Gragoatá é um dos menores bairros de Niterói e o que apresenta menor número de habitantes, tendo como limites São Domingos e Boa Viagem, além das águas da Baía de Guanabara.

O seu território pertencia à Sesmaria dos Índios Temiminós – doada com o objetivo de fixá-los deste lado da baía, para que ajudassem na defesa do Rio de Janeiro contra possíveis invasões e na luta contra os Tamoios (aliados dos franceses). O fato demonstra a importância estratégica que a “Banda d’Além” tinha para a defesa do litoral fluminense e por isso mesmo, em Niterói, foram erguidas diferentes fortificações, entre elas o Forte Gragoatá.

O Forte Gragoatá, construído entre o final do século XVII e o início do século XVIII, é o principal monumento histórico do bairro. A origem do seu nome está ligada a uma planta bromeliácea denominada Gravatá, que foi abundante no local. O Forte Gragoatá também já se chamou, em diferentes épocas, São Domingos, Gravatá, Caracuatá e Caraguatá. Por sua posição, num recôndito da entrada da Baía de Guanabara, ele foi conservado sem regularidade, sendo artilhado e desartilhado de acordo com a ocasião. Na época do ataque do corsário Dugway-Tröin ao Rio de Janeiro (1711) estava desartilhado e não ofereceu resistência. Os seus dias de glória aconteceram durante a Revolta da Armada (1893) quando o Batalhão Acadêmico, um dos que se formou para defender Floriano Peixoto, resistiu atrás de suas muralhas aos bombardeios do cruzador Tamandaré e do encouraçado Aquidabã, ajudando Niterói a receber a denominação de Cidade Invicta. Em homenagem a este feito, formalmente passou a chamar-se Forte Batalhão Acadêmico.

Nos planos de arruamento de Niterói datados do século passado já se previa a construção de uma via que ligasse a Ponta D’Areia a São Francisco, pelo litoral. No entanto, só recente (década de 80) foi construída mudando totalmente a paisagem do lugar. O morro contíguo ao forte foi cortado e a praia do Fumo (ao lado da praia Vermelha), aterrada. Surgiu a atual Avenida Litorânea e no aterro foram construídos mais tarde os prédios da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O bairro é um quadrilátero de ruas (Passo da Pátria, Cel. Tamarindo, Av. Litorânea, Presidente Domiciano) que circundam o morro do Gragoatá. Nestas ruas coexistem edificações antigas e recentes, onde o padrão arquitetônico de alguns destes imóveis ainda existentes testemunham que residiram no bairro migrantes europeus. Na esquina das ruas Presidente Domiciano e Passo da Pátria, a Western Telegraph Co. Ltda possuia residência para seus funcionários solteiros conhecida como “Chácara dos Ingleses”. O mesmo prédio, depois, abrigou o Colégio Icarahy, o Serviço das Águas, a Faculdade de Engenharia e atualmente Faculdade de Arquitetura da UFF, que ainda está lá. Os estrangeiros também influenciaram na fundação, em 1895, do Grupo de Regatas Gragoatá, para a prática do remo.

Na década de 70 foi construído no Morro do Gragoatá o Hotel Praia Grande, uma tentativa de criar condições para o desenvolvimento do turismo em Niterói. Para mantê-lo funcionando o Governo do Estado do Rio de Janeiro, proprietário do hotel, o arrendou por duas vezes a diferentes empresas hoteleiras. Hoje o hotel está desativado e o prédio em completo estado de abandono.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta ocupação horizontal, com densidade demográfica de 731 hab/km²( com função predominantemente residencial, o Gragoatá é um agradável lugar para se morar.

O Forte Gragoatá, tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), abriga hoje o Comando da 12ª Brigada de Infantaria. Apesar das alterações nas edificações em seu interior, o Forte continua sendo um dos pontos turísticos mais bonitos de Niterói. É também intensa a afluência de pintores paisagistas ao local motivados pela deslumbrante vista que de lá se descortina.

Ao longo da calçada da Av. Litorânea, tendo o privilégio de desfrutar da beleza da paisagem, é freqüente a prática de caminhadas, corrida e principalmente pescaria.

A história do Gragoatá está intimamente ligada ao bairro de São Domingos, sendo na realidade um prolongamento deste. Os melhoramentos urbanos, como o arruamento e o cais, foram uma extensão das obras de São Domingos. Só posteriormente o Gragoatá passou a ser um nome mais conhecido, tanto é que o CIEP Geraldo Reis, localizado em São Domingos, é conhecido como CIEP Gragoatá e o Campus da UFF, no aterrado Praia Grande, também é chamado de Campus do Gragoatá, apesar da maior parte da área e dos prédios ficarem em São Domingos. Observa-se também uma tendência encontrada em São Domingos – o uso de prédios antigos por bares, consultórios, escolas e pensões.

One response to “Gragoatá”

  1. Os prédios da UFF estão no bairro do Gragoatá ou da Boa Viagem ?
    Quais os limites oficiais destes bairros ?

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