O Centro limita-se com os bairros vizinhos de São Lourenço, Ponta D’Areia, Fátima, Morro do Estado, Ingá, São Domingos e Icaraí e é banhado em parte pelas águas da Baía de Guanabara.

Nos primórdios da colonização o Centro fazia parte da Sesmaria do Cacique Araribóia que construiu, no alto do estratégico Morro de São Lourenço, a principal aldeia de seus domínios. Boa parte do território pertencente a Araribóia ficou desocupado, facilitando o estabelecimento do colonizador. Assim começou a ocupação de São Domingos e de toda a área da Praia Grande – de onde partiam trilhas em direção ao interior, através dos vales. Nesses povoados foram construídos atracadouros onde também comercializavam-se produtos procedentes do interior e produtos que chegavam pelo mar.

O relevo predominante era o de planície arenosa, com colinas suaves debruçadas sobre a Baía de Guanabara, o que facilitava a atracação de barcos e os contatos com o outro lado da baía. Em 1817 Niterói foi elevada a categoria de Vila tendo São Domingos por sede. D. João VI freqüentava São Domingos hospedando-se, quando em visita, num Palacete doado com esta finalidade. Mas como o lugar não comportava a edificação de prédios públicos como a Cadeia, a Câmara e o Pelourinho, a sede da Vila acabou sendo transferida para Praia Grande.

Ainda no início do séc. XIX, 1820, foi traçado um plano urbanístico para a área que viria a se tornar o atual Centro de Niterói. Este plano previa a construção de cinco ruas paralelas ao mar e oito perpendiculares, cruzando em ângulo reto com várias praças.

Quando a Cidade do Rio de Janeiro foi transformada em Município Neutro e sede do Governo Imperial, em 1834, tornou-se necessário escolher o local para instalar o Governo Provincial. Assim, a Vila Real da Praia Grande foi elevada a categoria de Cidade, denominando-se Nictheroy, passando a ser a capital da Província do Rio de Janeiro. A importância político-administrativa deu novo impulso a cidade e o seu crescimento tornou-se cada vez mais visível – com a multiplicação das edificações públicas, comerciais, residenciais e também a abertura de novas ruas. No final do séc. XIX e início do séc. XX novos caminhos vieram interligar os futuros bairros de Nictheroy.

Observando-se a série histórica, a população residente do Centro vem diminuindo o seu percentual de participação na população total do Município: 7,01%, 5,67% e 4,96% nas décadas de 70, 80 e 91 – respectivamente. Hoje 5% da população da cidade residem no Centro.
CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

Uma das características do Centro de Niterói é a existência, até nossos dias, de algumas edificações que datam do final do séc. XIX e coexistem com prédios novos, construídos sobretudo no pós-guerra. Herança dos primeiros planos urbanísticos, o Centro é dotado também de praças importantes como a do Rink, a da República e o Jardim São João.

O Rink, que já se chamou também Campo de Dona Helena e Largo da Memória, sediou as atividades político-administrativas da Província. O Jardim São João, onde foi construída a Igreja Matriz, era a sede religiosa. Já a Praça da República foi erguida para lembrar o fato histórico e os homens que por ela lutaram, sendo que nos anos setenta foi totalmente destruída e no seu lugar fincado o “esqueleto” de um prédio que permaneceu inacabado até o final da década de 80, quando foi implodido pelo Governo Estadual. A Praça da República foi reconstruída com a preocupação de se respeitar as suas características originais.

É ao redor da Praça da República que está um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Município constituído pelos prédios do Liceu “Nilo Peçanha”, da Câmara Municipal, da Polícia Civil, do Palácio da Justiça e da Biblioteca Pública Estadual. O conjunto é testemunho vivo da arquitetura do final do séc. XIX e as edificações são tombadas pelo Patrimônio Histórico.

O Centro continua desempenhando relevante papel como sede do Poder, tanto pela presença do Executivo municipal, do Legislativo, quanto do Forum e da igreja Matriz. Historicamente local de grande concentração comercial e de serviços, o Centro assistiu na década de 70 a migração de muitas lojas para outros bairros da cidade. Mas hoje em dia vive processo de rejuvenescimento comercial, com a instalação de shoppings centers. Assinala-se também a proliferação do comércio informal (ambulantes), consequência das dificuldades estruturais da economia brasileira.

No que se refere à vida financeira, o Centro ainda concentra a maior quantidade de agências bancárias e de casas de câmbio. A atividade, entre outras, contribui para o aumento da população flutuante, representada pelo grande número de pessoas procedentes do próprio Município e de municípios vizinhos, que circulam pelo Centro por ele ser ponto de passagem em direção ao Rio de Janeiro – através das barcas, aerobarcos e ônibus – e por ser a sede do novo terminal rodoviário que revolucionou e disciplinou o tráfego de veículos no Centro. A Praça Araribóia, fronteiriça a estação das Barcas, continua a ser um dos lugares mais movimentados de Niterói.

O Centro da cidade, em termos culturais, apresenta significativos equipamentos: o Teatro João Caetano e a Sala Carlos Couto, vários cinemas, além da Casa Norival de Freitas – esta em processo de restauração.

Um dos maiores problemas do bairro, a poluição do ar provocada pelo grande número de veículos em circulação, começou a melhorar assim que ficou pronto o Terminal Rodoviário João Goulart onde fazem ponto dezenas de linhas de ônibus, antes espalhados pelas ruas do Centro. Mas ainda restam problemas residuais a serem equacionados, dificuldades comuns a qualquer centro urbano movimentado.

As perspectivas para o futuro são otimistas. A revitalização urbana promovida pela Prefeitura de Niterói molda o novo Centro, onde empreendimentos imobiliários estão sendo lançados a todo momento, valorizando a região.

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