Itaipu apresenta registros de ocupação ocorrida há 8 mil anos por comunidades indígenas, fato comprovado através de estudos realizados no Sítio Arqueológico da Duna Grande. Lá foram observados restos de ossos e de utensílios primitivos, dos quais alguns compõem o acervo do museu arqueológico que funciona nas ruínas do Recolhimento de Santa Teresa (1764), localizado nas proximidades.

A propósito desse passado histórico, ressalta-se a construção em 1716 da Igreja de São Sebastião de Itaipu, monumento histórico-arquitetônico do município.

Os antigos habitantes tinham a pesca como uma de suas atividades principais e foram expulsos pelos portugueses ainda no período colonial. A partir de então, teve início a exploração da terra através da doação de sesmarias.

Mantendo a sua tradição pesqueira, além de ter presenciado o desenvolvimento da atividade agrícola nas fazendas que aí foram instaladas, Itaipu pertenceu ora ao município de Niterói, ora ao Município de São Gonçalo.

Uma outra atividade na região foi o desembarque clandestino de negros cativos para o abastecimento do mercado de escravos.

Já na década de 40 deste século, o desmembramento de três fazendas deu origem aos loteamentos que vieram a formar o bairro de Itaipu.

A partir dos anos setenta, como em toda a Região Oceânica, Itaipu foi palco de um intenso movimento migratório proveniente de alguns bairros de Niterói, de outros municípios do estado e da cidade do Rio de Janeiro – estimulado pela construção da ponte Rio-Niterói, que facilitou o acesso à Niterói.

Inicialmente predominavam as moradias de veraneio. Aos poucos, Itaipu foi assumindo um perfil mais residencial, sendo hoje um dos bairros de maior crescimento populacional do município.

O bairro foi constituído por uma população de estratificação social diversificada, refletindo deste modo a realidade brasileira. Apesar desta diversidade, predomina atualmente uma população de classe média que se estabeleceu em praticamente todas as áreas do bairro.

Quanto à população de baixa renda, existem dois grupos bem distintos que se estabeleceram em períodos e por motivos diferentes. Um destes grupos é composto pelos pescadores da localidade conhecida como Canto de Itaipu, de ocupação muito antiga. Suas atividades tiveram origem na herança cultural deixada pelos indígenas do local. Hoje, porém, esse grupo enfrenta inúmeros problemas sociais. O incremento populacional ocorrido a partir da década de 70 e o fluxo de turistas trouxeram uma série de transformações no modo de vida da comunidade de pescadores, o que resultou em sua descaracterização.

Entre suas modestas casas encontramos vários bares especializados em frutos do mar, sendo que, dos 21 bares existentes, apenas 04 ainda pertencem a pescadores locais segundo a ALPAPI (Associação Livre dos Pescadores e Amigos de Itaipu). Houve uma mudança radical de mentalidade na comunidade, influenciando jovens a não seguirem o ofício de seus pais.

O outro grupo que podemos ressaltar constitui a população que se instalou muito recentemente em algumas áreas da orla da lagoa, iniciando, assim, um incipiente processo de favelização.

Existe, também, uma população de classe média-alta instalada nos diversos condomínios residenciais horizontais que proliferaram na região a partir dos anos 80 e que ainda hoje se expandem ocupando, em algumas ocasiões, áreas de proteção ambiental, o que tem gerado alguns conflitos entre as construtoras, os grupos ambientalistas e o poder público.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O comércio em Itaipu localiza-se com maior intensidade na antiga estrada Celso Peçanha e no Canto de Itaipu, atendendo inclusive aos moradores dos demais bairros da Região Oceânica. Nesta via há uma maior diversificação do comércio tendo surgido alguns centros comerciais com lojas variadas. Destaca-se, também, a grande quantidade de padarias, vídeo-locadoras, imobiliárias e, principalmente, lojas de materiais de construção e mercados de médio porte. Já no Canto de Itaipu, o comércio está restrito aos bares e pequenos restaurantes especializados em frutos do mar.

Um dos maiores problemas levantados pelos moradores é a questão do transporte coletivo, pois apenas poucas linhas fazem a ligação com o Centro de Niterói, havendo também as linhas que fazem a ligação do bairro com outros municípios. Como boa parte da população utiliza a bicicleta como meio de transporte, faz-se necessária a construção de uma ciclovia ao longo das avenidas principais de modo a oferecer maior segurança aos usuários.

O bairro carece de um número maior de equipamentos como escolas, postos de saúde, bancos, viaturas policiais e telefones públicos. Esse problema ainda é agravado pela ausência desses equipamentos em bairros vizinhos, cujos moradores suprem suas necessidades procurando pelos serviços existentes em Itaipu.

Algumas ruas encontram-se sem pavimentação, pois os serviços de infra-estrutura não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do bairro.

Problemas ambientais de proporção acentuada são presenciados em Itaipu. Entre os mais graves estão: a poluição, colmatação, assoreamento e processo de extinção do ecossistema original da lagoa de Itaipu, pois o volume do esgoto sanitário lançado sem tratamento na lagoa aumenta a cada ano.

O processo de assoreamento foi iniciado com a abertura do canal permanente, pela Veplan Imobiliária, ligando a lagoa ao mar e reduzindo consequentemente o espelho d’agua. O problema agravou-se com a ocupação irregular e aterros ilegais no seu entorno e devido também à sedimentação do fundo da lagoa, diminuindo consequentemente a sua profundidade. A fauna original sofre alterações com o aumento da poluição, sentenciam a extinção do ecosistema local, causando um impacto na vida das famílias que dependiam do pescado na lagoa, antes rica em algumas espécies de peixes e camarão.

Outro problema é o desmatamento feito nas encostas dos morros principalmente na Serra da Tiririca que hoje constitui parque estadual. Isso é proveniente, em muitos casos, do loteamento de condomínios feitos por algumas construtoras, cujas obras encontram-se embargadas pelo poder público.

Já tradicional e incorporada à cultura local, a Festa de São Pedro de Itaipu com suas barracas de comidas típicas e diversões, atrai a população da cidade e mesmo de outros municípios.

Vale ressaltar que a população do bairro nos finais de semana, feriados e principalmente durante o verão – aumenta consideravelmente, tendo como maior atrativo a orla marítima. Nota-se na enseada de Itaipu a presença de várias embarcações, quer da Colônia de Pescadores ou mesmo de passeio, vindas, inclusive, de outros municípios. Com vocação turística por excelência, devido inclusive à beleza do lugar e as suas águas calmas, Itaipu sediou outrora em suas areias um hotel hoje desativado.

2 responses to “Itaipu”

  1. Sabemos que algumas ruas do bairro encontram-se sem pavimentação, pois os serviços de infra-estrutura não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do bairro, logo já existe algum plano para pavimentação destas ruas?.

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  2. Hoje, ANO 2018, Itaipu possui agências de todos os banco, filiais de todas a farmácias, todas as grandes lojas, cerca de16 supermercados, hortifrutis, mais de 50 restaurantes dos mais sofisticados aos simples com todas as culinárias, hotéis e pousadas, bares com músicas ao vivo, fabricas de cervejas, pet shops, inumeras padarias, ônibus a todos os instantes para o Rio e bairros de Niterói, possui um clima de montanhas pelas florestas virgens que encobrem suas altas montanhas, possui um posto de saúde, uma UPA, igejas de todas as religiões, praia de Itaipu, praia de Itacoatiara, Piratininga, Camboinhas , Sossego , várias trilhas para caminhadas ecológicas, um centro de imagens médica moderno, 2 grandes ESQUELETOS de hospitais prontos e sem funcionamento, laboratórios de análise clínicas, um grande shopping com tudo que se procura, 6 salas de cinema modernissímas, etc…
    Falta em Itaipu o funcionamento destes dois hospitais, mais segurança, , praças de lazer e encontros dos moradores,
    centro cultural, atividades esportivas e de lazer, desfile cívico no dia da pátria, asfalto de ruas de terra, ORLA DA LAGOA COM CALÇADÃO E LAZER.
    Não dá para compreender :
    razão da diminuição dos estacionamentos de carros nas porta dos bancos e do comércio, diminuíndo seu faturamento por não ter onde estacionar os carros;
    corredor de 20 km para Ònibus BRT Charitas a entrada do Engenho do Mato, o que facilitará? trocar o ônibus já existente para as barcas e centro da cidade pagando R$4,00 podendo assim embarcar para o Rio numa lancha de R$5,00 OU pegar o BRT por não sei quanto e ir a Charitas que não tem nada que interessa ao povo da região oceânica a não ser ir para o Rio pagando R$16,00…
    OBRA DESNECESSÁRIA, atrapalhou a vida dos moradores em todos os sentidos…será bom para os que moram nas comunidades do PREVENTÓRIO para virem as praias oceânicas .
    Se fosse mesmo de 1ª necessidade já estaria funcionando, esta pronto.
    estão asfaltando a rua 52 do bairro Maravista, fazendo uma ponte atendendo seus moradores que pagam IPTU…não darão proceguimento no asfalto para as 53, 54, etc..nem mesmo as ruas EDUARDO LÚCIO PICANÇO E A RUA LUZITANIA, DISCRIMINANDO SEUS MORADORES COMO SE ESTES NÃO PAGASSEM IMPOSTOS, SÃO MAIS DE 2.000 RESIDÊNCIAS DISCRIMINADAS.
    faremos um movimento com a presença da Tv. GLOBO E JORNAIS,dia e hora em sigilo…teremos a presença de um show par atrairmos pessoas dos bairros vizinhos.

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