Jacaré

Jacaré tem como limites os bairros de Itaipu, Piratininga, Cantagalo, Vila Progresso, Muriqui, Rio do Ouro e Engenho do Mato. O nome do bairro tem origem no rio Jacaré, onde, até há algum tempo, segundo antigos moradores, tais animais eram vistos..

Como em toda Região Oceânica, o bairro surge do parcelamento de uma grande fazenda, o que favoreceu o processo de grilagem no local. Ainda hoje encontramos produtores agrícolas e criadores de pequena monta.

A partir dos anos 60 a área passou a ser ocupada por posseiros oriundos de diversos locais. Já na década de 80 o poder público municipal desapropriou parte dos terrenos, dando posse definitiva aos que lá habitavam. Hoje podemos notar a coexistência de alguns sitiantes com núcleos de uma população de baixa renda, além de recente processo de favelização.

A ocupação espacial se desenvolveu em torno da principal via do bairro, a Avenida Frei Orlando (antiga estrada do Jacaré), onde predomina a população de baixa renda — com exceção do Condomínio Ubá que, margeando a estrada do Jacaré, é um dos mais antigos da Região Oceânica. A favelização aparece sobretudo no morro da Boa Esperança, situado entre as estradas do Jacaré e Celso Peçanha. Outra área de favelização situa-se no Vale Verde, que derivou da remoção de alguns moradores dos arredores da lagoa de Piratininga.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O único equipamento público encontrado no bairro é a Escola Municipal Eulália da Silveira Bragança que atende do pré-escolar até a 4ª série. Os demais, como escolas de 5ª à 8ª séries e de 2º graus, bem como postos de saúde, a população busca em bairros adjacentes.

A rede geral de esgotos é precária: lançado em fossas ou diretamente no rio Jacaré, sendo um dos principais fatores de poluição. A água é proveniente de poços ou nascentes e as ruas não são pavimentadas, inclusive a via principal, a Avenida Frei Orlando que interliga o bairro a outra Região de Planejamento (Pendotiba, bairro Muriqui).

A Avenida Frei Orlando encontra-se mal conservada, principalmente na subida do morro do Jacaré. Na confluência da Avenida Frei Orlando com a estrada Francisco Cruz Nunes, encontramos um luxuoso condomínio residencial com casas de alto padrão construtivo.

Os moradores do Jacaré , para terem acesso aos transportes coletivos, são obrigados a caminhar até a antiga estrada Celso Peçanha em função da inexistência de qualquer linha de ônibus operante no interior do bairro.

Da mesma forma que, por essa deficiência, parte considerável da população utiliza-se de bicicletas para se deslocar no bairro e nos arredores da região.

Localiza-se ainda no Jacaré, um Camping Club que, nos finais de semana e feriados, recebe população originária da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A tendência do bairro é continuar crescendo por estar inserida no contexto de expansão da Região Oceânica.

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Itaipu

Itaipu apresenta registros de ocupação ocorrida há 8 mil anos por comunidades indígenas, fato comprovado através de estudos realizados no Sítio Arqueológico da Duna Grande. Lá foram observados restos de ossos e de utensílios primitivos, dos quais alguns compõem o acervo do museu arqueológico que funciona nas ruínas do Recolhimento de Santa Teresa (1764), localizado nas proximidades.

A propósito desse passado histórico, ressalta-se a construção em 1716 da Igreja de São Sebastião de Itaipu, monumento histórico-arquitetônico do município.

Os antigos habitantes tinham a pesca como uma de suas atividades principais e foram expulsos pelos portugueses ainda no período colonial. A partir de então, teve início a exploração da terra através da doação de sesmarias.

Mantendo a sua tradição pesqueira, além de ter presenciado o desenvolvimento da atividade agrícola nas fazendas que aí foram instaladas, Itaipu pertenceu ora ao município de Niterói, ora ao Município de São Gonçalo.

Uma outra atividade na região foi o desembarque clandestino de negros cativos para o abastecimento do mercado de escravos.

Já na década de 40 deste século, o desmembramento de três fazendas deu origem aos loteamentos que vieram a formar o bairro de Itaipu.

A partir dos anos setenta, como em toda a Região Oceânica, Itaipu foi palco de um intenso movimento migratório proveniente de alguns bairros de Niterói, de outros municípios do estado e da cidade do Rio de Janeiro – estimulado pela construção da ponte Rio-Niterói, que facilitou o acesso à Niterói.

Inicialmente predominavam as moradias de veraneio. Aos poucos, Itaipu foi assumindo um perfil mais residencial, sendo hoje um dos bairros de maior crescimento populacional do município.

O bairro foi constituído por uma população de estratificação social diversificada, refletindo deste modo a realidade brasileira. Apesar desta diversidade, predomina atualmente uma população de classe média que se estabeleceu em praticamente todas as áreas do bairro.

Quanto à população de baixa renda, existem dois grupos bem distintos que se estabeleceram em períodos e por motivos diferentes. Um destes grupos é composto pelos pescadores da localidade conhecida como Canto de Itaipu, de ocupação muito antiga. Suas atividades tiveram origem na herança cultural deixada pelos indígenas do local. Hoje, porém, esse grupo enfrenta inúmeros problemas sociais. O incremento populacional ocorrido a partir da década de 70 e o fluxo de turistas trouxeram uma série de transformações no modo de vida da comunidade de pescadores, o que resultou em sua descaracterização.

Entre suas modestas casas encontramos vários bares especializados em frutos do mar, sendo que, dos 21 bares existentes, apenas 04 ainda pertencem a pescadores locais segundo a ALPAPI (Associação Livre dos Pescadores e Amigos de Itaipu). Houve uma mudança radical de mentalidade na comunidade, influenciando jovens a não seguirem o ofício de seus pais.

O outro grupo que podemos ressaltar constitui a população que se instalou muito recentemente em algumas áreas da orla da lagoa, iniciando, assim, um incipiente processo de favelização.

Existe, também, uma população de classe média-alta instalada nos diversos condomínios residenciais horizontais que proliferaram na região a partir dos anos 80 e que ainda hoje se expandem ocupando, em algumas ocasiões, áreas de proteção ambiental, o que tem gerado alguns conflitos entre as construtoras, os grupos ambientalistas e o poder público.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio em Itaipu localiza-se com maior intensidade na antiga estrada Celso Peçanha e no Canto de Itaipu, atendendo inclusive aos moradores dos demais bairros da Região Oceânica. Nesta via há uma maior diversificação do comércio tendo surgido alguns centros comerciais com lojas variadas. Destaca-se, também, a grande quantidade de padarias, vídeo-locadoras, imobiliárias e, principalmente, lojas de materiais de construção e mercados de médio porte. Já no Canto de Itaipu, o comércio está restrito aos bares e pequenos restaurantes especializados em frutos do mar.

Um dos maiores problemas levantados pelos moradores é a questão do transporte coletivo, pois apenas poucas linhas fazem a ligação com o Centro de Niterói, havendo também as linhas que fazem a ligação do bairro com outros municípios. Como boa parte da população utiliza a bicicleta como meio de transporte, faz-se necessária a construção de uma ciclovia ao longo das avenidas principais de modo a oferecer maior segurança aos usuários.

O bairro carece de um número maior de equipamentos como escolas, postos de saúde, bancos, viaturas policiais e telefones públicos. Esse problema ainda é agravado pela ausência desses equipamentos em bairros vizinhos, cujos moradores suprem suas necessidades procurando pelos serviços existentes em Itaipu.

Algumas ruas encontram-se sem pavimentação, pois os serviços de infra-estrutura não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do bairro.

Problemas ambientais de proporção acentuada são presenciados em Itaipu. Entre os mais graves estão: a poluição, colmatação, assoreamento e processo de extinção do ecossistema original da lagoa de Itaipu, pois o volume do esgoto sanitário lançado sem tratamento na lagoa aumenta a cada ano.

O processo de assoreamento foi iniciado com a abertura do canal permanente, pela Veplan Imobiliária, ligando a lagoa ao mar e reduzindo consequentemente o espelho d’agua. O problema agravou-se com a ocupação irregular e aterros ilegais no seu entorno e devido também à sedimentação do fundo da lagoa, diminuindo consequentemente a sua profundidade. A fauna original sofre alterações com o aumento da poluição, sentenciam a extinção do ecosistema local, causando um impacto na vida das famílias que dependiam do pescado na lagoa, antes rica em algumas espécies de peixes e camarão.

Outro problema é o desmatamento feito nas encostas dos morros principalmente na Serra da Tiririca que hoje constitui parque estadual. Isso é proveniente, em muitos casos, do loteamento de condomínios feitos por algumas construtoras, cujas obras encontram-se embargadas pelo poder público.

Já tradicional e incorporada à cultura local, a Festa de São Pedro de Itaipu com suas barracas de comidas típicas e diversões, atrai a população da cidade e mesmo de outros municípios.

Vale ressaltar que a população do bairro nos finais de semana, feriados e principalmente durante o verão – aumenta consideravelmente, tendo como maior atrativo a orla marítima. Nota-se na enseada de Itaipu a presença de várias embarcações, quer da Colônia de Pescadores ou mesmo de passeio, vindas, inclusive, de outros municípios. Com vocação turística por excelência, devido inclusive à beleza do lugar e as suas águas calmas, Itaipu sediou outrora em suas areias um hotel hoje desativado.

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Itacoatiara

Itacoatiara significa etmologicamente “pedra riscada”. A sua privilegiada geomorfologia costeira, isto é, a praia, a enseada e os costões rochosos, além de sua vegetação de restinga junto à praia, tornam o local um dos principais pontos turísticos do município. Tem como limites os maciços costeiros da Serra da Tiririca, que faz divisa com o município de Maricá e, por outro lado, o Morro das Andorinhas, que o separa do bairro de itaipu. O acesso à parte central do bairro se faz por uma única via, a entrada de Itacoatiara, que recebe o nome de Mathias Sandri a partir do posto policial. Neste ponto, até alguns anos atrás, havia um “mata-burro” para impedir a entrada de animais. Mathias Sandri e Francisco Felício foram os proprietários da região e os responsáveis pelo loteamento que deu origem ao bairro. As caracteristicas naturais de Itacoatiara, atrairam os novos proprietários e as primeiras construções foram “casas de praia”.

Hoje é bairro estritamente residencial, apresentando 995 habitantes e 306 domicílios (Censo Demográfico do IBGE/91) de padrão construtivo predominantemente alto (PMN/Sumac), distribuídos por suas alamedas batizadas com nomes de flores. O predomínio é de residências unifamiliares, algumas com a função de veraneio.

Os moradores de Itacoatiara sempre lutaram pela preservação do lugar – da vegetação, da praia, da tranquilidade – e durante anos impediram que as ruas fossem asfaltadas ou que estabelecimentos comerciais se instalassem no bairro. Destas lutas origina-se a SOAMI (Sociedade dos Amigos e Moradores de Itacoatiara) com área de abrangência a partir do posto policial.

Ainda nos limites do bairro, encontramos o caminho que se dirige a Itaipuaçu, no vizinho município de Maricá. Estabelecido a partir de antigas trilhas, neste caminho, em sua confluência com a Estrada da Itaipu (Estrada Francisco da Cruz Nunes) encontra-se uma pequena capela erigida em louvor a Nossa Senhora da Conceição.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A ocupação do bairro é quase total, restando poucos terrenos com alto valor de mercado. A expansão pode ser percebida no Morro das Andorinhas. O bairro conta com poucos estabelecimentos comerciais – padaria, loja “sport wear”, bar noturno e os quiosques da avenida beira mar, além da sede social da AFEA (Associação Fluminense de Engenheiros e Arquitetos) e do Pampo Clube, situado na beira da praia. Para suprir suas necessidades básicas, os moradores recorrem ao comércio dos bairros vizinhos de Itaipu e Piratininga; e buscam Icaraí e Centro quando necessitam de comércio e serviços diversificados.

Em relação ao transporte, apenas uma linha de ônibus faz a ligação de Itacoatiara com o Centro do município. A maior parte dos moradores possui automóvel particular, sendo este o principal meio de transporte utilizado.

Cercada pelos costões e dividida em duas partes por uma imensa pedra, a Praia de Itacoatiara, conhecida por suas águas traiçoeiras, era frequentada por banhistas apenas na parte que ficou conhecida como “prainha”, ou “praia dos bebês” e por pescadores, que se arriscavam nas suas pedras, com caniços e molinetes.

Atualmente a praia é frequentada em toda a sua extensão, com uma série de eventos sendo realizados na praia durante o ano, destacando-se as competições de Surf, – algumas do calendário nacional. Um outro esporte praticado no local, é o peculiar “surf de montanha”.

Durante a temporada de verão e nos finais de semana, Itacoatiara, como os demais bairros da Região Oceânica, recebe um fluxo muito grande de turistas, triplicando a sua população e gerando transtornos para os residentes.

Os principais problemas ambientais do bairro são os constantes desmatamentos de áreas de Mata Atlântica para a construção de residências e a descaracterização da vegetação de restinga.

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Camboinhas

A praia de Camboinhas foi cercada com arame farpado e a restinga e as dunas, onde existiam sítios arqueológicos e sambaquis, foram aplainadas a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes. As praias de Camboinhas e de Itaipu, que formavam uma única paisagem, foram separadas com a escavação de canal permanente, protegido por pedras, para acessar a marina que seria construída ao lado do apart-hotel erguido na restinga. A marina nunca existiu mas o canal permanente quebrou o ciclo natural de lagoa de arrebentação que Itaipú tinha – a de romper a sua barra arenosa, ligando-se ao mar, na época das chuvas. Este processo, que se repetia anualmente, permitia que os cardumes saíssem do mar, subissem a correnteza e desovassem no interior da lagoa, de águas calmas e protegidas, perpetuando espécies.

Com o beneplácito dos governos municipal, estadual e federal da época – final da ditadura militar – a Veplan Imobiliária não só rompeu o ciclo natural de renovação das águas e das espécies da lagoa de Itaipu, como também dragou o seu fundo – acarretando consequências trágicas para a vizinha Lagoa de Piratininga.

A dragagem teve o objetivo aumentar a faixa de areia próxima ao mar, a mais valorizada do empreendimento imobiliário; e facilitar o acesso de barcos de grande calado à marina do apart-hotel, marina que nunca saiu do papel.

A alteração do ecossistema continua a causar danos para as lagoas de Itaipu e de Piratininga, esta ligada a de Itaipu pelo canal de Camboatá e que vive permanente processo de assoreamento que se não for detido resultará na sua completa extinção. Por causa do desnível provocado pela dragagem do fundo da lagoa de Itaipu, as águas da lagoa de Piratininga sangram permanentemente para a de Itaipu e, desta, para o mar. O processo só se inverte na maré alta, insuficiente para renovar as águas da lagoa de Piratininga que, pouco a pouco, está desaparecendo e tendo as suas margens ocupadas por posseiros de todos os níveis e classes sociais.

A interrupção do ciclo natural das lagoas de Piratininga e de Itaipu devido a ação da Veplan Imobiliária é um problema ainda a ser solucionado.

No outro extremo de Camboinhas, partindo do canal artificial, vamos encontrar um costão quase abrupto, onde semi-oculta está a praia do Sossego que devido ao difícil acesso, preservou durante muito tempo a sua vegetação natural de restinga.

Da mesma forma que seus vizinhos, Camboinhas foi habitado por comunidades indígenas praticantes da pesca. Os portugueses que aí se estabeleceram também a praticavam. Somente muitos anos depois esta região iniciou seu processo de urbanização, a princípio apenas através do surgimento de residências de veraneio; posteriormente foi assumindo um padrão mais residencial, caracterizado por construções de padrão médio e alto. Deste modo, o bairro transformou-se num grande condomínio residencial horizontal. Seus moradores organizaram-se com o objetivo de resguardar os equipamentos e serviços do local, inclusive criando a SOPRECAM (Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas), através da qual tomaram para si a tarefa de gerenciamento do bairro. Esta entidade funciona de tal forma hoje, que sua organização permite administrar e manter os serviços de abastecimento de água, instalação sanitária, reforço de segurança interna e até mesmo conservação das vias públicas, praças e jardins, dentre outros serviços.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio em Camboinhas está restrito aos quiosques na orla marítima, que atendem sobretudo aos veranistas que freqüentam a praia, não sendo desejado pelos moradores a instalação de novos estabelecimentos comerciais.

Com exceção do posto policial, não existem equipamentos públicos para a prestação de serviços no bairro. Os moradores costumam utilizar o comércio e os serviços existentes em bairros vizinhos, principalmente Itaipu e Piratininga, ou mesmo no Centro de Niterói e Icaraí.

Não existem linhas de ônibus operando no bairro, pois os moradores temem que haja uma invasão de turistas no período do verão beneficiados pela facilidade de acesso que estas proporcionariam. Sem dúvida alguma, o principal meio de transporte utilizado pelos moradores são os automóveis particulares, sendo que a bicicleta também é muito utilizada para pequenas distâncias.

O convívio entre a população residente e a população flutuante é muitas vezes conflituosas, pois o grande fluxo de veranistas de fins-de-semana, utilizando-se de estacionamentos irregulares, acaba congestionando o sistema viário.

Vale ressaltar que o bairro continua crescendo em ritmo acelerado, o que pode ser percebido claramente através do grande número de construções em curso.

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Engenho do Mato

O Engenho do Mato faz limite com os seguintes bairros: Itaipu, Jacaré, Rio do Ouro, Várzea das Moças e ainda com o município de Maricá, pela Serra da Tiririca. O bairro surgiu da partilha da Fazenda Engenho do Mato, que tinha como função principal a produção de banana prata e grande variedade de hortifrutigranjeiros, destinados principalmente ao centro consumidor de Niterói. Na área desta fazenda foram feitos dois loteamentos: o primeiro denominado “Jardim Fazendinha de Itaipu” e o segundo “Parque da Colina”, ambos obedecendo ao Decreto-Lei número 3.079 de 15 de setembro de 1938.

A partir dos anos 50, a região passou a ser ocupada por posseiros que desenvolviam atividades agrícolas e acabaram sofrendo ameaças de expulsão com a venda dessas terras, o que só não ocorreu em função de uma ação governamental que desapropriou a área visando a instalação do núcleo colonial da Fazenda do Engenho do Mato, Decreto nº 7.577 de 2 de agosto de 1961. Tal ação surgiu a partir da tentativa de evitar um possível êxodo dessa população para o centro urbano e também para garantir a continuidade de uma produção agrícola próxima à cidade de Niterói, além de evitar a derrubada da mata existente, rica em madeira de lei. A área desapropriada alcançava aproximadamente 52 alqueires.

Posteriormente, nos anos 70, sugiram os loteamentos que foram responsáveis pela configuração atual do bairro como: Maravista, Soter, Argeu, Fazendinha, Vale Feliz e Jardim Fluminense.

Atualmente, grande parte da área plana é ocupada por residências de moradores de classe média que, em sua maior parte, teve acesso à terra a partir da compra direta aos posseiros mais pobres. A população de baixa renda localiza-se principalmente no Jardim Fluminense e nas encostas da Serra da Tiririca.

As propriedades, antes destinadas à veraneio ou finais de semana, hoje apresentam-se como local de moradia permanente de uma população que tem como remanescentes da vida rural a tranqüilidade e a paisagem, bem como a proximidade com as praias oceânicas. Estes são os principais elementos atrativos e de valorização dos terrenos do bairro. A entrada do capital imobiliário, somado ao asfaltamento das principais vias de acesso ao Engenho do Mato, resultaram nas altas taxas de crescimento anual da população a partir da década de 1970.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Observamos a presença de lojas de materiais de construção, bares, mercados de médio porte e postos de gasolina, concentrados sobretudo ao longo da Avenida Central, atualmente pavimentada e uma das principais vias de ligação com outros bairros e com a estrada Amaral Peixoto. Já ao longo da estrada do Engenho do Mato, destacam-se alguns bares e casas noturnas. Em relação ao comércio mais especializado, a população procura os estabelecimentos existentes na estrada Celso Peçanha ou mesmo em Icaraí e Centro de Niterói.

Quanto aos equipamentos públicos, existe um Posto de Saúde, um módulo do Médico de Família, o CIEP Rui Frazão, a Escola Estadual Fagundes Varela, um setor da Fundação Leão XIII e a Creche Municipal Olga Benário Prestes.

Com relação ao transporte coletivo, duas empresas de ônibus prestam serviços a este bairro, sendo que uma explora duas linhas que trafegam na estrada Engenho do Mato, ligando Itaipu ao Centro de Niterói e a Alcântara; e a outra trafega pela Avenida Central ligando Várzea das Moças ao Centro, operando, segundo a população, com horários e freqüência incompatíveis com as necessidades, sobretudo durante a noite e nos finais de semana.

Como evento popular temos a Festa Country do Engenho do Mato que tornou-se um acontecimento marcante, não só do local como de todo o município, sendo responsável pela instalação de um Parque Rural, onde se pretende , além da criação de uma escola de equitação, realizar cursos profissionalizantes para tratadores de animais, promoção de encontros ecológicos e de educação ambiental , possibilitando a criação de novo polo turístico.

Entre os problemas observados no bairro, destacam-se: os desmatamentos na encosta da Serra da Tiririca, atenuado pela criação do Parque Estadual; a insuficiência de redes para abastecimento de água e de esgotamento sanitário, problemas comuns a toda Região Oceânica, e a falta de pavimentação de grande parte de seu sistema viário.

Devido a recente valorização destes terrenos, nota-se a presença cada vez maior de uma população de classe média instalando-se nos terrenos disponíveis, sobretudo ao longo dos loteamentos existentes nas proximidades da Avenida Central.

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Piratininga

Piratininga localiza-se no entorno da lagoa de mesmo nome, entre o Oceano Atlântico, a Serra Grande e o Morro da Viração, limitando-se com Itaipu, Cafubá, Camboinhas, Jacaré, São Francisco e Charitas e Jurujuba.

O bairro, originado em parte da sesmaria doada a Cristóvão Monteiro, tinha na pesca a sua atividade mais marcante, tendo inclusive sediado uma colônia de pescadores na localidade conhecida como Tibau. Com o surgimento das grandes fazendas na Região, como a denominada Piratininga, pertencente a Manuel de Frias e Vasconcelos, a área passa a produzir açúcar, aguardente e café, além de culturas de subsistência. Essa produção seguia, por terra ou mar, até a enseada de Jurujuba.

Com o passar do tempo o interesse pela área torna-se crescente e, a partir dos anos 60, vários loteamentos irão surgir. Durante o processo de nova configuração espacial do bairro, os posseiros sempre tiveram presença marcante sendo até hoje motivo de impasse, envolvendo as empresas imobiliárias, proprietários e o poder público. A área ao redor da lagoa de Piratininga é a de maior conflito e também a que reúne o maior contingente de população de baixa renda.

Desde a década de 70 o bairro vem sendo ocupado por população de classe média, em virtude da melhoria das vias de acesso e da beleza do lugar: a praia, a lagoa, as ilhas, os costões e vegetação de restinga. Essa rápida ocupação já acabou com o extenso areal, as pitangueiras e os coqueiros que existiam.

Destaca-se ainda em seus limites a praia e o Forte de Imbuí, cuja entrada principal dá-se através do bairro de Jurujuba e que fazia parte do sistema de defesa da entrada da Baía de Guanabara.

Há cerca de 40 anos o navio Madalena, luxuoso transatlântico da Mala Real Inglesa, encerrando a sua viagem inaugural, chocou-se com uma das pedras Tijucas, próximas à Baía de Guanabara. Após o resgate dos passageiros o navio soltou-se devido aos ventos e à maré. Na tentativa de salvá-lo, o navio partiu-se ao meio: uma parte afundou e a outra acabou encalhando nas areias da praia de Imbuí.

Conforme dados obtidos através do Censo do IBGE/1991, o bairro de Piratininga tem registrado nas últimas décadas uma das maiores taxas médias de crescimento populacional de todo o município. As taxas registradas nos períodos 70/80 e 80/91 foram consideravelmente superiores à média do município para os mesmos períodos. Na década de 70 a taxa média de crescimento de Piratininga esteve por volta de 4,83%, o que representava o 14º maior crescimento entre os bairros de Niterói, enquanto o município em sua totalidade registrava 2,55%. Já no período 80/91 o bairro obteve uma aceleração no crescimento se comparado ao período anterior, marcando a taxa de 11,08% passando a ser o 3º maior crescimento entre os bairros. O crescimento deste período é ainda mais significativo quando comparado à taxa média do município, que foi de 0,85%.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Piratininga tem assumido, no conjunto da região, um papel de destaque no que se refere principalmente a oferta de comércio e serviços. O bairro possui um número significativo de supermercados, bares, restaurantes, lojas de materiais de construção, lojas de conveniência, agências de automóveis e outros, distribuídos ao longo de suas vias principais, ou ainda, concentrados em centros comerciais. Este fato, aliado à proximidade com as praias oceânicas, têm transformado o bairro num dos principais núcleos de lazer de todo o município. Destaca-se ainda como equipamento de lazer o Iate Clube de Piratininga.

A localização espacial de Piratininga – “porta de entrada” da Região Oceânica – é um elemento estratégico para o desenvolvimento do local. A antiga estrada Celso Peçanha, atual estrada Francisco da Cruz Nunes, a principal do bairro, é importante via de acesso aos outros bairros da região e às praias.

Quanto aos equipamentos públicos, encontramos no setor de educação a Escola Municipal Francisco Portugal Neves, que atende aos dois segmentos do primeiro grau e a Escola Estadual Almirante Tamandaré, que atende ao primeiro segmento do 1º grau. O setor de saúde conta com duas unidades, sendo uma localizada próxima ao trevo de Piratininga e a outra na localidade do Tibau.

A PROBLEMÁTICA DA LAGOA DE PIRATININGA

Os mais graves problemas ambientais do bairro estão relacionados com a sua lagoa. Primeira de uma seqüência de quinze lagoas que se estendem até município de Cabo Frio, a Lagoa de Piratininga sofre atualmente inúmeras formas de agressão, cujas origens remontam à abertura do Canal do Camboatá pelo DNOS (1946) ligando-a à vizinha Lagoa de Itaipu.

O Canal do Camboatá funcionou como elemento drenante da água da Lagoa de Piratininga, sobretudo após a abertura permanente da barra de Itaipu pela Veplan (1979), provocando um grande esvaziamento e, consequentemente, reduzindo o seu espelho d’água. Tais modificações causaram alterações drásticas no ecossistema da região, pois o reduzido volume d’água de Piratininga não mais permitia o rompimento periódico da barra da lagoa e a renovação das águas no seu interior, fator importante para a regulação do ciclo biológico.

A diminuição do volume d’água da lagoa e o conseqüente surgimento de áreas marginais secas, somados aos freqüentes aterros irregulares, vem reduzindo a sua extensão a cada dia, possibilitando o parcelamento e a ocupação do seu entorno. Por sua vez, esta ocupação desordenada e irregular sentenciou a fauna e a flora originais do local, sobretudo no que diz respeito às formações vegetais típicas de restinga, praticamente extintas de suas margens.

Outro grave problema que aflige a lagoa é à poluição causada pelo despejo do esgoto domiciliar sem tratamento em seu interior. Pela inexistência de uma rede de tratamento de esgotos em toda a Região Oceânica, as Lagoas de Piratininga e de Itaipu acabam transformando-se em grandes receptáculos de esgoto doméstico, situação esta que causa freqüentes mortandades de peixes.

Certamente é a população de antigos pescadores a que mais sofre as conseqüências dos efeitos da degradação da Lagoa de Piratininga, pois diversas espécies de crustáceos estão desaparecendo e o pescado está reduzido a níveis que não permitem a subsistência de suas famílias. Somente uma intervenção conjunta da sociedade e do poder público poderá resgatar um dos maiores patrimônios paisagísticos do município.

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