácias, lojas de materiais de construção, de calçados, de autopeças, bazares e outros. Também se localizam no bairro número razoável de oficinas mecânicas, serralherias e serrarias, além de oficinas de usinagem mecânica, para confecção de peças para embarcações pesqueiras de Niterói e São Gonçalo.

Com relação aos equipamentos públicos, a Engenhoca é servida por dois estabelecimentos de ensino e uma creche da rede municipal: E. M. Adelino Magalhães, E. M. Infante Dom Henrique e a Creche Municipal Neusa Brizola, além do Colégio Estadual Mullulo da Veiga.

Na área da saúde existe uma unidade da rede municipal que atende a população através de serviços ambulatoriais, consultas e vacinação, além de um posto do INSS, entre outras atividades.

Quase todos os domicílios existentes estão ligados à rede geral de água e à rede geral de esgoto, bem como a coleta de lixo atende a maior parte do bairro. Mas em algumas áreas esses serviços se mostram, ou pouco eficientes, ou mesmo inexistentes, principalmente onde houve ocupação mais recente pelas camadas mais pobres da população.

O intenso processo de ocupação ocorrido sob a forma de favelização, em períodos recentes, corresponde ao principal problema do bairro, envolvendo a ocupação de áreas de risco associada à carência de infra-estrutura básica, em conjunto com as próprias condições sócio-econômicas da população que aí reside.

Nas demais áreas do bairro não há indícios de que venha a se realizar, a curto prazo, de maneira representativa, a substituição das unidades unifamiliares, predominantes em toda Engenhoca, por apartamentos, que hoje representam pouco mais de 5,0% do total de domicílios, fatos estes decorrentes da localização do bairro em área periférica do município, à margem da “explosão” imobiliária, hoje característica da Região Oceânica.

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Fonseca

O Fonseca é um dos bairros mais antigos de Niterói, situando-se em um vale cortado pelo canal do rio da Vicência e circundado por morros que o limitam com Baldeador, Caramujo, Viçoso Jardim, Cubango, São Lourenço, Santana, Engenhoca, Tenente Jardim e também o município de São Gonçalo.

Olhando-se o Fonseca do alto, na descida do morro da Caixa d’Água ou de qualquer de seus morros, pode-se observar imediatamente dois fatos que são marcantes na caracterização do bairro: 1º) a Alameda São Boaventura com suas duas vias, o canal da Vicência e árvores que o ladeiam, cortando o bairro no sentido oeste – leste, e seu grande movimento de veículos; e 2º) a ocupação praticamente total de seu território por edificações onde são minoritários e facilmente identificáveis os edifícios de apartamentos, tanto na parte baixa quanto nas suas encostas.

A predominância de construções de um ou dois pavimentos fez do Fonseca um bairro extremamente populoso e adensado (11.499 hab/Km²). Em população ele é o maior da Região Norte e o segundo de Niterói, com uma diferença de 4.960 habitantes em relação a Icaraí. O padrão construtivo é bastante diversificado: podendo-se encontrar desde alguns palacetes que ainda resistem ao tempo à casas geminadas, sobrados, vilas de casas, edifícios, prédios populares e casas de favela, atestando o seu grande contingente populacional, sua história e seu perfil.

O lugar calmo e coberto de vegetação exuberante que existia até o final do século passado, com suas fazendas e aprazíveis chácaras que serviam de endereço para famílias ilustres, gradativamente deu lugar ao Fonseca de hoje. Historicamente o Fonseca está intimamente ligado a São Lourenço e Santana, daquele se originando.

Na Sesmaria de São Lourenço dos Índios, estabeleceram-se “gente de pequenas ou maiores posses”, com assistência dos jesuítas e sob às vistas das autoridades régias, em terras obtidas por aforamento aos que as solicitavam, por um preço irrisório. Provavelmente muitas terras foram ocupadas nessa época sem título algum. Desta forma, iniciou-se a ocupação de Niterói, particularmente do bairro do Fonseca, que deve seu nome a José da Fonseca Vasconcellos, um dos grandes fazendeiros da região.

Nos campos do Fonseca, cercado pelos morrosantigamente chamados de São Lourenço, ao sul, e Santana, ao norte, foram estabelecendo-se propriedades agrícolas: primeiro plantações de cana e engenhos; depois café, além de milho, feijão, mandioca, hortaliças e pomares. Com o tempo estas propriedades foram sendo divididas, para venda ou entre os herdeiros, sendo subdivididas em sítios e chácaras. Novos moradores se estabeleceram no bairro.

Com a interiorização das atividades econômicas no Estado, surge a necessidade de abrir novas vias de comunicação. A ocupação do Fonseca está relacionada principalmente a este fato.

Dois eram os caminhos que ligavam Niterói a Inoã / Maricá e Campos. Passando pelas matas da Paciência, um deles cortava o Fonseca, aproveitando um caminho natural, ao longo do curso do rio da Vicência. A necessidade permanente de melhoria deste caminho e a intensificação da ocupação do Fonseca, levaram à sua urbanização, com a construção da Alameda São Boaventura e canalização do rio Vicência, passando o bairro também a ser dotado de outros serviços públicos: a 07 de setembro de 1883 foi inaugurada a linha de bondes de tração animal até o final da Alameda; e, a 15 de agosto de 1908, chegam os bondes elétricos.

Com o estabelecimento de portos (Santana, Mayer, São Lourenço) no litoral de São Lourenço/Santana e a implantação de ferrovias (segunda metade do século XIX), o processo de ocupação de São Lourenço, Santana e Fonseca se intensifica e novos estabelecimentos comerciais e industriais instalam-se, atraindo novos moradores, tanto do interior do Estado, quanto do exterior (portugueses, espanhóis e italianos). No séc. XX, as obras do aterro de São Lourenço, a construção do porto de Niterói (pedra fundamental em 1924), da estação ferroviária (1930) e a abertura de nova avenida (Feliciano Sodré), ligando diretamente a Alameda à rua Visconde do Rio Branco, concorrem ainda mais para o crescimento do Fonseca.

Aparecem as mansões; colégios particulares são criados (Brasil e Nossa Senhora das Mercês); loteamentos são lançados, charcos são drenados possibilitando novas edificações; o Horto (e suas escolas superiores) é criado; aparece a Penitenciária; o Grupo Escolar Hilário Ribeiro é instalado; novas ruas são abertas comunicando o bairro com outros bairros; pequenas indústrias começam a funcionar (como a fábrica de tamanco, a fábrica de doces e a fábrica de cimento – todas desativadas); e a “Vila Jardim” é projetada e construída no campo do Ipiranga, ao lado da Alameda, para habitações de trabalhadores.

Muitos estabelecimentos comerciais são instalados ao longo da Alameda e de suas ruas transversais. Chegam os armazéns de secos e molhados, padarias, bares, quitandas e leiterias. Algumas poucas chácaras e sítios que persistiram até décadas mais recentes acabaram dando lugar a casas, vilas de casas ou prédios de apartamentos. Com o crescimento do Fonseca sedimenta-se também o seu perfil de bairro residencial.

Os anos passam e o transporte rodoviário torna-se o mais utilizado, fazendo praticamente desaparecer o porto e a ferrovia, vítimas também do esvaziamento econômico do interior do estado. A construção da Ponte Rio-Niterói e a sua ligação direta com a Alameda São Boaventura aumenta o tráfego de veículos e atrai novos moradores, intensificando ainda mais o crescimento do bairro.

Até o início da década de 50, quando foi dado outro traçado ao canal da Vicência, facilitando o escoamento das águas pluviais, as enchentes eram intensas e crescentes. Com a construção da Ponte Rio-Niterói houve nova obstrução na saída do Vicência, trazendo de volta as enchentes. O problema quase crônico das enchentes, aliado ao excesso de veículos em trânsito, reduziram a qualidade de vida no Fonseca. A busca de endereços mais atraentes ou junto ao mar provocam forte movimento migratório para outros bairros, contribuindo para mudar o perfil dos moradores do Fonseca.

Famílias tradicionais do bairro formada por médicos, industriais e comerciantes – como os Saramago Pinheiro, Torres, Vianna, Botelho, Bastos, Cunha, Pereira Faustino, Pestre, Pires de Mello, Marcondes, Alves, Lima Monteiroe tantas outras mudam-se em direção a outros bairros.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O Fonseca é um bairro de ruas asfaltadas, pouco arborizado em suas vias internas e é razoavelmente servido de água e esgoto, como também de limpeza pública. O bairro dispõe de energia elétrica (até nas áreas favelizadas) e de transporte coletivo eficientes. Possui um número expressivo de escolas públicas e particulares, embora este número seja insuficiente para atender a demanda. Funcionam no bairro dois hospitais: o infantil, Getúlio Vargas Filho; e o estadual, Azevedo Lima, que cuidava de doenças pulmonares como a tuberculose e hoje encontra-se em decadência e estado de abandono.

No Fonseca são significativas as diferenças com outros antigos bairros da cidade como Centro e Icaraí. Nestes, o traçado das ruas assume a forma de “tabuleiro de xadrez”, possibilitando diferentes acessos e facilitando a circulação. No Fonseca, o “tabuleiro” aparece em alguns pontos, mas não no todo, além das ruas não se interligarem. Com isso, a Alameda São Boaventura é a única via comum a todos os pontos do bairro. Este fato, e também por estar a Alameda ligada diretamente à Ponte Rio-Niterói e à rodovia Tronco Norte-Fluminense e ser via de passagem, torna intenso o fluxo de veículos que transportam pessoas e cargas.

Ao longo dos últimos anos o Fonseca tornou-se um bairro de classe média e baixa (funcionários públicos, pequenos comerciantes, bancários, profissionais liberais, comerciários, etc.). Intensificou-se o processo de favelização em algumas áreas ao mesmo tempo em que se acelerou a construção de conjuntos de edifícios. Gradativamente tem mudado o perfil da Alameda (*9): de residencial para comercial. Alguns antigos estabelecimentos comerciais, bares, açougues, padarias, e até um geleiro, sobrevivem. A estes somam-se novos estabelecimentos como agência de automóveis, lojas de auto-peças, postos de gasolina, supermercado, sacolões, restaurantes e lanchonetes, lojas de móveis (usados e novos), oficinas, casas de show, clubes, lojas de roupas/pronta entrega, drogarias, vídeo-locadoras, loja de material e laboratório fotográfico.

As edificações utilizadas para as atividades que se multiplicam e diversificam na Alameda têm diferentes origens. São prédios comerciais do início do século onde funcionavam os desaparecidos armazéns de secos e molhados; prédios construídos com um objetivo mas que hoje têm funções bastante diferentes (Cinema Alameda, hoje uma igreja; Cine São Jorge, hoje loja de auto-peças); e prédios especificamente construídos para atividades comerciais, além de casas reformadas e adaptadas.

Ao longo da Alameda também funcionam agências bancárias, agência do correio, clubes, igrejas, clínicas, escolas, além da Penitenciária Estadual Ferreira Neto, da delegacia policial, do Jardim Botânico Nilo Peçanha (Horto do Fonseca), um quartel da Polícia Militar e o Museu da Eletricidade.

Outras ruas são importantes, tanto para a movimentação interna , quanto para o acesso a outros bairros, são elas: São Januário, Desembargador Lima Castro, 22 de Novembro, João Brasil, Carlos Maximiano, São José, Riodades, Teixeira de Freitas e Leite Ribeiro.

Nas atividades econômicas o destaque é o comércio. Este comércio é, pela maioria de seus estabelecimentos, de pequeno porte, servindo principalmente aos seus moradores. Possui apenas um supermercado, uma concessionária de automóveis, e uma empresa de ônibus como estabelecimentos de grande porte. Nas ruas internas do bairro são encontradas muitas lojas para abastecimento local e emergencial como padarias, bares, mercearias, barbearias, oficinas, depósitos e armarinhos.

A ocupação do Fonseca se deu inicialmente ao longo da Alameda, mais fortemente nos seus dois extremos, o Ponto de Cem Réis e o Largo do Moura, com diferentes perfis sócio-econômicos (o início da Alameda, era um endereço mais nobre). Depois estendeu-se até as encostas dos morros, fazendo com que surgissem outras localidades com identidades próprias: Bairro Chic, Buraco do Juca, Riodades, Teixeira de Freitas, Palmeiras, São José, etc.

O Fonseca tem muitos problemas que exigem atenção e ação específica do poder público, os principais são:

– O excesso de veículos na Alameda São Boaventura que causa constantes engarrafamentos e provoca transtornos e riscos para moradores e usuários;

– A escassez de vias alternativas para acesso ao bairro e para a movimentação interna;

– O escoamento das águas pluviais. Toda a água das chuvas praticamente converge para o canal da Vicência, exigindo trabalho permanente de limpeza e desobstrução deste e de suas saídas (nova e antiga). Também nos temporais, em vários pontos do bairro a lama desce pelas encostas, chegando até a Alameda;

– A presença de conflitos pelo domínio de “pontos” pela criminalidade, principalmente nas áreas de favelização;

– Falta de espaços de lazer. Não há praças significativas, sendo o único lugar público amplo o Horto , que está cada vez mais ocupado por outras atividades, descaracterizando uma grande área de lazer infantil. O mini-zoológico funciona em espaço reduzido e mal aparelhado; a área dos viveiros e estufas está em ruínas ou abandonada;

– A não adequadação (ampliação) e reaparelhamento de serviços públicos ao crescimento do bairro;

O Fonseca, embora tenha sido uma região de passagem desde o período colonial e mesmo com a crescente utilização comercial e rodoviária da Alameda em tempos atuais, foi e continua sendo um bairro predominantemente residencial. Este fato deve ser considerado como o mais significativo na definição de políticas públicas destinadas ao bairro.

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Ilha da Conceição

Situada em frente a antiga enseada de São Lourenço, a Ilha da Conceição teve toda sua história de ocupação basicamente relacionada ao mar.

No passado, a área sediava uma fazenda com uma capela datada de 1711, que foi derrubada, parede por parede, sob alegação do padre da necessidade de reforçá-las. Na época ocorreram discussões acirradas com os moradores porque a medida que se construía uma parede por fora, o padre permitia a demolição da parede original. Hoje a capela transformou-se na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. A sede da fazenda localizava-se onde atualmente funciona o Centro Social Urbano (CESU).

Há referências quanto a existência de gado na Ilha, presença esta associada ao matadouro que funcionava no Barreto, em frente a um dos antigos cais de acesso à ilha.

Entretanto, a partir do início deste século, se estabelece a relação da ilha com a indústria naval, estreitada com a construção do Porto de Niterói, inaugurado em 1927. Esta relação se manteve quando a ilha se ligou ao continente, em 1958.

No espaço pertencente a Leopoldina Railway (inglesa) instalaram-se na ilha, desde 1908, um estaleiro do Loyd Brasileiro, a oeste, e uma empresa inglesa, ao norte – a Wilson Sons, que fornecia pedras (retiradas da própria ilha) para lastro de navios, para a construção de cais e, também, carvão para navios e locomotivas.

Vários eram os interesses da Leopoldina Railway, principalmente a instalação de um terminal de carvão junto a seu cais. O terminal ferroviário de Niterói foi inaugurado em 1930, junto ao Porto, e a Leopoldina Railway cogitava construir uma linha férrea ligando os dois lados da ilha, para transporte de carvão – então feito pelo mar, através de chatas.

Com a Wilson Sons começa a ocupação efetiva da ilha, incrementada nas décadas de 20 e 30 com imigrantes portugueses trazidos para trabalharem nas suas carvoarias. Havia uma relação respeitosa empresa/empregado, pois os imigrantes iam uma vez por ano a Portugal, de navio, por conta da empresa.

Os trabalhadores ocupavam casas de pau-a-pique nas áreas da Leopoldina Railway, que não permitia construções em alvenaria. Esta ocupação era consentida pela empresa, que apenas cobrava um pequeno aluguel, sem nenhuma preocupação em inibí-las ou em oficializá-las por contrato.

Com tal facilidade, pescadores, operários navais, ferroviários e principalmente imigrantes portugueses, trazidos por informações chegadas à Portugal através dos conterrâneos que aqui viviam, mudam-se para a ilha. Os primeiros em busca de casa própria, os segundos por uma vida nova e também incentivados pelo fluxo migratório no sentido Europa/América existente à época.

Face a indiferença da Leopoldina Railway surgiram construções em alvenaria. O material para construção chegava em barcos e as residências eram erguidas pelos próprios moradores.

Tentando organizar a ocupação das terras, surgiu na ilha um topógrafo da empresa que, segundo alguns, defendia interesses estranhos aos dos moradores (o dele próprio). Desta forma as casas iam sendo erguidas, notando-se hoje um acentuado desalinhamento nas construções.

A Ilha da Conceição, como se configura atualmente, foi constituída a partir da ligação de duas ilhas que, dependendo da maré, podiam unir-se ou se separar por um canal (navegável), sendo formada geomorfologicamente por três morros principais.

A primeira ilha, onde localiza-se o Morro da Fábrica, situa-se na atual entrada do bairro, cujo nome deve-se a existência de uma fábrica de álcool-motor, depois transformada em fábrica de doce e por último transformada em fábrica de sardinha, sendo posteriormente desativada. Esta parte da Ilha teve o seu loteamento feito de forma regular pelo Banco Costa Monteiro, onde observa-se melhor padrão construtivo.

A segunda ilha, área da Leopoldina, era formada pelo Morro do MIC, antigo morro da Wilson Sons, e pelo Morro da Capela.

A ligação entre as duas ilhas ocorreu quando da construção do Porto de Niterói, utilizando-se a areia vinda da dragagem do cais. Esta zona arenosa que se formou foi sendo definitivamente aterrada pelos próprios moradores, conforme as construções iam surgindo.

O abastecimento de água era feito por um terminal da Leopoldina e a energia elétrica foi negociada com o Loyd Brasileiro, que permitia a extensão de cabos do estaleiro até as residências.

Em 1958, com a conclusão da ligação ao continente, foi aberta a principal rua da ilha, a Mário Neves, pela Companhia Nacional de Saneamento que tinha interesse na área. Deu-se então, a ocupação da orla da Ilha, principalmente pelas indústrias navais, acabando dessa forma com os banhos de mar dos moradores, já prejudicados pela poluição causada pela criação de suínos em liberdade, intensa à época.

Uma luta antiga dos moradores é pela posse da terra que pertencia à Leopoldina Railway. Estatizada pelo governo federal, tornou-se Estrada de Ferro Leopoldina, sendo posteriormente anexada à Rede Ferroviária Federal S.A.

Em 1987 a Prefeitura Municipal de Niterói comprou as terras litigiosas, com o compromisso de vendê-las aos seus ocupantes.

A Ilha da Conceição é considerada uma colônia portuguesa, cuja presença é marcada pela tradicional festa de Nossa Senhora da Conceição, que peculiarmente tem a comissão de organização constituída com paridade entre portugueses e brasileiros. Esta festa era aguardada ansiosamente por toda a população e contava com a presença de representações diversas da colônia portuguesa, trazidas em barcos emprestados pelos estaleiros. Quase todos os namoros da Ilha iniciavam-se nessas festas.

Entretanto, apesar desta manifestação religiosa, o primeiro padre específico para a paróquia da Ilha chega em 1968. Até então os casamentos, batizados e demais serviços religiosos eram feitos pelo pároco do Barreto.

Além da festa de Nossa Senhora da Conceição, outro prazer dos habitantes era o cinema que existia na Ilha.

Com uma capacidade organizativa muito grande, talvez pela sua formação de imigrantes que, em terras estranhas precisavam se organizar, a população da Ilha teve conquistas sociais de relevância.

– O empréstimo da energia elétrica pelo estaleiro do Loyd Brasileiro;

– A regularização do fornecimento de energia elétrica pela CBEE (Cia. Brasileira de Energia Elétrica);

– A luta pela posse da terra;

– O reservatório da Cedae;

– A luta pela escola local, atualmente Escola Estadual Zuleika Raposo Valladares, cuja primeira etapa foi construída através de recursos obtidos pelos próprios moradores.

Outro fator a que se pode creditar a capacidade organizativa do bairro é a presença, entre seus moradores, de muitos operários navais e ferroviários, categorias combativas e bem organizadas sindicalmente até 1964.

O Centro Pró-Melhoramentos (CPM) do bairro foi fundado em 1958 pelo grupo mais organizado dos moradores (os portugueses ficam de fora) e teve papel importante nas conquistas obtidas pelos que residiam na ilha. Mas a diretoria foi afastada em 1964, acusada de ser “comunista”, denunciada pelos que a ela faziam oposição no bairro. Os processos contra os diretores do CPM não foram adiante porque o militar encarregado do inquérito exigiu provas concretas, não obtidas pelos acusadores.

A paixão dos moradores podia ser sentida pela rivalidade existente entre os dois clubes locais, cujos jogos terminavam sempre em briga generalizada. Alguns jogos foram realizados fora do bairro a fim de se evitar o confronto das torcidas. O Esporte Clube Azul e Branco, cujo campo existe até hoje, data de 1926 e o Esporte Clube Luzitano, fundado em 1935, possui grande sede social, mas o seu campo foi ocupado para construção da escola estadual.

Uma Subdelegacia chegou a funcionar na ilha, com um titular protegido por políticos com interesses na área. O subdelegado tornou-se uma espécie de administrador informal, controlando desde a marcação das terras até a distribuição de energia elétrica.

A primeira linha de ônibus chegou junto com a ligação da ilha ao continente, em 1958, ainda trafegando por ruas de barro batido. A linha era atendida por veículos da antiga Companhia Serve, veículos em péssimo estado de conservação e com freqüência duvidosa.

A dinâmica demográfica está em processo de desaceleração. As taxas de crescimento são pequenas quando comparadas com as médias municipais. O bairro é adensado e de ocupação antiga.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Com a construção da Ponte Rio-Niterói, na década de 70, ocorre uma grande mudança na parte da ilha voltada para o continente, com a abertura de acessos e com a instalação do posto da Polícia Federal, responsável pela ponte.

Vem desta época o asfaltamento da rua Mário Neves e a melhoria dos meios de transportes (passam a ser duas as linhas de ônibus, mas a freqüência continua irregular principalmente nos horários noturnos). Atualmente todas as ruas do bairro são asfaltadas.

Na parte mais afetada pelas mudanças existia uma pequena favelização cujos moradores foram remanejados. Atualmente no outro extremo da ilha – ao Norte – é que encontramos uma área com construções precárias. O morro do MIC, apesar da ocupação desordenada, apresenta residências de alvenaria.

Houve um esvaziamento na indústria naval e os grandes estaleiros saíram da ilha, existindo porém algumas pequenas e médias empresas que terceirizam os seus serviços para os grandes estaleiros da região. Apesar disso, o lado de frente para o Porto de Niterói é exclusivamente industrial, existindo uma ponte suspensa ligando-o à ilha do Caju (onde apoiam-se alguns pilares da Ponte Rio-Niterói). Encontramos ainda uma fábrica de sardinha desativada e um cais de barcos pesqueiros bem movimentado, após o fechamento do entreposto de pesca da Praça XV, no Rio de Janeiro.

O comércio do bairro, além do que vende artigos de primeira necessidade (mercado, açougue, padaria, farmácia etc.), apresenta algumas casas especializadas em artigos para a indústria naval e pesqueira e conta ainda com uma agência bancária e fábricas de gelo para abastecer barcos pesqueiros.

Bem servida por equipamentos urbanos, a Ilha possui uma escola estadual, uma escola municipal, uma creche, um posto de saúde, um posto do programa “Médico de Família”, o Centro Social Urbano e recentemente começou a funcionar um Posto Policial (DPO) na entrada do bairro.

O bairro apresenta uma vida noturna intensa, marcada pela presença de vários treilers nas praças locais, principalmente em frente ao Esporte Clube Luzitano, que promove bailes semanais. Concorrido também é o “Bar do Peixe”, conhecido em toda cidade, onde se bebe cerveja acompanhada de peixe-frito fornecido pela casa.

Bairro de vida pacata, onde se coloca cadeira nas calçadas para um bate-papo em noites de verão, apresenta residências típicas de áreas com pouco espaço para construção: terraços cobertos como área de lazer.

A ocupação dos imóveis vagos se dá de forma rápida, propagados verbalmente, pois quase todo morador tem um parente querendo mudar-se para a Ilha, principalmente os portugueses que mantêm tradições familiares muito fortes.

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Santa Bárbara

Parte de uma grande fazenda existente na região (fazenda de Juca Matheus) que se estendia até o município de São Gonçalo foi loteada e deu origem ao bairro de Santa Bárbara. Esta denominação relaciona-se a existência de antiga igreja cuja padroeira é Santa Bárbara. Com a criação e estabelecimento de novos limites em 1986, a igreja passa a não pertencer mais ao bairro, ficando no vizinho Baldeador.

A fazenda, até a década de 50, dedicava-se à pecuária extensiva. O esvaziamento desta atividade deu margem ao seu parcelamento e posterior loteamento.

Com mais de 50% da superfície ocupada por morros, o início do seu desenvolvimento urbano deu-se na parte mais plana, próxima à Rodovia Amaral Peixoto, com a criação, no início dos anos 60, do loteamento Vila Maria. Este loteamento foi realizado sem nenhuma infra-estrutura sendo ocupado pela camada da população de menor poder aquisitivo. Atualmente nota-se uma ocupação desordenada das encostas, destacando-se neste processo o Morro da Paz.

Fora da parte central do bairro encontramos outras áreas adensadas: na divisa com o Caramujo, no local conhecido como Horta; junto à estrada Velha de Maricá, no limite com Maria Paula; e num condomínio de classe média existente perto da Rodovia Tronco-Norte.

Com uma expansão inicial típica de periferia urbana, onde as construções são de padrão médio para baixo, o bairro vem apresentando uma valorização crescente dos seus imóveis, face principalmente ao incremento ocorrido na instalação de equipamentos urbanos, pela sua localização e também por seu clima ameno.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio existente no bairro atende às necessidades básicas da população e de áreas vizinhas, como o Novo México, bairro de São Gonçalo com grande concentração populacional.

Quanto aos equipamentos urbanos, Santa Bárbara conta com a Unidade Municipal de Saúde Adelmo de Mendonça, a Casa da Criança, uma creche municipal, duas escolas do 1º grau (E.M. Rachide da Glória Salin Saker e a E.E. Antonio Coutinho de Azevedo), além de uma escola estadual do 2º grau recém inaugurada, o Liceu David Capistrano. Nota-se também a existência de alguns estabelecimentos particulares voltados para a educação infantil (maternal e jardim).

No centro do bairro destaca-se uma praça que, entre outros equipamentos, dispõe de quadra poli-esportiva, campo de futebol, pista de skate, jardins etc.

Em relação ao transporte, apresenta uma linha principal (580-Centro/Santa Bárbara) e mais três linhas com ponto final na junção do bairro com o Sapê e o Caramujo, (26-Centro/Caramujo, 62-Fonseca/Charitas e 36-Centro/Sapê).

Um dos principais problemas é a falta de telefones públicos. Atualmente existe apenas um orelhão em todo o bairro.

Nota-se a existência de diversas comunidades religiosas: Igreja Peniel, Assembléia de Deus, Batista e Ebenezer. Existe também uma instituição conhecida como “Missão Americana” que presta serviços a uma parte restrita da população.

O movimento participativo dos moradores é expressivo, com uma associação de moradores bastante atuante. Em geral, os moradores percebem a necessidade de organização como forma de encaminhar e resolver os problemas do bairro.

Conta ainda com a sede da Secretaria Regional de Desenvolvimento de Santa Bárbara, que tem como área de abrangência, além do bairro em que se localiza, os bairros do Caramujo e Baldeador.

De triste lembrança, o bairro foi palco recentemente de uma tragédia com a explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício, que destruiu imóveis, carros e vitimou várias pessoas.

Existe perspectiva de investimentos no bairro com a vinda de um comércio mais especializado. A medida em que são alcançadas as prioridades estabelecidas entre a administração local e a população. Com a melhoria da infra-estrutura disponível, a tendência é de que o bairro se incorpore a outros espaços próximos, possibilitando uma reorganização urbana.

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Santana

Santana é um dos bairros mais antigos de Niterói, limitando-se com São Lourenço, Fonseca, Engenhoca, Barreto, Ilha da Conceição e Ponta D’Areia, além das águas da Baía de Guanabara. Inicialmente suas terras foram ocupadas por plantações, mas a proximidade do mar foi fator fundamental para entender fatos que marcaram a história do bairro.

Há registros do séc. XIX sobre a Fazenda de Sant’Anna, do Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto, para cuja capela cogitou-se tranferir a igreja da freguesia de São Lourenço.

Às margens da Baía de Guanabara, ancoradouros e depois o porto de Niterói.

Ao longo do tempo foram desenvolvidas em Santana diferentes atividades econômicas: a pesca, a agricultura, a extração mineral e o comércio, este originando grandes armazéns.

Nos limites do bairro, junto a São Lourenço e na entrada do Fonseca, construiu-se, de 1873 a 1892, por deliberação do Governo provincial, a matriz de São Lourenço. O lugar tornou-se nesta época o principal ponto de referência dos três bairros. O largo de Santana posteriormente passou a ser conhecido e chamado de Ponto dos (de) Cem Réis, preço da passagem do bonde que aí fazia uma parada. Devido ao desenvolvimento urbano do Fonseca, a área passou a ser muito mais integrada ao bairro, com ele se confundindo. No Ponto de Cem Réis instalaram-se estabelecimentos comerciais que serviam a diferentes bairros.

Posteriormente iria ocorrer a instalação de indústrias como estaleiros de reparos navais, refinaria de açúcar, fábrica de vidros e fábricas de beneficiamento de pescado. Muitas destas atividades deixaram de existir, mas algumas sobrevivem até hoje.

No início do século XX o bairro ganha novas áreas e atividades. Ainda na década de 20 são feitas as obras do aterrado de São Lourenço, no mangue que ali existia. Este aterro tinha com objetivo de facilitar a construção do Porto de Niterói, da Estação Ferroviária e de uma nova avenida, a Feliciano Sodré no limite do bairro com o Centro e São Lourenço. Já na década de 70, a construção da Ponte Rio-Niterói, traz novas mudanças: prédios são derrubados (inclusive onde funcionava o Centro Pró-Melhoramentos Santana/São Lourenço), viadutos são construídos dividindo o bairro – o Ponto de Cem Réis, que é o único lugar ainda reconhecido como Santana, e a parte maior, identificada pelos moradores como Barreto.

CARACTERÍSTICAS URBANAS E TENDÊNCIAS:

Caminhando-se pelas ruas e travessas do bairro, observa-se pelas construções existentes, residenciais ou não, as diferentes etapas de sua ocupação, além da relação direta com os bairros de São Lourenço, Fonseca e Barreto: prédios abandonados, em ruínas ou totalmente fechados, ao lado de instalações comerciais e industriais, algumas subaproveitadas. A arquitetura das residências referenda essas transformações: há vilas de casas (todo o lado esquerdo da travessa Couto) tipicamente de operários; há casas de construção antiga ou recente com características simples perto do Ponto de Cem Réis, no Morro do Holofote e nas suas proximidades; há casas construídas em terrenos da Rede Ferroviária por seus trabalhadores e existem ainda construções do início de século, maiores em dimensão, que deixam evidente relativa suntuosidade, convivendo com construções mais modernas nas proximidades do Largo do Barradas (rua José de Alencar); bem como edifícios e conjuntos de apartamentos populares, típicos do “boom” imobiliário da década de 70.

No bairro hoje, além dos prédios residenciais e das indústrias (principalmente ao longo da Avenida do Contorno), são encontradas oficinas e estabelecimentos comerciais, estes mais numerosos e aglomerados nas cercanias do Ponto de Cem Réis e Largo do Barradas. Existem ainda vários espaços que são utilizados como depósitos: seja público (Detran) ou particular (transportadoras). Prédios com outras finalidades também são encontrados: a Casa Oliveira Vianna, no início da Alameda; o Clube dos Funcionários da Telerj; o prédio do Sindicato de Operários Navais do Rio de Janeiro (palco da resistência ao Golpe de 64) e uma praça, o Largo do Barradas, onde se localizava uma antiga e tradicional escola particular – o Colégio Nilo Peçanha, que foi extinto e no seu lugar, recentemente, construiu-se uma creche filantrópica e um parque esportivo. No bairro há uma única escola pública estadual, o Jardim de Infância Julieta Botelho, que por estar localizado no início da Alameda é muito mais identificado com o Fonseca. Também já funcionou no bairro um hospital, a maternidade do IAPTEC, que foi desativada, ficando o prédio durante um tempo sem uso e abrigando hoje um setor burocrático da previdência social.

O reaproveitamento de seus espaços para o exercício de novas atividades, bem como de novas construções, não só mudam o perfil do bairro – de portuário, industrial e ferroviário, onde residiam seus operários – para um bairro onde predominam prédios residenciais, como também reafirmam uma característica bastante antiga, de ser local de passagem. A falta de equipamentos públicos de saúde, educação e lazer, faz com que os moradores do bairro não o identifiquem como tal, todos a ele se referindo como Barreto ou como Fonseca.

Como problemas ambientais dignos de nota, destaca-se a poluição decorrente do excessivo número de veículos que trafegam pelo bairro, principalmente na Avenida do Contorno e a poluição das águas da Baía de Guanabara.

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São Lourenço

São Lourenço é um marco na história de Niterói e andar por suas ruas é retornar ao passado. A reação aos franceses que invadiram a Baía de Guanabara, em 1555, originou o povoamento na área. Na luta sobressaíram-se Estácio de Sá, Mem de Sá e o Cacique Araribóia, chefe dos índios da tribo Temiminós. Expulsos os franceses e por sua lealdade aos portugueses, Araribóia ganhou uma sesmaria nas terras onde seria erguida a cidade de Niterói. Ao instalar-se nelas, escolheu o morro de São Lourenço para construir o seu aldeamento principal devido a visão estratégica da Baía, possibilitando vigilância constante.

No bairro está a mais antiga igreja da cidade, a Igreja de São Lourenço dos Índios, localizada no outeiro do mesmo nome. O seu altar – com a estrutura quase toda em pau-brasil – e o seu piso, são ainda originais da época da construção. Segundo consta, a igreja foi erigida em 1627. A princípio existia uma capela cuja construção foi iniciada no século XVI pelo jesuíta Braz Lourenço. Sendo um dos mais belos templos em estilo colonial do país, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Dois túneis subterrâneos que existiam sob a Igreja foram destruídos na década de 60.

Já se tornou tradição todos os anos, no dia 22 de novembro, comemorar com missa nesta igreja o aniversário de fundação de Niterói. Nesta data, em 1573, o Cacique Araribóia, já então batizado com o nome de Martim Afonso de Souza, tomou posse oficialmente da Sesmaria que lhe foi doada.

No alto do morro de São Lourenço, no largo em frente a igreja, os índios enterravam os seus mortos. Por isso o local foi batizado pelo povo de Cemitério dos Caboclos. A Freguesia de São Lourenço progrediu e estendeu-se aos poucos, sendo ocupadas por fazendas de cana-de-açúcar, mandioca, fumo e outras culturas, porém o progresso que vinha do outro lado da Baía de Guanabara iria ocorrer, preferencialmente, na parte mais plana, em locais facilmente alcançáveis por mar.

No séc. XIX, com a política de expulsão dos jesuítas da metrópole e colônias adotadas pelo Marques de Pombal, a Aldeia de São Lourenço era o único local, próximo ao Rio de Janeiro, onde ainda se encontravam remanescentes das tribos indígenas. Estes viviam da pesca, da caça e da coleta de frutos abundantes e também teciam e produziam cerâmicas. Esses índios, com o processo de aculturação, aos poucos foram absorvendo a cultura e as profissões dos colonizadores europeus. A população da aldeia foi progressivamente diminuindo até que, em 1866, o Governo Provincial decide extinguir o povoado.

A enseada de São Lourenço, com o passar dos anos, foi se tornando cada vez mais rasa não só pelo acúmulo de lodo, como também pelo papel de vazadouro de lixo da cidade que cumpria.

Com o projeto de construção de um cais, a área foi finalmente aterrada, inaugurando-se o Porto de Niterói na década de vinte, cuja área atual pertence parte ao bairro de Santana, parte à Ponta D’Areia.

Da enseada de São Lourenço até Maruí havia, outrora, empresas industriais e comerciais variadas. Na rua São Lourenço , importantes estabelecimentos comerciais (atacadistas) e industriais instalaram-se graças a proximidade do porto e da ferrovia.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Na parte baixa do bairro encontra-se a rua São Lourenço para onde convergem as ladeiras do outeiro. Nesta rua ainda coexistem o tradicional e o moderno. Marcada pela existência de velhas construções, que eram utilizadas para fins comerciais e industriais, alguns destes prédios foram reformados e são utilizados em novas atividades econômicas. Outros, em estado muito precário, são usados como moradia. Alguns foram derrubados e deram lugar a estabelecimentos comerciais sofisticados. Observa-se ainda a existência de pequenas indústrias como serrarias, marmorarias, etc.

Em meio a estas “modernidade”, ainda se encontram a antiga barbearia, de muitas gerações, e os botequins que servem média de café e leite com pão. Na Farmácia São Lourenço, médico e farmacêutico sempre trabalharam juntos. Hoje ela é uma das duas remanescentes, dentre as cinco que existiram desde os anos 30. São Lourenço já foi o bairro de Niterói a possuir o maior número de farmácias. A Farmácia São Lourenço foi fundada em 1928 e preserva até hoje a decoração original, com o seu mobiliário em madeira, estilo da época.

O Posto de Saúde Carlos Antonio da Silva, conhecido historicamente pelos usuários e população em geral como Posto de Saúde São Lourenço encontra-se localizado, na realidade, no bairro do Centro e atende não só aos moradores do local, como também aos dos bairros vizinhos.

Em relação à questão de infra-estrutura, o bairro é servido por várias linhas de ônibus que se dirigem a outros bairros, fazendo por ali seus itinerários. Na parte alta existe uma linha específica que atende aos moradores do outeiro.

Consoante à prestação de serviço educacional, o bairro possui o Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto, situado na parte baixa. No outeiro não existem escolas.

Existem poucos espaços para expansão imobiliária; as ruas são estreitas, com exceção da rua São Lourenço. Alguns dos espaços vazios encontrados são devido a residências abandonadas e depósitos desativados, usados pela antiga zona portuária e pela empresa ferroviária que funcionou até a segunda metade do séc. XX.

A paisagem remanescente caracteriza o bairro como sendo antigo, cuja população é predominantemente constituída de pessoas nascidas no próprio local, além de imigrantes nordestinos que chegaram ao bairro na década de 70.

São igualmente localidades do bairro: parte do Morro Boa Vista, cujo acesso faz-se também pelo Fonseca – e o Aterrado de São Lourenço, em parte ocupado por moradores oriundos da favela do Sabão.

Na área do aterrado também funcionam ou já funcionaram diversos órgãos públicos: O Detran, o Tribunal de Contas do Estado, uma Policlínica, a garagem da EMOP e o antigo Mercado Municipal de Niterói. Mais recentemente um conjunto residencial foi construído por uma carteira habitacional.

Um dos problemas apontados pelos moradores diz respeito ao transbordamento de um canal existente no bairro, que mesmo após retificações ainda acarreta transtornos.

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Tenente Jardim

O bairro cresceu onde outrora existiu a fazenda pertencente à família Jardim: Juvenal Jardim (Tenente da Marinha do Brasil) e a sua mulher, uma francesa de nascimento. Estabelecidos no final do século passado, o casal residia no prédio onde mais tarde se instalaria o Colégio Monsenhor Uchôa. A fazenda produzia para consumo próprio e o pequeno excedente era comercializado nas imediações. Uma pequena fração foi doada para a construção da Igreja de São João Batista, que transformou-se no núcleo original de povoamento do bairro.

O antigo caminho usado para escoamento dos excedentes agrícolas, que saindo da fazenda descia em direção à rua Dr. March, transformou-se na principal via de acesso ao bairro, urbanizada e pavimentada por interferência direta do Comando do antigo 3º Regimento de Infantaria, atual 3º BI (Batalhão de Infantaria) . A unidade militar sempre usou o Morro do Castro – situado entre o Fonseca e o Baldeador, e alcançado através de Tenente Jardim – como área de exercícios. Da ocupação radial desta via surgiu, efetivamente, o traçado urbano do bairro, que foi sendo ocupado lentamente. Esta ocupação atingiu o seu apogeu por volta de 1950, quando veio a se consolidar o desmembramento da fazenda.

Aos moradores fixados há tempos, progressivamente juntam-se os seus descendentes e os poucos terrenos disponíveis não são suficientes para atender a demanda. Vale lembrar, que do ponto de vista geográfico, o bairro está localizado em um vale, o que também serve para reduzir a oferta de terrenos para a construção.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Em relação ao padrão construtivo, notam-se duas categorias distintas: a parte baixa do bairro é ocupada por residências antigas de alvenaria e a medida que nos encaminhamos para a parte mais elevada, o padrão das residências decresce. Embora continuem a existir construções de alvenaria, observa-se a presença de auto-construções, com espacialização mais desordenada.

O comércio do bairro não tem muitas opções, destacando-se os mini-mercados, quitandas e bares que se localizam principalmente na rua Tenente Jardim, via principal do bairro. Os demais setores da economia são representados por uma transportadora e uma serralheria, entre outros.

Observa-se que existe pavimentação não só na via principal como também em algumas transversais localizadas na parte baixa do bairro. A rede coletora de esgotos é precária, sendo estes lançados na rede de águas pluviais, em sua maior parte.

Quanto ao aspecto educacional, o bairro possui uma escola localizada em seus limites: a E.M. Tiradentes, e é atendido também pelas localizações no Morro do Castro ou no vizinho município de São Gonçalo – separado de Tenente Jardim por apenas uma rua. As localizadas no Morro do Castro são a E.M. João Brasil e a E.M. Governador Roberto Silveira. Também o posto de saúde que serve à comunidade está localizado no Morro do Castro, que, como já foi dito anteriormente, distribui-se entre os bairros do Fonseca e do Baldeador.

O abastecimento de água é feito pela rede geral, na parte baixa e a coleta de lixo é feita parcialmente no bairro.

O rio Bomba, marco divisório entre Niterói e São Gonçalo, hoje em dia não passa de um valão degradado e sujo.

Como atividade sócio-cultural e religiosa destaca-se a festa do Dia da Criança, com desfile escolar pelo bairro seguido de lanche comunitário e a festa do padroeiro São João, com procissão e missa festiva.

Como característica urbana marcante e reveladora de tendência observa-se, pela vizinhança do Tenente jardim com o município de São Gonçalo, uma complementaridade das atividades desenvolvidas nesses locais, muitas vezes desconsiderando-se os limites administrativos e institucionais, peculiar de áreas metropolitanas.

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Viçoso Jardim

O bairro faz limite com Fonseca, Cubango, Caramujo e Ititioca integrando. Situa-se no interior do maciço costeiro numa área conhecida como “mar de morros”.

Os primeiros registros de ocupação remontam à antiga Fazenda do Saraiva, onde os trabalhadores exerciam ofícios diferenciados e pertinentes às atividades agrícolas. Este núcleo original de povoamento atrai para o lugar comerciantes portugueses que iriam montar mercearias, as “vendas” de antigamente. Vamos encontrar pelo bairro marcas da presença portuguesa, como por exemplo nos nomes das travessas Alice e Odete, dados por um português em homenagem às suas filhas, ou no próprio nome original do bairro – “Venda das Mulatas” – que, segundo moradores, seria oriundo da presença de um português dono de uma “venda” e de suas três filhas mulatas. Poderíamos identificar cronologicamente esta presença lusitana a partir da década de 30, porém foi somente na década de 60 que o bairro viveu o seu período de ocupação mais intensa.

Atualmente podemos observar que apenas uma pequena parte da Fazenda do Saraiva foi ocupada, fruto de acordo entre seu proprietário e os moradores locais, pois a mesma não foi oficialmente loteada.

Quanto à lixeira que existia no bairro, originalmente localizada em um terreno baldio, foi sendo acrescida de dejetos até que assumiu proporções gigantescas, transformando-se no grande vazadouro de lixo da cidade. Sua transferência para outro local se deu no início da década de 80 e esta área, onde a lixeira se encontrava é, ainda hoje, marcada pela degradação ambiental que tal atividade acarreta. É neste local que vamos encontrar a travessa São José, que concentra uma população de baixa renda.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Um comércio incipiente, composto basicamente de bares e mercearias, acrescido de oficinas mecânicas e borracharias além de uma fábrica de antenas parabólicas, são, praticamente, as atividades econômicas que encontramos no bairro. Em relação ao setor educacional, destaca-se a presença de uma escola municipal.

O transporte coletivo para o bairro é feito por apenas uma linha de ônibus, que aí tem localizada a sua garagem. As opções de interligação com outros locais só melhoram nas proximidades do Cubango.

A principal via do bairro possui tráfego intenso por ser corredor de passagem para as regiões de Pendotiba e Oceânica.

Quanto aos serviços básicos de infra-estrutura, a iluminação pública só existe nas vias principais. Verifica-se a existência de água potável na maioria das moradias, embora a rede coletora de esgoto seja insuficiente para a demanda do bairro.

A antiga localização da lixeira é responsável pelo principal problema ambiental que o bairro enfrenta: o chorume (líquido resultante da decomposição da matéria orgânica encontrado nos depósitos de lixo acumulado) que escorre pelo local. A existência de favelas, como a do Morro do Bumba, sinaliza para um outro problema, que é a ocupação desordenada de seus espaços.

Por ser um bairro periférico, cujos os espaços foram ocupados à partir do Cubango, possui perfil relativo à esta formação, com residências unifamiliares, muitas frutos de auto-construção.

Com população de padrão econômico tendendo para baixo – muitos exercem atividades no setor informal – esta não se identifica historicamente como morador do Viçoso Jardim, pois a sua constituição enquanto bairro só ocorreu em 1986, portanto, muito recentemente.

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