Situado a Leste da entrada da Baía de Guanabara, o bairro de Jurujuba é uma península cercada pelas águas oceânicas e da própria baía, limitando-se por terra com Charitas, próximo ao cruzamento entre Avenida Carlos Ermelindo Marins e o caminho para o Forte Imbuí; e com Piratininga, pela linha de cumeada do Morro do Ourives.

Na área há o predomínio de morros, variando suas altitudes de 39m (Morro do Lazareto) a 263m (Morro do Macaco). Elevações que se estendem até a orla, muitas vezes sob a forma de escarpas rochosas que terminam abruptamente no mar, entremeadas de pequenas enseadas e praias. A parte plana é pouco significativa, à exceção da área conhecida como Várzea. Em algumas partes ainda existe cobertura vegetal.

A ocupação inicial do lugar, no período colonial, deu-se com a distribuição das terras a sesmeiros, registrando-se também a presença de jesuítas. Naqueles tempos foi significativa a extração de madeiras. Entretanto, a topografia e a localização de Jurujuba explicam a função desempenhada pelo lugar na história da cidade, destacando-se o estabelecimento de uma colônia de pescadores e a criação de um sistema de defesa para proteger a entrada da Baía de Guanabara das invasões que ocorreram a partir do séc. XVI.

O sistema de defesa é integrado pela Fortaleza de Santa Cruz e pelos Fortes Rio Branco, Imbuí e São Luís — este último conhecido como Forte do Pico, por estar localizado num platô na parte superior do Morro do Pico. Todo este sistema protegendo a entrada da Baía de Guanabara é de grande importância histórica e arquitetônica, destacando-se a Fortaleza de Santa Cruz. A origem da Fortaleza data de 1555, com a colocação de dois canhões por Villegaignon, que comandou a invasão francesa ao Rio de Janeiro. Com a expulsão dos franceses, os portugueses se preocuparam em ocupar o lugar e realizaram obras de ampliação, denominando-o de Bateria de Nossa Senhora da Guia. Ao longo dos anos, obras foram sendo realizadas dotando-o de novas instalações e armamentos, trazidos da Europa. Foram construídas casamatas, paiol, calabouço, a “Cova da Onça” (destinada a tortura de presos), a capela de Santa Bárbara e instalados canhões poderosos.

Em 1943 foi aberta a Estrada General Eurico Gaspar Dutra, em plena rocha granítica, permitindo acesso de veículos por Jurujuba, pois antes o local só era acessível por mar e por um estreito caminho na pedra. A Fortaleza, pelo seu isolamento, serviu como prisão em várias épocas da história e nela ficaram recolhidos nomes ilustres do cenário político brasileiro.

Hoje a Fortaleza e os canhões, tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, constituem locais de visitação pública, sendo importante pólo turístico da cidade.

As atividades pesqueiras, o aparecimento de restaurantes e clubes, a expansão da ocupação urbana com a favelização das últimas décadas, concorreram para a diversificação das características de Jurujuba.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

A atual feição urbana é caracterizada por considerável ocupação de encostas, inclusive pela escassez de áreas planas. Nas partes baixas localizam-se as moradias mais antigas, cuja população ainda desenvolve atividades ligadas à pesca. Em outras áreas, parentes e descendentes próximos dos pescadores se instalaram. Alguns destes mantiveram-se fiéis à tradição, são pescadores; mas outros buscaram em outras atividades o seu sustento.

Algumas áreas de encostas encontram-se bastante adensadas, entre estas destacam-se os morros Salina, Peixe-Galo e Lazareto. Este deve a sua denominação a instalação em 1855 de um Lazareto num prédio então existente, em decorrência de um surto de cólera.

O bairro de Jurujuba apresenta uma densidade demográfica baixa, não possuindo indicativo de mudança desta tendência devido a grande área militar que ocupa o seu território, além das dificuldades de acesso e da falta de áreas planas.

A malha viária do bairro é constituída por uma única via de acesso, a Avenida Carlos Ermelindo Marins, que começa no bairro vizinho de Charitas e segue pela orla marítima até Jurujuba. A via apresenta trechos onde o tráfego exige bastante cautela, em função do estreitamento decorrente das características físicas da área. A Estrada General Eurico Gaspar Dutra também apresenta essas características, fazendo ligação entre a praia de Jurujuba e a Fortaleza de Santa Cruz, passando ainda pelas praias de Adão e Eva. O tráfego na estrada é intenso nos finais de semana, especialmente no Verão.

O transporte coletivo é explorado no bairro por uma única empresa de ônibus, que faz a ligação com o Centro. Em horários restritos há um prolongamento do percurso até a Fortaleza de Santa Cruz.

O comércio do bairro localiza-se, principalmente na Avenida Carlos E. Marins e está tradicionalmente representado por bares e restaurantes que ocupam, sobretudo, o trecho final desta avenida, junto à praia de Jurujuba. Em geral têm como especialidade frutos-do-mar, existindo estabelecimentos com mais de duas décadas de funcionamento, havendo também alguns traillers na praia de Jurujuba e na praia da Eva. Estes estabelecimentos atendem aos que procuram o local como opção de lazer. Também está sediado no bairro o Jurujuba Iate Clube

A colônia de pesca Z8 é servida por pequeno entreposto para carga e descarga de pescado, bem como a comercialização de produtos destinados às embarcações.

O declínio das atividades pesqueiras, provocado pela redução da quantidade e qualidade de peixes na Baía de Guanabara e pela falta de incentivos governamentais, tem reflexos não só nos aspectos sócio-econômico, mas também culturais, uma vez que se verifica um distanciamento cada vez maior entre a pesca e o cotidiano da população local.

Os equipamentos públicos de saúde do bairro são representados por um módulo do programa Médico de Família e uma unidade municipal de saúde. Na área educacional encontra-se em funcionamento uma Creche Comunitária e um colégio estadual que atende da pré-escola ao 2º grau, oferecendo também ensino noturno. O bairro apresenta alguns problemas ambientais devido a ocupação de suas encostas, as indústrias aí instaladas e à precariedade dos serviços de infra-estrutura básica.

FESTA DE SÃO PEDRO

Além da sua bela enseada, Jurujuba, que em língua nativa significa “papagaio amarelo”, apresenta como atrativo a tradicional Festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, no dia 29 de junho. Realizada anualmente há várias décadas, hoje a festa conta, entre outras atividades, com a ornamentação do andor pela comunidade, com uma alvorada festiva, com uma missa e com uma procissão marítima.
Durante o período de comemorações realiza-se grande quermesse em que ocorrem leilões, shows artísticos, dança de quadrilhas, brincadeiras e jogos. As diversas barracas comercializam variadas comidas típicas, doces e bebidas. No encerramento, sempre há grande queima de fogos.

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